Meu Lar
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Santana ficou por alguns instantes ainda refletindo, apesar de já ter tomado sua decisão. Teria de acatar aquela chantagem para não prejudicar sua bebê e sua mãe, que tanto já lhe ajudara e agora contava com ela.
– Eu te odeio por isso. – vociferou mais uma vez.
– Você me odiar ou não, não vai mudar nada. E então? – exigiu uma resposta.
– Você não presta. – disse e Quinn arqueou a sobrancelha querendo uma resposta – Eu não tenho alternativa...
– Ótimo. Então agora você é minha namorada. – disse se aproximando perigosamente.
Quinn pegou Santana pela cintura e a puxou para si. A latina destilava raiva pelos olhos e dava para perceber que estava se segurando para não agredir a loira, que estava achando aquilo extremamente excitante.
Ainda encarando aqueles olhos fumegantes direcionou os olhos para a boca carnuda a sua frente e começou a se aproximar lentamente.
Embora todo o seu corpo gritasse querendo aquele contato, Santana ainda conseguiu se controlar, em termos, pois sem pensar duas vezes levantou a mão e desferiu um tapa no rosto de Quinn, deixando a marca de seus dedos no rosto branco.
A fúria que reinava nos olhos verdes era tanta, que a latina chegou a ter um vislumbre de medo, mas quando foi tentar se afastar para fugir de Quinn, sentiu os braços em sua cintura a trazendo ainda mais para perto e lábios raivosos tomaram os seus.
Tentou se debater e se afastar, mas Quinn havia lhe prendido de uma forma que mal conseguia se mover. Os lábios possessivos sobre os seus foram pouco a pouco a dominando e quando percebeu estava correspondendo ao beijo ardorosamente e tinha os braços em volta do pescoço da loira, a trazendo ainda mais para si.
O beijo foi brutal, mas nenhuma das duas conseguia se afastar. Quem tomou a iniciativa foi Quinn, que interrompeu o contato e passou o polegar pelos lábios inchados da latina, que estava totalmente sem reação.
– Nunca mais levante a mão para mim. – disse calma – Pois uma coisa que você nunca vai receber de mim é uma agressão física, então eu não admito que você sequer erga a mão em minha direção novamente.
Diante daquela postura repentinamente calma e carinhosa de Quinn, Santana se arrependeu do que havia feito. Concordava com a loira, agressão física era algo inaceitável em uma relação a dois e jamais toleraria que ela lhe levantasse a mão.
– Me desculpe. – pediu envergonhada – Eu perdi a cabeça.
– Não foi nada. Mas espero que não se repita. – falou séria – Me espere para jantar mais tarde, iremos anunciar nosso namoro a sua mãe. — selou os lábios da latina, saindo logo em seguida, deixando-a completamente atordoada e sem reação.
Quinn só podia ser bipolar. Santana não conseguia entender aquelas mudanças repentinas de humor que ela tinha. Numa hora estava esbravejando e sendo rude com ela, tendo atitudes desprezíveis; noutra era simplesmente calma e carinhosa.
Entretanto de uma coisa ela tinha certeza: se a loira decidira trata-la daquela forma, transformaria a vida dela num verdadeiro inferno. Ela aprenderia que ninguém mexia ou ameaçava Santana Lopez.
...
Maribel observava a filha desde que ela chegara em casa. Ela estava mais quieta do que de costume e só sorria verdadeiramente para Alí. Apesar de conversar com a mãe, esta sentia que estava sendo evitada e a filha sequer a olhava direto nos olhos. Conhecia Santana muito bem e sabia que alguma coisa estava errada.
– O que está havendo, mi hijá? – foi direta ao perguntar.
– Nada, madre. – respondeu evasiva, mas decidiu não prolongar o fato de Quinn ir jantar, para que não fosse pega de surpresa – Quinn vai vir jantar conosco.
– E você só me diz isso agora? Não fiz nada especial para o jantar. – disse angustiada.
– Qualquer coisa está bom.
– Há algum motivo especial para ela estar vindo. – jogou verde, pois estava estranhando a atitude da filha.
Santana não sabia como falar que estava ‘namorando’ Quinn. Não tinha segredos com a mãe e ainda naquela noite ela ficaria sabendo, mas não sabia como dizer aquilo sem mostrar seu desagrado com a situação. Maribel perceberia que havia alguma coisa de errado.
– Não é nada. Na hora em que a Quinn chegar nós falamos. – disse forçando um sorriso.
Aquela resposta pareceu convencer Maribel, que retribuiu o sorriso e logo voltou a seus afazeres, teria que dar uma incrementada no jantar para agradar Quinn.
Um pouco antes da refeição ficar pronta Quinn bateu à porta e foi atendida por uma Santana séria, que mal lhe esboçou um boa noite. Em contrapartida Alícia voou em sua direção, seguida de perto por Tobby, que agora não se jogava com tanta vontade contra a loira.
– Mamãe Quinnieee. – vibrou a menina pulando em seu colo.
Mais uma vez Quinn a pegou com todo o carinho que transbordava de si e a abraçou, enchendo sua face de delicados beijos. Santana não conseguiu ficar sem se espantar com aquela cena no mínimo doce. Por um instante seu coração se derreteu, mas logo voltou a endurece-lo.
Uma mulher que a forçava a manter um relacionamento que não queria não podia ser tratada com qualquer consideração por ela, mas o fato de Quinn tratar sua filha tão bem a deixara momentaneamente enternecida.
Maribel entrou na sala naquele instante e presenciou a cena. Assim como Santana se espantava com a ligação que aquelas duas tinham formado em tão pouco tempo. Realmente pareciam mãe e filha.
– Quinn, que surpresa boa essa de vir jantar conosco. – falou animada – Quando Santana me falou que você vinha eu já estava com tudo quase pronto e nem pude fazer nada especial para você.
– Não precisa se preocupar com nada especial, Maribel. Só o fato de você e Alícia me receberem assim já fico extremamente feliz. – disse acariciando os cabelos da menina, ainda em seu colo.
– Você é sempre bem vinda. – sorriu – Não é mesmo, Santana? – questionou para a filha que mantinha-se silenciosa.
– Claro, madre. – sorriu de leve – Quinn é sempre bem vinda. – disse evitando olhar para a loira.
Satisfeita com a resposta da filha, Maribel pediu licença e retirou-se para a cozinha, a fim de verificar o jantar que já estava quase pronto.
– Mamãe Quinnie, cê qué binca um poco cumigo? – Alí falou com olhinhos pidões.
Diante daquela doce visão Quinn não pode resistir e deu um terno sorriso, que não passou despercebido de Santana.
– Claro, pequena. – disse e largou a criança no chão, que imediatamente tomou sua mão e a puxou para perto do sofá, onde havia várias bonecas e outros brinquedos espalhados.
– Vou colocar a mesa enquanto vocês ficam aí brincando. – Santana disse instintivamente sem conseguir disfarçar o pequeno sorriso que brotara em seus lábios ao vislumbrar o quão rapidamente Alícia e Quinn haviam se entrosado.
Arrumou a mesa da sala de jantar naquela noite. Como Quinn iria jantar com elas decidiu que não comeriam à mesa cozinha, como sempre faziam. Ajeitou tudo com esmero, nem entendia porque estava se esforçando tanto para agradar àquela mulher que praticamente a estava obrigando a ter um relacionamento que não queria.
Não queria, não é mesmo?
Quinn brincava com Alícia, mas seu olhar, vez ou outra, procurava Santana. Ela arrumava distraidamente a mesa de jantar sem perceber o quanto afetava a loira, que não conseguindo mais se conter deixou Alí brincando e se aproximou sorrateiramente abraçando-a pela cintura e juntando seus corpos, beijando sua nuca logo em seguida.
No instante em que as mãos de Quinn pousaram em seu corpo, sentiu um arrepio percorrendo-a e um calor subindo desde seu baixo ventre. Seu pescoço ficou incandescente onde a loira passou os lábios delicadamente. Tinha que se controlar, senão não conseguiria manter seu plano de boicotar o de sua ‘namorada’.
– Você é tão cheirosa. – sussurrou ao passar o nariz pelo pescoço da latina.
– Me larga, Quinn. – conseguiu ofegar sem nenhuma convicção, arrancando um sorriso da loira.
– Por que deveria? – provocou.
– Minha mãe já vai entrar aqui e Alícia está sentada ali na sala, vendo tudo. – justificou sem convencer nem a si mesma.
– Mas logo elas se acostumam a nos ver trocando carinhos, afinal somos namoradas. – voltou a provocar, ainda passando o nariz pelo pescoço arrepiado de Santana.
– Ainda não é o momento. – disse simplesmente se desvencilhando de Quinn.
Quase que no mesmo instante Maribel entrou na sala trazendo uma travessa contendo peixe assado com legumes, só o cheiro fez Quinn salivar e aspirar o perfume da comida.
– Nossa, me deu até água na boca. – disse gulosa.
– Mi madre cozinha maravilhosamente bem. – gabou-se Santana dando um beijo na bochecha da mãe, arrancando um sorriso convencido desta.
– Gracias, mi hijá.
– Só pelo cheiro maravilhoso já estou tendo um prelúdio do que será esse jantar. – riu Quinn.
– Não crie expectativas antes de provar. – alertou Maribel saindo mais uma vez, agora acompanhada de Santana, para buscar o arroz e as saladas.
Enquanto elas iam buscar o que faltava, Quinn pegou Alícia na sala e levou-a ao banheiro para lavar as mãos antes do jantar. Quando Santana largou a travessa do arroz na mesa a loira já voltava com a pequena no colo, e para espanto da latina sua filha vinha sorrindo sem ter feito qualquer birra para lavar as mãos, como sempre fazia.
– Mas eu vou ficar com ciúmes assim. – brincou apertando a bochecha da filha que ainda estava no colo da loira – Com a Quinn você vai lavar as mãos sem reclamar, não é, señorita? – perguntou fazendo cócegas na filha que se contorceu no colo da outra enquanto ria.
– Pala, Mama. – pedia entre risadas dela e de Quinn – Cê disse qui si eu mi computava ganhava pesenti amanhã. – disse sapeca.
– Mas é uma interesseira essa minha filha. Está vendo Quinn? – brincou e a outra amou tudo aquilo. O que mais queria era ter uma família como aquela para chamar de sua.
– Vamos comer, suas bagunceiras, antes que tudo esfrie. – chamou Maribel também rindo e admirando o entrosamento de Quinn com sua família.
O jantar transcorreu tranquilamente. Quinn conversava com Maribel e dava toda a atenção que Alí exigia sem nem ao menos reclamar. Por mais que Santana estivesse chateada com a atitude que a loira tivera mais cedo, não conseguia deixar de se encantar com a facilidade que ela encantara sua filha e até mesmo sua mãe.
O sorriso que dirigia às duas era sincero e cativante, fazendo com que Santana desejasse intimamente que fosse dirigido a ela também. Num lampejo de lucidez sacudiu a cabeça, como que para por as ideias em ordem. Não podia estar ali admirando aquela mulher, tinha que odiá-la pelo que estava fazendo.
Mas olhando novamente para aquele rosto percebeu que a última coisa que conseguiria fazer era odiá-la...
– Maribel, acho que chegou a hora de lhe dizer o motivo pelo qual eu vim jantar aqui hoje. – anunciou Quinn, assustando Santana que estava divagando em seus pensamentos.
– Pensei que você tinha vindo nos fazer companhia. – disse a mais velha.
– Não. Na verdade eu vim aqui por outro motivo... – falou olhando para Santana e lhe dando um sorriso carinhoso – Eu vim para pedir a você a mão de Santana em namoro.
Aquela declaração deixou tanto Maribel quanto Santana espantada. Achava que Quinn iria simplesmente anunciar que elas estavam namorando e não pedir permissão para sua mãe.
– Que notícia boa, minhas filhas. – falava a mais velha, feliz levantando para abraçar a filha e Quinn – Claro que eu dou permissão para vocês namorarem.
Alícia batia palminhas de felicidade enquanto Maribel abraçava Quinn e depois uma Santana constrangida.
– Espero que você faça minha filha feliz. Ela já sofreu demais. – declarou, causando remorso em Quinn.
Santana só conseguia pensar que os jogos haviam começado e que ela não facilitaria as coisas para Quinn.
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