Meu Lar
11 Capítulo 11
Notas iniciais
A noite foi recheada de sonhos confusos e tormentosos, o que fez Quinn acordar ainda mais cansada do que quando fora dormir. Se arrastou para fora da cama e foi tomar um banho para tentar relaxar. Saiu do banheiro se sentindo melhor, mas ainda não era o suficiente para conseguir aguentar a correria do dia. Vestiu uma roupa confortável e resolveu dar uma caminhada enquanto via o dia nascer.
Mal saiu na porta de casa e Tobby apareceu correndo em sua direção. Desta vez estava preparada e não deixou que ele a derrubasse com seus carinhos estabanados. Abaixou-se na altura do animal e o acariciou enquanto ele balançava o rabo animadamente.
– Bom dia, menino. Você cuidou bem da nossa garotinha ontem? – perguntou como se o animal pudesse responder, enquanto tinha suas orelhas afagadas – Quer me acompanhar em uma caminhada rápida só para alongarmos os músculos?
Como se estivesse entendendo o animal correu a sua frente e logo voltou para caminhar do seu lado, batendo com o focinho em sua mão. Quinn andou um pouco e pegou uma vareta, jogando ao longe para o cão pegar, o qual saiu imediatamente em disparada procurando o novo brinquedo para trazer de volta à loira que voltou a arremessa-lo.
Santana estava sentada na varanda como todas as manhãs, esperando o nascer do sol e admirava encantada Quinn caminhando ao longe na companhia de Tobby. O cão a rodeava como se a conhecesse desde pequenino e lhe fazia festa como se ela fosse sua dona. A loira realmente havia conquistado todos da família.
“Não, ela não conquistou todos. Ela só está sendo amistosa. Só o que ela conquistou foi nossa amizade, nada mais. Céus, olha aquelas pernas... Não olha nada, Santana. Recomponha-se”. – tentava desviar seu olhar daquela mulher e também seus pensamentos, que ultimamente viviam povoados por aquela figura.
Sem qualquer controle os pensamentos de Santana voaram para a lembrança do beijo que havia trocado com Quinn. Só de se lembrar o gosto daquela boca voltava imediatamente a sua e uma vontade quase que incontrolável de repetir aquele ato tomou conta de seu corpo.
Despertou de seu transe com Tobby lambendo sua mão. Percorreu os olhos pelas proximidades, mas Quinn não estava mais à vista. Teria que dar um jeito de tirá-la de cabeça antes que fizesse alguma besteira que viesse a se arrepender depois e que pudesse lhe custar o emprego.
Até mesmo sua mãe ainda dormia quando saiu em direção aos estábulos. Cuidou de algumas vacas que estavam prenhes e que apresentavam um certo nível de anemia. Aquelas não seriam incluídas na negociação em função de sua condição.
Quando finalmente terminou de cuidar e tratar aqueles animais foi até em casa para almoçar com Maribel e Alicia. Com a correria do dia anterior havia feito apenas uma refeição rápida com os cowboys.
– Mamaaaa. – correu ali pela grama quando a avistou se aproximando de casa.
– Ola, mi angelita. – disse pegando-a nos braços e girando-a no ar, para total felicidade da pequena – Você se comportou agora de manhã? Não deu trabalho para sua avó? – perguntava enquanto enchia aquele rostinho angelical de beijos.
– Me compotei bem dileitinho, Mama. – disse com cara de sapeca.
– A é? Não é o que essa carinha sapeca está me dizendo. – falou fazendo cócegas na filha, que se contorceu rindo.
– Eu julo, Mama. – dizia gargalhando.
De uma das janelas da casa grande uma figura loira admirava aquela cena e mais uma vez sentiu uma vontade quase que irresistível de estar ali. Fechando os olhos com força, virou-se e foi em direção à cozinha, onde Emma, Will e Puck a esperavam para almoçar.
...
Santana terminou seu almoço em família e ainda teve tempo de dar um pouco de atenção para Ali, que acabou dormindo em seu colo. Ajeitou a filha na cama, a cobriu com um lençol e deixou-a dormindo sob o zelo de Tobby, que deitou-se ao lado da cama e logo estava acompanhando a dona em um sono profundo.
Era impressionante como o animal cuidava de Alícia. Apesar de toda sua agitação e jeito desengonçado, ele jamais pulara na criança e sequer a derrubara. Muito pelo contrário, parecia que estava sempre a cuidando. Depois de dar mais uma olhada para aqueles dois saiu do quarto com um sorriso no rosto, despedindo-se da mãe e dirigindo-se ao estábulo onde Blue Sky estava.
– E aí, latina, o que pretende fazer amanhã na sua folga? – perguntou Puck, surpreendendo Santana ao sair de uma das estrebarias puxando Black pelo cabresto.
– Oi, grandão. Você me assustou. – falou sorrindo – Para sua informação pretendo levar minha mãe e Alícia até a cidade para fazerem algumas compras.
– Programa de mulherzinha... Tô fora. – disse fazendo cara de nojo.
– Mas você não estava convidado, Puckerman. – respondeu.
– Isso é apenas um detalhe. – concluiu saindo do local puxando Black que o seguia obediente.
– Ei, cowboy. – chamou e Noah se virou – Vou sair com Blue Sky para exercitá-la. Já faz muitos dias que ela está parada. – avisou.
– Ok. – disse simplesmente, mas teve uma ideia que considerou genial e se virou em direção à latina novamente – Tem uma trilha saindo da estrebaria. Vá pelo pomar e siga em frente, você vai encontrar uma linda cachoeira que ninguém costuma ir. É uma meia hora de cavalgada.
– Obrigada, Puck. Vou apreciar a bela vista, então. – falou com os olhos brilhantes, prevendo um belo banho de cachoeira – Essa menina precisa de exercícios. – disse com carinho e afagou o pescoço da égua.
Puck levou Black para o potreiro próximo, que não era muito grande e ele poderia ser facilmente pego, caso seu plano desse certo. Fez algum tempo junto do imponente animal negro e finalmente viu Santana partir na direção que havia indicado.
Colocou um sorriso de lado e dirigiu-se aos escritórios. Sem ao menos bater entrou na sala de Quinn, que estava com uma cara péssima desde que levantara naquela manhã.
– Nossa, Quinnie, você está péssima. – disse sem rodeios.
– Obrigada pela simpatia, Puck. – retrucou séria, mas sem conseguir disfarçar o cansaço.
– Você devia aproveitar o resto da tarde para dar uma cavalgada e descansar. Você sabe como isso te relaxa e já faz algum tempo que você não sai com Black. Ele precisa de exercícios.
Por um instante Quinn parou para ouvir o que o amigo dizia e viu que ele tinha razão, já fazia cerca de duas semanas que não saía em seu cavalo para exercitá-lo e sem dúvida nenhuma precisava relaxar. Não estava conseguindo se concentrar em nada.
– Boa ideia. Vou aceitar sua ótima sugestão e vou aproveitar para dar uma cavalgada. – sorriu.
– Minhas sugestões são sempre excelentes. – debochou vibrando em seu interior por seu plano estar dando certo, pelo menos até ali.
– Vai pegando o Black para mim, enquanto termino de mandar um e-mail aqui, que já vou lá colocar a sela nele para sair. – pediu.
– Claro, chefa. Já estou indo. – brincou e saiu rápido, antes que ela pudesse mudar de ideia.
Quinze minutos depois Quinn conseguiu chegar até a estrebaria onde seu garanhão estava e o selou. Montou no animal e saiu inicialmente devagar, passando, um tempo depois a cavalgar mais rápido. O cavalo estava ansioso para gastar a energia acumulada e Quinn conseguia relaxar muito rápido com aquilo.
...
Santana seguiu devagar pelo caminho indicado por Puck e cerca de meia hora depois havia chegado à cachoeira. O local era simplesmente deslumbrante. A água despencava suavemente entre as pedras e tinha uma queda não muito alta onde havia um vão que permitia quem quisesse se banhar abaixo dela. O líquido formava um pequeno lago cristalino, onde se podia ver o fundo e os peixes que ali nadavam. Mais adiante a água corria formando um riacho.
Tudo ali era lindo. Os olhos de Santana percorriam aquela perfeição da natureza embevecidos. Tudo era perfeito, até alguns arbustos que rodeavam a água e permitiam uma certa privacidade, caso necessário.
Aquele lago pedia um mergulho relaxante para tirar todo o estresse do dia anterior. Conduziu a égua por mais uns metros e achou o lugar ideal para prendê-la abaixo de umas árvores sombreadas e de alguns arbustos que cobririam Santana caso algum cowboy desavisado aparecesse.
Despiu-se por completo, aquele momento pedia um mergulho completamente nua para se sentir com as energias revitalizadas. A água estava na temperatura ideal para aquele dia quente. Nadou até a cachoeira e sentou em algumas pedras onde a água caía calmamente sobre seu corpo. Onde estava ficava protegida de olhares inoportunos.
Estava distraída olhando os peixes coloridos que nadavam tranquilamente quando ouviu um barulho como se alguém nadasse ali perto. Atiçou os ouvidos e não escutou mais nada. Procurou com os olhos pelo local e perdeu-se por completo com a visão da loira que andava tirando seu sono emergindo do fundo das águas.
...
Quinn cavalgou em direção a um destino certo. Até mesmo Black já sabia o caminho que sempre faziam em direção à cachoeira. Aquele era o refúgio da loira quando andava cansada. Sempre tirava alguns instantes para relaxar naquelas águas que para ela eram calmantes. Havia uma energia no local, que não conseguia explicar, mas sempre se sentia revitalizada.
Assim que enxergou a água já se sentiu melhor. Na primeira entrada que dava acesso ao lago amarrou Black e se despiu, entrando na água sem qualquer cerimônia. Nadou até o centro do lago e mergulhou, indo em direção à cachoeira.
Alguns metros à frente emergiu e quando finalmente abriu os olhos se deparou com a visão de uma sereia encantadora sentada nas pedras e com o olhar fixo em sua direção.
O corpo moreno estava completamente nu e os fartos seios saltavam aos olhos e fizeram sua boca salivar. O corpo escultural estava estático, sem qualquer reação, assim como o rosto da latina que a olhava sem piscar, como se estivesse vendo um fantasma.
Quinn fez menção de ir em sua direção e finalmente Santana pareceu sair do transe que se encontrava e tomar ciência de sua nudez. Cobriu os seios com as mãos e encolheu-se, tentando ocultar seu corpo.
– O que faz aqui? – perguntou assustada.
– Nadando. Assim como você. – falou divertida, sentindo seu corpo ferver de desejo, frente àquela visão.
– Como você sabia onde eu estava? – disse, cada vez mais apavorada com a proximidade de Quinn, que não fazia qualquer movimento para se afastar, pelo contrário, estava cada vez mais próxima.
– Não sabia. Acasos do destino. – brincou, sem deixar de passar os olhos pelo corpo de Santana.
– Poderia virar de costas para eu poder sair daqui, por favor? – pediu tentando evitar o tremor em sua voz causado pela visão do corpo nu de Quinn sob a água transparente.
Mal conseguia desviar os olhos dos seios da loira e de um certo ponto mais abaixo que começava a ganhar vida própria. Inconscientemente mordeu o lábio inferior, o que não passou despercebido por Quinn, que deu um sorriso de lado.
A tensão entre elas era palpável. Gentilmente Quinn ficou de costas para Santana, que rapidamente entrou na água e começou a se afastar nadando.
A água dava-lhe um pouco acima dos seios quando deixou de nadar e passou a caminhar até onde estavam suas roupas. Quinn a seguia de perto, nem mesmo ela sabia o que faria, mas não a deixaria sair dali assim.
Já estava com a água pela cintura quando viu que Quinn a seguia. A loira tinha um olhar predador, como nunca tinha visto antes. Parecia que ela era uma presa e seria tomada e devorada ali mesmo, sem dó nem piedade.
– O que houve, Quinn? Precisa de alguma coisa? – assim que falou percebeu que não eram as melhores palavras a serem ditas. Quinn estava cada vez mais perto e agora com apenas um esticar de braço poderiam se tocar.
– Preciso de você. – disse simplesmente, puxando Santana contra seu corpo e colando seus lábios contra os dela.
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