Meu Lar

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Oi gente. Ei, cadê as escritoras desse site? Não tem quase ninguém postando as histórias que acompanho. :( Só perdoo a July, porque fiquei sabendo que ela está lesionada e não está podendo escrever. Por falar nisso, esse capítulo vai para ti July. :D Vê se melhora logo. Bj

Mesmo tendo sonhos que não lembrava, mas que foram extremamente cansativos, Santana levantou-se mais cedo no dia seguinte. Vestiu uma calça jeans justa, um par de botas surrados e uma jaqueta de couro marrom sobre a camisa azul clara. Naquele horário ainda era bastante frio.

Após ter feito, mesmo que por pouco tempo, seu ritual de todas as manhãs, partiu com seu chapéu em mãos em direção a sua sala para pegar o que havia ali e era necessário para o tratamento do gado naquele dia. O restante do material maior e mais pesado havia ficado estocado no celeiro, que ficava perto do curral onde trabalhariam.

Chegou ao local e encontrou Noah e Will se preparando para a função e orientando os cowboys que conduziriam o gado até o curral a cavalo. Não esperava estar sendo seguida tão de perto pela figura de Quinn, que parecia inabalável com uma camisa branca de tecido fino, botas de cowboy e uma calça extremamente justa que ressaltava a protuberância entre suas pernas, fazendo Santana soltar um suspiro silencioso após sentir uma contração entre as pernas.

– Bom dia. – disse para todos e se dirigiu para o lado de Puck, sorrindo amistosamente para o moreno.

Sem ao menos se dignar um olhar para Santana, a loira seguiu dando ordens aos homens e dizendo o que queria que fosse feito e de que forma. Prezava o mínimo de danos nos animais e não queria que eles se machucassem com correrias ou choques nas madeiras do curral. Frisou que não poderiam haver lesões.

– Você já está com as vacinas em mãos? – perguntou seca para Santana.

– Sim, já está tudo preparado. – disse no mesmo tom, encarando duramente os olhos verdes a sua frente.

Se Quinn decidira agir daquela forma com ela era daquele jeito que também seria tratada, sem dó nem piedade. Santana não era seu fantoche e tampouco seu brinquedo para aguentar constantemente suas oscilações de humor e comportamento. Dali em diante deixaria de ser a boazinha e devolveria todas as grosserias na mesma moeda, não lhe importava que a loira fosse sua chefe. Santana Lopez não admitia ser tratada daquela forma fosse por quem fosse.

Assim que a primeira leva do gado foi trazida começaram a trabalhar incessantemente. Quinn trabalhava parelho com Puck e Will, enquanto Santana ministrava as medicações e ajudava no que era preciso. A latina nunca achou que a loira fosse sair do conforto de seu escritório para fazer o trabalho braçal parelho com os demais empregados.

Enquanto Santana trabalhava, Quinn admirava a competência e a forma segura com que a latina agia. Era inegável que pela segurança exibida ela tinha muita competência no que fazia. A loira aproveitava quando ela estava concentrada nos animais para analisa-la. O corpo perfeito movia-se com graciosidade.

Numa investida mais brusca de um dos animais Santana se desequilibrou e acabou sendo segurada pela cintura por um dos cowboys, que aproveitou para lhe lançar um sorriso sedutor. Como forma de agradecimento a latina deu um sorriso simpático a ele, mas não no mesmo contexto.

Quinn que via toda a cena pelas costas da latina quase ferveu de raiva ao ver aquele contato tão intimista entre os dois. Não acreditava que ela estava flertando com aquele homem bem no meio de seu expediente. Aquilo era inadmissível. Aproximou-se a passos duros e cuspiu as primeiras palavras que vieram a sua boca.

– Por que você não presta atenção no que faz? – disse brava – Pode acabar se machucando.

– Desculpe por não conseguir prever a atitude de um animal irracional, senhorita Fabray. – respondeu ríspida e deu as costas para prosseguir seu trabalho.

Era incrível como aquela mulher conseguia tirá-la do sério com apenas algumas palavras. Segurara-se para não lhe despejar toda a raiva que tomou conta de si, chegava a bufar de tão brava que ficou.

Com bastante esforço e força de vontade voltou a se concentrar na grande quantidade de trabalho que ainda tinham pela frente e logo havia esquecido aquele incidente, pelo menos por hora.

Já estava anoitecendo quando findaram tudo o que era necessário. Haviam feito apenas uma pequena pausa para o almoço e retornado com tudo ao trabalho. Por diversas vezes Santana havia parado o olhar na camisa suada de Quinn que ficara semi transparente e ressaltava os seios dentro de um sutiã de renda. Chegou a sonhar acordada que sua boca passeava nos seios alvos de auréolas provavelmente róseas.

Até mesmo os peões que sabiam de seus atributos não perderam de dar uma boa olhada de vez em quando, sem que a loira ao menos se desse conta do que estava provocando.

Por outro lado Quinn era cada vez mais tomada pelos ciúmes ao ver os cowboys secando as pernas, bunda e seios avantajados da latina, que esbaldava seu sex appeal sem ao menos se dar conta de tal fato. Perdera as contas de quantas vezes tivera vontade de saltar no pescoço de algum deles e sair literalmente na porrada.

Várias vezes havia se perdido em pensamentos a olhando e imaginando completamente nua, vestindo apenas aquele chapéu que lhe caía tão bem. Impreterivelmente, em todas essas ocasiões despertava de seu transe erótico por um cutucão de Puck, que tinha um sorriso malicioso nos lábios.

Santana se dirigia para sua casa vagarosamente. Mesmo que não quisesse tinha de passar pela casa de Quinn. Não tinha mais visto a loira desde que os cowboys terminaram de recolher o gado e que fora guardar o que sobrara de medicamentos e os equipamentos no celeiro.

Caminhava olhando para baixo quando vislumbrou um vulto caramelo cruzar correndo por ela, seguido um pouco mais de longe por uma pequena com um rabo de cavalo esvoaçante. Conseguiu pegar Alícia por reflexo, quando esta já ia passando sem nem notar a mãe.

– Aonde a senhorita pensa que vai correndo deste jeito. – falou brava, e ouviu um som abafado atrás de si – Já não falei que você não pode sair assim sem sua abuela? – ralhou.

– O Tobby fugiu de mim, Mama. – tentou justificar.

– Mas você não pode sair assim, correndo atrás dele. É perigoso, ainda mais de noite. – dizia ainda séria, tinha de manter a filha nas rédeas, pois havia puxado seu lado mais teimoso – Onde está o Tobby?

A menina olhou para as costas da mãe por cima do ombro desta e sorriu.

– Ali com a Mamãe Quinnie. – disse feliz apontando para um local que a latina não podia ver.

Santana se virou assustada e vislumbrou mais uma vez a cena de Quinn esparramada na grama caída de costas com Tobby lambendo seu rosto, enquanto tentava em vão se levantar.

– Oh, droga. – praguejou baixinho – Tobby, saia daí agora e sente-se. – falou em um tom de ordem que o cão, por milagre, obedeceu na mesma hora.

– Mamãe Quiiinnie. – gritou Alícia feliz, para pavor de Santana. Não suportaria ver sua filha sendo rejeitada por Quinn.

A menina tentava a todo custo descer de seu colo para correr em direção a Quinn que se levantava sem dificuldade e batia a mão na roupa para tirar a grama e a terra que ganhara com o tombo.

– Menino mau. – disse ao cachorro, mas tinha um sorriso divertido nos lábios.

Aproximou-se de Santana ainda sorrindo e estendeu os braços para Alicia que saltou em sua direção sem pestanejar duas vezes, abraçando Quinn com carinho. Para espanto da latina a loira retribuiu o carinho sem protestos e ainda deu um estalado beijo na bochecha rosada da pequena.

– Você está bem, pequena? – perguntou com carinho. Por mais que quisesse não conseguiria ser indiferente àquela criança tão doce e carinhosa.

– Sim, Mamãe. Tava com soudade de você. – disse a abraçando – Por que não foi mais me ver?

– A Mama te disse que a Quinn estava trabalhando, mi hijá. – falou antes que Quinn desse alguma outra resposta que desmentisse a sua.

– Isso mesmo, eu estava trabalhando. — disse confirmando a versão de Santana.

– Você não qué ir brinca um poco cumigo?

– A Quinn não pode, hijá. Nós trabalhamos muito hoje e ela está cansada. E você está de castigo por sair correndo por aí sem ter um adulto por perto. – falou sério e a menina fez um beicinho, indicando que iria chorar.

– Não chora, pequena. Eu prometo que outro dia eu vou brincar com você. – falou, mas não quis especificar o dia para não deixá-la na expectativa – E sua Mama está certa. Você não pode sair por aí sozinha correndo assim.

– Diculpa. Cê promete que otro dia vai binca cumigo, Mamãe Quinnie? – fungou esfregando o nariz.

– Prometo. – falou – Como você sabe que meu apelido é Quinnie, Ali? – perguntou com a sobrancelha erguida, achando que Emma pudesse ter-lhe dito o apelido que somente a família e ela lhe chamavam.

– A Mami Britt me conto. – disse com um sorriso.

Mais uma vez as duas mulheres se olharam espantadas e não souberam como reagir. Santana simplesmente pegou a criança dos braços da loira e partiu sem nem ao menos se despedir. Deixando Quinn estática olhando para Alícia que ia no colo da mãe lhe acenando com a mãozinha gorducha.

Quinn despertou de seu transe quando algo molhado encostou em seus dedos, deparando-se com Tobby a encarando e agitando o rabo animadamente.

– Vai lá, menino, antes que sua dona saia por aí correndo atrás de você de novo. – disse afagando a cabeça do cachorro que logo correu na direção que as duas tinham ido.

Surpreendeu-se quando chegou à conclusão que queria ter ido lado a lado com Santana e a ajudado a cuidar da filha. Tinha uma vontade quase que incontrolável de estar com elas e ter uma noite em família. Mas aquilo estava totalmente fora de cogitação. Nunca encontraria alguém que aceitasse dividir aquele tipo de relação com ela. Teria de se contentar em ser uma pessoa sozinha, que somente vivenciaria a felicidade alheia em momentos esporádicos.

Cabisbaixa se dirigiu a própria casa para mais uma noite de sonhos inquietantes.

Notas finais
Gostaram? Bom findi, minhas lindas. :D