Meu Lar

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Espero que gostem dessa Fic nova. Ela vai substituir 'Abismo', mas quis lançar uma prévia para vocês antes.

Após um longo trajeto desde a cidade onde estava hospedada, Santana estacionou sua camionete em frente ao escritório do Rancho Fabray, o qual ficava ao lado de uma casa enorme, provavelmente onde morava a tão temida Quinn Fabray.

Respirou fundo e tomou coragem de descer do veículo e dirigir-se até o local onde havia sido indicado por um dos peões por quem passara. Tinha um certo receio ao se dirigir ao prédio, a mulher tinha fama de ser durona e nem um pouco fácil.

Santana não conseguia evitar de criar a imagem de uma ogra em sua imaginação. Apesar de ser uma mulher forte e determinada, estava nervosa. Precisava muito daquele emprego e já estava até decidida a implorar, caso fosse necessário.

Bateu à porta e aguardou ser atendida. Ouviu uma voz poderosa abafada pela madeira ordenando que entrasse. Segurando os tremores que percorriam seu corpo girou a maçaneta e entrou de cabeça baixa no cômodo.

– Com licença. – disse ao entrar.

– Presumo que seja a srta. Lopez? – a voz impassível falou.

– Sim, sou Santana Lopez. – respondeu levantando o olhar pela primeira vez e deparando-se com olhos de um verde indefinido emoldurados por um rosto de anjo.

Momentaneamente ficou perdida naquela visão e se questionando se estava em frente a tão temível Quinn Fabray. Nem de longe aquela linda mulher se parecia com uma ogra. Muito pelo contrário, estava mais para princesa encantada do que outra coisa.

– O que a traz aqui, srta. Lopez? Não tenho o dia todo para lhe dar atenção. – falou bruscamente, fazendo com que toda aquela imagem que Santana acabara de fantasiar fosse por água abaixo.

– Fiquei sabendo que a srta. está precisando de uma veterinária aqui para o rancho e vim me oferecer para o emprego. – comunicou.

Quinn a analisou de cima abaixo. Santana parecia não se enquadrar com a função que buscava preencher. Aparentava ter uns 22 anos e recém estar saindo da faculdade, não devia ter experiência nenhuma. Vestia calça social, botas de bico fino e salto agulha e uma camisa branca que deixava discretamente em evidência o sutiã de renda no mesmo tom que usava. Seus cabelos negros e extremamente lisos estavam soltos e caídos nas costas.

– E que experiência você tem? Em qual pet shop você trabalhava antes de querer se aventurar com animais de grande porte? – debochou.

Santana sentiu o sangue ferver por aquele ultraje, controlando-se apenas por precisar desesperadamente daquele emprego.

– Nunca trabalhei em um pet shop, apesar de já ter tratado animais de pequeno porte. Tenho vasta experiência com animais de grande porte. Trabalhei por três anos em um haras e por dois anos em uma fazenda onde o foco central era a produção de gado de corte. – falou profissionalmente.

– Quantos anos você tem? – perguntou espantada.

– Vinte e oito. – respondeu sem entender o motivo daquela pergunta.

– E você tem alguma recomendação. – falou séria, mas interessada. Talvez a latina viesse a suprir a necessidade que há muito tempo vinha tendo no rancho.

– Sim, aqui está. – disse estendendo um envelope para Quinn.

A loira tirou as recomendações de dentro do invólucro e passou a analisa-lo interessadamente. Se tudo ali era verdade a mulher a sua frente era a pessoa ideal para ocupar a função.

– Você sabe que tem que morar aqui no rancho? – questionou sem tirar os olhos dos papéis.

– Sim, eu sei.

– Será disponibilizada uma casa para você se acomodar.

– Só há uma questão, srta. Fabray. – falou receosa antes de soltar a bomba – Eu não sou sozinha.

– Seu marido pode vir também, mas isso não garante um emprego a ele também. – disse sem entender o fato de seu estômago ter ficado embrulhado.

– Não, eu não sou casada. – informou – Eu vivo com minha mãe e minha filha de dois anos e meio.

Então ela não era casada, mas tinha uma filha ainda pequena. Uma curiosidade que não deixou transparecer tomou conta de si.

– E o pai da criança? Não ira vir aqui importunar? – falou rude.

– Não se preocupe com isso. – respondeu seca, procurando não ser grosseira – A outra mãe da minha filha morreu no parto.

– Sinto muito. – disse, simplesmente, momentaneamente chocada com a notícia – Quando você pode começar? – mudou propositadamente de assunto.

– É só questão de trazer minhas coisas e me acomodar. Minha mãe está visitando uma irmã e minha filha está junto dela, só retornarão em uma semana e meia. – explicou.

– Então, Santana Lopez, você está contratada. – disse pegando o telefone do gancho – Noah, venha até o meu escritório.

Assim que largou o telefone no gancho encarou Santana com olhos enigmáticos que a latina não conseguiu decifrar o que queriam dizer. O verde que a observava era hipnotizante, mas não pretendia se perder neles.

Logo a porta se abriu e um cowboy musculoso e cheio de estilo entrou. Olhou interessado para a latina e abriu um sorriso receptivo.

– Noah, mostre para a srta. Lopez a casa onde ela vai se instalar. Disponibilize para ela a que fica a esquerda da casa central, que é um pouco maior que as outras e está desocupada. – ordenou.

– Claro, Quinn. – disse ele com um sorriso que não era compatível com a seriedade da loira – Pode me acompanhar, senhorita Lopez.

Logo saíram da sala e Noah a acompanhou até o prédio indicado. A casa era rústica, mas muito bonita, como tudo no local. Ao entrar no local se deslumbrou com a decoração. Os móveis eram de madeira dura e o chão de um tabuão brilhoso. A casa tinha ainda três espaçosos quartos, bem maior que a casa que estava morando antes de vir para aquela cidade atrás do emprego.

– Está tudo de seu agrado, srta. Lopez? – perguntou Noah, preocupado diante do silêncio dela.

– Sim, tudo perfeito, Noah. – disse finalmente.

– Pode me chamar de Puck. A Quinn gosta de uma certa formalidade logo de saída, mas você vai ver que ela não é tão durona quanto gosta de demonstrar ser.

– Você a conhece há muito tempo? – perguntou não conseguindo controlar a curiosidade.

– Desde sempre. Crescemos juntos. – disse sorrindo – Desde os tempos em que o velho Fabray, avô de Quinn, ainda era vivo.

Com essa última informação Puck encerrou o assunto e Santana não quis insistir em perguntar mais coisas sobre a loira enigmática, apesar de sentir uma coceira de curiosidade a consumindo.

Estavam saindo da casa quando viram Quinn se aproximando. Somente por seu andar dava para perceber que ela era uma mulher forte e decidida. Sua postura exalava poder e dava ainda mais destaque para o corpo esbelto e bem definido. Usava uma calça jeans que realçava suas pernas e o volume entre as pernas, o qual Santana ficou admirando sem saber o que era. A camisa preta estava devidamente alinhada e presa dentro das calças, que eram presas por um cinto com fivela de ouro. As botas de couro, em estilo cowgirl, pareciam extremamente caras e encaixavam-se perfeitamente ao estilo da loira.

– Pode parar de babar agora. – sussurrou Noah.

As palavras do cowboy fizeram com que piscasse e voltasse a realidade. Em momento algum poderia se envolver com Quinn, precisava demais daquele emprego e não o colocaria fora por um ato leviano.

– Santana, por um momento esqueci de lhe falar sobre suas atribuições. – falou.

– Estou à disposição, srta. Fabray.

– Pode me chamar de Quinn. Agora que vamos trabalhar juntas não há necessidade de tanta formalidade.

Enquanto lhe explicava suas funções, Quinn a conduzia para os estábulos onde ficavam os cavalos premiados. A voz da loira era melodiosa, apesar de forte, e mesmo que não quisesse a latina estava inebriada por ela.

O celeiro era o local onde ficavam os suprimentos dos animais, alguns medicamentos e também ferramentas e maquinários menores usados no rancho. Era tudo extremamente organizado e limpo, coisa que Quinn priorizava.

O gado criado estava no campo. Em sua maioria eram gados de corte, produzidos para abate no frigorífico de propriedade de Quinn e revendido à indústria alimentícia. Santana observava tudo com bastante atenção e volta e meia dava algumas opiniões e fazia comentários bastante pertinentes. No pouco tempo de convivência, Quinn já estava gostando do profissionalismo da veterinária.

– Quinn, tem só uma coisa que esqueci de te dizer e reparei que não há aqui no rancho, não sei se você gosta, então meio que teremos um problema.

A loira parou onde estava e arqueou as sobrancelhas esperando a bomba que viria a seguir.

– É que nós temos um cachorro e como não vi nenhum por aqui presumo que você possa não gostar... É que ele é o xodó da minha filha e creio que ela não vai querer se desfazer dele, mas prometo deixá-lo preso e controlado. – disse receosa.

– Não se preocupe, Santana. Eu adoro cachorros. – tranquilizou-a – Você só não viu nenhum porque o cachorro que eu tinha há anos morreu a cerca de um mês de velhinho e até agora não tive coragem de comprar outro. – sorriu.

Santana ficou momentaneamente embevecida com aquele sorriso branco e quase esqueceu-se do que estava falando. Teria que ter muito controle quando estivesse perto de Quinn.

– Mas vai ser muito bom ter um outro cachorro por aqui. – continuou.

– Que bom que você concorda. – também sorriu – Não sei o que faria com Alícia se não pudéssemos trazer o Tobby.

– Sua filha se chama Alícia? – disse momentaneamente curiosa e diante do assentimento de Santana prosseguiu – Nome lindo. Quando criança sempre dizia que quando crescesse teria uma filha com o nome de Alícia. – riu com a lembrança.

Após o tour pelos locais que Quinn achou serem os necessários, a acompanhou até o carro para Santana finalmente voltar para a cidade. A latina só conseguia se xingar mentalmente por ter escolhido justo aqueles calçados para a entrevista, mas nunca esperou já fazer um tour pelo local logo de saída. Na verdade mal acreditava que tinha sido escolhida para o trabalho.

– Então, quando você acha que pode começar a trabalhar? – perguntou Quinn pela janela do carro.

– Se não houver objeções de sua parte, amanhã mesmo já trago minha mudança, organizo tudo e começo depois de amanhã.

– Ótimo. Quanto antes melhor. – anunciou se despedindo logo em seguida – A aguardamos amanhã então.

– Até amanhã. – disse a latina com um sorriso de felicidade no rosto.

Santana arrancou o carro com uma sensação de felicidade e alívio no peito. Mal conseguia acreditar que havia conseguido o emprego e conseguiria finalmente se estabelecer novamente. Rezava que finalmente pudesse dar prosseguimento em sua vida sem a interferência de quem deveria estar a ajudando no sustento e criação da filha.

Mas aquilo já não a preocupava tanto quanto antes. Era uma mulher forte e destemida, e com certeza criaria sua filha da melhor forma possível e com tudo que conseguisse proporcionar a ela.

Notas finais
Gostaram? Me deem suas opiniões.