Meu Lar
7 Capítulo 07
Notas iniciais
Santana não conseguia segurar sua ansiedade enquanto esperava sua mãe cruzar com sua filha o saguão de desembarque. Tocava o peso de pé a cada instante e esfregava as mãos de forma nervosa. Emma ria dela e dizia para que se acalmasse, mesmo que suas palavras não tivessem qualquer efeito.
– O avião já pousou. Elas já deviam estar aqui. – dizia.
– Calma, Santana. Logo elas estarão aqui.
Mal Emma acabou de falar e ouviram uma voz infantil gritar feliz. Santana se virou na direção da voz e viu Alícia pulando do colo da avó e correndo em sua direção.
– MAMAAAA!
– Mi hijaaa. – a latina correu em direção à pequena criatura que também corria em sua direção, erguendo-a nos braços e dando um forte abraço seguido de beijos por onde caíam – Que saudade de você, meu bebê precioso.
– Também tava cum soudadi, mama. – falou do modo que sabia. Ainda era pequena e falava algumas coisas erradas.
– Tava com soudadi, é? – disse rindo, apertando a menina contra o peito.
– Siiimm, mama. E o Tobby também. – prosseguiu, com os braços envolvendo o pescoço da mãe, mantendo suas bochechas coladas.
– Madre, que saudade de você também. – disse ao receber um caloroso abraço da mãe.
– Eu também estava morrendo de saudades, mi hijá. Você está bem? Deixe-me ver esse corte aí na testa. – disse afastando os cabelos e examinando atentamente a testa de Santana.
– Está tudo bem, madre. Graças a Díos foi apenas um susto. – sorriu diante da preocupação da mãe.
– Acho bom mesmo, senão eu ia te dar umas belas de umas palmadas. – disse, fazendo com que Santana revirasse os olhos e Alícia desse risada da ameaça da avó.
– Madre, já ia me esquecendo. Essa é Emma, ela é uma boa amiga que conheci lá no Rancho. A Quinn obrigou ela a vir comigo. – disse revirando os olhos mais uma vez — Emma, está é minha mãe Maribel.
– Muito prazer, dona Maribel. – disse Emma dando um beijo no rosto da latina mais velha.
– Pode me chamar apenas de Maribel, querida. – disse simpática – A srta. Fabray mandou junto, uh?
– Sim, ela ficou muito preocupada com o que aconteceu. – disse Emma no mesmo tom, vendo que estava em sintonia com o que Maribel pensara.
– Podemos ir agora? Ainda temos que pegar as malas. – falou Santana a fim de cortar aquela estranha conversa entre as outras duas.
– E o Tobby, mama. – disse Alícia.
– Sim, bebê. O Tobby também. Você não deu um beijo na tia Emma. – disse e imediatamente a menina estendeu os bracinhos gorduchos em direção a outra mulher que conhecera há poucos instantes.
Emma imediatamente também estendeu seus braços e pegou a pequena, que lhe deu um estalado beijo no rosto.
– Nossa, quanta simpatia. Crianças geralmente não são assim no primeiro contato. – espantou-se Emma.
– Ela deve ter gostado muito de você, porque até eu me espantei agora. – disse Santana.
Ainda conversando foram para a esteira das bagagens e pegaram as malas e depois foram ao local indicado para pegar a gaiola onde Tobby vinha dormindo, em função do calmante que haviam lhe dado para viajar.
– Nossa que camioneta mais linda essa. É do Rancho? – perguntou Maribel espantada com o luxo da camionete.
– Não, essa é de uso particular da Quinn. Ela insistiu que eu pegasse porque era mais confortável. – disse simplesmente.
Com aquela declaração Maribel olhou para Emma que lhe lançou um sorrisinho cheio de segundas intenções.
O caminho para o Rancho foi regado por perguntas incessantes de uma Alícia agitada perguntando se ainda faltava muito para chegarem. Pouco mais de uma hora depois finalmente chegaram ao seu destino e Santana logo levou a mãe e a filha para o interior da casa que agora seria seu lar.
Maribel ficou espantada com o tamanho da casa e adorou a cozinha, onde poderia fazer muitos de seus quitutes. Alícia corria por toda a casa, explorando cada pedaço do local onde iria viver dali para a frente. Quando Santana a levou a seu quarto a menina pulava e vibrava com o tamanho da cama e com o fato de seus brinquedos já estarem todos ali.
Emma voltou a seus afazeres na casa grande e Santana terminou de tirar as malas da caminhonete, deixando a gaiola de um Tobby ainda sonolento por último.
– Ei, amigão. Você não quer sair daí? – disse carinhosa afagando as orelhas do labrador caramelo – Você está se sentindo bem?
Ao receber o carinho de sua dona o cachorro sacudiu a cola animado e logo saiu da gaiola e pulou da caçamba da camionete, passando a explorar o local.
– Não vá longe. – falou Santana para o animal, como se ele fosse entender.
Entrou na cozinha onde sua mãe preparava um leite e um lanche para Alícia, também já se sentindo em casa.
– San, nunca gostei tanto de um lugar assim de cara como gostei daqui. – disse animada.
– Sabe que tive essa mesma sensação, madre? – disse feliz por não ser a única que tinha se sentido tão bem ali.
– Acho que vamos ser muito felizes aqui. Meu terceiro olho mexicano está me dizendo isso. – anunciou misteriosa.
– Iiihhh, já vem a senhora com essa história de terceiro olho. – disse rindo, já se levantando – Você fica com a Alícia? Tenho que entregar as chaves da caminhonete para a Quinn e ainda terminar de ver se está tudo bem com os cavalos.
– Claro, mi hijá. Pode deixar que da Ali eu tomo conta. Vá trabalhar que você perdeu quase todo o dia hoje.
– Si señora. – brincou saindo – Filha, a mama vai trabalhar e você fica com a vovó, ok?
– Sim, mama. – disse entretida com uma boneca.
Guardou a caminhonete de Quinn na garagem, assim como estava antes de sair e foi até o escritório para devolver as chaves. Bateu à porta e entrou, mesmo sem a outra ter falado para que entrasse, já percebera que aquele era o gesto corriqueiro por ali.
Quinn levantou a cabeça dos papéis que analisava e deparou-se com um sorriso deslumbrante, que irradiava a mais pura felicidade. Encarou os olhos negros e se perdeu completamente.
– Vim devolver as suas chaves. Muito obrigada pela caminhonete. – disse transbordando na voz a mesma felicidade que tinha nos lábios há pouco.
– Não há de que. Elas já chegaram. – perguntou entusiasmada, sem entender por que estava agindo assim.
– Sim e já se acomodaram.
– Por que não me chamou? Eu poderia te ajudar com as malas e quero conhecer sua mãe e sua filha. – falou momentaneamente triste.
– Me desculpe, Quinn. Eu estou tão entusiasmada que acabei esquecendo que você havia dito que era para lhe chamar. Vou revisar os cavalos e passo aqui na volta e você me acompanha para conhece-las. – desculpou-se.
Santana fez tudo o que havia pendente junto aos cavalos e mais uma vez medicou Blue Sky. Estava criando um carinho especial por aquele animal, mesmo sabendo que não deveria se apegar.
Como prometido, na volta passou no escritório de Quinn para que ela a acompanhasse até sua casa a fim de conhecer Maribel e Alícia. As duas iam conversando distraidamente quando um borrão amarelo surgiu do nada e pulou em Quinn que vinha distraída e acabou caindo deitada de costas na grama, recebendo várias lambidas no rosto.
– Tobby!! Cachorro mau. – brigava Santana enquanto tentava puxa-lo pela coleira.
Quando finalmente Santana conseguiu dominá-lo um par de olhos azuis como o mar surgiram sobre Quinn, emoldurados por finos fios de cabelos negros. A menina era simplesmente linda e a loira teve certeza que já a havia visto em seus sonhos, só que neles ela era sua filha.
– Mamãe? – falou a menina, parecendo que havia lido seu pensamento.
Quinn ficou sem reação, ali deitada. A garota só podia estar falando com Santana, que ainda brigava com Tobby, que agora estava encolhido diante das reprimendas.
– Mamãe? – repetiu com os olhinhos curiosos em sua direção.
– Vamos ajudar a Quinn a levantar, Ali. – disse Santana se aproximando – Você está bem, Quinn? Ele não te machucou? – perguntava envergonhada – Me desculpe por isso, por favor.
– Não se preocupe, Santana. Estou bem. Cachorro é assim mesmo. O meu sempre fazia isso. – falava com os olhos cravados em Alícia que também a olhava.
– Me desculpe mesmo. – repetiu – Alí, diga ‘oi’ para a Quinn.
– Mamãe. – repetiu novamente e a latina se espantou.
– A Quinn não é a mamãe, bebê. – disse ajoelhando-se em frente à filha e fazendo com que a olhasse – Lembra que a Mama te contou que a mamãe está no céu junto com os anjinhos da guarda?
– Sim, Mami Britt no céu. – falou e apontou para Quinn – Ela Mamãe.
As duas adultas não entendiam o que estava acontecendo ali. A menina se afastou de Santana e se aproximou de Quinn estendendo os braços, pedindo colo. Meio sem jeito a loira atendeu ao pedido e a pegou, sentindo uma sensação de amor tomando conta dela como nunca acontecera antes com nenhuma criança com quem convivera, nem mesmo com os sobrinhos de Emma, por quem tinha um grande carinho.
– Por que você diz isso, corazón? – insistiu Santana, totalmente perdida diante daquela cena de ternura de sua filha com Quinn, que era uma completa desconhecida para a criança.
– Mami Britt falo no sonho quando eu feiz naninha que ela é minha outra Mamãe junto com vuche. – declarou feliz, abraçando Quinn carinhosamente pelo pescoço.
Santana e Quinn olharam-se mais uma vez sem entender nada do que estava acontecendo ali. Naquele instante a latina puxou a loira para dentro de casa para prosseguirem aquele assunto junto de sua mãe, que podia lhe dar uma luz sobre o que Ali estava dizendo.
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