Meu Lar
6 Capítulo 06
Notas iniciais
Quinn ficou quase uma hora tentando fazer com que Santana não dormisse. Fez a latina lhe falar sobre a filha e a mãe, ficando encantada com as histórias sobre a menina. Não sabia por que, mas pressentia que iria se dar muito bem com ela. Adorava crianças, sempre quisera ser mãe, mas tinha certeza que nenhuma mulher iria algum dia cogitar essa hipótese com ela. Isso a entristecia profundamente, então preferia nem pensar.
Quase uma hora depois o médico chegou e a tranquilizou dizendo que estava tudo bem com a latina e que fora somente um susto. No dia seguinte ela já estaria bem e poderia voltar ao trabalho normalmente, mas que mesmo assim seria bom ela passar a noite ali sob a observação de alguém, sendo que Quinn rapidamente se prontificou para tal.
Quinn saiu por pouco tempo do quarto a fim de orientar seus empregados que fossem até o veículo de Santana e trouxessem toda a mercadoria que estava nele. Pediu para Emma providenciar uma sopa para a latina e uma roupa que ela pudesse passar a noite confortável. Voltou ao quarto e encontrou-a com o olhar perdido, com ar de preocupação.
– Você se sente bem? – perguntou receosa.
– Sim, só fiquei de ligar para mi Madre hoje para saber do meu bebê e meu celular ficou na caminhonete. – disse com um sorriso fraco.
– Mas isso não é problema. Ligue daqui. – disse alcançando o telefone sem fio para Santana que abriu um sorriso iluminado.
– Obrigada. – falou feliz já discando o número da mãe – Ola, Madre. Como estão?
– Ola, mi hijá. Estamos bem e você? Por que demorou tanto a ligar hoje? A Ali acabou dormindo.
– Madre, não fica preocupada, eu sofri um pequeno acidente de carro, mas estou bem. A Quinn chamou o médico e ele disse que não foi nada grave, só bati a cabeça de leve e amanhã mesmo posso voltar ao trabalho. – tentou ser o mais sútil possível.
– Como assim pequeno acidente? Não quero saber, Santana Lopez. Amanhã mesmo Alícia e eu estaremos embarcando em um avião para aí. Você me deixou preocupada e ela anda chorando de saudades de você. – revelou.
– Madre, porque não me disse antes que ela anda tristinha. Vou pegar vocês amanhã no aeroporto, então. Só me avise que horas vão chegar. Anote o telefone aqui do Rancho, meu celular ficou na caminhonete. – disse informando o número logo em seguida.
– Então nos vemos amanhã, mi hija.
– Até amanhã, madre. Dá um beijo no meu bebê por mim. – despediu-se.
Ao terminar a ligação ficou momentaneamente com um sorriso bobo nos lábios. No dia seguinte seu bebê finalmente estaria com ela.
– Elas vêm amanhã, então? – perguntou Quinn curiosa.
– Sim. Minha mãe vai ligar amanhã cedo para dizer o horário que vão chegar. – disse animada – Só tem um problema. – lembrou-se.
– O que foi? – a loira questionou preocupada.
– Você poderia me dispensar e me emprestar uma das caminhonetes do Rancho para eu busca-las? – pediu envergonhada.
– Você vai na minha. As do Rancho não são tão confortáveis. – disse com um sorriso amistoso.
– Não, Quinn. Vou em uma do Rancho. Não vou pegar seu veículo pessoal. – negou.
– Isso não está em discussão. Se preferir entenda como uma ordem. – falou acabando com o assunto.
Um pouco depois Emma entrou no quarto com uma bandeja, trazendo o jantar para Santana, que protestou alegando estar bem e que poderia ter ido comer na cozinha e depois ido para casa.
– Não, senhora. Você vai dormir aqui. Emma trouxe uma roupa mais leve para você e depois de um banho você vai dormir. – determinou Quinn, autoritária – Eu vou dormir ali no sofá.
– Nem pensar que você vai dormir mal acomodada para que eu durma em sua cama. Posso muito bem dormir sozinha. – teimou.
– Você não tem escolha, Santana. Ou amanhã não te empresto nenhuma das caminhonetes. – chantageou, vendo pela cara de desgosto da latina que havia vencido mais aquela discussão, apesar da mulher não ser nada fácil.
Enquanto Quinn arrumava o local onde iria dormir Santana foi tomar um banho e colocar o pijama que Emma tinha lhe trazido emprestado. Deixou a água morna escorregar por um bom tempo por seu corpo e ao final já se sentia totalmente relaxada.
Saiu do box e se secou. Pegou a blusinha e o short de dormir que lhe fora dado e colocou, notando que o mesmo havia ficado extremamente diminuto em suas curvas. Não podia negar que Emma era menor que ela, mas aquelas peças com certezas ficariam pequenas até nela mesma.
Voltou para o quarto totalmente constrangida com os trajes que vestia. Trazia os braços cruzados sobre os seios avantajados, os quais pareciam que já iam saltar de dentro da blusa justa. Sentiu o olhar de Quinn queimando sua pele, mas preferiu fazer que não havia percebido para que ela mesma não cometesse alguma loucura.
Quando viu que Santana havia entrado no quarto Quinn levantou os olhos em sua direção. Podia esperar qualquer coisa, menos vê-la naquele pijama tão pequeno e que deixava as pernas perfeitamente torneadas e uma parte da barriga bem definida à mostra. Trazia os braços cruzados no peito, provavelmente tentando disfarçar os avantajados seios que não estavam nem a metade cobertos.
Não conseguia desviar os olhos daquele corpo perfeito e sentiu o desejo tomando conta de todo seu ser. Seu membro pulsou dentro do jeans apertado avisando que era hora de sair dali antes que fizesse alguma besteira irreparável.
– Vou tomar um banho. – falou constrangida praticamente correndo para o banheiro.
Livrou-se da roupa que vestia rapidamente, entrando imediatamente embaixo da água gelada que escorria do chuveiro a fim de aplacar o calor que tomara conta de seu corpo.
Cerca de quinze minutos depois conseguiu finalmente desligar o chuveiro e sair do box para se secar. Para seu desespero percebeu que na ânsia de sair do quarto não havia pegado nenhuma roupa para vestir.
Enrolou-se na toalha, que mal cobria seu corpo e entrou vagarosamente no quarto. Para seu alívio Santana já estava dormindo profundamente. Já mais calma dirigiu-se até seu guarda-roupas e escolheu um pijama confortável, deixando a toalha escorregar para finalmente se vestir.
Santana achou melhor fingir que estava dormindo para evitar maiores constrangimentos. Não entendia o que tinha acontecido momentos antes. Aquela vontade que teve de avançar sobre Quinn e a cena dela fugindo para o banheiro.
Só não esperava que a loira saísse do banheiro enrolada apenas em uma pequena toalha branca, que ressaltava suas curvas. Tampouco poderia adivinhar que a loira deixaria a mesma toalha escorregar para ficar totalmente nua antes de finalmente se vestir.
Teve apenas a visão da nudez traseira de Quinn, mas isso foi suficiente para fazer o ponto entre suas pernas latejar. A loira tinha o corpo perfeito. A bundinha bem definida e durinha pedia para ser apertada com vontade. Quando ela se curvou para vestir o short teve uma pequena visão de seu pênis, o que definitivamente fez com que ficasse totalmente molhada.
Sem perceber que era observada Quinn dirigiu-se a sua cama improvisada e se deitou. As duas custaram a pegar no sono aquela noite. Dormiram com a imagem do corpo que viram a pouco e que com certeza desejavam.
Santana acordou atordoada e com uma leve dor na cabeça. Abriu os olhos e momentaneamente não soube onde estava. Olhou atentamente para os lados até se deparar com a figura loira de cabelos rebeldes e rosto tranquilo dormindo no sofá. Imediatamente todos os fatos do dia anterior vieram a sua cabeça e procurou se levantar o mais silenciosamente possível.
Vestiu suas roupas que havia deixado dobradas numa cadeira e saiu, deixando Quinn dormindo tranquilamente, não sem antes lançar um sorriso cálido em sua direção.
Entrou em sua casa completamente feliz sob a expectativa de que logo mais aquele local estaria cheio de vida e cores, pois sua filha com certeza daria o próprio toque infantil ali.
Ainda sorrindo foi para o seu quarto e escolheu uma roupa para vestir após um longo banho. Ainda era cedo, então permitiu-se demorar sob a água morna que escorria por seu corpo. Depois de se vestir e se preparar para mais um dia de trabalho foi para a cozinha preparar seu costumeiro café matutino, o qual seria degustado na varanda.
Pegou sua caneca e sentou no banco como vinha fazendo desde que fora morar ali. Estava ansiosa que sua mãe ligasse para dizer a que horas iriam chegar. Desejava ter a filha nos braços para poder beijá-la e abraça-la como costumava fazer.
– Você fugiu de mim. – falou Quinn se aproximando sem que a latina tivesse notado.
– Me desculpe, mas perdi o sono. – sorriu.
– Você dormiu bem? Acordou cedo por que estava sentindo alguma coisa? – perguntou preocupada.
– Não se preocupe. – riu – Só estou ansiosa pela chegada de minha bebê e de minha mãe.
– Que bom que é só isso. Fiquei preocupada.
– Você quer um café? – convidou.
– Estava esperando você oferecer. – riu – Mas que Emma não fique sabendo disso.
– Não se preocupe, será nosso segredo. – brincou logo se levantando para trazer uma caneca para Quinn.
– Você quer que eu a acompanhe até ao aeroporto mais tarde? – ofereceu-se.
– Não há necessidade. É melhor você não se ausentar do Racho, já que Noah e Will estão para o campo e não tem quem a substitua. – agradeceu.
– Tem certeza que está segura para dirigir? – perguntou sem conseguir disfarçar a preocupação.
– Tenho sim. Não se preocupe. – disse mais uma vez agradecida.
Logo Quinn se despediu e se dirigiu à casa grande, sob o olhar de Santana que tinha o olhar fixo para o bumbum perfeito da loira, dando um suspiro logo em seguida.
– Pare com isso, Santana. Não ponha tudo a perder por uma atração. Você nunca foi assim. – ralhou consigo mesma e saiu em direção ao estábulo para cuidar de Blue Sky antes de sair.
Verificou que a égua estava reagindo bem à medicação e não estava tendo nenhum efeito colateral. Avistou um dos cowboys e o chamou orientando que ele fizesse ela se exercitar nos pastos mais afastados, para não ter contato com os outros animais.
– Santana. – ouviu Quinn a chamando.
– Aqui, Quinn. – respondeu, saindo da estrebaria de Blue Sky.
– Sua mãe ligou e disse que irão chegar em torno das duas da tarde. – disse feliz como se fosse a própria família que estaria chegando.
Por um momento Santana se perdeu naquele sorriso lindo. Onde estava aquela Quinn aterrorizante e sem sentimentos que todos tinham medo. Aquela mulher ali na sua frente era totalmente o oposto daquilo tudo. Ela era boa, sensível e extremamente solidária e caridosa.
– Santana? Você me ouviu? – chamou preocupada.
– Ah, sim. Obrigada. – disse constrangida – Daqui a pouco eu já vou então.
– Você não quer mesmo que eu vá junto? – se ofereceu mais uma vez.
– Não precisa, você tem muito o que fazer aqui.
– Então Emma irá com você. Não deixarei que vá sozinha. – decidiu já dando as costas para que Santana não discordasse, senão ficariam ali eternamente.
– Não precisa, Quinn. – gritou.
– Ela vai sim. – ouviu a outra gritar ao longe.
Instantes depois a latina partiu acompanhada de Emma que, assim como Quinn, insistiu e disse que não a deixaria ir sozinha. A loira já havia ligado para o reboque e sua caminhonete seria enviada para a oficina que cuidava dos carros do Rancho e ficaria pronta provavelmente em uma semana.
Santana dirigia com um sorriso no rosto. Em breve estaria com seu bebê mais uma vez nos braços.
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