Meu Guarda-Costas
3 Uma Amizade Improvável? Preocupações!
Os dois estavam andando pelo centro. Buttercup parou o olhar em Butch. “Como isso pode estar acontecendo comigo? Que desgraça... Logo esse... Nojento! Eu odeio esse canalha... Mas apesar de tudo, ele pode ser uma boa companhia. Melhor que nada. E ele é forte. Só espero que ele aguente o tranco pra me proteger. Mas nada que o dinheiro não atice o interesse dele. Afinal, ele só quer saber do dinheiro. Nada mais. Ah, talvez zoar comigo.”
Ela nem percebeu que estava encarando Butch. Curioso, o garoto se vira pra ela.
— Butter? Algum problema?
— N-nada! – Ela virou o rosto, constrangida.
“O que foi aquilo? Eu deveria ser mais discreta!” – Pensou a menina de olhos de esmeralda.
Butch riu da situação e isso irritava Butter, mas ela só bufava.
— Que horas são mesmo? – Perguntou a morena.
— Deixa eu ver... – Ele olhou em seu relógio de pulso, que marcava 17:00. – São 17:00, senhorita.
— Daqui a pouco vai escurecer... Vamos voltar. – Disse Butter, olhando para o imenso céu, que ainda estava azul com poucas nuvens.
Butch assentiu e a acompanhou. A casa da mesma estava longe, mas ainda assim, eles continuaram fazendo um passeio.
— Vamos jogar bola depois da escola amanhã? – Sugeriu o garoto-problema.
— É... pode ser. – Buttercup estava no “tanto faz”. Claro que adoraria jogar futebol, pois ela adorava esportes. Mas jogar com Butch? Ela não sabia se queria. Ele era vice campeão da escola. E mais: Era convencido e irritante. Ela não sabia se aguentaria.
Assim, as horas passaram e os dois chegaram na casa da garota, lá pelas 18:30. O céu, que estava alaranjado, começou a ficar com tons de azul escuro. Logo, uma lua cheia romântica surgiu. Buttercup mal olhava pro céu, a lua e as estrelas. Ela só queria que Butch a deixasse em paz.
— Então? Como foi? – O Professor abriu um largo sorriso, deixando os verdinhos entrarem.
— Normal. Nada de mais. – Declarou Buttercup. Ela não queria um interrogatório. Estava muito cansada.
— Foi muito gratificante, senhor. Obrigado por me deixar tomar conta dela. – Butch estava tentando ser o mais cavalheiro possível. Buttercup fez careta. Tudo aquilo era estranho.
Na escada, estavam Bubbles e Blossom ouvindo a coisa toda, loucas para que rolasse algo entre eles, pois desde sempre (ou quase), elas shippavam os verdes.
— Não foi nada, eu que agradeço. Deposito minha confiança em você. A Buttercup é muito especial pra mim. – O Professor disse, apalpando a cabeça da filha morena, como se ela fosse um cãozinho.
— Imagino. Ela é especial mesmo. – Butch deu um sorriso. Butter ficou confusa. O que ele quis dizer com aquilo? Mas ela lembrou que ele era louco mesmo, então nem ligou.
— Então... Já que vai dormir aqui, Butch, vou pedir pizza! – O cientista disse, animado.
— OBA! PIZZA! – Bubbles deu um gritinho de felicidade.
— Adoro! – Blossom disse e abraçou a loira, e as duas ficaram pulando e comemorando, como duas bobas alegres.
— Só porquê esse fresco tá aqui... – Bufou a morena e Butch sorriu, convencido.
— Claro. Eu sou especial. – Ele piscou e seu lado narcisista se aflorou.
— Ai... Não sei como aguento. – Buttercup bufou.
— É muito amor, Butter! – Ele riu.
— Cala a boca se não quiser perder os dentes! – Ela ameaçou, espremendo os olhos.
O olhar penetrante do Professor já disse tudo. Ela suspirou e se desculpou com Butch por ser daquele jeito. Butch disse que não ligava, disse que estava acostumado e que gostava. Achava engraçado e amava provocá-la.
— Que pizza gosta, Butch? – O Professor perguntou, com o telefone na mão.
— Na verdade, gosto de tudo. O senhor que sabe.
— Não me chame de “senhor”. Só de “você”. E de “Utonium”. – O cientista falou.
Butch assentiu.
— Então, meninas? Qual vai ser? – O pai delas perguntou.
— Calabresa e bacon! – Butter disse.
— Frango! – Bubbles disse.
— Cheddar! – Blossom falou.
— É, pode ser. – Butch assentiu.
— Ok. – O Professor discou. – Oi, boa noite. Gostaria de fazer um pedido...
Butter parou de prestar atenção nisso e ficou pensando em como seriam seus dias daqui pra frente. Veria Butch direto. Já estava enjoada dele num dia só. Como iria aguentar nos próximos dias? Ela estava enjoada com aquela história toda.
Na hora que a pizza chegou, Buttercup mal comeu. Comeu uma fatia e meia e dizia já estar satisfeita. Butch estranhou mas não foi só ele. Parecia que ela estava... desanimada. Estaria doente?
Ela foi escovar os dentes e Butch veio logo atrás.
— Butter... Você está bem? Ficou calada durante o jantar, mal comeu e parece desanimada... Aconteceu alguma coisa com você? – O tom de Butch não escondia sua preocupação.
Ela levantou a cabeça para olhá-lo.
— Por que se importa?
— Eu... tenho que cuidar de você.
— Não liga pra mim de verdade. Só liga pro dinheiro. Não se preocupa comigo.
— Ei, não é isso... Você bateu a cabeça? – Butch estava surpreso com as palavras pronunciadas da garota.
— Só que... – Ela fez uma pausa. – É o que parece. – Parou de novo. – Você sempre se diverte às minhas custas.
— Sabe que é só brincadeirinha, não quero ofender. E você nunca ligou pra isso. – Ele falou.
— Tem razão. Nunca liguei. – Ela não estava entendendo o que estava acontecendo. Ela queria que Butch se preocupasse com ela? Ou não queria que ele se aproveitasse do dinheiro do seu pai?
— Butter... de agora em diante, além de guarda-costas, pode contar comigo como amigo. – O moreno estende a mão direita pra ela.
Ela fitou a mão do moreno. Resolveu aceitar. Se ele estivesse mentindo, iria chutar o traseiro dele, quando pudesse. Ela não confiava 100%. Não queria confiar. Não queria se entregar e se iludir. Ela sabe o quanto doía uma traição e a quebra de promessas.
— Tá... Obrigada. O mesmo vale pra você, eu acho. – Ela deu de ombros e apertou a mão dele.
A mão dele era maior que a dela e estava quente. A dela estava gélida. Ela estava suando, quando ele começou a falar sobre se preocupar com ela e tudo o mais... O que é que tem dentro dela? O que era aquilo dentro dela gritando por atenção? Estava carente? Ou estaria querendo só a atenção de Butch para si?
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