Notas iniciais
Vou viajar, talvez demore pra atualizar... Mas talvez seja mais garantido eu atualizar primeiro no Spirit.

Assim que saíram de casa, Butter ficava olhando pros lados, não queria que ninguém a visse enganchada com Butch, ou entenderiam tudo errado (com razão).

— Pode soltar. – Ela soltou do braço dele.

— Poxa, tava tão bom. – Disse Butch, com cara de cachorro que caiu da mudança.

“Não! Ele só tá te enganando! Ele não gostou de verdade... Esse cachorro é um bom ator! Mas tava tão quente e pela primeira vez me senti segura... PRA QUE, BUTTERCUP? Você pode chutar o traseiro de muitos SOZINHA! Não precisa da proteção de ninguém, além do Professor, óbvio! Estou exaltada... O que esse cara está fazendo com a minha vida?”

Mas ela admitia que era muito difícil resistir àquele pedaço de mal caminho. Os olhos, o sorriso, o cabelo, a boca... PERAÍ, BOCA??

“BUTTERCUP! O que está olhando??” – Ela corou fortemente e desviou o rosto.

— Que foi, Butter? Um cisco no olho? Eu assopro! – Butch virou ela pra ele e ela virou o rosto de novo.

— Não tem cisco nenhum! Não é nada! – Ela disse, tentando afastar o garoto, que ‘fingia’ ser bonzinho. Mas será que esse não era o Butch de verdade?

— Se precisar, eu tô aqui. – Ele encolheu os ombros.

— Tá, eu sei. Você SEMPRE tá. – Bufou a verde, sentindo seu rosto queimar, mas dessa vez era de raiva.

Por que iludia tanto ela? Ele achava mesmo que ela era como as outras? Butter seria só mais uma. Ela teria que ser firme até o fim. Ele não a enganava mesmo... Pelo menos antes era o que Butter pensava... Agora ela nem sabia mais o que era verdade... Estava confusa e detestava sentir-se assim.

— Chegamos. Vou comprar os ingressos. – Anunciou Butch puxando a carteira.

Butter assente e vai comprar refri e pipoca. Com o dinheiro do Butch, afinal ele fez questão de pagar. Era engraçado como ele cuidava dela. Parecia um irmão mais velho, seu pai ou até...

“ISSO NÃO! ELE NÃO PARECE UM NAMORADO! NUNCA, JAMAIS!”

Ela corou com tal pensamento e foi aguardar Butch na entrada.

— O filme começa daqui a sete minutos... Vou ao banheiro rapidinho, tá? Segura aqui os ingressos. – Ele deu os ingressos a ela e correu pro banheiro.

Uma gangue aproveitou que ela estava sozinha, resolveu se aproximar. Eles a olharam de cima a baixo, deixando-a desconfortável. Como não podia usar poderes, nem socos, estava com medo. Mas Buttercup não teme, certo?

— Que menina bonita! Por que está sozinha? – Um deles perguntou, com voz nojenta e pegajosa.

— Você vai se divertir mais com a gente... Venha! – Outro veio e disse.

— Não quero. – Ela só conseguiu falar isso.

— Qual é, vai ser divertido. E inesquecível. – O primeiro pegou no braço dela e ela ia pra gritar, quando...

— Parem! Ela está comigo! Deixem-na em paz! – Butch apareceu na frente dos homens e Butter se sentiu aliviada por um instante.

“Butch... Ele sempre chega na hora...” – Pensou ela, com os olhos brilhando.

— Sua irmã só estava falando com uns velhos amigos... – O segundo disse, com cara de inocente.

— Conhece eles, Butter? – Butch se virou pra ela e a mesma negou. – MENTIROSOS! – Butch socou eles.

— Moleque!

Eis que vem a polícia, que passeava por ali e leva os caras.

— E mais... Nunca mais mexa com ela! É minha namorada! – Butch pegou na mão de Butter e no instante que ele a tocou, seu coração deu um pulo e acelerou tanto que ela achou que ia parar de respirar. Seu rosto ficou quente, mas ela não quis desfazer o favor que Butch fizera, como todos os outros.

Os dois entraram de mãos dadas no cinema.

“Me diz que é fingimento... O Butch é ator... Não tem nada de errado... Ele só tá fazendo o trabalho dele... Por que estou tão nervosa? O que é isso no meu peito que não para de bater depressa? Tá mó calor aqui... Por que me sinto tão bem?”

Tantas perguntas... Mas o filme estava já no trailer. Os dois sentaram na terceira fileira, lado a lado. Quase não tinha ninguém nessa sessão.

Butch nem tinha percebido que estava ainda de mãos dadas com Butter. Ele rapidamente soltou, fingindo que ia pegar pipoca, mas na verdade, estava muito sem jeito com tudo aquilo. Butter fingiu que não era nada também e pegou refri.

O filme começou com um pouco de suspense. Tinha um pouco de romance no meio, drama, comédia... De tudo um pouco. Mas o enfoque maior era o terror. Muitas pessoas gritavam, mas Butter e Butch estavam concentrados.

No meio do filme, Butter tinha ficado muito distraída. Tantas coisas na sua cabeça que levou um baita susto pelo que viu na tela e sem pensar muito, agarrou Butch.

— O que houve, Butter? Você não tem medo dessas coisas! – Butch estranhou, mas bem que gostou.

— N-não tenho mas eu tava pensando em outra coisa e me distraí... – Ela viu que sua voz ficou fraca e teve vontade de dar um tapa na sua testa, mas não queria que o menino visse.

— No que estava pensando?

— N-na prova de biologia de amanhã!

— Fica susse, é mó fácil.

— Eu não sei não... – Ela disse ainda em transe.

— Calma, vamos curtir o filme, tá? – Ele acariciou o queixo dela, o que a acalmou bastante, já que ela relaxou, suspirou fundo e fechou os olhos. Butch fazia muito bem seu trabalho. Mas ela não queria acreditar que aquilo era fingimento. Queria que ele se preocupasse de verdade com ela.

Seu coração parecia um trem desgovernado. Estava com arrepios por todo o corpo. Perdera até a fome de comer a pipoca. Queria só olhar pra tela, não queria mais olhar Butch naquele momento.

Ele tinha colocado seu braço em cima do dela, mas ela tirou, fingindo que ia pegar pipoca. Mas era por vergonha mesmo.

Havia faíscas por todo seu corpo. A cada toque de Butch, era um choque elétrico. Era de arrepiar-se toda, todos os pelos do braço.

Mas o filme começou a ficar chato, segundo Butter. Nada de novo. Ela bocejou.

— Quer dormir, Butter?

— Ih, pior que quero. – Declarou ela, quase capotando.

— Dorme aí, eu cuido de você.

— Beleza. – A verde virou pro lado. Não queria fungar fungando em Butch e sentindo aquele perfume dele.

Mas no meio do sono, ela inconscientemente deitou a cabeça no ombro dele. Ele ficou vermelho, mas gostou. Ele acariciou delicadamente o rosto da morena e acariciou também os cabelos da mesma. Eles estavam bem próximos, o que causava o maior calorão. Mas ele também estava ligado no filme. Mas sua cabeça sempre estava em Buttercup. E Butter sonhou com ele, mesmo sem querer, é claro. Ela teria que resistir de todo jeito. Teria que começar a tratá-lo pior, sem dar moleza. Uma hora, a afeição ia sumir, certo? Era o que a morena esperava...