Meu Gremista
16 Capítulo 16
Eu tenho razão de odiar saltos. Eles não são de deus. Podem ser lindos e tals, mas acabam com a gente.
Chegamos no condomínio já era 18:00, tudo por causa da porra do salto. Ai que ódio! Malcom estava na portaria esperando a 78, ele nem me disse oi, agarrou a cintura dela e eles ficaram se engolindo. Revirei os olhos e fui em direção ao ap de Percy.
Toquei a campainha, e não demorou muito para a porta ser aberta e seus braços rodearem a minha cintura.
– Você ta gelada anjo. – Disse ele me abraçando e cheirando meu pescoço, enquanto tirava a bolsa do meu ombro jogando no canto.
– Ta frio la fora. – Enfiei minhas mãos no bolso traseiro do seu jeans grudando ele mais a mim. Ele riu fazendo cocegas no meu pescoço. E a porta continuava aberta.
– Por que não colocou uma calça? – Passou o nariz pelo meu pescoço, subindo pro meu maxilar.
– Porque vestido é muito mais fácil de tirar. – Sussurrei no seu ouvido apertando a sua bunda. Ele gemeu e tomou minha boca em um beijo sôfrego e delicioso. Levei minha mão ao seu cabelo puxando enquanto mordia seu lábio inferior.
– Acho que podemos sair da porta né? – Disse levantando uma sobrancelha. Ele riu, me deu um selinho e foi fechar a porta.
– Eu estava abrindo o vinho quando você chegou. – Fomos em direção a cozinha, os ingredientes do macarrão estavam espalhados pela bancada, ao lado duas taças e um vinho com a rolha já pra fora. Percy puxou a rolha e serviu o vinho, entregando uma taça pra mim. Dei um gole apreciando o sabor do vinho quando Percy se aproximou e me beijou, enfiando a língua na minha boca. – O vinho é bom, mas em você ele fica melhor. – Eu ri e ele voltou a me beijar.
...
– Eu sei que você gosta deles solto Percy, mas eu estou cozinhando. Você por acaso vai comer comida com cabelo? – Estávamos tendo essa estupida discussão porque toda vez que eu amarro o cabelo, Percy o desamarra. Eu estava mexendo o molho branco enquanto o macarrão fervia em outra panela. Percy me observava e pegava os ingredientes que eu pedia. E é claro, desamarrava meu cabelo. – Prometo desamarrar depois que eu terminar aqui ok? Agora pega um escorredor e escorre o macarrão pra mim. – Ele passou por mim dando um beijo na minha bochecha. Pegou o escorredor e escorreu o macarrão o colocando em uma travessa. Desliguei o fogo jogando o molho em cima da massa. Percy pegou dois pratos, os talheres e o vinho e colocou em cima da mesa. Levei a travessa e ele trouxe a minha taça.
– O cheiro ta bom, ta me dando água na boca. – Sentei na cadeira, Percy passou atrás de mim, soltando meu cabelo me fazendo rir.
– Insistente. – Ele sorriu dando de ombros. Sentou em sua cadeira e deu uma garfada no macarrão, levando-o a boca.
– Isso está maravilhoso, Annie!
– Muito obrigada. – Experimentei e realmente, estava muito bom.
– Me fala de você. – Disse ele bebendo seu vinho.
– O que quer saber? – Ele deu de ombros.
– De onde veio? Qual a sua cor preferida? O que gosta de comer? Qual o nome dos seus pais, como eles são?
– Wow calma la. – Ri, tomando um gole do meu vinho. – Bom vamos ver. Eu morava em Assis aqui em SP mesmo. Minha cor favorita é... pra falar a verdade eu não sei qual é a minha cor favorita. Eu gosto bastante da cor verde, mas azul também é uma cor ótima. – Disse olhando nos seus olhos, ele sorriu torto me fazendo corar. – Eu gosto de comer de tudo! São poucas as coisas que eu não como. Não como nada com maracujá ou mamão, só o cheiro me da ânsia de vomito, também não sou muito chegada em cebola, nem chocolate branco. Tirando isso, eu gosto de tudo. – Dei um gole no vinho, agora vinha uma parte delicada. — Minha mãe se chama Atena Chase e ela é ótima, nunca vi mulher mais inteligente que a minha mãe. Apesar dela ser extremamente inteligente, não recebe o prestigio que merece. Ela é enfermeira na minha cidade, a melhor na verdade, mas mesmo assim não ganha muito. Bom, meu pai fugiu de casa quando eu tinha 9 anos, se chama Frederick. Ele fugiu com uma prostituta ai, dizem que eles tem 2 filhos. – Dei de ombros. – Nunca liguei muito pra ele, fui muito bem criada pela minha mãe, Frederick era só um estorvo.
Olhei pro meu prato por um instante, mergulhada em lembranças. Minha mãe é tão linda, batalhadora e inteligente, não merecia ser trocada por uma prostituta qualquer. Percy pegou minha mão sobre a mesa, acariciando com o polegar.
– Ei, olha pra mim. Desculpa tocar nesse assunto, não queria te ver triste. – Deu um beijo na palma da minha mão. Sorri pelo seu gesto.
– Não se preocupe. E você? Me fale mais sobre o futuro Dr Perseu.
– Eu morava em Gramado, a cidade é muito boa e o chocolate de la é o melhor. Eu sempre gostei bastante de azul, mas cinza é uma cor muito interessante. – Disse piscando pra mim, rindo do meu constrangimento. – Olha, não tem uma coisa no mundo que eu goste mais que a lasanha da minha mãe, e eu simplesmente odeio jabuticaba. – Fez uma careta me fazendo rir. – Hmm, meus pais são ótimos. – Ele disse meio hesitante. — Minha mãe é Sally Jackson, ela é escritora e..
– Para, sua mãe é a Sally? Eu não acredito Perseu! Eu amo sua mãe! Você tem que conseguir uma dedicatória pra mim! Pelos deuses. – Ele riu muito da minha cara, eu estava chocada, a mãe do meu.. hm.. “meu relacionamento”, é a minha escritora favorita.
– É bem engraçado ser reconhecido pelo trabalho da minha mãe, e não pelo meu pai.
– Por que, quem é seu pai?
– Poseidon Jackson. – Disse olhando pra mim com cautela. Ok dei uma boiada agora.
– Hmm, não sei quem ele é. – Dei de ombros. Ele me olhou em choque.
– Como não sabe? Ele é simplesmente o cara mais rico do Sul do país.
– Ta falando sério? – Ele assentiu. Percebi que ele nunca havia me dito seu sobrenome. Deve ser uma bosta ser pré-julgado por quem são seus pais. Imagina o tanto de oportunistas que já se aproximaram dele.
– Você é completamente estranha Annie. E eu adoro isso em você. – Ele levantou pegando as louças e levando-as pra pia.
– Você adora a minha estranheza e eu que sou estranha? – Abracei ele por traz enquanto ele lavava a louça. Passei o nariz no seu pescoço vendo os pelinhos da sua nuca se arrepiarem. Sorri.
– Muito engraçado Annabeth Chase. – Ficamos em silencio por alguns instantes até ele dizer. – Não vai começar a me tratar diferente por saber quem é meu pai né? – Secou as mãos em um guardanapo de pano e se virou pra mim, me olhando nos olhos e acariciando meus cabelos.
– Não mesmo Dr. Jackson. Não é você que é rico Percy, se um dia você se tornar? Ótimo, você sera bem sucedido fazendo o que você ama e não as custas do seu pai. Eu fico muito orgulhosa de saber que você esta em uma faculdade pública, lutando pelo que você quer ser, quem você escolheu ser, em um curso extremamente foda, num apartamento nada luxuoso, vivendo com o básico, sem ser filhinho de papai. Alias, se você fosse filhinho de papai pode apostar que eu não estaria aqui com você. Eu gostei de você antes de saber seu nome! Eu te vi andando pelo campus com a camiseta do grêmio, jogando todo o poder de seus olhos azuis em quem passasse. Gostei de você naquele bar nada chique, tomando uma cerveja barata rindo com os amigos. Gostei de você na boate, onde entramos com o povão, nada de VIP. Gostei de você desse jeito, e continuo gostando de você pelo que você é, e não pelo seu pai.
Ele estava atônito, e provavelmente impressionado. Talvez não esperasse uma declaração. Nem eu esperava.
– Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. – Meu coração bateu rápido dentro do peito. Agora eu estava surpresa. Eu gostava dele de mais em tão pouco tempo. Eu nem sabia que era possível gostar tanto de uma pessoa. – Nem sei se isso é possível mas, Eu to muito dependente da sua estranheza Annie.
– Hmm é bom ser correspondida. – Ele riu e me beijou, sugando meus lábios com vontade, fazendo minhas pernas tremerem. Ele me levantou e eu enlacei as pernas na sua cintura Parei o beijo. – Pode apostar gato, eu vou te explorar sim, não por causa do seu pai, mas você vai ter que apresentar a sua mãe. – Ele gargalhou alto, me fazendo rir junto.
– Ela vai adorar te conhecer anjo. – Voltei a colar nossos lábios enquanto íamos em direção do quarto.
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