Meu Estranho Mafioso
56 Quarenta e cinco.
Notas iniciais
— CONSEGUIU SE ACALMAR? — indagou Gray, sentando-se ao meu lado no sofá vinho e apertando minha mão consoladoramente.
— Hum — balbuciei. Na verdade, devia estar óbvio que não. Meu corpo todo tremia, como se estivesse estado sob a água fria de um rio. Até me deram um cobertor.
— Não se preocupe — consolou o moreno —, logo Natsu estará aqui e vamos resolver isso.
— Eu sei — tive força para responder. Apertei sua mão fortemente, aceitando seu consolo. — Obrigada, Gray.
Ele sorriu fracamente para mim e abraçou-me.
— Vai ficar tudo bem, Lucy.
Optei por ficar calada. Fechei meus olhos, tentando apenas me concentrar no calor que o peito e ombro de Gray oferecia, no entanto a visão daquilo continuava a voltar em minha mente.
Alguns dias antes.
— É um café adorável — elogiou Yukino assim que depositei uma xícara de chá herbáceo em sua frente. — O ambiente é muito confortável.
Abri um enorme sorriso para ela enquanto abraçava a bandeja.
— Não é? Fairy Latte com certeza é um achado maravilhoso. Tenho sorte de ter conseguido um emprego aqui.
— Ah, sorte é algo que ambas sabemos que sempre teve, Lucy-sama — bajulou, tomando um gole da bebida.
— Ora, Yukino, nem vem com essa! Isso já é exagero!
— Obviamente que não, Lucy-sama! Tem sorte em todos os aspectos! É bonita, inteligente e sempre atrai jovens desconcertantes e elogiáveis. Chega a ser invejável.
— Jura? Nunca pensei nessas coisas, para ser honesta...
— Heh... — murmurou. — É a verdade, no fim das contas.
— Não acho que...
— Lu-chan! Pedido na mesa sete! — avisou Levy, passando ao meu lado com uma bandeja lotada de quitutes.
— Oh, certo — respondi. Virei-me para Yukino. — Desculpe, tenho que voltar ao trabalho agora.
— Tudo bem — sorriu.
Corri até o balcão para guardar o objeto e puxei meu bloquinho de anotações do bolso, indo até mesa sete e atendendo os clientes com um sorriso animado. Parecia que uma semana calma estava se iniciando.
✩✩✩
— Sério?! — exclamei assim que Gray deu-me a notícia que Juvia havia tido uma recaída. — Ela está bem? E o bebê?
Ele soltou um longo suspiro.
— Os médicos estão preocupados. Não acham que o bebê possa ser afetado, no entanto também não havia garantia que Juvia fosse ter uma recaída e acabou acontecendo — ele recostou-se no encosto da cadeira mais confortavelmente. — No fim, ela ficará internada sob observação constante.
— Pobre Juvia... — murmurei, desistindo de tentar resolver aquele problema de matemática. — Deve ser solitário ficar no hospital tanto tempo sozinha, certo?
— Oh, bem... — dava para perceber que ele se sentia culpado por deixá-la sozinha daquele jeito. — Não é como se pudesse deixar todas as minhas obrigações de lado, infelizmente. É tanta coisa para pensar, já nem sei mais o que fazer...
— Como assim? — indaguei confusa.
— Sobre o futuro — afirmou como se fosse óbvio. — Sabe, embora ame o ambiente familiar que os Dragneel proporcionam, há muito qualquer um de nós percebemos que não é um ambiente adequado para o crescimento de uma criança. Na verdade, é um ambiente bem trágico. Mesmo Igneel tentou evitar que Natsu e os outros crescessem nesse tipo de ambiente.
— É por isso que ele sempre leva Meredy junto em suas viagens? — ele afirmou com a cabeça. — Mas ele não viaja a trabalho?
— É o que podemos pensar, né? — Gray soltou um riso descrente. — Porém Ultear já reclamou muito que eles mais se divertem do que fazem trabalho. Meredy fica bastante com Ponsho, na verdade. Aquele cara é quase uma babá dela.
— Ponsho? Bebida?
— A bebida é ponche — riu da minha confusão. — É um amigo íntimo da minha família. Ultear e ele são como melhores amigos. Isso não vem ao caso agora — fez uma mesura com a mão. — Na verdade, o irmão do Natsu foi o primeiro a ver o quão ruim era ser uma criança da máfia Dragneel...
— Zeref?
— Já sabe sobre ele?! — surpreendeu-se.
— Oh... Lisanna me contou algumas coisas. O que quis dizer com isso de Zeref ser o primeiro a ver o quão ruim era ser uma criança da máfia Dragneel?
Ele respirou fundo, como se estivesse decidindo internamente se devia ou não contar-me mais detalhes sobre o assunto.
— Zeref era uma criança bem quieta e na dele, ao contrário do tapado do Natsu, no entanto uma vez ele me contou isso, sabe... — Gray parecia inquieto com algum pensamento. — Ele viu Iryn Strauss em um de seus trabalhos e teve pesadelos com a cena por várias noites.
— Iryn Strauss? Algum parente da Mira?
Acenou com a cabeça, concordando.
— A mãe dela. Iryn era linda e assustadora ao mesmo tempo. Ela é conhecida por... — calou-se, decidindo não me contar.
— Pelo quê? — insisti. — Vamos lá, eu aguento.
— Não tenho certeza, mas se quer mesmo saber... Ela tinha o costume de mutilar as pessoas que chegavam em suas mãos.
… Certo, talvez não precisasse saber disso.
— E o que aconteceu com Iryn? Ela morreu?
— Não — arregalei os olhos ao receber essa informação. — Aquela mulher sempre esbanjou muita saúde, como se sugasse a vida daqueles que matava — nunca vi o semblante de Gray tão sério. — Ela mora atualmente na Rússia, servindo o avô de Natsu.
— O Avô Dragneel?! — pisquei algumas vezes tentando digerir toda aquela informação. — Natsu e Aries parecem muito incomodados quando ele está envolvido. Natsu não sai do escritório desde que Lullaby apareceu...
— Também ficaria preocupado em dobro como Natsu se Lullaby demonstrasse algum interesse em alguém querido. E estou — sorri para ele. — Aquele cara, afinal, não tem escrúpulos quando se trata de alguém para “brincar” — soltou outro suspiro. — De qualquer forma, estou pensando em me afastar disso tudo, entende? Sair do país, comprar uma casa grande onde possa viver com Juvia e nossa criança — um sorriso conseguiu aparecer em seu rosto. — Quero uma vida digna para essa pessoa que irá nascer.
— Gray... — mandei-lhe um singelo sorriso. — Tenho certeza que ele, ou ela, será uma pessoa admirável.
— É o que espero — confessou, retribuindo meu sorriso.
— Oh, por que então não vamos visitar Juvia todo dia depois da escola? — sugeri.
— Você trabalha depois da escola — lembrou.
— Oh, é mesmo! — exclamei. — E que tal depois do Fairy Latte? Só teremos que alternar um pouco, uma vez que tenho que tomar conta de Happy e o turno de Levy acaba depois que o meu.
— Happy, hein... — murmurou olhando em volta, para meu apartamento bagunçado. — Escute, Lucy, não acha que seria melhor voltar para a mansão? É muito mais seguro ficar lá do que aqui.
— Me sequestraram enquanto morava lá! — respondi. — Além disso, nada ruim aconteceu desde que vim para cá.
— Só Max que apareceu esfaqueado! — seu sarcasmo sobressaiu.
Encaramo-nos desafiadoramente.
— Olha, tem mais chances de ver Natsu na mansão, certo? — continuei calada, meus olhos fixos em meu caderno cheio de equações. — Além disso, lá tem câmeras de segurança de Aries por todos os cantos — minhas bochechas arderam ao me lembrar que a rosada viu aquele meu presente para Natsu —, então se alguém, por algum milagre, conseguir lhe pegar teremos uma ideia de quem pode ser — continuou: — Quer mesmo que esse lugar perca a segurança para ir para lá? Aliás, quer mesmo colocar a segurança dos outros moradores em perigo por sua causa?
— Odeio quando faz isso — reclamei.
— O quê? — o sorriso em seu rosto indicava que sabia ao que estava me referindo.
— Que me sinta culpada! — joguei uma das almofadas da cama nele. — O que acontece se meu pai descobrir?
— Seu pai? — perguntou.
— É! — respirei fundo. — Já estou escondendo coisas demais dele... Meu namoro com Natsu, meu envolvimento com... — apontei para ele. — Com mafiosos! Todas as coisas que aconteceram desde que cheguei aqui... — segurei minha cabeça. — Merda, era apenas para eu estudar. Como minha vida acabou assim?
— É assustador, não? — concordou ele. — Para proteger aqueles que amamos temos que mentir, deixá-los de fora de toda uma situação... Por que veio estudar na Fairy Tail, afinal?
— É um estágio necessário.
— Estágio?
— Sim... A faculdade que pretendo cursar fica na Inglaterra, entretanto só aceita alunos com currículos escolares perfeitos — expliquei.
— Que complicada... É Oxford? — deitou ao meu lado.
— Algo do gênero — ri. — A minha antiga escola era boa, no entanto não chegava nem perto de uma das melhores do estado, imagine do país! — também deitei. — Então preenchi um formulário pedindo transferência para a Fairy Tail, fiz a prova de admissão e passei!
— Ainda bem por isso! — bagunçou meu cabelo e apoiou a cabeça nas mãos. — De qualquer forma, obrigado pela preocupação, Lucy. Juvia vai adorar receber sua visita.
— Acha mesmo?
— Tenho certeza.
— Então amanhã — propûs, bocejando logo em seguida.
— Amanhã — concordou. — Agora acho melhor irmos dormir.
Apenas acenei com a cabeça. Estava exausta.
✩✩✩
Levy e Gajeel decidiram nos acompanhar na visita. Quando chegamos ao hospital acabamos nos encontrando com Erza.
— Lucy! Pessoal! — exclamou ao nos ver.
— Há quanto tempo, Erza! — afirmei. — Pensei que a veria na volta às aulas...
— Oh, bem... — desviou o olhar em uma direção contrária. — Agora que Natsu não está indo e Gray cuida de você, assim como Gajeel de Levy, não vejo porquê. Minha principal função ali era avaliar qualquer um que pudesse simbolizar perigo para vocês.
— Entendo... — observei o local pouco movimentado que era aquele corredor. — Jellal está por aqui?
— Não, ele teve que ir pegar outras mudas de roupas — explicou. — Por quê?
— Nada demais, apenas queria agradecê-lo por um conselho que me deu da última vez que estive aqui — sorri. — Mas... Muda de roupa?
— Sim. Ele geralmente vem depois do trabalho, porém como Mystogun anda apresentando melhora nas atividades cerebrais, Jellal não quer sair daqui. Consegui forçá-lo a ir descansar um pouco — sorriu — Espero que tenha conseguido relaxar.
— Mystogun está melhorando? Isso é ótimo!
— Quem é Mystogun? — indagou Levy.
— Irmão mais novo do Jellal — explicou Gajeel.
— Hum... — murmurou ela. — Então ele tem um irmão mais novo... Espera, atividades cerebrais?
— É uma longa história, Levy — disse Erza. — Porém posso colocá-la a par da situação. Aliás, por que estão aqui?
— Viemos visitar a Juvia — apontei para Gray, que estava dando entrada na recepção.
— Oh, é mesmo! Estive tão concentrada em Mystogun e Jellal que acabei esquecendo que Juvia teve uma recaída... Que pessoa horrível sou... Por favor, alguém me dê um soco.
— Não precisa exagerar... — balbuciei para a ruiva. — De qualquer forma, seria bom visitarmos Mystogun também, não acha?
— Seria, mas... dependendo do tempo que fiquem com Juvia, o horário de visita terá terminado.
— Que pena... — lamentei.
— Aqui estão seus crachás de visita! — exclamou Gray, depositando os respectivos crachás em nossas mãos. — Como vai, Erza? — perguntou ao se tocar de sua presença ali.
— Vou bem — respondeu ela com uma sorriso. — Hum... Gray, posso ter uma palavrinha com você?
— Eh? — indagou confuso. — Claro. Sobre o quê?
— Hã... A sós, se possível.
— Oh — aparentemente ele entendeu algo apenas com aquilo. — Certo. Por que não vão na frente? — sugeriu.
— Tudo bem... — caminhei em direção aos elevadores. — Nos vemos lá em cima.
— Então o Jellal tem um irmão, hein? — murmurou Levy já no elevador. — É tão bonito quanto?
— Eles são gêmeos, Levy — expliquei.
— Oh! Isso já significa muita coisa. O que Erza quis dizer com atividades cerebrais?
— Ele está em coma — respondeu Gajeel. — Faz alguns anos já.
— Céus! — tampou a boca em um gesto horrorizado.
— E isso nem é tudo — comentei. — Mas não vou ficar conversando sobre a vida alheia — a porta abriu e saímos no sétimo andar. — Qual o número do quarto da Juvia?
— Não faço a mínima ideia.
— Nem eu — concordou o moreno.
Ótimo, agora teríamos que esperar Gray.
— É melhor nos sentarmos enquanto esperamos Gray — sugeri. — Levy, você... hã, sabe... Não contou para ninguém nada daquela nossa conversa, andou?
— Não — ela remexeu-se na cadeira, mostrando seu incômodo com isso. — Deveria, mas não contei.
Suspirei aliviada.
— Obrigada — agradeci.
— Que conversa? — indagou Gajeel.
— Somente um assunto... hum... feminino. Nada que vá querer ficar por dentro, tenho certeza — disse.
— Certo... — murmurou desconfiado, lançando um olhar significativo para Levy.
— Ela não vai lhe contar — cortei seus pensamentos.
— E quem disse que eu queria que a baixinha me contasse? — respondeu com ignorância.
— Seu olhar, ora.
— Acalmem-se, vocês dois — apaziguou a azulada. — Olhem, lá vem Gray!
Ela estava certa. O moreno corria o mais rápido possível em nossa direção.
— Desculpem... a demora — pediu com a voz entrecortada por causa da corrida. — Vamos lá?
— O que Erza queria? — perguntei, acompanhando-o.
— Ah... — desviou os olhos de minha direção. — Só queria que a atualizasse em algumas coisas.
— Qual o quarto da Juvia? — indagou Levy.
— Seiscentos e setenta e sete.
Passamos algum tempo rondando o andar, até finalmente chegar na porta em questão. Será que Juvia estava dormindo? Não queria incomodá-la... Ao olhar para o moreno ansioso ao meu lado, dei-me conta que era um absurdo pensar assim. Quando Juvia acharia uma visita de Gray algo ruim?
Ele abriu a porta branca e adentramos em um cômodo azul claro com listras brancas na parede. Na bancada da janela haviam várias flores de diversas cores e tamanhos. No centro da cama de lençóis brancos, Juvia estava absorta em um livro com ilustração de bebês na capa. Uma agulha intravenosa estava presa em seu braço.
— Ei — chamou Gray com uma doçura admirável. — Deveria estar descansando.
— Gray! — finalmente notou nossa presença. — Pessoal! O que fazem aqui? — marcou a página do livro e o colocou sobre o criado mudo também branco. — Está tarde, deveriam estar descansando agora.
— Estávamos com saudade! — exclamou Levy animadamente, sentando em uma cadeira de aparência não tão confortável e aproximando-a da cama. — Como se sente?
— Juvia está bem — sorriu. — Foi apenas um susto.
— Um susto terrível — completou Gray, beijando-lhe a testa.
— Gray...
— Está estudando sobre o futuro? — perguntei, avaliando o livro que ela lia. Era um manual para pais de primeira viagem.
— Sim — afirmou com o sorriso ainda maior. — Estamos ansiosos pelo bebê. Oh, deixe Juvia lhe contar, Lucy! Daqui a algumas semanas teremos o primeiro ultrassom do bebê!
— Mesmo?! — animei-me. — Isso é ótimo!
— Embora eu esteja um pouco nervoso com isso... — afirmou Gray.
— Não tem motivos para isso, certo? — Gajeel se fez presente.
— Isso mesmo! — concordou Levy. — Na verdade, isso significa que vão saber o sexo do bebê?
Juvia afirmou com a cabeça.
— É exatamente por isso que estamos ansiosos. Juvia mal pode esperar para saber!
Gray apertou as mãos da amada.
— Será um garoto forte? — indagou.
— Ou uma garota delicada? — completou Juvia.
— Ou o contrário — supôs Gajeel. — Nesse meio que vivemos tem tanta gente estranha que... — calou-se com uma cotovelada recebida de Levy.
Observei atentamente o casal a minha frente. Eles pareciam tão felizes e brilhantes... Me fazia sentir saudade de Natsu...
Quando será que poderei o rever?
Silenciosamente Levy, Gajeel e eu decidimos dar privacidade aos dois. Saímos do quarto e acabamos optando por ir para casa.
Foi uma volta bem animada, com Levy contando alguns casos que aconteceram no Fairy Latte na época em que não trabalhava mais lá e Gajeel — como sempre — em silêncio enquanto dirigia.
— Senhorita Heartfilia! — chamou o porteiro assim que atravessamos a entrada do complexo de apartamento onde morávamos.
— Sim? — fui até sua direção.
— Chegou um pacote para a senhorita quando não estava — avisou, pegando uma prancheta e apontando-me um local para assinar. Enquanto assinava o papel ele remexia em algo abaixo do balcão.
— Aqui está — devolvi a prancheta e ele entregou-me uma caixa branca de tamanho mediano. — Obrigada.
— Não por isso.
Voltei até Levy, que aguardava-me perto do elevador.
— Um presente? — murmurou observando o pacote. — De quem?
— Boa pergunta — balbuciei, procurando o remetente. — Oh! — exclamei ao achá-lo. — É de Natsu!
— Natsu? — estranhou Gajeel. — Aquele tapado não é do tipo que manda coisas pelo correio.
— No entanto ele anda muito ocupado para me ver, certo? — o elevador abriu as portas e entramos. Não pude evitar um sorriso. — O que será que mandou?
— Talvez outra roupa para usar como presente? — zoou a azulada, fazendo-me corar.
— Levy! — bronqueei.
— Desculpa, não pude me segurar! — saímos no nosso andar e Levy tomou a dianteira para abrir a porta.
— A baixinha pode estar certa, sabe? — concordou Gajeel. — Aquele idiota sabe ser pervertido quando quer.
— Como sabe disso? — indaguei desconfiada.
— Esquece que cresci com ele também. Vi várias fases do Dragneel.
— Você também? — surpreendi-me. — Todos vocês são muito ligados na verdade, certo?
— Bem... — murmurou, voltando a se calar.
Sentei-me no sofá da sala enquanto o moreno foi revistar o apartamento. Levy pulou no espaço ao meu lado.
— O que ele mandou? — perguntou animada. — Abra logo isso, Lu-chan!
— Certo, certo... Que animação, parece até que o presente é para você — soltei um muxoxo, rasgando o lacre da caixa.
Havia um bilhete em cima de um monte de algodão que escondia o presente. Nele estava escrito: “um pequeno regalo para nossa princesa”.
— Oh, que romântico! — soltou Levy, também lendo o bilhete.
— Tudo certo aqui — afirmou Gajeel, juntando-se conosco.
— Obrigada — agradeci. Comecei a afastar o algodão, observando sua coloração mudar. Primeiro do branco ao rosa, que se intensificou até ficar vermelho e, por fim, o verdadeiro presente apareceu.
Arregalei os olhos. Era impossível Natsu ter me mandado algo assim.
Senti meu estômago embrulhar. Gajeel tirou o pacote de minha mão ao mesmo tempo em que Levy virava-se para outro lado tampando a boca.
O que havia lá era uma mão. Decepada e ainda quente, com um corte formando a pequena frase “adorável Lucy.”
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