Notas iniciais
Ainda estou tentando me fazer creditar que acabou, pois simplesmente não parece real. Mas é. Foram dois anos e (quase) quatro meses de postagem frequente, hiatus que nunca chegaram a ser realmente hiatus, risadas com vocês, lágrimas... E tudo isso chega ao fim com esse capítulo. Espero que gostem, e achem um fim digno. ♥ Nos vemos nas notas finais.

ALISEI MINHAS ROUPAS, temendo que estivessem amassadas demais por causa da viagem. Dormi no avião praticamente o tempo todo desde a Inglaterra até Fiore e, quando cheguei e recebi o recado de Levy, só conseguia pensar em deixar as malas no hotel e correr até o Fairy Latte.

Um pouco infantil, admito.

Era como se estivesse sentindo falta do cheiro dele. Do seu calor, seu sorriso... Da sua presença.

Lucy Heartfilia, você é uma grande idiota!

— Lucy?

Meu coração falhou uma batida ao ouvir aquela voz. Senti como se estivesse sonhando e voltei a alisar meu sobretudo bege com abertura em “v”. Coisa da mente ou não, queria mostrar o quanto estava bem.

— Lucy — sua mão tocou meu ombro e virei-me com um sobresalto, percebendo que não fora minha imaginação coisa nenhuma.

Natsu Dragneel havia ficado incrivelmente mais bonito desde que o vi pela última vez há quatro anos.

Seu cabelo crescera e seu rosto definiu-se bem, fazendo-o ficar com uma cara de homem decidido. Ele também aumentara na altura. A cicatriz feita por Minerva estava à mostra, mas — como se fosse mágica — não o deixava feio. Na verdade, completava mais a aura sexy que ele possuía agora, com aquela camisa negra de linho fino e calça social azul-marinho.

— Natsu! — exclamei, observando-o abrir aquele sorriso que tanto amei no passado.

Permiti que ele me abraçasse, sentindo a temperatura de seu corpo e notando que ela não havia mudado tanto.

— Obrigado por aceitar se encontrar comigo — sua voz estava mais grossa também. — Quando pedi para Levy para mandar uma mensagem para você, não acreditava que fosse aceitar.

— Não tinha intenção de voltar — murmurei. — Porém como vim atender o testamento de Juvia, decidi que não havia problema nos encontrarmos.

— Entendo... — balbuciou. — Bom, vamos continuar a conversa lá dentro — puxou a porta de vidro da nova construção do Fairy Latte.

Quando pisei lá dentro, foi como voltar no tempo. Foi como entrar lá pela primeira vez de novo. Sabia que Elfman havia decidido reconstruir o local, porém não pensei que ele fosse fazer uma réplica do antigo lugar — com algumas excessões, como os assentos que parecia (e eram) mais confortáveis.

Uma homenagem para Evergreen, com toda certeza.

O Dragneel e eu nos sentamos em uma mesa próxima da janela e apertamos o botão de atendimento juntos, topando nossas mãos.

— Desculpe — pedi envergonhada. Era muito estranho ficar em contato com ele depois de tanto tempo.

Sua expressão dizia que havia ficado triste ao ouvir aquilo.

— Quando ouvi sobre o testamento de Juvia, fiquei me sentindo mal — disse, tentando tirar o clima esquisito entre nós dois.

— Não imaginava que ela fosse deixar Jurei logo comigo — confessei. — Na verdade, não imaginei que ela fosse morrer no parto...

Lembrei-me do quão chocada fiquei ao receber a notícia. Acreditava de todo coração que Juvia sobreviveria àquilo e se manteria viva e bem para cuidar do filho que carregava em seu ventre. Como se o bebê perder o pai por minha causa não fosse o suficiente... Tragédias podem realmente piorar.

— Mira disse que já era previsto — ele percorreu o estabelecimento com os olhos. — E que só não nos contou antes por Juvia ter pedido.

Mordi meu lábio, pensando se deveria ou não perguntar aquilo.

— Natsu... — decidi que sim. — Como ele é? Jurei.

Seus olhos voltaram para mim.

— É um menino incrível, Lucy — O rosado sorriu como se fosse o pai da criança. — É muito inteligente. Ele é um dessas crianças prodígios, sabe?

— Sério? — surpreendi-me.

— Sim!

Uma garçonete usando um quimono curto verde se aproximou da mesa.

— Natsu! — exclamou, praticamente deitando em cima da mesa e ignorando minha presença totalmente.

— Olá, Tina — o Dragneel cumprimentou, meio sem jeito pela situação.

— Estou tão feliz de vê-lo aqui! — abriu um sorriso enorme enquanto enrolava uma mecha do cabelo castanho em um dos dedos. — Faz meu dia valer a pena!

— Que bom — replicou o rosado, pegando o cardápio. Imitei-o e olhei para os itens disponíveis para degustação, notando que o cardápio havia tido uma incrementação incrível de opções. — Que tal nos atender agora?

— “Nos”? — finalmente pareceu me perceber. — Oh! Desculpe! — pediu, saindo de cima da mesa com as bochechas vermelhas de vergonha.

— Tudo bem — afirmei. — Pode me trazer o número quinze?

— Certo — ela puxou um tablet mediano do bolso e marcou meu pedido. — E o... senhor? — perguntou para Natsu.

— O número dez — Natsu sorriu e entregou o cardápio para ela.

— É para já! — recolheu o meu menú e sumiu após atravessar o balcão de atendimento.

Cruzei meus dedos das duas mãos e apoiei minha cabeça neles, os cotovelos firmes no tampo lustroso no qual a empregada estivera há pouco.

— Você ficou popular — comentei.

— Até parece — ele revirou os olhos. — Ela só faz isso para me zoar.

… Os anos passam, mas Natsu continua tapado para certas coisas.

— Estou falando sério — sorri. — Você ficou muito atraente, Natsu — elogiei.

— Eh?! — seu rosto iluminou e ele abriu o maior sorriso que já o vi dar. Pigarreou, tentando não demonstrar o quanto ficou feliz ouvindo aquilo. Coçou a bochecha, olhando pela janela.— Eu que devia estar falando isso, não?

— Como? — confundi-me.

— Já era linda antes, mas confesso que ficou ainda mais com esse cabelo grande.

Deslizei meus dedos entre os fios presos firmemente em meu rabo de cavalo e corei. Os elogios dele tinham alguma coisa diferente das cantadas comuns que ouvia. Talvez fosse o fato de serem logo dele.

— Obrigada, acho — as palavras saíram um pouco entrecortadas por causa do meu embaraçamento.

— Hum.... — pigarreou de novo. — Aproveitando que estávamos falando do Jurei, soube que ganhou uma irmã?

Levantei a cabeça, a animação crescendo dentro de mim.

— Se Levy não fosse tão fofoqueira, perguntaria como sabe disso — riu. — Entretanto... Sim!

— Parece animada ao falar dela — avaliou meu rosto. — Pensei que não gostasse de Michelle...

— Bobagem de adolescente! — exclamei, abanando uma das mãos. — Além de ser um amor de pessoa, Michelle deu luz à Mavis. Como poderia odiar alguém que me deu um anjo como irmã?

— Mavis... — balbuciou. — É um belo nome.

— Yeah — concordei. — E ela é linda também. Puxou o cabelo loiro de papai e os olhos esverdeados de Michelle.

Ele soltou um bufo ao tentar conter uma gargalhada.

— Parece que é uma irmã apaixonada.

— Ela merece — sorri. — Mas Jurei merece ainda mais — a alegria sumiu de meu rosto. — Fui culpada pela morte dos pais dele.

— Não diga isso, Lucy — ele inclinou a cabeça para o lado, olhando-me um pouco desolado. — Quatro anos se passaram. Tem que superar e criar o Jurei bem — abaixou-se um pouco, apoiando um braço na mesa. — Não deixarei que Ultear lhe dê a guarda se continuar amargurada assim.

Tina aproximou-se e serviu nossos pedidos, retirando-se tão rápido quanto havia chegado.

— Como se supera algo assim?

— Não é fácil, porém é possível. Eu superei, e agora falta pouco para que consiga o comando de toda a máfia Dragneel.

Olhei em seus olhos.

— Diz isso com felicidade — notei. — Então se esforçou para ser feliz mesmo morando sob o mesmo teto que Acnologia?

— Aquele velho é louco, mas sabe ser agradável quando quer algo de você — soltou casualmente. — Por falar nisso, suspeito que o Vero tenha uma ligação com o Sting.

— Quem?

— Vero. Meu pai disse que você o conheceu. O com cabelo preto e branco — mexeu nos fios rosáceos para dar mais ênfase.

— Ah! O Cruela! — ri. — Então estava certa...

— Huh? Já havia pensado na possibilidade?

— Sim — cortei um pedaço do bolo que havia pedido. — Quando Gajeel mencionou do encontro de Sting com Rogue.

— E eu me achando um máximo por ter feito essa descoberta... — balbuciou com um bico.

Ri.

— Ora, pelo menos você percebeu — ele largou os garfos, que caíram em seu prato de doce fazendo barulho. — Natsu? — os olhos dele estavam fixos no prato. — Algo errado?

Pareceu fazer uma década até responder:

— Não posso mais.

— O quê? — estava perdida. Do que estava falando?

— Não posso mais, Lucy. Sei que concordei em uma decisão definitiva, mas... Ficar sem falar com você por tanto tempo quase me levou à loucura — arregalei os olhos. — Acnologia tentou me empurrar pretendentes, no entanto nada dava certo. Eu apenas via você sentada lá, ao meu lado.

— Espere um pouco! — exclamei, atônita ante seu olhar cheio de tristeza. — O que está insinuando, Natsu?

— Quero que volte para mim — abri a boca diversas vezes, pensando em como responder àquilo. — Sei que não teve nenhum namorado nesse tempo também. Levy me contou tudo.

… Quando visse aquela smurf de novo iria arrancar a língua dela fora!

— Mesmo que não tenha tido... — senti-me humilhada ao admitir aquilo. — Por que acha que irei voltar para você?

— Porque, cara Lucy, minha mãe sempre dizia que não tinha como se amar alguém da forma que eu te amo e não ser correspondido.

Honoka dizia coisas bonitas demais para um filho tapado.

— Não — respondi. — De maneira alguma. Não passarei por sequestros, ameaças e morte de amigos mais. Por mim, pela minha família e por Jurei.

Ele suspirou aliviado.

— Não me importo se for um caminho difícil, Lucy — sorriu divertido. — Pois sei que quer corresponder esses sentimentos.

Embasbaquei-me.

De onde tirava tanta confiança? Como podia pensar que iria querer voltar para esse turbilhão que era namorá-lo? Passei quatro anos construíndo barreiras ao meu redor, para que não me sentisse tão destruída como quando tive que largá-lo pelo bem maior. E agora ele queria repetir tudo?

De jeito nenhum!

Mas... Se tem uma pessoa que tem determinação para conseguir isso, também é ele. Porque é bipolar, safado, lerdo e engraçado. É o mesmo estranho mafioso por quem me apaixonei em minha moradia em Magnolia.

Sorri, pensando em quanto trabalho teria. Se achava que seria fácil me reconsquistar, estava muito enganado, pois faria de tudo para sabotar qualquer que fossem seus planos. Faz muito tempo desde que fui uma garota do campo, portanto era bom se preparar.

Seria uma guerra. Uma que ele parecia disposto a enfrentar. Portanto que assim fosse.

— Tente então, Dragneel.

Notas finais
Sei que muitos irão pensar que a Lucy foi reconquistada, mas não garantiria isso do jeito que ela está, hein? /corre Quero pedir desculpa pela demora para responder os comentários do capítulo anterior. Algumas respostas saíram duplas, outras nem chegaram a completar o trajeto.. Sinto muito mesmo. Documento com curiosidades de MEM: https://docs.google.com/document/d/1E7UFoyELcjOc-j0d-cIHUpUMI-HLOBUpUDbqm2OXxjw/edit?usp=sharing Eu quero dizer que dedico MEM a você. Sim, a você que está lendo! Por ter clicado em MEM, acompanhado e até mesmo favorizado. Quero agradecer por terem me dado a honra de ter a companhia de vocês, seja desde o início, meio ou quase fim. E dizer que, se tiverem rido, se divertido... Então todo o meu esforço terá valido a pena. MUITO OBRIGADA. Sinceramente e de todo coração, amo vocês. Meu Estranho Mafioso - De 23/03/2013 a 17/07/2015.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!