Meu Estranho Mafioso

25 Contos de Ultear.


— HUM... — murmurou Igneel, que lia um livro e estava estirado no sofá da espaçosa suíte quando lhe contei o ocorrido. Um amigo que trabalhava na sede francesa tinha pedido que saísse para jantar com ele. — Então foi isso que aconteceu...

— É... — estranhei a falta de interesse dele. Geralmente Igneel fica me empurrando para cima de qualquer cara que ache bom para mim.

Voltou sua atenção para o livro, deixando-me completamente de lado.

Arqueei uma sobrancelha. Ele realmente não ia dizer nada?

— Caramba Ur! — exclamou Meredy, desviando a atenção de seu mangá. — Que sorte! O Jean é lindo!

— Meredy, desde quando você fala assim? — indagou o mais velho com a voz arrastada, sem largar o livro.

— Por favor, papai! — suspirou a caçula. — Já sou uma adolescente.

— Pré–adolescente, Meredy. Pré-adolescente — replicou.

— E então, Ur? — ignorou-o. — O que você fez?

— Você está me chamando assim só para me irritar, não é? — enervei-me, mas respondi mesmo assim: — Decidi aceitar.

— Sério? — animou-se. — E como vai ser? Você vai fazer um jantar ou...?

— Oh, meu Deus! — ri. — Não! Ele vai me levar para jantar em um restaurante.

— Onde?

— Não faço a mínima ideia.

— Então ele vai lhe fazer uma surpresa? — seus olhos relampejaram. — Isso é incrível! Que roupa vai usar?

Suspirei cansada.

— Ainda não sei... Amanhã irei fazer compras — decidi.

— Compre algo sexy! — indicou ela. — Algo que o faça só ter olhos para você!

… Aonde Meredy estava aprendendo a falar assim?

— Não — Igneel manifestou-se, fechando o livro. Na capa verde estava escrito o título em dourado. O morro dos ventos uivantes. Encarei-o. — Não vista nada sexy, Ur. Conquiste-o com seu charme. Somente vista uma roupa descente e vá.

Levantou, dirigindo-se para seu quarto e fechando a porta estrondosamente.

— Posso ir às compras com você? — indagou a rosada.

— Claro — sorri para ela.

— Legal! — exclamou, levando toda a sua concentração para o mangá.

— O que está lendo? — perguntei.

— Fairy Tail — mostrou-me a capa do mangá.

— Fairy “Tail”? — estranhei. — Não seria “Tale”?

— Não, é “Tail” mesmo. Algo como “rabo de fada”, ou algo assim...

— Esse não é o nome da escola do seu irmão? — estranhei ainda mais.

— É. Esquisito, não? Chego até a ter calafrios com isso. Aliás, tem um personagem com o mesmo nome e aparência dele. Olhe isso! É idêntica a mim!

Na página que me mostrava, aparecia uma garota que parecia possuir sua altura, mesmo tamanho de cabelo e usava uma capa idêntica a que Meredy usava nos dias chuvosos.

— Assombroso! — exclamei.

— Tem uma personagem idêntica a você também! Espera, deixe-me achar...

— Não! — interrompi. — Não precisa. Acho que se ver isso terei pesadelos, então... Não, obrigada.

— Tudo bem.

— Do que fala essa história?

— Conta a estória de Lucy, uma maga celestial que... — sua cara era de desgosto. — Não sou chegada a ela... Posso falar de outro personagem?

— Claro...

— O herói se chama Natsu, ele usa magia de fogo e é um overpower! Ele é simplesmente incrível! Assim como meu Onii-sama.

Por um segundo achei ter visto coraçõezinhos rodopiarem ao seu redor.

— Está ficando tarde, Meredy — observei. — Acho bom irmos dormir logo, pois amanhã não vou ficar te esperando não!

— Okay, okay!

❀❀

No dia seguinte, acordei assustada por causa de um sonho — na verdade, um pesadelo. Afinal, tinha o Igneel nele. E sonhar com Igneel é um verdadeiro pesadelo.

De qualquer forma, levantei, vesti-me, fiz café da manhã para aqueles dois e saí para fazer minhas compras. Sei que prometi levar Meredy junto, porém simplesmente não estava com cabeça para ouvi-la. Passei o dia inteiro fazendo compras e quando voltei tive que ouvir as reclamações da pré-adolescente por não tê-la levado junto.

Perto das sete horas comecei a me arrumar — Jean viria me buscar às oito.

— Ur, você é má! — reclamava Igneel, seguindo-me para tudo o que é canto. — Vai me fazer levar Meredy a um restaurante e gastar uma grana só porque não quer cozinhar?

— Vou sim — respondi colocando os brincos perolados. — E não me chame de Ur!

— Ur... — ele praticamente choramingava. — Você não pode fazer isso comigo!

— Pare de choramingar! — ralhei. — Você é um mafioso importante! E deixe de ser mão de vaca! Por que está reclamando tanto? Você é rico!

Fez um bico.

— Não é bem pelo dinheiro... Mas é que hoje queria comer sua comida.

— Ah, é mesmo? — fiz descaso. — É uma pena. Nem todos podem ter o que querem.

Lançou-me um olhar levemente irritado.

— Má! — acusou-me.

— Por que gosta tanto da minha comida? — revirei os olhos.

— Porque é minha segunda favorita! — explicou. — É realmente deliciosa! Você deveria se tornar chef!

— Nem brinque com isso — ri. — Espera... Segunda? De quem é a primeira?

Seu sorriso tornou-se triste, fazendo-me se arrepender na hora.

Ah... Era a comida dela...

— Bem... — espreguiçou-se. — Acho melhor me arrumar logo... — Virou-se, dando-me as costas.

— Isso mesmo. Vá logo! — olhei o relógio. Era melhor descer, já estava perto das oito. — Estou indo!

— Está certo! — gritou Igneel de algum dos cômodos. — Até mais tarde.

Parei perto do elevador (como ocupávamos o último andar inteiro, não havia porta de entrada), e enquanto o esperava, meus olhos foram atraídos para um pequeno retrato na mesa de decoração. Observei bem os traços da mulher que ali se encontrava. Ela segurava um pequeno bebê que chorava sem parar em seus braços. Parecia muito viva e animada, enquanto focava a câmera com seus olhos azuis, e ao seu lado Igneel tentava fazer o bebê parar de chorar segurando um chocalho.

Deixei um pequeno sorriso escapar por meus lábios.

Era a imagem de uma família feliz.

Isso me lembra de quando a conheci, junto com Igneel...



— Waaah! Que gracinha de criança! — exclamou, abraçando-me fortemente. Olhou para minha mãe. — É a sua filha, Ur?

— Sim — sorriu mamãe. — O nome dela é Ultear. Pode não parecer muito, mas você é somente cinco anos mais velha que ela.

— Cinco?! — surpreendeu-se. — Caramba! — largou-me, estendendo sua mão para mim. — É um prazer conhecê-la.

Um garoto de cabelo rosado apareceu, chamando-a.

— Ah! Venha aqui! — gesticulou em sua direção, chamando-o para perto de nós. — Ultear, quero que conheça meu melhor amigo. Esse é Igneel. Tenham certeza de se darem bem, okay? Mas se quiser bater nele, eu deixo. Igneel sabe como irritar as pessoas — piscou em minha direção.

— Suas palavras são demasiadamente más — acusou o rosado, ajeitando seus óculos.

— Vamos lá, Igneel! Seja honesto! Você adora irritar as pessoas! Eu sei! Conheço-lhe muito bem! Sei até que na sexta feira você e aquela garota... Como era o nome mesmo?... Ambre? Ashley? Bem, tanto faz... Vocês dois...

— É melhor você não dizer nada! — bronqueou ele, tampando sua boca com as mãos.

Ela começou a grunhir tentando se livrar de suas mãos, porém ele não largou em nenhum segundo.

— De qualquer forma, foi um prazer conhecê-la, mini Ur.

— Meu nome é Ultear! — reclamei, vendo-os se afastarem.

— Ora, ora... — balbuciou mamãe, colocando-se a meu lado e segurando minha mão. — Ouça o que a mamãe tem a dizer, Ultear. Esses dois ainda vão se casar um dia.

— Espero que não — respondi. — Ele não é bom nem bonito o bastante para ela.

— Você acha? — indagou, enquanto andávamos pelas ruas estranhamente vazias. — Eu acho ele o maior gato! Ah! — colocou a mão livre no rosto. — Se eu fosse alguns anos mais nova...

— Mamãe! — bronqueei.

— Foi mal, foi mal... — riu ela. — Acho que me animei...



O elevador abriu estrondosamente, fazendo-me levar um susto e sair de meus devaneios.

E lá estava Jean, em um lindo terno negro com risca de giz. O cabelo negro que tocava os ombros estava incrivelmente preso para trás e seus olhos azuis destacavam-se entre as mechas negras que caiam em seu rosto.

Analisei-o de cima a baixo. É... Tinha que concordar com Meredy. Ele era um gato.

— Ah! — exclamou alegre ao me ver. — Ultear. Devo dizer que está mais bela esta noite — elogiou-me.

Olhei para meu vestido negro com corte “v” nas costas. Ele era lindo e as joias prateadas que escolhera para usar combinavam perfeitamente com os detalhes pontilhados de mesmo tom no vestido.

— Obrigada — agradeci, lançando lhe um sorriso gentil. — Você também está bem impressionante.

Sorriu de volta e me guiou até seu conversível.

Enquanto o carro deslizava pelas ruas movimentadas de Paris, deixei minha mente vagar para Meredy e Igneel.

Onde será que eles iriam jantar? O que fariam depois? Será que iriam se divertir sem mim?

Não que me importasse com isso. Mas será que iriam?

— Ultear, chegamos — avisou Jean, soltando seu cinto de segurança.

— Ah, certo! — exclamei, removendo o meu também.

Ele saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para mim. Por fim deixou seu carro nas mãos do manobrista e entramos no restaurante.

Gusteau's. O novo e mais badalado restaurante de Paris.

Ri.

— Não acredito! — exclamei, observando o lugar ao meu redor. — Você me trouxe ao Gusteau's!

Seus dentes brancos brilharam em minha direção.

— Para você, só o melhor — guiou-me até uma cadeira vinho estofada com detalhes em ouro. — Espere aqui enquanto confirmo nossa reserva.

— Tudo bem — sentei-me, observado suas costas largas se afastarem de mim.

Havia muitos detalhes folheados em ouro ali. Mogno dominava o local. E todos que entravam e saiam estavam vestidos belamente.

E novamente, o pensamento me voltou. O que eles estariam fazendo agora?

Não, não, não, não. Balancei a cabeça. Não deveria pensar neles até voltar para casa. Deste modo pareceria uma mãe preocupada com os filhos que deixou sozinhos enquanto saia para namorar.

— Ultear? — Jean me chamou.

— Sim? — ele estendia a mão em minha direção.

— Vamos?

— Ah! Claro...

O jantar passou agradavelmente rápido. Conversamos muito enquanto esperávamos as sobremesas.

— E então? — perguntou, no ponto alto da conversa.

— O quê? — ri.

— Ouvi dizer que terminou com Navi — o sorriso se esvaiu de meu rosto. — Er... — percebeu o fora que dera. — Quero dizer... É só para confirmar e tal. Não quero dar em cima da namorada de ninguém.

— Quer dar em cima de mim? — indaguei, arqueando uma sobrancelha. Navi era um assunto esquecido em minha mente, porém mesmo assim era bom não ouvir seu nome por um tempo.

— Posso dar em cima de você? — seu tom inquisitivo fez-me sentir um pouco envergonhada.

Sorri.

— Por que não? — devolvi o gesto, após tomar um gole do champanhe que nos fora servido.

Repousou sua mão sobre a minha.

— Sabe, Ultear... Faz algum tempo que venho lhe observando...

— Verdade? — perguntei observando sua mão deslizar sobre a minha. Incrivelmente tive pensamentos mais profundos a respeito de sua pele... Pensamentos meio... eróticos. Talvez Igneel estivesse correto. O motivo que estava me deixando meio irritada ultimamente fosse falta daquilo.

Pergunto-me o motivo dele ser daquele jeito, então... Fazem o quê? Sete anos?!

Isso é muito tempo.

— Ultear? — chamou-me Jean novamente.

— Oi? — percebi que estivera divagando durante nossa conversa. — Desculpe.

Riu.

— Tudo bem — passou seu polegar sobre as costas da minha mão, acalmando-me. — O término do seu namoro... O trabalho... Entendo que tudo isso esteja lhe deixando uma pilha.

— É... O trabalho... — o pensamento não saia de minha cabeça. O que eles estariam fazendo agora? Já jantaram? — Er... Jean — chamei. — Devo alertá-lo que não tenho muito tempo para meus namoros...

— Tudo bem — seus olhos azuis faiscaram. — Mulheres trabalhadoras me excitam.

Uma risada se formou em meus lábios.

Depois disso a sobremesa chegou e ele me levou para casa. No elevador, deixei o sorriso me tomar. Talvez Jean fosse um cara legal. E parecia não se importar com o tempo que passo viajando por causa do meu trabalho.

O elevador se abriu e entrei toda serelepe na suíte. E fiquei chocada com a cena na minha frente.

Igneel estava jogado no chão e parecia não respirar.

— Igneel! — gritei, correndo até ele. Os saltos estalavam no chão e o sangue bombardeava meus ouvidos. Não havia nada de sangue e Meredy não estava por perto. — Igneel! — chamei, balançando seu corpo. Virei-o para mim e tentei sentir sua pulsação. Nada. — Igneel! — balancei-o novamente. — Meredy! Meredy, cadê você?

— Ur? — sua cabeça apareceu entre as portas do banheiro. — O que foi?

— O que foi? — repeti, descrente pela calma que demonstrava. — O que aconteceu aqui? Por que seu pai está assim?

— Ah... Isso — fez descaso. — Está tudo bem. Ele só está desmaiado.

Encarei-a.

— E posso saber por que ele está desmaiado?

— Er... — pareceu pensar em uma desculpa. — Não sei...

— Meredy... — sibilei.

— Tudo bem! Eu digo! — sentiu minha ameaça. — Ele estava me ensinando a jogar beisebol. Vê? — apontou para um canto perto do piano e pude ver uma máquina de lançar bolas.

— Beisebol? No meio da sala? — fiquei irritada. Meredy deu um passo para trás. Quando Igneel acordasse iríamos ter uma conversa muito séria. — No entanto, não entendi porque ele está desmaiado...

— Ele estava me explicando como segurar o bastão — explicou. — E então quando a primeira bola foi lançada continuou atrás de mim e — sorriu envergonhada — acabei acertando a cabeça dele com toda força.

Olhei para Igneel, em seguida para ela e por fim suspirei.

— Claro... Do Igneel posso esperar qualquer coisa... — tirei meus sapatos. — Pode levar minha bolsa e meus sapatos para meu quarto? — indaguei.

— Claro — sorriu correndo até meus objetos. Pelo visto ela estava tomando banho... — Como foi o encontro?

Ignorei-a. Passei um dos braços de Igneel por meus ombros. Seu cheiro doce e ao mesmo tempo cítrico encheu minhas narinas. Ele cheirava bem...

… O que eu sou? Uma pervertida?

Seu quarto era gigante, bem maior que o meu. Seus lençóis de seda eram de cor roxa bem escura que contrastava com seu cabelo rosa. Os móveis eram brancos e no teto havia um... espelho...

Não sou pervertida... Não sou pervertida... Não sou pervertida...

— É sim — balbuciou Igneel fracamente.

— Eh?! — tomei um susto. Só então percebi que estava falando em voz alta.

Sorriu.

— Minha nossa, Ur! Não esperava isso de você!

Joguei-o na cama.

— Eu que não esperava isso de você — apontei para o espelho.

— Não sei do que está falando — murmurou. — Somente gosto de observar o quanto sou lindo antes de dormir.

Ri.

— Sei... — fiz pouco caso.

— O quê? Estou dizendo a mais pura verdade.

Cobri-o.

— Acho que invertemos nossos papéis... — disse, relembrando do dia em que peguei Navi no flagra.

— Realmente... — concordou, apoiando o braço em frente aos olhos. Suspirou.

— Igneel... — chamei-o.

— O que foi?

— Er... Nada, esqueça — fiquei vermelha. Não acredito que iria perguntar para ele sobre seu fluxo de sexo!

— Ur pervertida — acusou, soltando uma risada baixa.

Como ele sabia no que estava pensando?

— Não sou pervertida! E não me chame de Ur! Aliás, amanhã teremos uma conversinha a respeito dessa história de beisebol na suíte.

Riu novamente.

— Você é tão fácil de ler.

— Só se for para você — repliquei. — O que não acho que seja o caso.

— Ou talvez seja — focou-me em seus olhos rosados e minhas bochechas arderam ainda mais. Levantou seu braço em direção à minha cabeça, afagando-a. — Como foi seu encontro?

— Maravilhoso. Meredy estava certa, Jean é um gato — contei.

Ele bufou.

— Sinto saudades da época em que Meredy era pura e inocente.

— Tendo um pai como você acho difícil isso durar por muito tempo mesmo — zombei.

— Má! — acusou-me novamente. Sentou-se e deu-me um leve beijo na testa. — Pode dar um beijo em Meredy por mim?

— Claro — de novo estava me tratando como criança...

Riu novamente.

Deitou-se e se cobriu e, quando estava fechando a porta, pude ouvir sua voz murmurar:

— Boa noite, mini Ur.

Sorri com aquilo. Então ele ainda se lembrava...

— Meu nome é Ultear! — ralhei em voz baixa.

Em seguida, fechei a porta com um baque inaudível.

Notas finais
Frio + Ai = falha no sistema. Parei todos os capítulos pela metade. • Obrigada aos que favoritaram! Gente! *--* Voltei ao meu primeiro shipp de FT. GrayLu ♥ Mas claro que Nalu me domina por completo Quem reconheceu o nome do restaurante? o/ Estava vendo o filme nesses dias. =3 Natsu & Erza kid... kawaii. ♥ (~le falando do mangá) Reviews?