Meu Colega de Sala é um Androide
12 12 – Super Encontro
Naquele ponto em minha vida eu estava em conflito, parte de mim queria a atenção de Kentaro e a outra parte de mim sabia que era perigoso ficar vulnerável na frente de um androide que tinha por objetivo minha ruína.
Muito do meu encantamento vinha do fato de que Kentaro me ouvia, ele era a única pessoa que não deixava nenhum detalhe do que eu falava passar batido. É claro que o objetivo dele era coletar informações para saber minhas fraquezas, mas mesmo assim eu não estava acostumada a ser tratada daquele jeito, geralmente as pessoas me adoravam e me bajulavam, mas no caso dele ele realmente parecia interessado em quem eu era de verdade, as outras pessoas me colocavam acima delas, enquanto Kentaro se considerava um igual.
Era seis horas da tarde quando a Giovana e o Charles vieram assumir a responsabilidade sobre a barraca. Eu e Kentaro saímos lado a lado e a nossa volta estava uma vastidão de barracas e atrações. A maior parte delas já tinham fechado ou terminado, mas ainda assim havia bastante opções.
O sol estava se pondo e a noite trazia consigo uma brisa gelada, por isso eu havia colocado minha jaqueta do grêmio antes de sair. Kentaro por outro lado estava sem blusa, ele devia ter um sistema de aquecimento interno porque não parecia se importar com o clima.
Enquanto a gente caminhava sem rumo, apenas absorvendo os aromas, cores e sons à nossa volta, pensamentos absurdos começaram a tomar minha mente.
O maior deles era: e se Kentaro tentar me beijar? E antes que uma resposta surgisse uma outra pergunta se formou me assustando: Como resistir a vontade de beijar Kentaro?
— Que tal umas tacadas de basebol? — sugeriu Kentaro me despertando dos meus devaneios.
— Acho melhor não — disse me encolhendo. — Ano passado eu acertei o instrutor com uma tacada na cabeça e não sei se ele iria ficar contente de me ver depois dessa.
— Tem alguma barraca ou lugar em especifico que você queira visitar?
Eu estava tão preocupada com pensamentos idiotas que não tinha parado para pensar no que fazer na feira. Parte de mim queria sugerir o carrossel, mas fiquei com medo dele achar que eu estava fazendo um movimento romântico.
— Qual o nome da barraca que seu irmão mencionou que tem uns brindes bacanas?
— A de Pontaria — disse, feliz por ele ter feito outra pergunta. — Se me lembro bem fica perto da entrada.
Para chegar lá a gente precisou passar pelo terreno da escola e no meio dele havia um palco com alguma apresentação acontecendo. Várias pessoas estavam reunidas ali por isso a gente avançou com cuidado.
— Quem será que está tocando? — disse franzindo o cenho tentando enxergar acima das pessoas a minha frente.
A banda começou a tocar Iron Man do Black Sabbath.
— Vamos para mais perto do palco. — disse Kentaro no meu ouvido por causa do barulho.
Logo em seguida ele tomou minha mão e liderou o caminho entre as pessoas a nossa frente. A gente parou em um lugar perfeito a direita do palco, perto o suficiente para ver quem estava tocando e longe o suficiente para não ficar surdo com a música.
Kentaro continuou segurando minha mão e eu não falei nada porque fiquei com vergonha. A mão dele estava quente e agradável, confirmando a minha teoria do aquecedor interno.
Quem estava tocando era a banda do Daniel Han, ele também fazia parte do grêmio e tinha uma voz excepcionalmente boa, principalmente para gritar. A pessoa tocando o baixo era ninguém menos do que a She-Devil. Quando eles terminaram de tocar Kentaro acenou para ela e ela acenou de volta.
A gente ouviu mais umas duas músicas e depois voltamos para o nosso caminho. Eles tocavam muito bem para um bando de adolescentes.
— Acho que o Dan gosta da She-Devil. — disse me mantendo bem perto de Kentaro.
— O que a faz pensar isso? — disse Kentaro desviando de uma pessoa.
Tínhamos nos afastado o suficiente da multidão e já era possível andar lado a lado de novo.
— Daniel Han é um perfeccionista, para ele deixar a She-Devil tocar com um baixo com o dó desafinado meio tom, deve ser porque ele está apaixonado.
— Como você sabe que o dó estava desafinado? — perguntou Kentaro me lançando um sorriso suspeito.
— Eu sou boa para esse tipo de coisa. — disse dando de ombros.
A verdade é que eu não fazia ideia do que estava falando, mas tinha ouvido meu irmão Valentin falar isso várias vezes com os membros de sua banda.
Kentaro me observou de lado provavelmente tentando detectar uma mentira.
De repente eu tropecei e só fiquei de pé porque Kentaro me endireitou, foi nesse ponto que ele percebeu que ainda estava segurando minha mão.
— Desculpe... — disse ele soltando minha mão lentamente.
— Marte está brilhante essa noite. — disse distraída com os astros no céu.
Alguns minutos depois a gente finalmente alcançou o nosso objetivo.
— Nossa esqueci de pegar fichas. — disse Kentaro dando um tapa na testa.
— Não se preocupe — disse puxando um punhado de fichas do bolso da jaqueta e entregando para ele. — Hoje é por conta da casa.
— Quando que você trocou o dinheiro pelas fichas que eu não vi? — disse Kentaro genuinamente surpreso.
— Não conte para ninguém — eu disse perto do ouvido dele. — Mas eu ajudei a fazer as fichas, então decidi fabricar algumas extras.
— Mas isso não é contra as regras? — perguntou Kentaro corando.
— Pobre Kentaro, você ainda não entendeu: eu sou a Lei. — disse completando com uma risada.
O jogo era o seguinte o instrutor te dá dez dardos, quanto mais bexigas você estourar maior é o prêmio. No nosso caso eu e Kentaro apostamos que ganharia quem conseguisse o melhor prêmio.
Kentaro foi primeiro.
— HA! — disse colocando as mãos no estômago quando ele errou o primeiro dardo.
— Errooouuuu! — disse quando ele errou o segundo por meio milímetro.
Kentaro fechou os olhos por alguns segundos se concentrando e estalou o pescoço. Logo em seguida ele acertou o terceiro dardo em cheio.
— Sorte de principiante. — disse balançando a cabeça.
Os próximos quatro dardos foram todos em cheio.
Na sexta tentativa ele errou por quase meio metro o alvo, provavelmente porque dei uma cutucada na barriga dele.
— Hei!? — gritou Kentaro e eu o encarei com um sorriso inocente.
Na próxima vez ele errou de novo, porque eu tinha soprado suavemente em seu ouvido fazendo os pelos de seu pescoço erriçarem.
Na oitava e na nona tentativa ele errou por puro nervosismo.
— Eu não fiz nada dessa vez. — disse recostada na bancada, ele me encarou por alguns segundos vendo se eu iria fazer alguma gracinha e se preparou para lançar o último dardo, nesse momento eu disse na maior cara de pau: — Se você acertar essa eu te dou um beijo.
O dardo foi tão fora do alvo que quase acertou o instrutor.
— Nossa você realmente não queria um beijo meu. — provoquei.
— Assim não vale Vivien... — disse Kentaro contrafeito.
Mas se recompôs em tempo recorde e com um sorriso que ia de um lado a outro de seu rosto ele disse:
— Agora é a sua vez.
Eu consegui fazer a proeza de errar todos os dardos, um após o outro, até o instrutor entediado me contemplou incrédulo. E foi tudo por culpa de Kentaro porque ele não fez nada e me deixou nervosa.
Na hora de trocar pelos brindes só Kentaro conseguiu um prêmio, o instrutor o deixou escolher um entre vários chaveiros. Ele pegou um que era um gato preto muito fofo.
— Aqui, pode ficar com o chaveiro — disse Kentaro prendendo o chaveiro no zíper da minha jaqueta, me deixando com as bochechas coradas. — Você disse que queria um gato, não é?
Nas próximas duas horas a gente passou de barraca em barraca apostando quem era o melhor. Fomos na de arremesso de bola de basquete, na pescaria, na de corrida de carrinho e várias outras. No fim tínhamos conseguido um chapéu de cowboy, uma pantufa de coelho e várias outras bugigangas que a gente carregava em uma sacola que também tinha sido um prêmio de consolação. Eu não sei quem ganhou a aposta porque o que realmente vale é competir, não estou falando isso só porque fui muito mal na maioria das brincadeiras, mas sim porque acredito nisso de coração.
— Vamos no carrossel? — disse Kentaro apontando na direção da atração.
— Poder ser. — disse fingindo não estar muito interessada.
Mas quando a gente chegou lá descobrimos que o carrossel tinha quebrado. Eu não falei nada, mas gritei por dentro.
— Olha — disse Kentaro me provocando apontando para a barraca do beijo. — Que tal umas beijocas?
— A Valquíria, a namorada do Antonio está dando beijos em troca de fichas — disse piscando os olhos várias vezes. — Mas é só beijos na bochecha.
— Isso é propaganda enganosa. — disse Kentaro fingindo ficar desapontado e eu dei uma cotovelada nele.
— Ano passado ela deu beijos na boca e a barraca dela fez muito sucesso, mas alguns dias depois ela pegou caxumba por isso ela foi proibida de fazer isso esse ano.
A gente começou a dar risada enquanto nos aproximávamos do estande do karaokê.
— Vamos lá dar uma olhada — eu disse animada. — Por algum motivo os professores sempre ficam aqui.
E como esperado o karaokê estava abarrotado com os professores, eles conversavam e riam alegremente enquanto um deles tentava cantar.
Quem estava cantando era o Professor Vlad:
"But I'm ready, yes I'm ready for you
I'm standing on my own two feet
Out of the doorway the bullets rip
Repeating to the sound of the beat, ooooh yeah
Another one bites the dust
Another one bites the dust
And another one gone, and another one gone
Another one bites the dust, yeeaaah
Hey, I'm gonna get you too
Another one bites the dust"
Dizer que o Professor Vlad estava cantando é um eufemismo, ele tinha incorporado Freddy Mercury e dançava com tamanha desenvoltura que faziam as leis da física se questionarem sobre sua validade. Ao ver a cena Kentaro caiu na gargalhada, rindo de maneira que eu nunca tinha visto antes na vida.
Quando a música terminou a Professora Imani se juntou a ele e ambos começaram a cantar Say Say Say do Michael Jackson com Paul McCartney. Eles mal conseguiam ficar de pé de tanto rir, o que me fez perceber que ou os professores eram pessoas muito alegres ou eles estavam bebendo alguma coisa além de suco de laranja.
— Eu nunca tinha visto algo tão engraçado. — disse Kentaro sobre o Professor Vlad dançando, limpando lágrimas dos olhos.
— Isso é porque você não viu o professor na feira do ano passado. — disse. — Cantando Don't Cha da Pussycat Dolls.
E por algum motivo eu decidi começar a cantar e dançar, exagerando os movimentos, para Kentaro tentar imaginar a cena:
"Don't cha wish your girlfriend was hot like me? Owh
Don't cha wish your girlfriend was a freak like me? Like me
Don't cha? Don't cha, baby?
Don't cha? Alright, sing
Don't cha wish your girlfriend was raw like me? Raaaaw
Don't cha wish your girlfriend was fun like me? Big fun
Don't cha? Ah aah aaaah Don't cha?"
Eu tentei ser o mais sexy possível enquanto encenava e não sei se deu certo porque Kentaro ficou vermelho e começou a dar risada de novo. Dessa vez eu não resisti e ri junto.
Alguns minutos depois a gente decidiu tomar um Milkshake. A fila era enorme e ia demorar alguns minutos até chegar a nossa vez. Alguém começou a soltar fogos de atrafício que faziam uma profusão de cores brilhantes caírem em cascata pelo céu, como se fosse dezenas de estrelas da morte explodindo no final do Império Contra-Ataca. Um dos fogos de artifício estourou tão alto e tão perto que eu acabei tomando um susto e por impulso me agarrei em Kentaro.
— Desculpe... — disse sem graça e apontando para o céu prossegui. — Esse me pegou de surpresa.
Na hora de me soltar dele eu acabei ao invés disso segurando a mão dele, porque minha mão estava fria e a dele estava quentinha, os minutos se passaram e continuei segurando, Kentaro fingiu que estava admirando o céu, levemente ruborizado.
Outro fogo de artifício estourou bem perto, dessa vez eu já estava preparada, mas a pessoa que estava carregando um Milkshake a minha frente não e ela acabou derrubando o copo de Milkshake na minha jaqueta!
A pessoa se apressou em pedir desculpas e Kentaro pegou alguns guardanapos e começou a me ajudar a limpar.
— Nossa que meleca! — eu disse frustrada porque aquela era minha jaqueta favorita.
— You've been hit by, you've been struck by, a SMOOTHIE criminal — disse Kentaro ainda limpando minha jaqueta imitando Michael Jackson.
— Isso é um Milkshake e não um Smoothie, bobão. — disse dando risada.
Quando Kentaro terminou, o melhor que pode, ele se endireitou e nós ficamos bem próximos um do outro, colados seria uma palavra mais adequada.
Nossos olhos se encontraram, o sorriso no rosto dele diminuiu e ficou me encarando sério. Não sei quanto tempo fiquei encarando aqueles olhos profundos só sei que uma parte de mim estava hipnotizada e a outra clamava para eu desviar os olhos, e eu assim fiz. E acabei caindo em uma armadilha porque meu olhar se prendeu em seus lábios e engoli em seco, isso foi um erro porque agora eu queria beijar ele... Eu queria muito beijar ele.
— Quem é o próximo? — disse o atendente tirando a gente do transe.
Kentaro respondeu o homem e comprou dois Milkshakes.
Logo em seguida a gente se sentou em um banco de praça e tomamos o Milkshake em silêncio, meu coração estava batendo tão forte que parecia um tambor de música caribenha. Eu queria beijar Kentaro e pelo jeito que ele havia me encarado ele queria me beijar também. Eu engoli o Milkshake tão rápido que meu cérebro congelou, me concedendo a frieza suficiente para me levantar e dizer para ele:
— Espere um pouco eu vou no banheiro e já volto.
Eu corri para o banheiro das garotas e me encarei no espelho, eu estava tão feia! Meu cabelo estava horrível e só agora eu tinha percebido. Eu lavei meu rosto, e ajeitei meu cabelo o melhor que pude e passei um pouco de brilho labial de groselha (era o único acessório que eu tinha no bolso da jaqueta). Eu me encarei frustrada com meu reflexo e pensei o que ele iria achar se eu fugisse.
Eu fiquei me encarando por um tempo desnecessariamente longo.
Alguém entrou no banheiro correndo, era Ivana.
— Eles pegaram o Kentaro! — exclamou Ivana quase sem folego.
— Quem? — eu disse empalidecendo.
— Luke e seus comparsas — disse Ivana fazendo uma pausa para recuperar o ar. — Ele disse que só está seguindo a tradição do grêmio de jogar ele na piscina, que nem ele fez comigo no ano passado!
— NÃO! — gritei e comecei a correr o mais rápido que podia. — Kentaro não sabe nadar!
Kevin estava do lado de fora do banheiro e nós três corremos em direção ao ginásio onde a maior piscina se encontrava. Eu corri com o máximo de força que podia, no caminho eu observei alguns cupinchas de Luke caído no chão como se tivessem sido abatidos por um míssil, na hora não passou pela minha cabeça que Luke precisou de um bando para capturar Kentaro.
As luzes do ginásio estavam apagadas, mas dava para ver o contorno de alguns garotos à beira da piscina. Eu pedi para Ivana chamar o pronto socorro perto da entrada e para Kevin ascender a luz o mais rápido possível.
Luke se virou para mim a lanterna de seu celular ligada assim como a dos outros garotos. Um sorriso indeciso em seu rosto.
— Onde está Kentaro? — disse avançando em Luke como se fosse uma leoa atrás da presa.
— Relaxa — disse Antonio ao lado de Luke.
— Você cala a boca. — eu disse furiosa, enquanto tirava a jaqueta e jogava ela no chão, me preparando para o pior.
— É só a tradição do grêmio — disse Luke e se virando para a piscina ele prosseguiu. —Acho que ele é que está pregando uma peça na gente porque até agora ele não veio até a superfície.
— Seu idiota ele não sabe nadar! — disse arrancando meu tênis e pulando na água sem pensar duas vezes.
— O que? — foi a última coisa que eu ouvi Luke dizer antes de mergulhar.
A água como dá para adivinhar estava incrivelmente gelada. Nesse momento as luzes ascenderam e eu pude ver o vulto de Kentaro parado quase no fundo.
Ao ver ele, percebi que ele não estava se movendo, nessa hora meu corpo entrou em um estado de concentração que eu parei de me preocupar e fiz o que era necessário. Tentei puxar seu corpo para a superfície, mas ele não se movia, eu afundei ainda mais e descobri que seu cadarço tinha ficado preso no ralo de sucção no fundo da piscina. Com um puxão eu estourei o cadarço, não sei dá onde a força veio eu só sei que com essa mesma força o carreguei para fora da piscina.
Ainda no estado de concentração eu ignorei todos a minha volta e coloquei meu ouvido sobre o peito de Kentaro para ver se seu coração estava batendo. Eu percebi que seu coração estava tentando bater com força... Por isso eu segui para o próximo passo, eu fechei o nariz dele com uma mão e abri a boca dele com a outra. E então comecei a fazer o boca a boca, na quinta vez que eu soprei ar em seus pulmões ele despertou cuspindo água. Coloquei ele de lado com a posição dos braços e das pernas como meu pai tinha me instruído a fazer em situações como aquela.
Pouco depois dois socorristas chegaram e assumiram à situação. Cai para trás me sentindo tão exausta e ao mesmo tempo sendo invadida por uma onda de alívio, principalmente porque não precisei fazer a ressuscitação cardiopulmonar. O socorrista decidiu que eu precisava tomar soro e eu e Kentaro fomos levados para a ambulância.
Rosinha buscou para mim minha roupa e a de Kentaro na barraca, enquanto que Ivana pegou minha jaqueta, meu tênis e as outras bugigangas.
Cerca de uma hora depois Kentaro estava bem o suficiente para caminhar e a gente decidiu que era a hora de ir embora.
Kentaro decidiu que iria me acompanhar até em casa, eu recusei, mas ele insistiu.
E assim nós voltamos para minha casa, Kentaro estava com a bicicleta dele, mas tão tinha animo suficientemente para andar nela, então nós caminhamos pelo caminho no nosso ritmo. Kentaro andava mancando, porque um de seus tênis estava sem cadarço.
Quando eu cheguei no portão de casa ele disse como despedida:
— Obrigado. — sua voz soava cansada, como se tivesse corrido quilômetros.
Eu não consegui olhar nos olhos dele quando respondi:
— Não foi nada.
Ao ver que eu estava segura ele subiu na bicicleta e se preparou para partir.
— Espere. — disse e corri em direção a ele.
Ele se virou para mim surpreso. Eu tirei minha jaqueta e coloquei nele, na hora que eu o ajudei a colocar os braços na jaqueta, senti o cheiro de brilho de groselha espalhado pela boca dele e fiquei corada.
— Assim está melhor — eu disse fechando o zíper. — Não pode pegar uma friagem dessas, ainda mais depois de...
— Obrigado — disse Kentaro seus olhos brilhando como as estrelas no céu, com um sorriso no rosto ele disse: — Tchau!
— Tchau. — eu disse sorrindo de volta.
Eu continuei observando-o até ele sumir de vista. Depois abri o portão e entrei em casa, quando eu fechei a porta atrás de mim eu caí no chão de joelhos e cobri meu rosto com as mãos.
— Meu Deus... — fui tudo o que eu consegui exprimir tremendo que nem uma batedeira na velocidade cinco, eu não tinha forças nem para chorar tamanho era o meu cansaço mental.
Tentando não imaginar o que poderia ter acontecido eu me levantei e uma onda de calafrios me tomou.
Digamos que eu havia imaginado que a noite terminaria de um jeito bem diferente.
E mal sabia eu que o pior estava por vir.
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