Meu Anjo
3 Segredo das Asas
“Por quê o Levi não sai da minha cabeça?! – Pensei. Eu não consigo dormir por causa desse maldito garoto; eu sempre fico pensando nele, pensando como seria um sorrido dele. Argh, é melhor eu me esquecer disso e tentar dormir.
— Vocês não entendem o erro que cometeram? – Gabriel fala em um tom grosseiro conosco – Vocês não entendem, matar um anjo é o pior pecado que pode se cometer na vida, Por quê fizeram isso? Por quê?
— É tudo culpa desse filho da puta! – Pixis gritou conseguindo se tirar dos braços dos arcanjos e vindo em minha direção e começando a me apertar pelo pescoço – É por sua culpa!
Gabriel usou seu poder e jogou Pixis para longe de mim, fazendo assim ele bater fortemente em uma parede, rasgando suas costas.
— A culpa não é dele, é sua! – Gabriel gritou vindo em minha direção – Me desculpa, mais você vai ter que ser expulso do paraíso.
Com isso, Gabriel puxou meu braço, ergueu a espada dele e enfiou em meu braço. Causando uma dor insuportável. Minha cabeça começou a girar. Senti-me enjoado. Novamente a dolorosa sensação dos meus órgãos sendo forçados a sair do corpo. Não aguentaria aquela agonia por muito tempo. Recordei da minha vida em diversos momentos, bons e ruins. Lembrei-me das pessoas que amei tanto, especialmente uma... Do que valera aquilo tudo? Fazia sentido viver para que tudo desaparecesse com o tempo? Mas então, enquanto refletia, tudo cessou de repente, com a mesma velocidade que veio. A dor e a aflição haviam terminado, porém tudo continuava escuro e sombrio. Era isso? Estava morto?
Desorientado. Era tudo que eu podia dizer e sentir. Estava estupidamente confuso e perdido. A luz era forte demais – quase me cegando... Não sabia se era um sonho ou realidade. Meu íntimo esperava ansiosamente que eu despertasse de um pesadelo e me deparasse deitada em minha cama na minha casa, eu iria para escola toda feliz, sem Pixis, sem pecados, sem nenhuma maluquice daquela. Tinha quase certeza de que tudo não passava de um sonho, pois imagens estranhas, de um cenário estranho, tinham envolvido minha mente há pouco tempo, um lugar em que jamais estivera.
Estava deitado. Aos poucos mexi meus pés, não me sentia bem. Havia algo muito errado. A dor era forte pelo meu corpo inteiro, em especial na parte frontal da cabeça e estômago. Tentei abrir meus olhos: em vão. As pálpebras pesavam como rochas. Devagar apalpei o solo, O cheiro era de grama e flores. O som de grilos e cigarras. Tudo parecia girar veloz, totalmente fora de meu controle.
Vozes abafadas surgiram repentinamente de algum ponto. Aparentemente não tão distante. Procurei arrastar-me para longe dali. Afinal, não fazia a menor ideia de onde estava e, ainda, se as pessoas que ouvia eram amigáveis. Meus olhos insistiam em se manter fechados, como se estivessem firmemente costurados ou colados. Eu nada podia enxergar, o corpo mole, mal conseguia me mover, o coração acelerou, escuridão. Minhas condições estavam péssimas, uma angustia suprema invadiu meu peito. Falta de ar. Talvez eu estivesse morrendo. Talvez eu estivesse morto. E então, o que restaria meu ser seria um espirito errante, diante da fronteira de alguma terra de lugar nenhum. No entanto, não parecia ser o caso. Sentia meu corpo bem sólido, minhas dores tão vivas... Meus sentidos estavam todos em conforme.
Começo a sentir novamente minhas pálpebras, abro meus olhos parecendo estar com sono, me deparo com uma claridade, movo minha cabeça e olho em volta, um lugar muito iluminado, não havia nada, apenas claridade, movo meu corpo e me levanto ainda com dor, começo a andar fazendo um grande esforço, o lugar era infinito, não havia saída, onde estou?
Minha visão volta ao normal, como se nada tivesse acontecido. Me deparava em um beco sem saída, um lugar totalmente obscuro. “Isso era o mundo dos humanos?” – pensava.
— Ei, garoto, o que você tá fazendo ai? – na entrada do beco, havia um garoto de cabelos loiros e olhos azuis me olhando intensamente – O que tá fazendo ai? Sai daí!
Caminho devagar até sua direção, o observo atentamente tentando decorar seu rosto.
— Meu nome é Armin – ele fala estendendo a mão e dando um sorriso simpático – Qual é o seu?
— Meu nome? – falo – Bom, meu nome é....
Eu... Eu não me lembro?
— Ah, merda – acordo botando a mão na cabeça – Isso foi um sonho ou uma lembrança?
Não me lembro nada disso. Será mesmo que isso aconteceu? Ou só foi um sonho ruim?
— Oh Eren, que sacola é essa na sua mão? – Armin perguntou se aproximando de mim enquanto eu me sentava na cadeira, que aliás todos estavam entrando na sala pois já ia começar a aula.
— Eu vou entregar pro Levi, é a camisa que eu sujei – falo erguendo a sacola – Aliás, vocês viram ele?
— Não, não vimos – Jean fala se aproximando de nós e se sentando na cadeira dele – Você deveria se afastar dele, sabia?
— Por quê? Jean, não me diga que você tá com ciúmes? – falo provocando ele – Tá com ciúmes!
— Cala a boca! – Jean fala vindo em minha direção e começando a me enforcar de mentirinha – Eu só estava brincando, anjinho.
“Anjinho...” – pensava. Será que ele sabia que eu sou um...? Não, esquece, ele nunca iria saber, eu guardava esse segredo há tanto tempo, nem o Armin sabia que eu era um. Bom, eu não posso guardar esse segredo pra sempre.
As duas primeiras aulas passaram e fomos pro intervalo. Depois disso fomos para a aula de Educação Física. Até que a aula foi bem legal, pelo menos consegui me divertir um pouco.
Fui no vestiário me trocar de roupa. Quando tirei minha camisa eu senti algo estranho nas minhas costas, como se algo tivesse nascendo algo atrás dela. Pera, quê...?
Com bastante esforço ponho minhas mãos em minhas costas, e sinto algo como um pelo. “Não, não pode ser, minhas asas foram seladas, eu não podia... Puta merda, o que é isso?” – pensava. Minhas asas haviam voltado?
Tocava minhas asas intensamente. Me olhei no espelho do vestiário e vi duas asas brancas e gigantes em minhas costas. “Eu preciso esconder isso urgentemente, se alguém me ver, eu vou me ferrar muito” — pensei. Coloquei uma camisa nova e tentei esconder as asas, que por fim deu certo. Elas tinham se fechado e encolhido. Ótimo, assim não vão estranhar muito.
“Mas que porra que eu acabei de ver?” – pensava. Não, eu não vi aquilo. Eu, Levi Ackerman, um detetive que já viu muitas loucuras, acaba de ver um garoto com asas brancas e gigantes? Não, eu fumei alguma coisa; não, eu tinha fumado alguma coisa. Como é possível? Eu preciso de explicações. Ainda bem que eu tinha gravado.
Eu também iria me trocar mas quando eu vi duas asas gigantes eu parei na hora. Não sabia o que fazer. Peguei minha câmera e gravei para provar que não estava louco.
É claro que eu não mostraria para todo mundo como os pirralhos de hoje em dia fazem. Iria mostrar para Irvin se realmente ele via o mesmo que eu e tentava... Sei lá, investigar isso? Argh, eu não me importo. Preciso tirar isso da cabeça.
Acabando o dia fui direto para o meu apartamento. A aula acabava de tarde então dava um tempinho para eu dar uma volta pra esfriar a cabeça.
— Levi! – ouvi um garoto me chamando enquanto eu saia do portão do meu apartamento – Ainda bem, olha, sua camisa.
Eren me entregou uma sacola com a minha camisa. A peguei e a observei bem. Estava limpa, branca que nem a neve.
— Foi você que limpou? – perguntei um pouco surpreso.
— Sim, por quê? – ele pergunta olhando para mim.
— Quer ir na minha casa conversar um pouco? – perguntei.
Era um pouco estranho eu falar isso para um garoto de o quê? Dezesseis anos? Eu não estou nem ai, que se foda o mundo!
— Tudo bem – ele fala me seguindo até o meu apartamento.
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