Meu Adorável Hóspede
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Dois meses depois
Com passos rápidos ela entra na sala escura. Já passa das oito da noite e ela está exausta, implorando por uma boa noite de sono. Procura o interruptor e puxa a chave ligando as luzes de fundo deixando a sala parcialmente iluminada. Seguindo em direção à última fileira de armários ela caminha lentamente, o ambiente austero dando-lhe calafrios. Apertando as pastas entre os braços e o peito ela apressa o passo. Para em frente ao armário desejado e abre-o, guarda as pastas e quando está prestes a fechá-lo ouve sons de passos, alarmada ela pega as pastas novamente e de forma rápida esconde-se no final da fileira, entre os armários e a parede, em posição de ataque ela espera o intruso aproximar-se. Seja quem for, não vai sair sem lutar. Seus pensamentos estão a mil e ela está pronta para o ataque.
O coração cada vez mais acelerado ela tenta enxergar pelo corredor escuro, não há ninguém, os sons cessaram e tudo que ela pode ouvir é a própria respiração. Ela olha novamente o corredor. Nada! Ao voltar à posição anterior não consegue conter o grito. O intruso está bem ao seu lado. Ele tenta tocá-la, mas ela afasta-se rápido, o susto fazendo-a enxergar embaçado.
— Felicity! — ele tenta tocá-la novamente — Calma sou eu amor. — a voz gentil e conhecida fazendo-a acalmar-se novamente, apenas por breves seguros, a raiva tomando conta de si.
— Cretino, cachorro — ela bate no peito do namorado — quer me matar de susto. — diz exasperada e ele começa a gargalhar irritando-a ainda mais.
— Isso não teve graça Thomas Merlyn. — completa indignada. — parando de rir ele a encara.
— Desculpa. Eu juro que não foi intencional. — profere com um meio sorriso.
— O que você faz aqui? — pergunta ainda um pouco irritada.
— Eu estava entrando no prédio quando te vi vir nessa direção e te segui. — explica mais sério.
— Não aqui em baixo — ela rola os olhos zombando — aqui na empresa.
Ele aproxima-se dela e a puxa pela cintura — Vim buscar a minha namorada — diz manhoso aproximando o rosto do dela — nas últimas semanas ela tem trabalhado demais — dá um beijo no pescoço seguido de uma leve mordida — achei que hoje ela poderia abrir uma exceção e ir pra casa mais cedo. — beija o lóbulo da orelha e Felicity solta um gemido baixo.
— Hummm! Seria muito bom — solta um novo gemido ao sentir-se ser puxada para ainda mais próxima do corpo dele e as carícias em seu pescoço aumentarem — Com as atividades do Vigilante, Oliver tem dado pouca atenção à empresa nas últimas semanas, preci... — é cortada quando ele a beija, um beijo lento, porém cheio de malícia, as mãos dele, uma de cada lado de seu corpo, os polegares pressionando os seios — precisamos compensar o tempo perdido. — conclui quando ele abandona sua boca e leva os lábios em direção ao decote da blusa — Tommy? — sussurra entre gemidos.
— Humm? — responde concentrado nos montes parcialmente descobertos.
— O que está fazendo? Alguém pode nos ouvir ou nos ver. — morde o lábio inferior quando sente uma mão subir a saia e invadir sua calcinha.
— Então vamos fazer baixinho. — reivindica a boca dela para si em um beijo mais rápido e selvagem. Os dedos massageando o ponto sensível de seu sexo deixando-a molhada — Tapa a boca. — ele diz autoritário e abaixa-se, abaixa a calcinha e inicia uma seção de beijos e lambidas. Com a mão sobre a boca Felicity tenta conter os gemidos que estão cada vez mais altos à medida que ele investe ora com a língua, ora com os dedos dentro dela. Com a outra mão ela o segura pelos cabelos, forçando-o ainda mais a entrar entre sua saia. As sensações que as carícias causam-lhe a levam a um estado letárgico, em pouco tempo ela sente a dor aguda e gostosa chegar ao seu baixo ventre e seguir caminho ao meio de suas pernas, sem conseguir conter-se ela deixa escapar um pequeno grito quando chega ao clímax do prazer.
Tommy levanta e antes que ela possa se recompor, ele a está beijando e friccionando o membro pulsante ainda coberto em seu sexo. Rápido ele desafivela o cinto e abre o botão e o zíper da calça, libertando seu pênis do aperto da boxer. Ele guia o membro até a entrada molhada da loira e começa a brincar com movimentos de sobe desce em sua entrada.
— Tommy, preservativos. — ela recobra a consciência e tenta afastá-lo.
— O quê? — ele está confuso.
— Preservativos.
— Nós nunca usamos antes, eu pensei que... Que tomasse pílulas.
— E eu tomo — ela olha-o penalizada pelas próximas palavras — estou mudando o anticoncepcional e não podemos pelas próximas três semanas arriscar a fazer sem preservativos. — ela encolhe os ombros em desculpas.
Ele abre e fecha os olhos rapidamente, olha para baixo e depois para ela descontente. Foda, ela poderia ter avisado antes de me deixar começar. Pensa consigo mesmo.
— Tommy. — ela chama com a voz melosa — Está chateado? — ele olha novamente para seu amigo e suspirando tenta reprimir o desejo.
— Eu entendo. — diz resignado e começa a subir a calça.
— Espera. — ela põe a mão sobre a dele e morde o lábio quando ele a olha.
— Felicity. — inala profundamente — Não precisa. — ela o encara por alguns instantes, ainda com a necessidade dele, de senti-lo dentro dela.
— Que se danem os preservativos. — o beija com força e sobe uma perna enrolando-a na cintura de Tommy que sem cerimonia se enterra dentro dela.
Com movimentos rápidos e profundos ele entra e sai, seus corpos se chocando, sua pélvis friccionando o clitóris lhe proporcionando ainda mais prazer. Os gemidos de ambos sendo substituídos por palavras desconexas e maliciosas. O prazer de estarem conectados, o despudor e o risco de serem pegos aumentando a adrenalina e o desejo.
Sentindo-a apertar-se cada vez mais em tornos de si ele aumenta a força das estocadas até senti-la contrair-se e ele sente o aperto ao redor de si ficando mais próximo do próprio orgasmo e ele precisa de forças para sair de dentro dela antes que se liberte totalmente, cansado, suado e com o corpo tremendo ele observa o líquido branco se espalhar pelo chão da sala. Após se recuperar ele direcionar o olhar a Felicity que também está olhando para o chão.
— As faxineiras vão ter muito assunto para comentar amanhã. — ele profere baixo, Felicity puxa os lábios em uma careta, ainda fora do ar ela começa a organizar as próprias roupas.
— Que loucura. — está desorientada, ainda sob o efeito pós-sexo.
— Está arrependida. — Tommy a abraça, agora devidamente vestidos.
— Foi perigoso. — envolve os braços sobre os ombros deles — Foi intenso. — da um selinho e encara-o — Eu nunca me arrependo de nossas aventuras — sorrir e ele a acompanha — mas precisamos ter cuidado. — ele acena e abraça inalando profundamente o cheiro dela.
— Agora não tem como recusar ir pra casa, está cheirando a lavanda e sexo. — ele afasta-se, um sorriso maroto no rosto.
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Dentro de um vestido ombro a ombro, negro de saia godê que vai até quatro dedos acima dos joelhos Felicity encara o loiro de olhos azuis e sua acompanhante igualmente loira, ressurgida dos mortos, bela e sorridente em vestido curto, vermelho decote redondo com vazado no busto, que está ao seu lado. Com um sorriso sem graça ela olha para o bar onde se encontra seu namorado parecendo entediado em uma conversa com o Merlyn mais velho. Como odeio essas sociais. Suspira com pesar. A festa, cortesia das empresas Merlyn e Queen em prol das crianças e jovens carentes de Staling City, nada mais que uma fachada a fim de ganhar mais prestígio para os nomes das famílias.
— Então Felicity, há quanto tempo você e Tommy estão juntos. — a loira dá um modesto sorriso o que faz Felicity relaxar, algo dentro dela diz que a Lance caçula é amável e digna de sua amizade, diferente da irmã.
— Há pouco mais de três meses. — responde vendo Oliver se mexer desconfortável em sua cadeira, esse ainda um assunto “tabu” para ser discutido na frente de seu amigo, chefe e parceiro.
— Oh Merlyn, finalmente nosso garotinho criou juízo Ollie. — Sara dá um grande sorriso e olha para Oliver que grunhe baixo fazendo a loira olhar intrigada para Felicity e novamente voltar o olhar ao ex-amante para logo em seguida deixar sua curiosidade falar mais alto – Me conta mais, como vocês se conheceram?
Cuidadosa Felicity olha para Oliver que assente silenciosamente. Bem, pelo menos alguém de quem ele não guarda segredos.— Foi após mais uma jornada noturna, quando Tommy ainda gerenciava a boate.
— Ah claro, Oliver me contou sobre a vida dupla de vocês e o senhor Diggle. — Sara a interrompe e Felicity afirma em um meneio de cabeça — Estou louca para conhecer seu esconderijo, deve ser excitante. — a loira afirma em uma animação exagerada e recebe um olhar interrogativo de Oliver e Felicity.
— Sim, bem como eu estava dizendo — Felicity continua — nos encontramos casualmente no bar — faz uma pausa observando Oliver — acho que posso dizer que nos tornamos amigos ali. — sorrir displicente e prossegue com seu monólogo, contando a loira alguns de seus momentos com Tommy, deixando de fora detalhes íntimos de sua relação percebendo pela primeira vez que Oliver não estava a par da história por trás de seu relacionamento com o melhor amigo dele, dado a forma como ele se contorcia quando ela mencionava o nome de Tommy ou quando ela falou sobre os domingos de maratona, doces e refrigerantes.
Sara por sua vez parecia realmente interessada e Felicity pode notar em alguns momentos um brilho diferente em seus olhos, não pode deixar de sentir um pouco de orgulho ao perceber que o que ela tem com Tommy, é tudo o que muitas garotas querem, até mesmo Sara com toda aquela pose de mulher independente e que provavelmente é o que ela gostaria de ter com Oliver.
— Fascinante. — Sara exclama seguido de um pequeno grito após alguns segundos de silêncio confortável o que faz Oliver rolar os olhos.
— Por Deus mulher, tenha compostura. — ele a recrimina ao mesmo tempo em que Tommy retorna a mesa e olha interrogativamente para Felicity, esta apenas encolhe os ombros achando graça de Oliver.
Oliver lança um olhar fulminante em direção à secretária, ele claramente está insatisfeito com o rumo da conversa percebendo toda a cena feita por Sara que parece estar se divertindo a suas custas, ele não é cego em não perceber, compreendeu seu pequeno jogo a partir do momento que ela constatou seu interesse por Felicity, interesse esse que ele vem a todo custo esmagar. Levantando-se ele pede silenciosamente a Sara uma dança, agradecido por ela não se importar que ele esteja apaixonado por outra e ainda assim estar disposta a ficar com ele. Talvez ela seja sua saída para esse sentimento asfixiante.
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Com um único chute e um baque forte no batente da porta de seu novo apartamento ele a fechou, não se importando que ele só esteja ali há apenas um pouco mais de um mês e foi sua exigência uma porta nova, tudo para sentir mais seguro. Mas ele não se importa no momento, e quem se importaria estando com a mulher linda em seus braços implorando para fazer amor com ele? Não, ele definitivamente não está se importando.
Não depois da noite que ele tivera, das conversas tediosas com seu pai e demais acionistas. Não depois de vê-la dançar com outros homens que não era ele. Não depois de ter passado quase a gala inteira tolerando os olhares de seu melhor amigo para ela. Não, agora ele só quer provar o sabor dela, saber que ela é dele, só dele. Não que ele seja possessivo, mas no mundo tudo tem limites. Esse foi o seu limite.
Antes que ele possa pensar, eles estão em sua cama, ambos nus e ofegantes, Felicity tomando conta da situação estando por cima e só o que ele consegue focar é em suas bochechas coradas, os olhos semicerrados e a boca entreaberta. Seus seios subindo e descendo bem a sua frente e ele se sente no paraíso com a visão magnifica. Ele pensa que nunca teve uma visão melhor. E quando ela o beija ainda por cima dele, suas pélvis se chocando com os movimentos dela agora acompanhados com os dele, ele a sente se apertar ao redor dele deixando-o em êxtase e ele quase chega ao limite do prazer antes dela. Não mais que alguns segundos depois ele a sente estremecer e o corpo retesar-se, sussurrando seu nome em seu ouvido ele se deixa levar pela sensação do corpo dela sobre o dele, do encaixe perfeito e se derrama dentro dela. Acariciando os fios loiros ele deixa um rastro de beijos pelo rosto de Felicity transmitindo toda sua adoração e amor recebendo em troca um sorriso e os braços aconchegantes dela ao deitar-se ao seu lado e o afagar os cabelos até que ambos caiam no sono.
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— Felicity. — ele grita do lado de fora do apartamento dela — Abra essa porta amor. — Maldição. Sussurra para si. Duas semanas, duas malditas semanas que ela o evita o máximo que pode — Vamos Felicity, eu sei que está aí. — ele fala mais baixo — Eu não vou sair daqui até que fale comigo. — em sua voz uma nota de preocupação. Ele não sabe o que está havendo com ela, não brigaram, não se lembra de ter dito ou feito nada que possa tê-la magoado, ela apenas de uma hora para outra começou a evitá-lo e nos pequenos momentos que estiveram juntos ela falou pouco e quando não estava irritada com ele, estava chorosa. Quando ele perguntava o que era ela chorava ainda mais — Felicity. — tenta um pouco mais alto.
Determinado ele encosta-se na parede ao lado da porta, um momento ou outro batendo levemente na porta para que ela saiba que ele ainda está ali. Por mais de dez minutos ele permanece naquela posição incomoda até ouvir passos se aproximarem da porta e o tintilar de chaves na fechadura. Levantando-se rapidamente ele espera que ela abra a porta, mas nada acontece, criando coragem ele gira a maçaneta e adentra o local, já está escuro lá fora e o apartamento encontra-se na penumbra da noite. Acendendo a luz ele a encontra deitada no sofá em posição fetal, abraçada a uma almofada.
— Felicity. — chama baixo enquanto se aproxima, ela não olha pra ele e ele senta-se, com os pés dela em cima de suas coxas ele a encara, os olhos estão vermelhos e inchados, os cabelos desgrenhados, o rosto por lavar, ela estava chorado. Sem saber o que fazer ele faz a pergunta mais óbvia que possa imaginar — Por que estava chorando amor? — pergunta de forma carinhosa.
Felicity o olha por breves segundos e volta a focar o papel amassado em cima da mesa de centro. Como dizer a ele o que a vinha incomodando há dias? Sua desconfiança? Como dizer que agora é real e que o que eles mais deveriam evitar acabou acontecendo e ela não sabe o que fazer?
Quando ela começou com as desconfianças eram indícios sutis, no inicio ela achou que era apenas uma virose quando ela não conseguiu manter o café da manhã no estômago. E quando ela começou com as mudanças de humor repentinas, ela achou que fosse seu período chegando mais cedo devido a mudança de contraceptivo. Mas quando ele não veio, quando ela passou a se irritar com o cheiro do perfume dele ela começou a desconfiar que a noite em que eles estiveram tão animados após o evento beneficente do pai dele tinha gerado consequências e ela passou a evitá-lo. Ela não sabia como contar a ele suas suspeitas, teve medo da reação dele, do que ele poderia dizer, ou pior que ele a abandonasse e instintivamente ela se afastou ainda mais.
Mas, como tudo no mundo tem um preço a se pagar, esta manhã ela resolver acabar com essa dúvida cruel e bem a sua frente encontra-se a prova dos atos impensados e tudo o que lhe resta é encarar a situação. Sem falar nada ela senta-se, pega o papel amassado e tenta alisa-lo o máximo possível e o entrega.
Sem questioná-la Tommy pega o papel de suas mãos, arqueando uma sobrancelha para ela, ele direciona o olhar para o papel.
Por longos minutos Felicity o encara, ele está mudo e suas mãos estão tremendo, ela pode ver pelo papel tremulando em suas mãos e espera, e espera por alguma palavra, qualquer coisa, mas nada sai de sua boca.
— Tommy? — murmura com a voz embargada pelo choro que ameaça vir.
— Felicity. Eu... Nós... — ele está sem fala.
Devagar ele volta os olhos para ela entendendo agora seu comportamento, suas mudanças de humor. Ela provavelmente está com medo que eu a abandone. Pensa horrorizado. Mas como eu poderia fazer isso?— Oh Felicity! — exclama penalizado — Um bebê? Nós vamos ter um bebê? — sem perceber ele está sorrindo e ela também — Um bebê. — ele a abraça e retorna o abraça.
— Sim. Um bebê. — ela sussurra aliviada.
FIM
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