Meu Adorável Hóspede
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Tommy estava em um momento de transição. Desde a separação de Laurel que suas noites eram regadas de trabalho no início da noite e sexo ao final da mesma quando ele encontrava alguma garota e fodia até que em sua mente não houvesse mais espaço para a cena que o devastou, Laurel e Oliver, no apartamento dela, como se ele não existisse. Aos poucos ele foi acabando com aquela obsessão, nem sempre sua noite terminava com ele e uma garota diferente da noite anterior, estava começando a se acostumar com sua nova vida. Mas, aí apareceu Felicity, o desestruturando com toda sua doçura e balbucios que a deixa ainda mais encantadora, linda por dentro e por fora. Desde o primeiro momento em que a vira se sentiu atraído, como um lado de um imã que foi sido separado do outro por uma barreira, mas que a mínima quebra dessa barreira ele automaticamente é puxado pelo outro. Então ele começou tudo de novo, a cada noite uma garota diferente, puro sexo passional e fode até que Felicity não esteja mais em seus pensamentos. E no outro dia, quando a encontra seu martírio começa tudo de novo.
Ele nunca desejou uma garota e não a teve, até conhecer Felicity, até desejar Felicity. Está ficando obcecado, porém em sua mente ela é a única que ele nunca terá. Está ciente da paixão dela por Oliver, tanto quanto está ciente que não flertaria com ela, jamais, ela é decente demais para ele, até Oliver tem consciência disso, sempre se afastando dela, tratando-a como uma amiga. Sempre a magoando, sua vontade é embala-la no colo e fazer a tristeza ir embora ou toma-la para si, por outro lado sente-se feliz, pois sabe que Oliver também não a merece, sua escuridão apagaria a luz natural dela. Sente-se satisfeito ao saber que Oliver não se atreveria a afunda-la naquele posso escuro e doentio que se tornara sua vida.
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Sentada de frente para a mesa de seu chefe, ela está concentrada em tudo o que ele diz, anota o que é preciso, respostas curtas e claras. Todo o profissionalismo empregado naquele momento. Céus, ela odeia aquele trabalho. Secretária executiva! Cuspe aquelas palavras com toda a raiva direcionada a elas e aquele que a impusera àquela situação. Oliver, maldito Oliver! Sua vontade é hackear sua conta bancária e fazer um limpa, tirar tudo dele, assim como ele tirou o emprego que ela tanto amava. Bem não tanto assim, mas ela fazia o que gostava, apesar do salário menor, ela fazia aquilo para qual se formou.
E apesar de toda mágoa por estar desempenhando uma função que não gosta, ali está ela, focada. No início era por ele, porque ela acreditava fielmente que estava apaixonada, mas agora é só porque desenvolveu um carinho por ele, por que ela precisa estar perto dele quando a cidade precisar do Vigilante, ela entendia isso e não falharia com a cidade.
— Faça duas cópias deste memorando e traga-me para assiná-las junto a original, depois envie uma cópia ao RH, fique com a original e eu com a outra cópia. — num tom seco ele coloca o arquivo à frente dela, aquele está sendo um dia infernal para Oliver Queen. Isobel Rochevi o está pressionando diante o conselho e ele odeia ser pressionado.
— Sim senhor Queen. — profissional demais.
— Mas que diabos há com você? Nos últimos dias é "Sim senhor Queen! Certo senhor Queen!" Nós dois sabemos que não precisamos de formalidades quando estamos a sós. — ele explode com ela, está irritado com Isobel e ouvir Felicity o chamando por Senhor Queen o irrita ainda mais, ele não é o Senhor Queen, só Oliver, apenas pessoas distantes emocionalmente dele o chamam de Senhor.
— Tecnicamente nós não estamos sozinhos. — ela não se abala ao pequeno ataque dele.
Respirando fundo ele levanta-se e vai até a grande janela de vidro.
— John não conta. — vira -se para encarar os amigos. Aproxima-se da mesa e se curva até ficar bem próximo a ela — Agora eu quero que você pare isso que você acha que está fazendo e volte a ser àquela Felicity de antes, a minha Felicity.
Oh! Ela fica chocada com a última frase dele, em seus olhos ela tem um vislumbre de algo mais que raiva, possessividade mesclada à veemência, ele realmente acredita que ela é posse dele. A ira toma conta dela, está pronta para rebater quando o som de mensagem soa em seu celular fazendo-a desviar o olhar do dele e o mesmo afastar-se rapidamente, tomando consciência do que acabara dizer.
Diga-me, quantas Felicity Smoak há em SC? Por que acho que entregaram a encomenda à pessoa errada. Tommy.
Sorrindo, ela já imagina do que se trata.
Não está errado, você recebeu?
Sim, o cara insistiu, mas sério, uma cama? :/
Aumenta o sorriso com a surpresa dele. Gesto esse que deixa Oliver ainda mais irritado e faz com que John ria da cara de poucos amigos do chefe e amigo.
Meu sofá agradece.
Ok, mas nós temos que falar sobre isso, não é certo.
Com um suspiro alto ela olha para cima, só para encontrar um Oliver nada amistoso. A sobrancelha levantada, braços cruzados e a boca formando uma linha reta, uma clara indicação de que ele não está satisfeito por ela o ter deixado de lado em sua "conversa".
Depois nós falamos ok!
Fechando a caixa de entrada de mensagens ela olha para Oliver, ainda segurando o celular.
— Desculpe, onde estávamos mesmo — finge tédio — ah! Sim estávamos falando o quão prepo... — é cortada pelo som de mensagem, mas ela não dá atenção — Você não pode simplesmente agir como se fosse meu dono Oliver. — levou as mãos ao ar, exasperada.
— Eu na... — desta vez é o som de chamada do celular dela que o corta. Fechando e abrindo os olhos rapidamente ele tenta não se aborrecer com o fato — Desligue isso, por favor. — ela assente, mas apenas silencia a chamada — Bem, como eu ia dizendo, eu não tive a intensão de ofendê-la. — seu olhar mais suave, uma clara expressão de desculpa.
— Eu sei Oliver, mas você... — novamente ela é cortada pelo som do celular.
Olhando-a de canto de olho Oliver tenta não descarregar sua raiva novamente em cima dela — Eu. Disse. Para. Desligar. O. Celular. – fala pausadamente, tentando soar o mais calmo possível, enquanto o celular continua a tocar.
— Desculpe, eu preciso atender. — frustrado, ele acena para que ela saia.
Antes que saia completamente da sala ela atende, temendo que caia a ligação — Ei, aconteceu alguma coisa?
[Não, acontece que não me respondeu.]
— Eu estava com Oliver. – sentando-se em frente a sua mesa ela ouve um suspiro de desagrado do outro lado da linha— Estávamos discutindo um ponto importante para a empresa. — ela não precisa explicar-se, mas sente a necessidade.
[Desculpa interromper, eu não imaginava que estivesse com ele e que fosse importante]
— Tudo bem, mas você ainda não falou o que quer?
[Precisamos falar, que tal no almoço?]
— Espera um momento — ela olha a agenda para ver se tem algo marcado para o almoço – é, um almoço seria ótimo. — fala com um sorriso.
[Então, até depois Felicity, te busco em cinquenta minutos.]
— Oh! Não precisa, eu vou em meu carro. — não pode correr o risco de ser vista com Tommy por Oliver, ela ainda não havia falado sobre sua nova amizade.
[Tá bom, me encontra no italiano que que fica há quatro quadras da QC?] - Oliver nunca vai lá, estaria em terreno seguro.
— Nos vemos lá.
Encerra a chamada sorridente e olha por entre a parede de vidro, Oliver a observando, a expressão indecifrável.
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Sentados frente a frente, Felicity observa o ambiente maravilhada, aquela a primeira vez que entra no local. Paredes de cores em tons vivos, cada parede um tom, os quais ela não sabe distinguir devido à mescla de uma cor com a outra, variadas espécimes de plantas e objetos típicos da decoração italiana, as mesas cobertas por toalhas xadrez em tons rosa, verde folha e azul bebê e jarros com rosas vivas as enfeitando, o aroma das rosas a inebriando.
— Uau, eu deveria ter vindo aqui antes. — está fascinada.
— É lindo não é? E a comida é maravilhosa, é claro que sou suspeito pra falar, eu amo comida italiana. — toma um gole do Monteccio Amabille Rosé, Felicity o fita em devoção.
— E vinho italiano também. — fala toda coquete — E as garotas. Também prefere as italianas? — logo que termina a frase ela se dá conta que falara demais — Oh! — leva a mão a boca, constrangida — Desculpa, nã... Não precisa responder, realmente não...
— Fe... — ele tenta faze-la parar de falar, sem sucesso.
— Não é da minha conta, sou uma curiosa... — ela para somente quando ele põe a mão sobre a dela, um sorriso compreensivo.
— Tá tudo bem — fita-a com intensidade — e respondendo a sua pergunta, eu prefiro as garotas inteligentes. — seu comentário a fazendo corar e retirar a mão de debaixo da dele — Mas devo acrescentar que normalmente quero as que me querem. — pisca um olho para ela e dá um sorriso sem-vergonha.
Durante o almoço ela faz questão de ressalvar que não é justo nem para ele e nem para seu sofá que ele continue dormindo no mesmo, concordando ele promete pagar pela cama. Combinam de a colocarem no quarto o qual ela usa como biblioteca e ele garante que ela não precisa retirar nenhum de seus pertences quando ela se propõe a retira-los para dar a ele maior privacidade. Após uma longa discussão, ganha por ela é claro, ela se apressa a voltar para a empresa, sabendo que levará mais uma bronca de Oliver já que não atendera nenhuma das nove ligações feitas por ele.
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Ao chegar em casa Felicity se joga no sofá, Oliver a fizera trabalhar até mais tarde, em contrapartida, ela decidira não ir a cave, o único grande caso que estão trabalhando está estagnado com a falta de mais evidências e não eles não têm noção de quem está por trás dos assassinatos dos jovens no Glades, ao todo já foram seis assassinatos, todos entre 18 e 30 anos, a única outra coisa em comum que os jovens têm em comum, além de serem jovens e homens é o modus operandi com que foram assassinados, um único tiro no peito.
De olhos fechados, ela se permite livrar a mente de qualquer assunto relacionado a trabalho ou outra coisa que a faça raciocinar. Está exausta. Cansada de ter que redigir documentos, de anunciar executivos barrigudos, que sempre lhe jogam uma cantada barata, e ter que fingir que não vê para não fazer Oliver perder grandes negócios. Cansada de ver a cidade a cada dia se afundar mais no mundo do crime. Soltando uma lufada de ar sente suas pernas serem erguidas e em seguida postas sobre um par de cochas musculosas em bem definidas. Abre os olhos e ver Tommy a analisando, cenho franzido, olhos azuis nublados, vestido em sua camisa social branca e jeans escuro, as mãos massageando suavemente seus tornozelos.
— Dia difícil? — Gemendo baixo de prazer ela assente em silêncio.
— Oliver?
— Uhum. — com os olhos fechados, mordendo os lábios e um suspiro de satisfação ela assente — Mãos mágicas.
— Oliver? — fala rouco, brincando com ela, já sabendo do que ela está falando.
Abrindo os olhos, ela o fita, sobrancelha levemente arqueada — Eu não quero falar sobre Oliver Rabugento Queen.
Gargalhando ele para com a massagem, a fazendo gemer frustrada e sentindo falta das mãos dele, ele se ajeita no sofá de forma que fique de frente pra ela — Então vamos falar de pizza.
— Pizza? — estreita os olhos.
— Estou morto de fome. — finginfo um olhar triste ele leva a mão à barriga fazendo Felicity gargalhar, seguindo o som da risada dela ele não se contém e gargalha também.
Pegando o celular na mesinha de centro ela se adianta — Meia a meia, quatro queijos e pepperoni.
— Quatro queijos e pepperoni. — concorda batendo palmas.
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— Uhm... Uhmm... Tá muto gotosa. — sentados no chão da sala lado a lado e a caixa de pizza na mesinha, ela fala ainda com a boca cheia.
— Pizza deveria ser considerada a oitava maravilha do mundo. – Tommy lambe os lábios, despreocupado.
Olhando de lado, Felicity se remexe desconfortável, o corpo esquentando de repente e a face rubra, enquanto por sua mente passa cenas de coisas que gostaria que ele fizesse com ela. Balançando a cabeça afasta tais pensamentos e leva o refrigerante a boca para disfarçar seu crescente desejo. Não vá por esse caminho Felicity. Recrimina-se mentalmente.
Pegou mais uma fatia e levou-a próximo da boca quando ele roubou-a de suas mãos.
— Ei! — finge estar zangada — Ainda tem mais na caixa. — aponta para a embalagem.
— Mas não de pepperoni. — morde um pedaço.
— Mas essa é minha. — se joga em cima dele, um diminuto sorriso brincando em seus lábios. Caindo no chão ele eleva o braço para que ela não a alcance — Tommy, não. – diz subindo ainda mais em cima dele tentado a todo custo conseguir a fatia da pizza novamente.
Tommy rola com ela de forma que ele fica por cima, pegando-a de surpresa. Notando a aproximação deles ela fica séria assim como ele, que para de rir de sua falha tentativa em conseguir o alimento. Limpando a garganta eles levantam-se, ambos constrangidos.
— Eu nem tava mais com fome mesmo. — ela fala tentando quebrar a tensão absurdamente palpável que se instalou — Pode ficar com ela.
— Tá. — finge um dar de ombros e termina de comê-la.
Sem mais nada a falar Felicity junta a embalagem com os restos da pizza e leva para a cozinha, encostada no balcão ela fita um ponto qualquer, atordoada demais por tê-lo sentido tão próximo. A naturalidade com que brincava com ele, os toques singelos e sem segundas intenções, a facilidade que ele tem para fazê-la gargalhar e o fato de apenas a presença dele fazer o seu coração aquecer já a deixa confusa. Às vezes ela se pergunta se é possível que em tão pouco tempo eles já tenham essa sincronia absurda, tanta que a assusta, tem medo de se apaixonar e sofrer como sempre acontece, Felicity e amor definitivamente não foram feitos para se encontrarem. Deixando esses pensamentos de lado, ela retorna para a sala, o encontra sentando no sofá, pensativo.
— Já está ficando tarde — fala ao encostar-se no batente da porta, fazendo-o girar todo o corpo para a olhá-la, com um sorriso maroto ele meneou a cabeça afirmando — obrigada por me fazer rir depois de um dia exaustivo.
— Sempre. — pisca para ela.
— Boa noite Tommy. — segue para seu quarto.
— Boa noite Felicity. — responde intrigado por seu repentino constrangimento. Tommy, Tommy, o que está havendo com você? Com um leve sorriso surgindo nos lábios ele segue para seu novo quarto.
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