Metus
2 Capítulo 2
Notas iniciais
~*~
Se passaram alguns dias. Lá fora o tempo maldisposto não deixava sair de casa. Desde quando esta assim? Ele comia a última maçã. Os seus dentes mordiam a maçã sem dificuldade. Tossia ao engolir muita quantidade de comida. Sem parar ainda tossindo tentava comer mais. Tiro-lhe a maçã.
—Eih tenha calma! A maçã não vai fugir!
Afasto, levantando a maçã um pouco acima da sua cabeça. Logo ele levanta os braços, dando alguns grunhidos tentando pegar de volta. Ouço o seu estômago fazer barrulho. Acabo por devolver lhe a maçã. Teria de arranjar mais comida.
Vou até á porta. Abri a porta e tinha logo ali uma panela já transbordando de água. Em menos de cinco minutos ela encheu. A chuva caía sem parar. Levo- a para dentro depois de fechar a porta. Coloco a panela em cima da base de ferro. Aponto com o dedo indicador para de baixo da base e uma chama azul acende.
Estico os joelhos levantando-me. Atrás da mesa posta no centro da sala, paralelos à porta de entrada, havia uns armários. Procuro comida, abrindo as portas. Acabo por encontrar um pote de vidro com cogumelos secos. Sorrio. Tinha algumas batatas e cenouras, poderia fazer uma sopa de cogumelos. Na panela a água começa a borbulhar.
Levo o pote comigo e chego-me à mesa. Pego 2 batatas médias e duas cenouras pequenas e lavo-as numa bacia com água. Lavando percebo que não podia voltar a usar aquela água. Também precisava de mais água. Poiso os legumes numa tábua e pego na faca cortando-os em pedaços pequenos. Em seguida coloco na panela tudo de uma vez, sem colocar os cogumelos. A água fervia. Volto à mesa, abro o pote tirando os cogumelos. Escolho-os um a um entre alguns podres.
Olho para trás. Surpreendo me por o ver no chão.
—De novo? Não tem de ficar no chão.- suspiro.
Pego ele ao colo e coloco-o em cima da cama. Passo a mão na sua cabeça, fazendo um pouco de carinho. Indo até à mesa, lavo os cogumelos e em seguida os colocar na panela. Agora tinha de esperar alguns minutos até a sopa estar pronta. O olho. Ele olhava as próprias mãos. Agora que penso, ele não tem medo de mim. Nem tenta fugir. Rapidamente passam os minutos necessários para a sopa se fazer. Sinto o cheirinho de sopa pronta. Estalo os dedos e a chama apaga-se. Aproximo-me da penela depois de pegar uma tigela de madeira e coloco sopa para dar lhe.
—Aqui! Olhe, fiz sopa de cogumelos. Gosta?
Sento me ao seu lado com a tigela cheia de sopa e uma colher de madeira. A cama rangue como o meu peso. Mexo a colher assoprando a sopa para arrefecer. Ele olha interessado e com um salto tenta agarrar a taça. Eu num gesto rápido levanto-a, deixando cair alguma sopa por mim a baixo. Ai! Quente! Quando do por mim ele começa a lamber a sopa que caiu sobre a minha roupa.
—Não.- com o meu braço mais perto dele, afasto-o.- Não lambe por favor.
Ele olhava-me sentado de novo. Suspiro. Pego a colher e dou lhe na boca. Vejo alguma sopa escorrer da sua boca. Assim ele come quase sem desperdiçar. Penso vendo a sopa na taça acabar depressa.
—Pronto! Lindo menino.- levanto-me indo lavar a loiça.
Lavo a loiça preocupada com a pouca comida que tinha. Não havia quase nada. A chuva batia forte na única janela da casinha ao lado da cama. Além da chuva agora o vento dava ar da sua graça. Fazia parte do tempo. Não esperava ter de alimentar alguém além de mim, por isso as reservas esgotaram se bem rápido. Teria de sair mesmo com o tempo de inverno. De repente ouço um barrulho estranho. Olho para trás e o vejo vomitar. Aflita corro até ele. Não podia fazer muito. Fico a passar a mão nas suas costas até parar de vomitar. Vou pegar num pano molhado e limpo lhe o rosto. Ele estava pálido. Terá sido da comida.
—Você não gosta de cogumelos? Responda por favor. Eu n_
Silêncio. Não tinha mais comida. Dou lhe um copo com água. Ele pega com as duas mãos tremendo e aproxima a boca bebendo como fosse um cachorro. Com a língua tentava beber. Agarro o copo, segurando-o encosto nos seus lábios para o ajudar a beber. O olhava preocupada. Assim não ia conseguir sair. Não o podia deixar sozinho.
Ele adormece encostado a mim. Deito-o na cama, aconchegando com as cobertas. Fico um tempo o olhando. O resto da tarde preparo uma infusão com ervas para ajudar o seu estômago. Eu não sabia se havia alguma coisa que não se pode dar de comer a uma criança. Vou limpar o vomito do chão.
Quase a terminar o dia, a chuva para. Ainda não era de noite. Mas a luz do sol já era fraca. Abri a porta. Assim poderia sair, penso respirando o ar fresco. Sinto ele atrás de mim tocando-me na perna. Do nada bem na nossa porta, a pouco mais de cinco metros, surge um coelho aos saltos que para para comer erva.
—Um coelho!- sorrio.- Sabe é um co-e-lho. Consegue repetir?-digo num tom baixo o olhando.
Ao olha-lo já não o vejo ali comigo. De repente percebo o correr à minha frente saindo da porta. Tento segura-lo antes de se afastar, mas ao pisar o chão fora da casinha escorrego no piso molhado. Logo levanto-me vendo uma mancha de sangue. Chocada vejo ele com o coelho na boca que ainda se mexia um pouco.
Recuo alguns passos para trás. Ele é algum semi-humano? É um animal?
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