Notas iniciais
Algumas falar do texto foram tiradas de Alice no país das maravilhas.

Era uma madrugada quente de sábado conseguia sentir os mosquitos em volta zumbindo no meu ouvido. Pensei em me levantar para tomar água, mas não tive coragem, me virei e jogue o braço para o lado da cama, mas senti algo diferente, ainda com os olhos fechados mexi minha mão e notei que estava segurando algo molhado que me cutucava . Abri os olhos e dei um grito agudo para o nada, as paredes rosa claro do meu quarto e minha cama com um tom mais escuro de beje não estavam mais ali. Olhei para o lado e vi que no local onde ficava minha comoda agora havia uma grande árvore com flores que cheiravam meus perfumes que ficavam sobre ela, meus dois criados mudos agora haviam se tornado dois meninos gêmeos, bem gordinhos que não concordavam em nada. Me levantei em um salto e olhei para o os meninos mais uma vez. " Querida garota, não se vá" dizia um deles, “vá, querida garota" dizia o outro. De longe ouvi o grito de outra garota “Coelho com relógio onde vai? Senhor coelho onde vai? " “Estou atrasado, estou atrasado" dizia o coelho com o relógio gigante pendurado no pescoço. Pensei estar louca: coelhos não usam relógios e não falavam. Saí correndo atrás da menina. Corria e gritava “menina de vestido azul me espere" mas ela parecia não me escutar, de relance conseguia ver que estava passando por algumas árvores e flores gigantes, mas não tinha tempo. Entramos em uma parte escura em uma floresta, vi muitas placas indicando onde ir, mas eu não sabia exatamente onde fora a menina e o coelho com o relógio, olhei para cima assustada e dei um grito procurando alguém que me ajudasse, avistei um gato “Perdida, linda menina?" “Sim, podes dizer-me , por favor, que caminho devo seguir?" “Isso depende muito de para onde queres ir" disse o gato, “Preocupa-me pouco onde ir" “Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas" replicou o gato “Então quero ir para onde o coelho com o relógio foi, mas não quero encontrar mais gente maluca" “Você não pode evitar isso, todos aqui somos malucos, eu sou maluco e você é maluca" “Como você sabe que sou maluca?" Indaguei “Deve ser, ou não estaria aqui" Em um sorriso o gato desapareceu, olhei em volta novamente e vi uma placa brilhando, devia seguir por ali,não tinha duvidas disso. Não sei quanto tempo se passou mas pareciam horas sai daquela floresta estranho e me deparei com uma casa rosa, na porta vi a garota de vestido azul comendo algo que parecia um pedaço de bolo, pensei estar com fome, comeria aquele bolo e mais alguns ainda, segundos depois me arrependi de ter tido esse pensamento, a garota começou a crescer e crescer, seus braços saiam pelas janelas do lado, e suas pernas pelas janelas da frente, seus olhos estavam apertados nas janelas do segundo andar, olhei assutada, deu um passo para trás e sai correndo, não sabia bem onde ir, voltar para a floresta era minha unica opção, mas ainda estava escuro não tinha como fugir.Depois de entrar na floresta só me lembro de bater a cabeça em algo e cair.

Acordei não sei quanto tempo depois sentada em uma mesa gigante com o coelho, uma lebre, uma pequena rata com uma espada que foi difícil de ser avistada e um cara com o chapéu maluco.De longe ouvi algo que não dei muita atenção “Talvez seja sempre a pimenta o que deixa as pessoas tão exaltadas, e o vinagre, o que as deixa azedas…E a camomila, o que as deixa amargas, e o açúcar o que deixa as crianças doces. Queria que as pessoas grandes soubessem disso…" Não consegui ouvir direito o resto da frase que o cara com chapéu maluco falou, pois naquele momento ouvi varias coisas se quebrando, era a lebre, parecia estar louca, na verdade tinha uma cara de louca com aquelas orelhas brancas sujas de terra, com os dois dentes da frente grandes e brancos e aqueles olhos esbugalhados. Cheguei perto deles e antes de falar qualquer coisa ouvi a pergunta do cara com chapéu maluco “Pobre menina sabe a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?" “Não sei senhor do chapéu maluco, qual é ? " “Não faço a minima ideia", ri com um pouco de medo, o medo que estava estampado em meus olhos. “Chapeleiro" dizia a rata ao cara de chapéu maluco" quer mais chá?" Chapeleiro, fazia sentido ter aquele nome. “Pobre menina o que acha que fazes aqui?" “Para dizer a verdade, agora que perguntou, eu não sei se…" “Então não deveria dizer nada" retrucou o chapeleiro dando uma piscada. As horas se passaram e nada havia mudado, as conversas entre eles eram loucas e confusas, pior do que isso era a lebre jogando as xícaras e os bules na cabeça de todos de momento em momento. Estava sentada em cima da mesa gigante quando a rata mandou eu comer um bolo, eu estava com fome e nem me lembrei do que havia visto mais cedo na casa do coelho. Comi e percebi que minhas roupas começaram a se ficar grandes, logo eu era do tamanho de uma formiga, o chapeleiro pegou minhas roupas gigantes e rapidamente as diminuiu, aquele era um mundo magico, pensei comigo mesmo, coloquei a roupa e ele me colocou dentro de seu chapéu, estava escuro e eu não havia entendido, pensei ter caído em alguma cilada, mas logo ouvi a conversa do lado de fora do chapéu. “A rainha vermelha ouviu dizer que há duas garotas no pais das maravilhas, onde estão?" “Garotas? o que são garotas? " dizia o chapeleiro com um tom irônico “Não se faça de mal entendido, vocês a viram?" “Acho que sim, eu vi uma delas agora de pouco" disse a lebre, pensei estar perdida, ele ia contar, “Onde?" “A uns milhares de anos,uma vermelha e outra branca,acho que são as rainhas" disse a rata rapidamente, os rapazes saíram e o chapeleiro me colocou de volta na mesa, " Quem eram ?" “Os guardas da rainha vermelha, temos que ir para o outro lado do lago", o chapeleiro me colocou sentada em seu ombro e partimos deixando a rata, a lebre e o coelho. “Chapeleiro eu estou sonhando não estou? Vou fechar meus olhos e tudo isso desaparecerá" “Só desaparecerá quando você quiser pobre menina" respondeu olhando de canto para seu ombro, “Onde estou?" “Pobre menina mal sabes onde está", “Pobre menina? Porque sou pobre menina?" “Pobre menina que lê e é tão seca quanto as paginas dos livros, tão amarga quanto os personagens e tão dura quando a capa." "É isso? Sou um livro que li? Impossível" “A unica forma de chegar ao impossível é acreditando no possível , “Chapeleiro não me entenda mal, mas em qual das historias que li estou?" “Pobre menina não se lembra das historias mais antigas." Fiquei em silencio por um instante e então me lembrei do que meu pai me falava " Sabe, meu pai me dizia que somos aquilo que lemos, mas nem todos que leem o mesmo livro compreendem da mesma maneira." não consegui me conter, comecei a chorar ao lembrar do meu pai, e logo ouvi uma voz distante que dizia “Nada se é conquistado com lágrimas" olhei para trás e vi o coelho saltitante e feliz chegando ao nosso lado, “Seu coelho, porque sempre usa um relógio?" “Por que estou eternamente atrasado" “E quanto tempo dura o eterno?" “As vezes apenas um segundo". Passamos horas caminhando, passando por animais estranhos, flores que cantam, e até um lagarta que fuma, quando finalmente chegando ao outro lado do lago perguntei o porque estávamos ali, o coelho me respondeu que ali reinava a rainha branca, não entendi, mas assenti. Quando chegamos a porta de um castelo todo branco vi o coelho sair correndo para dentro, ainda estava sentada no ombro do chapeleiro quando fiz a pergunta mais estupida desde que cheguei ali, " Chapeleiro, você me acha louca?" “Louca, louquinha!Mas vou te contar um segredo: As melhores pessoas são." Sorri pra mim mesma quando ouvi aquilo, “Enquanto estávamos andando, lembrei das historias que meu pai me contava sobre o mundo das maravilhas, um livro que nunca li por saber de toda a historia" “Pobre menina é o livro que nunca leu" “Mas, lembro que ele me dizia que cada leitor compreende de maneira diferente a historia não é ? Então sou aquilo que o leitor compreende senhor chapeleiro?" Ele assentiu e sorriu.

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