Metamorfose

3 Capítulo III - Redenção


1 ano havia se passado desde então, a Aranha finalmente chegara nas ilhas do Sul, onde encontrou diversas criaturas exóticas, dentre elas, um ser árvore, alto, com lindas folhas, uma expressão de calma e vazio em seu rosto, tudo naquela árvore chamava a atenção da Aranha, ela decidiu ficar. Na sua jornada, ela encontrou outros seres, que acabaram gostando dela, e decidiram se juntar à sua viagem, tornando-se amigos com o passar do tempo.
Era uma nova Aranha, deixou todo seu passado sombrio para trás, e começaria agora uma nova vida, foi o que ela pensou, mas não seria tão fácil, ela poderia ser outra, mas não havia deixado de ser uma aranha. Sofreu diversas provocações e discriminações, quando pensava que seria seu fim, ela ressurgia das cinzas, assim como uma fênix, porque como disse o Búfalo uma vez:"Todos temos uma essência da fênix dentro de nós, o que nos permite recomeçar." e mesmo depois de vários tombos que a vida lhe dera, ela sempre levantava e continuava, nunca desistiu.


Nos primeiros dias somente observava o comportamento da Árvore, e assim foi indo, até que conseguiu arrumar coragem para falar com o ser. Aproximou-se dele, que estava de costas, o chamou, nada acontece, ela chamou novamente, mas nada acontece, então ela decide chegar mais perto e encostar nele, quando percebe que era somente um árvore comum. Constrangida com a situação , finge que nada acontece e olha ao redor e então encontra a árvore que lhe interessa, agora sim era ele. Desta vez ela se aproximou pela frente, os dois se cumprimentaram e se apresentaram, curiosa como sempre, logo começou a perguntar-lhe várias coisas, a árvore, com uma expressão de paisagem, respondia com palavras curtas, "sim", "não", até que encontraram um assunto em comum, e conseguiram desenvolver uma conversa melhor. Os dias foram passando, elas foram ficando mais próximos, e a Aranha cada vez mais encantada pelas folhas da árvore, até que um dia, a árvore não queria mais que ela passasse as mãos por suas folhas, a Aranha se questionou por que, questionou a árvore, questionou todos os atos, ela pensava que tinha cometido um erro, e estragado tudo, como já fizera no passado, mas a árvore respondia coisas vagas, como sempre. A Aranha se acostumou com a ideia de não tocar, porque ainda poderia observa-lo bem de perto, mas cada vez mais, o aracnídeo ficava obcecado com aquela árvore, até o ponto em que só conseguia pensar nele. Um dia, ela resolveu segui-lo até seu lar, para poder saber onde ele descansava. Ela sabia que uma hora ele passaria pela ponte, então ela simplesmente sentou e esperou, horas e horas, até que ele chegou. Seus olhos brilharam ao vê-lo, já estava cansada de esperar, mesmo sendo uma aranha.


Ela correu em sua direção, ele ficou surpreso em vê-la ali, e perguntou o que ela fazia lá, que respondeu que o esperavam, o dia inteiro. A árvore ficou mais surpresa ainda, e a Aranha estava faminta, então perguntou se ele não tinha nenhum fruta, ou algo comestível, a árvore então lhe ofereceu umas cerejas que havia guardado, ela aceitou de imediato. Os dois foram conversando até o bosque em que a árvore residia, quando chegaram na entrada, tiveram que se despedir, pois não era permitida a entrada de outras criaturas que não pertencessem àquele bosque, então se abraçaram e seguiram seus caminhos. A Aranha estava extasiada com toda aquela experiência, mal podia esperar a hora de contar à seus amigos. Mas no outro dia, a árvore parecia fria com a Aranha, ela pensou que só estivesse com sono, ou não tivesse dormido bem, algo assim, pois geralmente era calmo, e não teria por que tratá-la assim, ou talvez ela tivesse feito algo de errado? Talvez ela tivesse feito parecer uma louca perseguidora? Mas isso não seria estranho, vindo de uma aranha, esperaria para saber então. Depois de conhecê-lo, ela finalmente encontrou o que faltava, amor, era este sentimento que havia desaparecido de seu âmago, ela finalmente sabia o que era felicidade, todos os dias que ela podia estar perto dele, isso era felicidade. Mas ela sabia, que os dois nunca poderiam estar juntos, pois eram seres diferentes, com tempos diferentes, por isso se contentava em somente estar perto e aproveitar todos os momentos, queria cuidar dele como se fosse um filho, ajudaria no que fosse preciso, mesmo que ele nunca fosse dar algo em troca, sua presença já era suficiente.


Passaram 3 meses, o tempo da Aranha estava acabando, ela logo morreria, e não deixaria herdeiros. Não quis contar nada à seus amigos, pois não queria vê-los tristes. Passou o dia, como se fosse outro qualquer, porém, quis ficar o máximo que podia perto da árvore, e depois de várias horas, vários momentos, ela perguntou se gostaria de ver o pôr do sol, ele aceitou e os dois foram para as colinas e sentaram-se, enquanto o sol desaparecia lentamente. Durante esse tempo, ela disse que amou todos os momentos com seus amigos e com ele, mas principalmente com ele, agradeceu por tudo, e disse para que ele se cuidasse, igual todos os dias, a árvore achou estranho ela dizer tudo aquilo, mas continuou ouvindo, foi então, que a Aranha disse: "Que fantástico esse mundo, o sol nasce e se põe, igual todos os seres, mas poucos prestam atenção", então ela passa as mãos pelas folhas da árvore e cai no chão, fechando seus olhos para dormir eternamente. A árvore vi que havia algo estranho e logo percebeu que a vida já havia se esvaído da Aranha, ele então posiciona suas mãos sobre ela e agradece por todos os seus atos, de repente, flores começaram a brotar do chão, envolvendo a Aranha, que agora descansava eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo.

Notas finais
Obrigado por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!