Metamorfose
26 Metamorfose - Parte III
Metamorfose – Parte III Abri seus olhos e deixei que seus movimentos voltassem a seu controle embora esperando sua irá, seu ódio, sua tristeza, consegui o silêncio amargo e vazio: - Perola... – Hesitei observando seu rosto sem expressão. Ela não reagia a nada. Apertei meus lábios sentindo a tortura do arrependimento tomar conta de mim. – Diga alguma coisa!... - O que quer ouvir? – Perola perguntou calma e serena como se não existisse nada de errado em tudo o que acabará de ouvir. - Como? – Minha expressão era confusa. – Tudo o que aconteceu de ruim á você foi culpa mim e você... Está... Calma! – Seu olhar ficou distante então voltou a perguntar. - Como queria que eu estivesse?! – Novamente Perola fazia perguntas de como se nada do que tivesse ouvido fosse verdade. - Você deveria estar me odiando agora, eu acabei com toda a sua vida, seus planos... Seus sonhos... – Então senti seu dedo indicador tocar meus lábios com a mesma calmaria de antes fechei os olhos enquanto engolia seco. - Não! – Seus olhos diziam junto com seus lábios cheios de amor e compreensão. – Eu não me arrependo de nada! Nunca mentiu pra mim Henry. - Eu menti Perola! – Exaltei meu tom de voz desesperado por sua reação estranha, ela nem ao menos chorava, era tudo mentira e seu coração não sangrava por isso. – Menti sobre tudo! Sobre seus sentimentos, sobre mim, sobre você... - Não Henry! – Seus dedos deslizaram por meu rosto gelado procurando por um conforto que não existia. – Não importa o que ele disse... Eu amo você! Amo tanto que abrir mão de tudo foi um alivio... - Não diga isso! – Afastei suas mãos de minha face mantendo distancia dela. – Não faz idéia do que vem pela frente. - Henry já estou condenada, eu amo você, apenas estou cumprindo minha sentença... - Por que esta sendo tão cruel comigo? – Me irritei com suas palavras. - Cruel?! – Ela riu sem entender – Eu não suportaria ver você partir e minha única certeza era que nunca mais veria seu rosto de novo... O que quer que eu faça? - Grite! Chore! Reaja! Diga que me odeia por tudo o que esta passando agora! – Segurei seus braços a ponto de sacudi-la. – Mas não me torture com sua piedade. - Não é piedade Henry! – Do nada as lagrimas voltaram a aparecer. – Apenas não arranque a única verdade que me prende á você... A única verdade que me domina... - Sua vida acabou Perola! – Persisti. – Não entende?! - Minha vida teria acabado se não tivesse me trazido com você! Ainda não entende que amo você e que se fosse um engano eu cairia em desespero, sendo que estou em paz comigo mesma. - Aro lhe contou a verdade, como não aceita isso! - Aro não conhece meu coração como eu e você! Não foi ironia, nem um mero “encanto” que me fez vir até você! Era pra ser e não quero que acabe. – Senti seus pequenos braços pálidos e quentes me envolverem com sua força mínima enquanto busquei entrar em seus pensamentos em busca da verdade. Minha Perola estava sofrendo por dentro, porem sua decisão foi tomada, era do meu lado que ela queria ficar e acreditava tanto nesse amor agora, como antes quando me viu pela primeira vez. Sentir sua dor oculta foi uma tortura que nem com mil palavras conseguiria descrever com toda a intensidade que ela estava sentindo. Ela me aceitou em todas as mentiras, me aceitou como sua única escolha, como sua vida e isso me corroia por dentro, eu não sabia o que era remorso e o sentir sem que ela me odiasse foi pior do que mil facas entrando em minha pele. Eram tão cruéis nossas reais circunstancias que eu lutava entre a cruz e a espada: a dor de aceitar um destino de tristeza, esquecimento e miséria por toda a eternidade... Porem mais maléfico que minha atual realidade era imaginar meus anos inacabados sem minha preciosidade... Sem minha Perola. - Venha Henry... – Sua mão puxou pela minha em direção a cama. – Quero retomar de onde paramos... – Seus lábios procuravam os meus mais preocupados em me acalmar sendo que seu coração ficara em pedaços, me torturava com seus atos me deixando abaixo de nada. - Perola não faça isso comigo... Esta me matando... - Henry o que mais eu tenho que fazer para que você entenda? – Ela segurou minha face com os olhos mais suplicantes e sinceros do que antes, desesperados pra que eu entendesse que seu coração era meu. - Não seja cruel comigo! – Ela continuou. – Estou aqui... Com você! – Como em todas às vezes, Perola levantou as pontas dos pés para que alcançasse meus lábios e não tive como rejeitá-la. Segurei seu rosto e o pescoço deixando que o calor de sua pele se espalhasse pela minha que chegava a loucura quando seu hálito quente soprava sobre mim e como sua boca me tirava qualquer resistência e me entorpecia como se o pesadelo tivesse se acabado. Era o único jeito em que me sentia humano... Apenas estando com ela. Desci meus braços a sua cintura e puxei seu corpo contra o meu e o desejo passou a correr sobre mim quando ouvi seus gemidos fracos e leves e como mordia meu lábio inferior tentando despertar sensações que pra mim eram vivas quando era ela meu alvo. Arranquei do chão e deitei seu corpo sobre os lençóis de seda azul marinho e voltei a beijar seus lábios com intensidade e mordiscar seu pescoço, fiquei em simetria, pois se eu deixasse minha natureza governar meus instintos já teria cravados meus dentes em sua pele e provado de sua valiosa fragrância, o cheiro de seu sangue era tão envolvente quanto suas fantasias, entrar na essência de Perola era uma viagem desconhecidas cheias de curvas misteriosas que aos poucos fui desvendando seus desejos, seus medos e como ansiava por esse momento. Suas mãos caminharam por minha túnica e ficou maravilhada por ver meu corpo e como desejava minha pele a envolvendo e que eu apenas pertencesse á ela, como seu fosse me perder. Era uma infelicidade de sua parte, eu fui feito pra ela. Minhas impressões digitais lhe causavam arrepios e contava cada movimento como se fosse o único. Aos poucos seu corpo foi amolecendo e perdendo qualquer movimento embora lutasse pra continuar: - Não faça isso comigo Henry!... Me deixe ser sua... – Sua voz era fraca e tomada por uma sensação de perda de consciência. Minha hipnose foi a dominando em um sono profundo e minha garota lutava pra pelo menos manter os olhos abertos. – Esta trapaceando... - Não posso arriscar sua vida agora. – Soprei em seu ouvido puxando seu corpo para que ficasse entre o elo de meus braços. - Por que ainda resiste? – Perola ainda persistia em lutar contra o sono. – Quer isso tanto... Quanto eu. - Não é a hora! – Continuei soprando em seu ouvido enquanto cada palavra a dominava para que adormecesse. – Durma meu anjo... Eu estarei com você... Pra sempre! – Repeti varias vezes até foi vencida e se calou. Aconcheguei seu corpo entre os travesseiros e voltei a colocar minha túnica. Me levantei da cama, porem antes que sair do quarto beijei seu testa e deixei que sonhasse pela ultima vez. - Como pode ser tão tolo Henrique? – Caius apareceu ao meu lado em frente a porta do quarto depois que a fechei. – Você conseguiu tudo o que queria, tem Perola, é tão Volture quanto nós e nada disso o satisfaz... - Caius... Eu a perdi quando á trouxe pra cá! – Meu rosto voltou a ficar sombrio junto ao dele e segui em frente sem que lhe desse oportunidade de me afrontar. - Os Cullen viram buscá-la! – Ele ainda assim não perdeu sua única chance. – E você morrerá com eles. - Que assim seja!
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