Mestiça

2 Capítulo 2: Os 15 Anos


Notas iniciais
Esse é o segundo capítulo. E só pra constar, Thommas é um gato.

E nesse exato momento a porta esta se abrindo. E por ela sai um garoto que tem uns 17 anos de idade, olhos verdes e cabelos castanhos claros. Bem... Bonito.

– Olá! Qual é o seu nome? – Pergunta ele.

– Olá.

– Não precisa ter medo. Eu só quero saber qual é o seu nome. O meu é Thommas.

– O... O meu é Katherine.

– Que ventos tão distantes lhe trazem aqui? – Pergunta ele. Bem interessado no assunto.

– Na verdade, eu estava de cabeça cheia e terminei seguindo alguns animais. Eu estou perdida. Poderia me levar de volta à cidade?

– Claro!

Fomos conversando animadamente. E eu descobri que ele fugiu de casa. Também descobri várias outras coisas sem importância... E outras sem nexo.

Pelo que eu pude perceber é um garoto bem legal.

Ele me levou à cidade e se despediu de mim. Convidei-o para ir à minha casa, mas ele disse que tinha uns assuntos pendentes.

E mais uma vez alguns animais voltaram a me perseguir.

Fui para casa lentamente, imaginando o quão meus pais adotivos estão preocupados comigo. Eu não deveria ter saído daquele jeito. Eles podem ser meus pais adotivos, mas dedicaram uma vida inteira a mim.

Cheguei a meu destino final.

Papai e mamãe estavam sentados no sofá.

Nós conversamos civilizadamente e decidimos fingir que esse dia nunca aconteceu.

Acordei. E a minha maior surpresa foi que estava levitando. Eu quero descer.

– Ai – Foi o único som que eu consegui fazer com que saísse da minha boca quando eu cai na cama

Eu acho que ainda estou sonhando.

Bem, hoje é o meu aniversário de 15 anos. Decidi não me importar com o animal que dessa vez esta me vigiando em minha porta.

Caminhei até o espelho e pude perceber que minha pele estava mais sedosa e mais brilhosa do que o de costume. Meu cabelo estava completamente liso, com muito mais brilho do que o normal e sem um nó para contar a história do que aconteceu enquanto eu dormia.

Tem uma marca extremamente brilhante no meu pulso! Ela tem a forma de uma lua. O que isso significa?!

Fui tomar um banho, mas nada aconteceu. Nem a marca sumiu, nem minha pele e nem meu cabelo voltou ao normal.

O que eu vou fazer? Eu não posso mostrar aos meus pais. No mínimo me mandariam para um exorcista.

– Um momento – Peço ao ouvir batidas na porta. Só podem ser os meus pais. Preciso vestir uma roupa de manga comprida – Podem entrar – Ordeno.

Como sempre, eles entraram cantando parabéns e com um bolo em mãos.

– Obrigada! – Agradeço quando eles terminam de me parabenizar

– Por que você esta de manga comprida? – Pergunta papai

– Porque eu estou com... Com frio

– O tempo não esta frio. 23 graus apenas. – Falou mamãe – E esta pelo avesso

Dei graças a Deus por papai estar aqui, pois eu teria que consertar a posição da camisa agora mesmo.

– Depois eu viro o avesso.

– Bom, agora só falta você fazer um pedido!

O único pedido que veio em minha cabeça foi que desaparecesse a marca que esta em meu pulso. Soprei a vela, mas nada aconteceu, nem um balançar do fogo. Soprei com mais força ainda. Nada. Meus pais me olhavam confusos. Eu acho que eu tenho que pedir outra coisa. “Desejo ser feliz daqui para frente”. Soprei. Funcionou.

Logo depois Comemos o bolo.

Meu aniversário é sempre assim. A maioria da família dos meus pais mora muito longe daqui. Os parentes que moram perto não são muito chegados. E Eu não tenho amigos. Então papai vai comprar um bolo na padaria da esquina, cantam parabéns para mim e depois nós comemos o comemos. E o resto do dia eu fico dormindo no meu quarto. Resumindo, o dia 31/10 é quase normal para mim.

Mas como hoje é prova, não vai dar para faltar a escola.

Cheguei a escola com os meus “guarda-costas”. Sã e salva, como sempre.

E que o bullying comece.

Sentei em minha cadeira e fiquei de cabeça baixa. Pelo visto cheguei cedo, porque não tem quase ninguém na minha sala. Então eu vou tirar um cochilo.

Acordei com um banho de água fria no meu corpo.

– Ai Meu Deus! Eu molhei a estranha. Desculpe. Mas se bem que você precisava de um banho mesmo. – Era só o que me faltava. Coraline. Uma morena de olhos verdes que é líder de torcida e que sempre faz questão de me irritar. Eu odeio essa garota.

Quando eu me dei conta já estava em pé com o braço levantado na direção de Coraline, que por sua vez estava se contorcendo de dor, pelo que se parece, e com todas as suas veias puladas.

Olho em volta e todos estão olhando espantados para mim. Só agora percebi que eu estou fazendo isso com ela. Como? Eu não sei.

Consegui controlar o meu ódio por ela ter me molhando propositalmente. Ela caiu no chão. Um dos amigos dela se abaixou e tentou ver sua pulsação.

– O coração dela não esta batendo. Ela esta morta – Ele disse

Então quer dizer que eu a matei enforcada, pelo que se parece. O que me torna uma assassina. Corri para fora da escola.

Minha cabeça esta muito confusa. Eu ainda não faço ideia de como consegui fazer aquilo.

Corri o mais rápido que pude. Percebi que vinham alguns dos amigos dela atrás de mim. As amigas devem estar chorando pela morta.

Eu não posso ir para casa. Mais uma vez. Eles não iriam entendem o motivo de matar uma colega de classe. Melhor, eles não iam entender como eu a matei, assim como eu.

Quando olhei para trás tinha uns cachorros enormes latindo para o lado dos amigos de Coraline, que estavam morrendo de medo por sinal.

Isso esta ficando estranho. Muito estranho. Os animais não só me perseguem como me protegem também.

Já sei para onde eu devo ir. Esta um pouco longe, mas dá para chegar lá. Estou um pouco com medo, mas é o único lugar que eu posso ir.

Só agora me dei conta de que eu estou correndo muito mais rápido do que o normal. Na verdade, o meu normal é não correr. Eu estou correndo cada vez mais rápido.

Acabei de entrar na floresta. E o rato que antes era meu segurança trocou de turno com um leopardo. Demorei um pouco para acreditar que esse animal não me queria como o seu almoço. Mas me acostumei.

Pronto. Cheguei. Será que ele esta em casa?

Bati na porta. A mesma se abriu no exato momento e aparece o ser de quem eu estava atrás.

Notas finais
Até o próximo capítulo!