Notas iniciais
Hey! Tou animada galera rs. Mais um capítulo para vocês. Ele está pequeno, mas acho que essencial...Nos vemos ;-)

Quinn acordou cedo, como de costume, e levantou-se da cama para olhar pela janela. O sol lançava prismas dourados através da névoa matinal, e ela abriu a porta da varanda, a fim de ventilar o quarto.

No banheiro, tirou o pijama e abriu o chuveiro. Ao entrar no boxe, pensou em como tinha sido fácil chegar até ali. Pouco menos de 48 horas antes ela estava sentada com Santana, estudando as cartas, dando telefonemas e procurando Berry. Ao chegar em casa, tinha falado com Ella, que mais uma vez concordara em tomar conta de seu bichinho de estimação e pegar a sua correspondência.

No dia seguinte, ela foi à biblioteca ler sobre mergulho. Parecia-lhe a coisa lógica a fazer. Seus anos como repórter ensinaram-lhe a não fazer pressuposições, mas criar um planejamento e preparar-se da melhor maneira possível para qualquer coisa.

O plano que Quinn enfim traçou era simples: iria até Island Diving e ficaria olhando as mercadorias, na esperança de ver Rachel Berry. Se ela fosse uma velha...ou uma estudante de 20 anos, ela simplesmente se viraria e voltaria para casa. Mas se seus instintos estivessem corretos e ela aparentasse ter mais ou menos a idade de Quinn, ela tentaria falar com ela. Fora por isso que se dera ao trabalho de se informar a respeito de mergulho – queria se expressar como alguém que conhecia algo sobre o assunto. E era provável que descobrisse mais coisas a respeito da mulher se fosse capaz de conversar com ela sobre algo em que ela tivesse interesse, sem precisar revelar muito sobre si mesma. Então teria uma visão melhor das coisas.

Mas e depois? Essa era a parte da qual ela não tinha certeza. Não queria contar a Berry toda a verdade sobre a razão da sua ida, porque soaria como loucura. Olá, li as suas cartas para Catherine e, sabendo quanto você a amava, achei que poderia ser quem eu estou procurando. Não, isso estava fora de questão, e a outra opção não era muito melhor: Oi, trabalho no Boston Times e encontrei as suas cartas. Será que podemos publicar um artigo sobre você? Isso também não parecia correto, assim como todas as outras ideias que lhe passaram pela cabeça.

No entanto, não tinha saído de tão longe para desistir naquele momento, apesar de não saber o que dizer. Além disso, como Santana observara, se o plano não desse certo, ela simplesmente voltaria para Boston.

Saiu do chuveiro, enxugou-se, passou hidratante nos braços e pernas e vestiu uma blusa branca de mangas curtas, um short de brim e um par de sandálias brancas. Almejava uma aparência casual, e conseguiu. Não queria chamar atenção logo de início. Afinal, não sabia o que esperar, e seria bom ter a oportunidade de avaliar a situação sem ter que interagir com outra pessoa.

Quando enfim estava pronta para sair, procurou a lista telefônica, folheou-a e rabiscou o endereço da Island Diving num pedaço de papel. Respirou fundo duas vezes e percorreu o corredor. Repetiu o mantra de Santana mais uma vez.

Sua primeira parada foi numa loja de conveniência, onde comprou um mapa de Wilmington. O funcionário ensinou-lhe como chegar e ela encontrou o caminho com facilidade, apesar de o lugar ser maior do que ela imaginara. As ruas estavam cheias de carros, sobretudo as pontes que levavam às ilhas perto da costa. Kure Beach, Carolina Beach e Wrightsville Beach ligavam-se à cidade por meio dessas pontes, e era para lá que a maior parte do trânsito parecia estar se dirigindo.

A Island Diving ficava perto da marina. Depois que Quinn atravessou a cidade, as vias ficaram um pouco menos congestionadas e, ao chegar à rua que queria, ela diminuiu a velocidade para procurar a loja.

Não era longe do lugar onde ela tinha virado. Exatamente como esperava, alguns carros estavam estacionados na lateral do prédio. Ela parou a poucos metros da entrada.

Era um prédio mais antigo, de madeira, desbotado pela maresia. Um dos lados da loja ficava de frente para o Central Intracosteiro Atlântico. O cartaz pintado à mão pendia de duas correntes de metal enferrujadas e as janelas estavam totalmente empoeiradas.

Quinn saiu do carro, afastou o cabelo do rosto e encaminhou-se para a entrada. Parou antes de abrir a porta para respirar fundo e colocar os pensamentos em ordem, depois entrou, fazendo o possível para fingir que estava ali por motivos corriqueiros.

Ficou olhando os objetos expostos, caminhando pelos corredores, observando a clientela variada retirando e recolocando mercadorias nas prateleiras. Mantinha-se atenta a qualquer pessoa que aparentasse trabalhar ali. Lançou um olhar de esguelha para cada pessoa no interior da loja, pensando se poderia encontrar Berry. Quase todos, contudo, pareciam fregueses.

Ela chegou à parede dos fundos da loja e deparou com uma série de artigos de jornais e revistas, emoldurados e plastificados, pendurados acima das prateleiras. Depois de uma olhada breve, Quinn se inclinou para frente a fim de ver melhor e de súbito tomou consciência de que tinha acabado de esbarrar na resposta à sua primeira pergunta a respeito da misteriosa Rachel Berry.

Enfim sabia como ela era fisicamente.

O primeiro artigo, publicado num jornal, era sobre mergulho, e a legenda sob a foto dizia apenas “Berry, da Island Diving, preparando seus alunos para o primeiro mergulho oceânico”.

Na imagem, ela ajeitava as tiras que seguravam o tanque nas costas de um aluno, e dava para perceber que Santana estava certa a respeito dela: Berry parecia estar na casa dos 30 anos, tinha o rosto marcante e cabelos castanho escuro longos e uma cor morena, um bronze natural, mas que acentuava mais pelas horas passadas ao sol. Era uns 5 centímetros mais baixa do que os alunos, e a camiseta colada que usava, mostrava a definição do corpo.

Como a resolução da foto estava um pouco comprometida, ela não conseguia distinguir a cor dos olhos. Achou que havia pequenas rugas em volta do canto dos olhos, embora pudessem ser de tanto estreitá-los ao sol.

Leu o artigo com atenção, memorizando os horários das aulas e alguns requisitos para obter um diploma. O segundo artigo não trazia fotografias, mas falava sobre o mergulho em locais de naufrágios, muito popular na Carolina do Norte. Pelo que parecia, o estado tinha mais de quinhentos navios afundados registrados nos mapas de seu litoral, chamado de Cemitério do Atlântico. Por causa dos recifes externos e outras ilhas ao longo da costa, durante séculos os navios tinham naufragado ali.

O terceiro artigo, também sem fotos, contava sobre o Monitor, o primeiro navio federal blindado da Guerra Civil. Rumando para a Carolina do Sul, ele tinha afundado de frente ao cabo Hatteras em 1862, enquanto era rebocado por um navio a vapor. A embarcação afundada tinha por fim sido descoberta e Rachel Berry, junta com outros mergulhadores do Duke Marine Institute, fora chamada para mergulhar até o fundo do oceano e explorar a possibilidade de leva-lo à tona.

O quarto artigo era sobre Happenstence. Oito fotos do barco tinham sido tiradas de vários ângulos, no interior e no exterior, todas detalhando a restauração. Quinn leu que a embarcação era única, pois era feita toda de madeira e fora fabricada em Lisboa, em 1927. Desenhado por Herreshoff, um dos mais notáveis engenheiros marítimos da época, o barco tivera uma longa e aventuresca história (inclusive sendo usada na Segunda Guerra Mundial para espionar as guarnições alemãs que pontilhavam o litoral da França). Finalmente, o Happenstence acabara indo parar em Nantucket, onde fora encontrado por um empresário local. Quando Rachel Berry o adquirira, quatro anos antes, estava bastante deteriorado, e o artigo dizia que ela e a mulher, Catherine, o tinham reformado, claro, com ajuda de alguns amigos.

Catherine...

Quinn procurou a data do artigo: abril de 2002. O texto não mencionava a morte de Catherine, e como uma das cartas tinha sido encontrada três anos antes em Norfolk, isso queria dizer que ela devia ter morrido em 2003.

– Posso ajudá-la?

Quando Quinn se virou, deu de cara com uma garota sorrindo às suas costas e sentiu um súbito alívio por ter visto um retrato de Rachel momentos antes. Aquela obviamente não era ela.

– Eu a assustei? – perguntou a garota.

Quinn apressou-se a negar com a cabeça.

– Não... Eu só estava olhando as fotos.

Ela assentiu na direção dos recortes.

– É uma beleza, não é?

– Quem?

– O Happenstence. Berry, a dona da loja, reconstruiu o barco. É um veleiro maravilhoso. Um dos mais bonitos que já vi, agora que está pronto.

– Ela está aqui? Berry?

– Não, está lá nas docas. Só vai voltar no final da manhã.

– Ah...

– Posso ajuda-la a encontrar alguma coisa? Sei que a loja é meio bagunçada, mas tudo o que você precisar para mergulhar, vai encontrar aqui.

Ela balançou a cabeça.

– Não, eu só estava dando uma olhada, na verdade.

– Está bem, mas, se precisar de ajuda, é só me chamar.

– Certo.

A garota assentiu com simpatia, depois se virou e foi para o balcão na frente da loja. Antes que conseguisse conter as palavras, Quinn perguntou:

– Você disse que Berry está nas docas?

Ela tornou a se virar e continuou andando de costas enquanto falava.

– Sim, nesta mesma rua, a alguns quarteirões daqui. Na marina. Sabe onde fica?

– Acho que passei por lá a caminho daqui.

– Ela deve ficar lá por mais uma hora, mais ou menos, mas, como eu disse, se quiser voltar mais tarde, ela estará aqui. Quer que eu dê algum recado a ela?

– Não, não precisa. Não é nada importante.

Quinn passou os três minutos seguintes fingindo que examinava alguns itens nas prateleiras e então saiu da loja, depois de acenar em despedida a garota.

Mas, em vez de ir para o carro, ela tomou a direção da marina.

Notas finais
Então... Desculpe por parar nessa parte, foi mais forte do que eu rs... E agora? O que vai ser desse encontro? See you ;-)