Mesmo que seja por um momento
6 Caminho sem arrependimentos
Notas iniciais
Rin se posicionou em frente a um grande circulo feito na grama com símbolos específicos relacionados ao Santo Graal. O círculo fora desenhado com seu sangue e com parte do sangue de Shirou, algo que ela pediu a ele antes dele partir para sempre.¹ Ela não explicou exatamente o que faria, mas disse que encontraria uma forma de salva-lo no futuro sem impedir que ele tomasse o caminho que havia escolhido.
No centro do círculo ela colocou o pingente que Archer lhe havia entregado quando fora invocado por ela. Era herança de seu pai e já não tinha mais mana nenhum, porém, ela havia energizado ele com um poder que ia além daquele que ela tinha quando mais nova. Em sua idade atual ela havia superado o seu pai em poder e inteligência. Conquistara artes próprias e elevado o poder dos Tohsaka.
Se tinha alguém que poderia trazer de volta à vida um dos Servos do Santo Graal, esse alguém certamente seria Rin Tohsaka, ainda mais pela ligação eterna que ela tinha com aquele Servo em especial. Nada pode ser mais forte do que o amor. “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço; porque o amor é forte como a morte; o ciúme é cruel como o Seol; a sua chama é chama de fogo, verdadeira labareda do Senhor.” ² Rin pensou nessa citação bíblica antes de começar a dizer as palavras do encantamento.
— Ariath Vreins Tark. Susdje Trein Vark. Vortens Madiarys Plumin.
Taniar Barn Fargeus. Funteous Plamb Ectanos. Exchnt Heirys Froe.
Escystus Kruz Farmn. Escystus Kruz Narzmn. Escystus Kruz Armn. ³
O circulo começou a brilhar de repente e chamas incandescentes começaram a sair dele. O encanto era tão poderoso que Rin teve que manter as mãos estendidas em direção ao pingente, que estava sugando todo a sua mana. Rin teve medo de encontrar seu fim ali mesmo, porém não desistiria, sabia que conseguiria, havia se preparado para aquilo meses antes de Shirou ir embora e anos antes de sequer preparar as coisas para o Ritual de Invocação Superior do Graal como ela denominou.
Então do meio das chamas ele surgiu, mais belo do que ela se lembrava e com a mesma expressão serena de quem não tem nada a temer ou mesmo do que se arrepender. As chamas se dissiparam e Archer abriu os olhos. Encarou Rin com um olhar surpreso. Tohsaka desfaleceu e caiu por conta do esforço que realizou para trazer o Espírito Heroico Emiya encarnado.
Archer saiu do circulo e pegou Rin em seus braços. Embora ele não soubesse, já não era mais o Servo da classe arqueiro, mas ainda tinha todos os poderes que acumulou como espírito heroico. Só não poderia se desmaterializar como antes. Com a mulher em seus braços ele a levou para a antiga casa dos Tohsaka.
Rin acordou no quarto em que costumava dormir. Ao olhar para lados e identificar onde estava viu Archer sentado em uma cadeira diante dela. Aproximando-se dela pegou em suas mãos:
— Não imaginava que encontraria você novamente Rin. Achei que tivesse desistido do Santo Graal.
— Eu nunca quis o Santo Graal Archer.
— Então, por que me invocou novamente?
— Você não sabe? Eu costumo cumprir minhas promessas.
— Como assim?
— Eu te libertei da sua maldição.
— O quê?
— Você não é mais servo do Santo Graal. Encarnastes novamente para ter a chance de viver sua vida sem arrependimentos.
— Como isso é possível?
— Descobri uma forma de te trazer de volta.
— Não foi o poder do Santo Graal que me trouxe aqui?
— Nós não fizemos nenhum pacto e não é tempo de convocação de Servos do Graal. Usei parte do conhecimento utilizado pelos Tohsaka e as outras famílias que trouxeram o Graal para este mundo. E como maga excepcional que sou – Tohsaka sorriu ao dizer isso – criei um encantamento capaz de fazer com que um Servo encarne novamente.
— O que houve com Emiya Shirou?
— Ele seguiu seus passos, mesmo eu tentando impedi-lo. Compreendi que deveria ser assim. Uma outra Rin irá traze-lo de volta assim como fiz hoje com você.
— Então... O que eu devo fazer agora? O que você espera que eu faça, Rin?
— Você não é meu Servo e nem do Graal. Deve fazer o que desejar de agora em diante. Encontrar seu próprio caminho.
— Meu próprio caminho.
— Isso, viva sem arrependimentos e viva por você mesmo.
— Obrigado Rin, muito obrigado. Ainda não consigo imaginar como você conseguiu isso.
— Não foi de graça, como todo grande encantamento exigiu-se um sacrifício.
— Meu Deus, o que você teve que dar para que eu estivesse aqui?
— Uma parte importante de mim que não posso mais recuperar, ela se foi com o Shirou que você conheceu.
— Há alguma coisa que eu possa fazer para compensar o que você perdeu?
— Vá viver sua vida e seja feliz. Você não me deve nada. Esta é a sua chance.
— Certo.
Archer que ajudou Rin a se levantar e foi preparar algo para ela comer e se recuperar. Ele ficou com ela até o amanhecer do dia seguinte. Ao romper do sol Archer parou diante do portão da casa de Tohsaka, ele se prepara para ir e conquistar o mundo que havia perdido. Antes de colocar os pés na estrada, ele se vira para olhar a mulher que deixava para trás. Sim, era mesma garota de antes só que ela havia se tornado a mulher que amou antes de se tornar um espírito heroico. Mais uma vez ela o havia salvado.
— Rin, eu estou indo.
— Eu sei. Vá fazer história, encontre o seu final feliz.
— Vou ter que aprender a pensar mais em mim mesmo de agora em diante.
— Sim, não acho que possa ser diferente.
— Sendo um pouco egoísta agora gostaria que... você fosse comigo.
— O que?
— Essa minha nova vida não terá sentido sem você.
— Você não precisa fazer isso, Archer, você está livre.
— Eu sei, mas quem me libertou foi a Rin que conheci há alguns anos atrás. Aquela menina teimosa e impulsiva que prometeu tomar conta do meu eu do passado. Ela sempre foi e sempre será a razão pela qual eu continuarei lutando. No passado meu ideal superou tudo o que eu desejava e por conta disso perdi você. Não quero viver mais nenhum dia sem que você esteja ao meu lado.
— Archer...
— Só diga que irá comigo e que me ajudará a encontrar o meu caminho sem arrependimentos para o final feliz que desejo.
— Sim, eu irei.
Ele a tomou em seus braços e a beijou como queria ter feito há muito tempo. Eles não sabiam o que os esperava lá na frente, mas sabiam que poderiam contar um com o outro para tudo. Era segunda vez que Rin usava seu pingente para salvar Emiya Shirou e ela tinha certeza que o Shirou que viveu com ela desde sua infância seria salvo por ela novamente. Enquanto houver vida haverá sempre uma chance de lutar e enquanto lutarmos haverá esperança para nossa realidade mudar.
Fale com o autor