Merveilles
2 Capítulo 2
Notas iniciais
*legenda: ********** = passagem de tempo
Eu não achei realmente que fosse fácil... Mas também não pensei que fosse tão difícil. O fato é que se passaram uns bons meses desde o "last live" de Tetsu, após meses de procura e de dores de cabeça, finalmente encontramos um cara chamado Camui Gackt. Parece ser simpático, muito educado e tem cara de pervertido. Nesse sentido, me lembra muito o Közi. Talvez por isso ele se dê tão bem com ele e com o Kami.
Mas o que me incomoda nele é o jeito como ele me olha. É como se ele pudesse saber o que estou pensando, como se pudesse transpor minha máscara, minha adorada máscara inexpressiva. E assim, absorto nos meus pensamentos, nem reparei que tinha trombado em alguém enquanto ia pegar meu carro no estacionamento.- Mana-san! Se machucou?Pisquei os olhos reconhecendo Gackt. Nossa... como ele é... alto. Pisquei mais uma vez e neguei com a cabeça. Ele sorriu.- Você nunca fala nada? — ergui uma sobrancelha.- As vezes. — ele começou a rir. Esse cara é estranho. Bom, quem sou eu pra falar alguma coisa...- Você é uma pessoa interessante, Mana-san. — e sem dizer mais nada, virou as costas e foi embora.Alguém me explica o que foi isso? Porque eu não entendi. Mas o pior de tudo é a impressão de que ele estava me esperando, afinal eu SEMPRE sou o último a sair do estúdio, e os outros três já haviam ido embora fazia tempo.Mas... Foi a primeira vez que o vi tão de perto. E... Nossa. Como ele é bonito. E atraente. E com os músculos do abdômen bem definidos pelo que eu pude sentir... Mas o que diabos eu estou pensando? Melhor ir logo pra casa, tomar um banho de água gelada.**********Mais um dia, mais um ensaio. Progredíamos bem, e isso me deixava feliz. Foi então que Közi teve uma idéia.- Gente! Tenho uma idéia! — ele disse todo contente, e eu apenas ergui as sombrancelhas, temendo qualuqer idéia que partisse do Közi.- Qual, Kokoti? — perguntou Kami, com seu ar zombeteiro.- Que tal se a gente saísse pra encher a cara?Olhei incrédulo pra Közi. Ele estava falando sério? Kami sorriu.- Por mim, tudo bem. Yu~ki?- Boa idéia. Apoiado com louvor.- Também topo! — Gackt sorria. Nossa... Que sorriso lindo... - Mana-chan? — eu já disse que odeio o Közi? Pois é. Odeio. — E aí? Vem conosco?Suspirei, analisando a proposta. Sentia o olhar dos quatro sobre mim, e acabei cedendo por fim.- Ótimo! Conheço um lugar aqui perto!Sem mais delongas, lá fomos nós num bar que Közi conhecia. Era um lugar barulhento, e isso me incomodou um pouco, mas nada que não fosse supertável. Sentamos numa mesa um pouco mais afastada, e eu tratei de me sentar no canto mais longe, o "radar anti-social" ligado.Non gosto de lugares com muitas pessoas juntas. Me é um tanto quanto asfixiante. Mas, já que estava ali, ia beber também, oras! Aceitei de bom grado o copo de sakê que me era oferecido por Kami. Közi estranhou.- Ué? Mana-chan bebendo? — dei de ombros. — Alguém tem uma máquina pra tirar foto disso? Isso é algo que acontece uma vez a cada mil anos!Os rapazes começarama rir e eu até me permiti um sorriso discreto... que não passou despercebido pelos olhos de Közi, claro.- É o apocalipse! Ele sorriu! Kami-sama...- Eu? — Kami sorria, e Közi lhe estirou a língua.- Engraçadinho.- A culpa não é minha se você me chamou.- Perdão, ó Kami-chan, deus da bateria do mal!- Tá bom, eu te perdôo, reles mortal...Até mesmo eu comecei a rir, o sakê bebido rapidamente começano a fazer efeito. Eu era fraco com bebidas. -Muito- fraco. Gackt me olhou de relance, avaliando o meu estado.- Mana-san, vai com calma.- Nããããããããão! — disse Közi do seu lado — Não seja estraga festas, Gackto-kun! Mana-chan bêbado é muito legal!Olhei bem pra cara de Közi, o desejo homicida estampado na minha cara. Mas foi esquecido por mais um copo de sakê, que eu virava com uma certa rapidez maior do que a recomendada.Assim fomos bebendo, bebendo e bebendo até esvaziarmos a quinta (ou seria sexta?) garrafa de... sakê, que depois virou whisky e por alguma razão terminou em vodka. Me sinto tonto... O chão balança...- Mana-san? Consegue se levantar? Gackt sorria para mim. Ele era imune a bebida alcóolica? Comecei a acenar afrimativamente com a cabeça, mas parei que ela rodava ainda mais quando fazia isso. Olhei ao redor, e percebi que Közi e Kami também estavam alterados. Até Yu~ki parecia fora de seu habitual.Közi e Kami se apoiavam e começaram a se retirar oscilantes. Yu~ki resmungara algo sobre pagar a conta e saiu também, deixando com Gackt a tarefa de me fazer ficar de pé. Ele se levantou e me estendeu a mão gentilmente.- Vai conseguir dirigir?Levantei-me lentamente e tentei parar no mesmo lugar, e, é óbvio, não consegui, sendo amparado pelos braços fortes do vocalista. Ele sorriu.- Acho que não... E como os outros parecem ter nos abandonado aqui, acho que eu terei de levá-lo até sua casa. — olhei bem pra ele.
- Tomara que você dirija bem. — Kami-sama.... Eu tô muito bêbado.Ele riu e me guiou até a porta, eu acho. Nossa... Eu já estou no carro dele! Desci todo o vidro e apoiei a minha cabeça na janela da porta do carro, no intuito de receber vento frio no rosto pra ver se eu melhorava um pouco.- Tá se sentindo mau?- Não. Só pensei que tomar o vento direto no rosto ajude a melhorar. — me virei para olhá-lo.- Qualquer coisa, me avise que eu paro o carro.- Hai. — voltei a me debruçar na janela.Pra ser sincero, eu não lembro do percurso. Gackt não falou mais exceto para pedir que eu indicasse em que rua virar, mas acho que eu também não seria capaz de responder alguma coisa coerentemente. Ao chegarmos no meu prédio, ele fez questão de me acompanhar até a porta do meu apartamento.- Não precisa. Eu dou conta de chegar até lá. Tem elevador, não corro risco de tropeçar na escada...- Mas mesmo assim. E se você dormir no elevador?De tanto insistir, acabei cedendo. Estava cedendo aos outros muito facilmente. Vou tentar me lembrar disso depois...A caminhada até o elevador, bem eu também não sei como cheguei no elevador, só sei que cheguei, ou melhor, chegamos. Gackt me apoiava com todo o cuidado, e na minha opinião, cuidado demais. Assim que entramos no elevador, me soltei dele e me apoiei numa das paredes do elevador, olhando meio reprovador para o vocalista.- Não precisa ter tanto cuidado. Eu não quebro. — ele sorriu.- Eu sei que não. Mas é bom ter cuidado. — ergui uma sombrancelha.- Cuidado demais estraga.- Boa observação.Ele não entendeu ou se fez de desentendido? Nunca saberei. O fato é que, mesmo bêbado, eu consigo notar algo de diferente no olhar dele...- Por que você me olha assim? — ele ergueu uma sombrancelha.- Assim como?- Desse jeito... sei lá. Diferente. — ele sorriu mais uma vez. Esse cara só sorri?- Isso te incomoda?Ponderei sobre a questão, mas não tive tempo de responder, já que o elevador se abria já no meu andar. Fui caminhando até a porta, oscilante, até eu tropeçar e ser novamente amparado por Gackt.Ele estava tão perto... E minha cabeça não parava de rodar. Ele está mais perto... mais perto... Meu deus, o que ele vai fazer? Não, ele não se atrev---Quando percebi, meu lábios eram roçados por outros, e sem querer, os meus acabaram se abrindo numa tentativa fracassada de dizer algo em protesto. Senti a língua quente do vocalista explorando a minha boca, e não sei se por efeito do álcool ou se porquê eu inconscientemente desejava aquilo, me vi respondendo com igual desejo ao beijo que me fora imposto.Recobrei (uma parte) da minha consciência quando nos separando, levando alguns segundos para processar o acontecido. Empurrei Gackt de volta ao elevador, batendo com força a porta deste. Ainda vislumbrei o sorriso do vocalista antes de fechar a porta.Destranquei a porta do meu apartamento e a abri com violência, fechando-a com estrondo. Acho que caminhei até meu quarto, para desabar na cama. Pensaria no ocorrido no dia seguinte, e só depois de curar minha ressaca.
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