Merry Christmas - Thalico
3 Ping Pong Blue - Eu te amo
Notas iniciais

Era natal, as ruas de Nova York estavam iluminadas e todos estavam felizes. Menos eu.
Mais uma lágrima escorreu pelo meu rosto, não seria a última. Há seis meses eu venho nesse maldito hospital todos os dias, ver a mulher da minha vida, que por minha causa estava em coma.
Há seis meses eu a trai por uma falha, uma fraqueza. Como sempre, eu não fui forte o suficiente para resistir às tentações.
Em um trabalho de colégio com uma lider de torcida na minha casa, nós ficamos. Bem na hora que a Thalia estava entrando, ela viu, mas não era a minha intenção. Só lembro de seus olhos azuis-elétricos, que sempre estavam sorrindo, repletos de lágrimas. Ela correu. Correu como eu nunca a vi correr — nem mesmo quando estávamos fugindo da polícia depois de um racha — , saiu pela porta de casa e atravessou a rua limpando os olhos, sem ver nada. Um carro em alta velocidade a atropelou. Eu via apenas sangue e seu corpo jogado no chão, quase desfalecido. Em sua mão estava uma foto. A nossa única foto. A foto que eu levava comigo a todo e qualquer lugar desde aquele dia.
Se eu tivesse pensado nela, na minha Thalia, talvez hoje ela não estivesse nessa cama de hospital, talvez eu não a tivesse feito sofrer, talvez ela não tivesse que ter passado o seu aniversário aqui, e pudesse passar o natal em nossa casa, talvez eu a pudesse beijar e ela retribuir, eu poderia ver seus olhos azuis, e seu sorriso, mas eu fui egoísta de mais para pensar nela.
E ninguém sabe como eu me arrependo por isso. Pois a cada dia que eu venho aqui um sentimento de culpa me toma conta. Fui eu que causei tudo isso.
Eu sentia falta de seus olhos, seu sorriso, seu corpo, seus cabelos, de sua paixão pelos animais, de dormir com ela, dos seus gritos, do modo como ela se maquiava ou ficava irritada no trânsito, de suas caretas estranhas quando lia, e do jeito que só ela tinha na cozinha, tinha falta de como nossos corpos se encaixavam, e de como ela tinha que ficar na ponta dos pés para me beijar, de suas pequenas mãos fazendo cafuné em mim, e também de como ela ficava sexy nas minhas blusas, do amor platônico dela pelo Andy Biersack, e da sua voz me dizendo que ficaria tudo bem, de como ela arrumava a casa cantando e dançando. Sinto falta até dos seus dias em TPM e do seu cheiro de morango, que eu espero que ela ainda tenha. Sinto falta de quando ela ria por coisas bobas, de quando ela decorava as falas dos filmes preferidos. Do seu "Quem perder no video game lava a louça!", dos apelidos, músicas, do jeito que só ela sabia tocar guitarra, de como ela balançava os pés quando estava nervosa, e de como ela ficou feliz quando achamos que ela estava grávida, mas no final ela não estava, o que resultou em vários dias deitada em meus braços, pois mesmo com apenas dezessete anos, ela sempre sonhou em ter filhos. Tenho falta das nossas brigas, porque cinco minutos depois nós já estamos reconciliados. Falta do seu amor pelo céu noturno, e até de como ela dizia que o professor de música era "quente". Do seu ódio por filosofia, e da vez que ela teve que ser lider de torcida por um mês por colocar pó de mico da roupa da treinadora feminina. Sinto falta simplesmente dela por completo.
Sinto falta das coisas mais bobas que alguém poderia sentir falta, mas vindo da Thalia é impossível não sentir. Porque eu a amo.
Lembro-me do dia em que nos conhecemos. Era dia de natal e eu estava no Central Park andando de skate, quando vi uma garota de cabelos negros e olhos azuis comprando um sorvete, ela era linda, eu a olhava tão fixamente que acabei tropeçando e caindo. A menina — que mais tarde eu descobri chamar Thalia — começou a rir e veio me ajudar, então nos tornamos amigos. Dois dias depois eu descobri que ela estudava na mesma escola que eu. Então nos tornamos melhores amigos e logo depois namorados. Devíamos ter por volta de dez anos quando nos conhecemos, e eu fiquei tanto tempo ao seu lado, não seria agora que eu a deixaria.
Eu ficaria do lado dela até o último dia, não iria para a faculdade se preciso.
Simplesmente porque eu amo Thalia Grace. E quando ela acordasse, isso seria a primeira coisa que eu a diria.
Limpo as lágrimas que caiam do meu olho e me levanto para ver seu rosto mais de perto.
Mesmo meio pálida, com seus cabelos sem vida, e os lábios não tão vermelhos quanto de costume, e as sardinhas que eu tanto amo quase sumidas, ela está linda.
Passo minhas mãos com cuidado em suas bochechas, como se ela fosse de porcelana e pudesse quebrar a qualquer momento, pois pra mim ela era assim. Dou um beijo em seus lábios. Foi como se tudo passasse, como se todos os problemas sumissem, porque ela retribuiu.
Thalia havia acordado do coma.
– Eu te amo, Thalia. — falei com lágrimas nos olhos, e me afastei para olha-la.
– Eu também te amo, Nico. — ela abriu os olhos e sorriu.
Então ela simplesmente me abraçou e colocou sua cabeça na curva do meu pescoço — ela ainda tem cheiro de morangos — e eu retribui.
– Nico — ela fungou — não me deixe mais.
– Eu te amo, pequena. Não te deixaria nem que me pedisse.
Porque eu amo Thalia Grace. E Thalia Grace me ama.
E nada nesse mundo irá nos separar novamente.
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