Mercy
4 Capitulo 3 - "Não importa que você caía do salto, desde que ele seja o mais bonito e caro da festa"
Eu prometi pra mim mesma que não criaria expectativas pra sexta, mas é impossível, lá estava eu procurando vestidos e apliques para arrasar na festa. Fui em várias lojas, olhei de tudo um pouco, vesti mais de vinte vestidos, experimentei mais de dez sapatos, gastei uns 200 dólares em maquiagem no cartão do meu padrasto e só depois de rodar a cidade inteira ( que não era muito grande) encontrar o vestido perfeito, o sapato perfeito e o aplique mais bem feito da loja da Dolores,finalmente eu pude ir pra casa satisfeita.
Rachel me ligou pra perguntar se poderia dormir na minha casa depois da festa e eu obviamente deixei, eu adorava quando ela dormia lá, ficávamos conversando até o dia raiar e riamos muito.
A semana passou se arrastando, mas finalmente chegou a sexta-feira mais aguardada dos últimos dois meses. As 7 fui para o SPA da mãe da Yolanda, fiz a sobrancelha, coloquei os apliques, fiz uma limpeza de pele perfeita e me senti um bebe recém nascido de tão macia que estava. Comecei a me arrumar as 9:30 PM e por incrível que pareça, levei apenas uma hora pra ficar pronta. Rachel buzinava desesperadamente em frente a minha casa e minha mãe berrava pedindo que ela parasse.
—Você vem pra casa hoje? – minha mãe perguntou
—Sim, e Rachel também.
—Filha, não tem como você dormir na casa de uma colega hoje?
—Por que?
—Eu e o seu padrasto precisamos resolver algumas coisas na cidade vizinha e você sabe que não gosto de deixar você sozinha aqui durante a noite.
—Ta bem, vou arrumar um casulo – brinquei e em seguida dei um beijo em sua bochecha.
Entrei no carro aconchegante de Rachel, pude ouvir a musica “Bad and boujee” dos Migos tocando de longe.
—Hoje você só sai de lá carregada – riu
—Pisa nessa porra de acelerador – falei e ela obedeceu
—Pra quem você vai dar hoje?
—Hoje eu vou distribuir – ri alto, adorava fazer essas brincadeirinhas de duplo sentido.
Em menos de 20 minutos chegamos a esquina da casa de Dan, e mesmo dali podíamos ouvir os gritos histéricos das menininhas, a musica alta, pessoas correndo pelo meio da rua. Sorri pra Rachel e ela sorriu de volta. Ia dar merda!!!!!
Chegamos, entregamos as garrafas de cerveja para o Vampiro e fomos direto para o quintal da casa, que era onde todos estavam dançando, bebendo, se drogando, se beijando...
Noah estava sentado numa cadeira rodeado de garotas e Peter estava ao lado, mas sem garota nenhuma. Dangerous estava usando cocaína na sala junto de Yolanda, Julie e Jane. Eu e Rachel pegamos algumas bebidas e fomos para a pista de dança improvisada.
O tempo passava e as pessoas iam ficando cada hora mais loucas e mais sem noção, eu podia perceber que estava ficando bêbada mas não queria parar, a sensação era ótima, eu podia me soltar, fazer varias merdas e no dia seguinte por a culpa na bebida, tem algo melhor que isso?
Rachel do nada sumiu então o que me restou foi ficar junto de Yolanda, Julie e Jane que já estavam pra lá de bêbadas e fazendo umas dancinhas muito estranhas.
—Viu o Noah? – Julie pergutou
—Não – respondi e voltei a tomar meu drink
—Ele sumiu a festa toda – olhou para dentro da casa com preocupação
—Calma, amiga, ele deve estar no quarto comendo umas bucetas – Jane falou
—Nem brinca com isso – Julie respondeu ainda mais séria.
Aquela conversa estava mais chata do que as aulas de biologia, entrei pra sala e me sentei no sofá bem tranqüila tomando meu uísque com bastante gelo. Fechei os olhos por um segundo e ainda senti tudo girar. Merda, eu estava bêbada de verdade e isso era pior do que cocaína, pois eu tinha vontade de vomitar e eu odeio vomitar. Senti alguém se sentar ao meu lado, mas parecia ser um esforço tão grande abrir os olhos.
—Vai dormir no ponto hein – eu reconhecia aquela voz rouca e sexy de longe. Bruce.
—O que? – cheguei mais perto ainda de olhos fechados.
—Sempre cheirosa, você não decepciona – pude sentir sua respiração pesada cada vez mais perto.
—Ai, Bruce, é você – me fiz de desentendida
—Bruce não, correção: amor da sua vida – riu
—Ata – falei em tom de ironia
—Apenas um beijinho, princesinha da Califórnia – sorri
—Como sabe desse apelido?
—Eu gosto de você, Crys... é sério, te acho engraçada... – ele fugiu totalmente da pergunta.
—Só um beijinho – ele colocou a mão em minha nuca, beijou meu pescoço e finalmente me beijou. Que beijo!!!! Eu odeio o fato dele ser gato e ainda beijar bem pra caramba, pena que é um babaca, porque tinha de tudo pra ser o amor da minha vida. Meu Deus, viajei agora.
As coisas foram esquentando, ele sussurrava algo em meu ouvido mas eu estava bêbada demais pra entender. Senti ele me levantando e me guiando até a escada, quando fui perceber estava deitada numa cama bagunçada fedendo a cigarro barato. Estava tudo girando e a vontade de vomitar só aumentava.
—Quero te comer – sussurrou, mas desta vez eu entendi
—Não – falei baixo
—Atiçou agora agüenta.
Noah P.O.V
Eu estava pronto pra transar, meu Deus, eu nunca tinha conseguido alguém pra comer tão facilmente em toda minha vida, fui até o andar debaixo pegar uma bebida e quando voltei a porta do quarto estava trancada. Merda, alguém deve ter entrado lá enquanto desci. Me sentei no corredor esperando que a garota voltasse pra avisa-la que teríamos que ir para o banheiro ou em outro quarto.
Antes que ela chegasse, pude ouvir um choro baixo, encostei o ouvido na porta e reconheci a voz do Bruce, não precisei nem pensar muito pra saber que ele estava fazendo alguma merda daquelas bem grande.
—Abre ai – pedi
—Quem é? – ele perguntou afobado
—Abre o caralho da porta, Bruce – ele abriu e pude ver Crystal deitada, totalmente nua e bêbada.
—Vai querer filmar de novo? – deu um sorriso de lado
—Cala a porra da boca, seu otário – por impulso dei um soco em seu rosto fazendo com que ele caísse no chão.
—Quero minha casa – ela falou com a voz tremula. Ta certo, eu a odiava mas se não a tirasse dali naquela hora, com certeza a consciência ia pesar pra caralho quando eu fosse dormir. Fui até ela e a vesti.
—Não encosta nela – Bruce me puxava
—Não encoste em mim – falei
—Não encoste nele – ela abriu os olhos rapidamente mas voltou a fecha-los.
A peguei no colo e desci as escadas por mais difícil que fosse, logo Vampiro apareceu e me ajudou a coloca-la dentro do carro. Eu amava aquele moleque.
—Onde está a amiga dela? – perguntou
—Não sei, cara – respondi preocupado
—Ei, Crys...onde você mora – perguntou delicado
—Eu...eu não sei...
—Burrice a nossa perguntar o caminho de casa pra uma bêbada – falei
—Leva ela pra sua casa – ele enlouqueceu
—Tá maluco? Usou quantos quilos de cocaína hoje?
—Noah, vamos deixar a garota aonde? Esquece essa raiva que tu tem dela só por uma noite – eu odiava o jeito que o Vampiro fazia me parecer filho da puta se não fizesse o que ele estava aconselhando. Assenti com a cabeça e fechei a porta do carro. Durante o caminho ela vomitou duas vezes e eu só pensava em como eu tinha vontade de dar pelo menos uns três socos nela só pra descontar a minha raiva.
(coloque pra tocar https://www.youtube.com/watch?v=TQ5DUv_ZwRg)
Cheguei em casa e tentei fazer o mínimo barulho possível, já que meu pai estava de folga, eu não queria acordar ele no único dia que podia descansar até mais tarde. O relógio marcava 5:30 AM, merda, eu tinha um compromisso no sábado e ainda nem tinha cochilado ou comido alguma coisa.
Crystal estava toda vomitada, mas eu pensei mil vezes antes de decidir dar banho nela. Tirei o vestido preto de seu corpo, tentei olhar para outro lugar do quarto, mas porra, eu sou homem, ver mulher pelada me deixava excitado demais, mesmo que essa mulher fosse ela e eu detestava admitir, mas que ela era gostosinha, ah, ela era muito!
A coloquei debaixo do chuveiro com água gelada e ela finalmente despertou, como quem tivesse despertado de um transe, molhei seu rosto devagar, passei a esponja por seu corpo vagarosamente e por um momento não acreditei que estava fazendo aquilo. Vê-la ali, tão vulnerável me fez não sentir mais nada, todo aquele ódio se amenizou até se tornar indiferença. Eu estava arrependido pelo o que tinha feito com, sério, a consciência pesou tanto que parece que toda aquela raiva que eu sentia por ela voltou em dobro pra mim.
—Me desculpa – falei baixo mesmo sabendo que ela não daria a mínima. A vesti com uma blusa minha bem grande e a deitei em minha cama. Não, eu não dormi, fiquei sentado na minha poltrona de couro marrom que ficava de frente pra cama. Eu a observava dormir, parecia uma criança, toda encolhida, pude perceber que estava com frio então peguei um cobertor e coloquei por cima dela. Cochilei umas duas ou três vezes até que ela acordasse ainda um pouco bêbada.
—Que isso – perguntou sonolenta
—Minha casa – respondi com cara de poucos amigos
—Por que eu to na tua casa?
—Porque você ficou super bêbada ontem e não quis me dizer onde morava, mas pode deixar que da próxima vez te deixo na rua.
—Onde estava a Rachel?
—Se eu soubesse teria te deixado com ela.
—Cadê minha roupa? Foi você que me trocou? – assenti com a cabeça e a entreguei seu vestido.
—Ele está sujo de vomito
—Ai meu Deus...
—Pode ficar com a minha blusa – falei e ela olhou espantada
—Obrigada – falou docemente e foi embora.
Crystal P.O.V
Ah, que merda era essa? Acordei com uma dor de cabeça horrível e na casa do NOAH. Pelo amor de Deus, o que eu tinha feito na noite passada? Saí do quarto dele sem ao menos perguntar se havia acontecido algo de errado comigo, minha enxaqueca já era auto-explicativa. Eu fiquei com medo de chegar em casa e ver algum vídeo meu vomitando, ou nua andando pela rua viralizando no twitter.
Saí do quarto de Noah e dei de cara com o pai dele, o xerife da cidade, eu morria de medo daquele homem, tinha uma cara fechada.
—Oi
—Olá – respondi tremula
—Não vai tomar café antes de ir pra casa?
—Não, minha mãe está me esperando
—Onde você e meu filho foram ontem?
—Ahn... jantar – falei a primeira palavra que veio a minha cabeça
—A comida te fez mal? Vomitou o carro inteirinho...
—Sou alérgica a camarão – dei uma risada sem humor e saí pela porta dos fundos mesmo.
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