Mercy

16 Capítulo 15


Notas iniciais
Olá meus amores, esse é um capítulo longo e cheio de pequenos detalhes que vão completar o próximo. Espero que gostem ♥

"Eu nunca me apaixonei por você, porque eu te amei de imediato." ~Alguém aí.

17 de fevereiro

Evanston, Illinois

Ainda não havia amanhecido quando Dean terminou de colocar a ultima mochila no porta malas que era justamente a da Nuria que continha a pedra e o livro, por coincidência era a mesma mala que a morena carregava na primeira vez que eles haviam se visto. E ele se lembrava bem daquele dia, foi a primeira vez que os seus lindos olhos verdes se encontraram com os olhos castanhos de pavor da morena; naquele momento antes mesmo que ela usasse os poderes Dean soube que ela era diferente.

Ele voltou para a realidade quando viu Sam trazendo ela em seus braços, ele carregava ela com admiração, na verdade tudo que era em relação à ela depois de ontem quando tudo relacionado com a pedra foi resolvido através dela; o sol já estava nascendo quando conseguiram finalmente se arrumar na baby e seguir o caminho até o Bunker.

Por pedidos do Samuel que parecia ser a única pessoa com a melhor cabeça ali, Dean permitiu que ele fosse dirigindo para casa enquanto que o loiro ia ao seu lado, tentando olhar disfarçadamente pra Nuria que ainda dormia no banco de trás do impala a cada cinco minutos.
O carro ficou silencioso durante todo o caminho que eles já tinham percorrido da viagem, as únicas coisas que ali eram ouvidas eram as respirações fracas e o motor potente do Impala 67 e ao fundo uma das velhas fitas do loiro que um dia pertenceram ao seu pai; Nuria continuava em seu quase coma mas ainda demonstrava estar em paz enquanto que Dean permanecia tentando não ficar encarando ela pelo canto do olhos, e disfarçar o seu incômodo pela conversa que teve com a Amara na noite anterior que ainda passava pela sua cabeça de forma que não parecia acabar nunca, enquanto que Sam se mantinha concentrado na estrada e em tentar deixar o seu irmão o mais confortável que fosse possível com toda aquela situação que haviam entrado.

Faltava muito ainda para finalmente chegarem no Bunker mas a barriga do Dean roncando e a luz do carro indicando que já estava na hora de abastecer novamente, e como se fosse mágica eles encontraram um posto com uma conveniência estranhamente grande e vazio com exceção de um outro carro que parecia ter chegado a pouco tempo.

Sam estacionou ali e saiu do carro indo até a bomba mais próxima colocando a mesma para começar a encher o tanque e no mesmo momento Dean saiu do carro parando ao lado da janela dos fundos olhando com atenção a Nuria tentando ver se ela estava bem e se iria continuar dormindo.

— Tudo bem, vai lá, pega alguma coisa pra gente comer eu fico aqui olhando ela. -Sam falou vendo a forma que o loiro estava olhando para a morena.

— Tem certeza? Porque olha, eu posso ficar aqui e você vai lá. -Dean tentou mas assim que começou a falar recebeu o olhar raivoso do Sam o que indicava que ele não tinha escolha além de ir até a conveniência e ficar observando de longe.

E como se tudo tivesse fugido do controle que talvez eles nunca tiveram, mas no mesmo momento em que Dean entrou na loja três pessoas surgiram lá dentro trancando as portas e apontando armas para o mesmo enquanto que no lado de fora dois carros cercaram o impala mais três pessoas apontavam armas para o Sam enquanto que outras duas tiravam a Nuria de dentro do carro e colocavam dentro de outro logo saindo dali mas antes que o loiro pudesse tentar fazer alguma coisa os olhos de uma das pessoas que estavam com ele ficou todo preto e enquanto ia em direção ao chão por conta de uma coronhada na cabeça viu seu irmão tendo o mesmo destino.

Já fazia quase sete horas que Nuria estava amarrada em uma cadeira dentro de uma gaiola de ferro em um porão escuro sem janela com apenas uma porta antiga também de ferro o que indicava que era um lugar antigo e abandonado. Ela acordou como quem acordava mais uma vez de um pesadelo com o anjo que não queria ela viva, mas que todas as vezes que acontecia de um jeito ou de outro acabava salvando a sua vida.

Ela olhou atentamente em volta vendo que não estava mais no motel em que tinha acordado em Evanston e muito menos no local em que sonhou, era pequeno e estar sentada ali pelo que imaginava a muito tempo aumentava as suas dores no corpo; e ao olhar para baixo viu que também não estava mais com as mesmas roupas e agora com outras, estava presa por algemas e correntes em uma cadeira também velha.

Ficar sentada por horas a fio em um lugar desconhecido nunca foi e nem nunca seria a melhor coisa que ela gostava de fazer.

Nuria estava acordada a pouco tempo mas já era o suficiente para se cansar de ficar ali sentada, ela sentia o corpo doendo mas ainda sim se sentia com os seus poderes chegando no ápice deles sem nenhum pentagrama em baixo dela ela se viu diante de um problema que poderia ser mais estúpido do que ela esperava; pessoas que ela não conheciam estavam atrás dela mas nem ao menos sabiam do que ela era capaz de fazer o que indicava que tudo que estava para acontecer era um grande mistério.
A porta de ferro foi aberta permitindo que o mesmo homem que ela viu dias atrás na lanchonete, o mesmo homem que atacou Dean e Sam naquele dia e se não fosse pela morena talvez tivesse matado os dois, Nuria conhecia ele como Rei do inferno mas Crowley era muito mais; ele andava como quem sabia que podia governar o mundo era o andar de quem já tinha planos para a morena, que ao seus olhos era apenas mais uma garota sem importância que Dean Winchester estava protegendo, era a chance perfeita para torturar a menina e descobrir tudo que vinha acontecendo com aquela família.

— Vamos lá garotinha idiota e cheia de coragem, agora você não tem Samuel Winchester para te proteger. -ele falou parando do lado de fora da gaiola mas dois homens que ela logo identificou como demônios entraram junto com ela.

— Vamos lá, velho sem idéias próprias na cabeça; o que você quer de mim? -ela começou falando irônica mas logo se tornou séria com pressa de terminar logo e ir para casa.

Nuria nunca foi o modelo de pessoa grande amor a sua vida, em sua infância não foram poucas as vezes que seu pai ou seu tio Bobby tiveram que correr para tirar a mesma de situações que poderiam causar a sua morte, e conforme a garoto começou a crescer precisou passar por mais um momento se quase morte para entender que deveria se amar mais. Porém naquele momento cansada demais para ter papas na língua, a morena estava sendo ela mesmo, aquela que não tinha medo de morrer ou de ser ela até o seu fim.

— Eu quero saber o que Dean e Sam Winchester estavam fazendo em Evanston, não precisa ter pressa, eu sei muito bem que temos todo o tempo do mundo. -Crowley falou sorrindo e com um sinal um dos demônios se aproximou da morena, muito mais perto do que ela gostaria.

A respiração gelado em seu ouvido causava arrepios que faziam com que por segundos sua vida passasse em frente ao seu rosto e mostrasse o quanto ela ainda tinha coisas para fazer, o demônio que já estava muito apertou firme o pescoço da morena tirando todo o seu ar enquanto que ao mesmo tempo o outro socava as suas costelas já doloridas e marcadas dificultando as suas falhas tentativas de levar mais ar até os seus pulmões; os dois demônios não tinham piedade mas ainda sim Nuria se manteve firme, nenhuma lágrima foi derramada mas as suas costelas queimavam e doíam de um jeito que ela nunca havia sentido e ainda sim ela se mantinha em silêncio.
— Parece que você é mais difícil de tirar informações do que esperávamos, então que tal uma coisa mais afiada. -Crowley falou pegando uma faça e entrando ele mesmo na gaiola.
— Eu não vou falar nada. -a garota sussurrou sentindo a boca seca como se não sentisse a água em seus lábios a muito tempo, ela nem ao menos levantou a cabeça quando o rei do inferno parou em sua frente.
Ele começou a andar em volta dela, analisando tentando ver o que ela tinha de tão especial para fazer com que os Winchester protegesse ela com as suas vidas e até mesmo levaram ela para as caçadas junto com eles; Nuria sentiu ele atrás de sua cadeira e a ponta da faca em suas costas, e ao prender a respiração esperando pelo corta nada veio, mas ao respirar fundo em sinal de alívio sentiu a faca perfurando o seu braços próximo ao ombro, o grito da morena foi ouvido por todos dentro daquele lugar em que escondiam ela.
— Vamos lá, chore como uma criancinha, grite pelos seus pais e quem sabe alguém venha te ajudar. -Crowley falou rindo e parando na frente da morena mas ao ver o sorriso em meio aos olhos com lágrimas dela o seu morreu.
— Você não vai querer que eu chame os meus pais. -ela respondeu inclinando a cabeça para a esquerda fazendo cair alguns fios do seu cabelo em seu rosto, cobrindo um dos seus lindos olhos castanhos deixando Nuria ainda mais misteriosa do que já era.
— Quem é você? -Crowley perguntou segurando com mais firmeza a faca que pingava o sangue da morena.
— Descubra você mesmo, afinal você não é o rei do inferno. -ela afirmou irônica e tentou não demonstrar dor ao sentir um dos demônios apertando suas costelas.
Em seus olhos se formaram mais lágrimas do que ela achou que fosse sentir, e ainda que continuasse em silêncio sabia que uma hora suas respostas irônicas não seriam o suficiente para mantê la viva; os demônios iriam torturar ela até não sobrar mais nenhum resquício de humanidade e sanidade, somente depois disso talvez iria matar ela em um momento de misericórdia.

Dean despertou se sentando rápido, sentindo a lateral da sua cabeça doendo e era exatamente onde tinha levado a coronhada e olhando em volta viu que ainda estava no posto de gasolina e sua arma estava jogada próximo a sua mão fazendo ele se lembrar do que havia acontecido antes dele adormecer; olhou para fora vendo o impala com as portas abertas, interior vazio e um corpo no chão fazendo o mesmo levantar rapidamente pegando sua arma e correr até o seu carro encontrando Sam começando a acordar e o mesmo tinha um pequeno corte que sangrava na testa.
— Espero que você não precise de pontos, da última vez achei que fosse me matar com o olhar. -Dean falou se ajoelhando em frente ao seu irmão que ainda estava sentado afastando o cabelo que caia em cima do pequeno ferimento que ainda sangrava.
— Eu vou ficar bem, mas agora precisamos achar a Nuria, que já sabemos que está com o Crowley. -Samuel falou se levantando com a ajuda do loiro e soltando o carro da bomba enquanto que o outro olhava no banco de trás vendo que a mala da Nuria que ainda estava ali.
A mala não tinha nem ao menos sido aberta ou tocada, e ao abrir ela se deparou com o livro do Caladriel que ainda estava ali mas a pedra não o que fez que ele se desse conta que ela ainda deveria estar com a Nuria; e a morena com uma arma tão poderosa quanto a pedra estava se mostrando ser e as lendas diziam, poderia estar em mais perigo do que eles imaginavam.

— O livro do Caladriel ainda está aqui, mas a pedra tá com a Nuria então temos que achar ela logo ou talvez não vamos achar nunca mais. -Dean falou fechando tudo e entrando no banco do motorista com seu irmão entrando ao seu lado.
— Vamos achar ela, mas a melhor chance que temos já que estamos sem pista, a gente não sabe quanto tempo faz que eles estão com a Nuria precisamos começar a pensar em agir em emergência. -Sam falou e ao olhar para o irmão viu que chamar a Amara novamente não era uma opção.

Para Dean ter que chamar novamente a Amara, sem nem ao menos ter se passado vinte e quatro da última vez era como pegar a sua mente e costurar junto com o seu coração arrancado do peito era isso que ele sentia cada vez que tinha que passar por cima do seu orgulho; e naquele momento ele preferia ter que rezar para Deus ajudar com a Nuria do que ter que chamar a Escuridão e assumir mais uma vez que não tinha conseguido proteger a morena sozinho e precisava da sua ajuda para mantê la viva.
— Não podemos chamar a Amara, como não estamos muito longe do bunker vamos seguir viagem e quando chegar lá começamos a outra parte do plano. -Dean falou saindo do posto e antes mesmo de sair para muito longe do posto avistou uma placa dizendo que em poucas horas estaria no Kansas.
— Como podemos ter certeza de que ela ainda vai estar bem quando chegarmos em casa? -Sam perguntou passando o sinto ao ver que o irmão estava muito mais rápido do que era acostumado.
— Temos que acreditar que ela vai ficar bem até que possamos ir atrás dela. -Dean falou mantendo em sua mente que o resgate da Nuria feito por eles era a prioridade.

Ter o seu braço perfurado por uma faca enquanto se está algemada em uma cadeira e dentro de uma gaiola, com as suas costelas que antes já estavam quebradas agora parecia que não passava de pó e nem ao menos doía mais depois de tanto sofrimento. A sua dor já estava além do que sentia em cada parte do seu corpo e estava começando a entrar em sua mente, o seu último grito ecoava em sua mente e causava arrepio em seu corpo.
Crowley estava parado em sua frente em silêncio observando a morena que também estava em silêncio, ele imaginava que ela sentia medo dele mas na realidade ela apenas estava fugindo para a sua mais nova memória favorita; ela estava novamente naquele lago junto com a Amara e escutava repetidamente a voz dela em sua mente.
"Tudo bem você não me perdoar, só me deixe te ajudar."
"Eu me preocupo com você e estou aqui agora, você não está sozinha."
Por mais que não quisesse admitir ela estava se agarrando na voz da Amara como se ela fosse um bote em meio a uma grande tempestade para te salvar mesmo que bem na fundo ela ainda achasse que aquela que dia ser sua mãe iria afundar nessa tempestade e iria levar ela junto.
— Me cansei disso, quero ver o quanto você aguenta até começar a chorar. -Crowley falou irritado atraindo a atenção da Nuria somente para ele e quando ela ainda se mostrou sorrindo de forma irônica.
— Vamos ver. -a morena resmungou de volta sentindo a faca penetrando novamente no mesmo braço mas não no mesmo lugar.
Ela queria gritar mas sabia que não podia, ela queria sair dali mas sabia que sem saber exatamente o que o inferno queria com ela seria arriscado mostrar seus poderes; Nuria se viu ali com dor e pensando em um ditado que a muito tempo escutou um senhor falar em uma das academia de ballet que tinha frequentado, "você está entre a cruz ea espada".
Somente o braço já perfurado em dois lugares não era o suficiente para uma pessoa com tanto rancor e dúvidas guardado dentro de si, Crowley queria mostrar para a ela que estava no controle de tudo que acontecia à sua volta, e a cada novo corte que ele fazia no braço dela enquanto que ia lentamente saindo de sua frente e parando atrás dela onde ela não tinha não nenhum controle, ele demonstrava que queria ser muito melhor que ela.
— Vou perguntar mais uma vez, o que você e os Winchester foram buscar em Evanston? -ele perguntou fazendo a voz calma mas a garota sentia a faca encostada em suas costelas e a sua outra mão que estava livre segurava com firmeza em um dos machucados já feitos.
— Eu já falei que não vou falar nada, se quisesse mesmo saber deveria ter pegado um deles. -ela respondeu olhando em volta e vendo que agora estava sozinha com o rei do inferno.
— Por que pegar um Winchester quando eu tenho você? -ele respondeu baixo e do que Nuria conseguia ver da posição que estava percebeu que ele estava se abaixando atrás dela, só então fazendo ela se dar conta de que não estava sozinha.

A pedra do cajado, a pedra que havia feito ela e os meninos viajaram durante horas, havia causado diversos problemas, a mesma pedra que fez com que ela entrasse em um surto e depois tirou ela dele, Nuria se lembrava da Amara falando em seu sonho que somente ela poderia ficar com pedra; então Crowley colocar as mãos nela está lava totalmente fora de questão a partir do momento que poderia ser contra a sua vida.
— Eu sei que você já teve um convívio com Sam e Dean e até sei que você ajudou eles a libertarem a Escuridão, então porque acabou a amizade entre vocês? -a morena era esperta e sabia que a melhor forma de se manter viva por mais tempo além do dia em que estava vivendo era saber qual era o plano do inferno.
— Você não sabe do que está falando. -o rei falou com a voz entrecortada como se aquele assunto fosse proibido, e assim que a Nuria sentiu um tapa em sua bochecha direita fazendo a sua cabeça até mesmo se inclinar para o outro lado já sabia o que tinha que ser feito.
— Eu já sei, você se apaixonou pelo Dean né? Está bem claro, você devia disfarçar melhor. -ela respondeu rindo mesmo com o tapa.
— CALA A SUA BOCA. -ele gritou de volta ainda escutando a morena rir e mais uma vez desferiu um tapa só que mais forte no rosto da garota.
— O que que tem, não está gostando desse assunto? Porque eu estou, afinal, a única pessoa nessa gaiola que ninguém consegue amar é você. -Nuria falou séria sorrindo irônica pra ele, um sorria que atingia até mesmo seus olhos.
No tempo em que ela ficou em meio aos Winchester aprendeu uma coisa, a sempre guardar o seu lado sombrio porque ele pode ser mortal mas ali sendo maldosa, brincando com a mente de outro ser se deu conta do quanto aquilo era bom. Não importava se estava magoando o Crowley, ela só queria ver ele sofre, e o sofrimento dele foi sentido por ela quando ele usou toda sua raiva para dar um soco em seu rosto; o resultado do soco já era nítido agora mas a morena sabia que se sobrevivesse iria ficar ainda pior mas ali em frente ao seu tortura somente fez rir.
— Você não sabe do que está falando, eu não preciso de amor. -ele falou já em seu tom normal mas apertava a faca em sua mão com muito mais força do que era necessário.
— Isso é conversa de quem nunca foi amado. Nunca conheci a sua mãe mas já ouvi falar que ela odiava você desde sempre, é difícil não entender ela afinal você é tão repugnante quanto a peste negra. -ela continuou firme nesse assunto vendo que tinha acabado de achar o ponto fraco do seu oponente.
— Eu não vou ficar aqui escutando mentiras de uma humana que está algemada e amarrada em uma cadeira. -ele falou já se virando para sair mas antes mesmo que saísse da gaiola voltou ficando com o rosto a poucos centímetros do dela.
E surpreendendo até mesmo ele sem nem ao menos duvidar do que iria fazer, ele segurou a faca com firmeza e com precisão começou a fazer um corte na bochecha da Nuria; era um corte fundo o suficiente para sangrar mas não fundo o suficiente para precisar levar pontos.
— Agora que você talvez perca esse rostinho bonito, quero ver quem vai te amar. -foram as últimas palavras dele antes de sair dali deixando ela sozinha.
O seu momento de solidão durou exata uma hora, uma hora que foi muito bem utilizada para montar uma rota de fuga com tranquilidade mesmo que no fundo ela rezasse para que o Dean entrasse a qualquer momento naquele lugar e levasse ela dali. Dois demônios entraram ali sendo seguidos por Crowley que ainda permanecia com a mesma expressão da última vez que esteve na cela, era a expressão de quem não estava feliz e seria capaz de fazer se tudo para ter vingança do que tinha passado, e talvez naquele momento ela sentiu medo pelo que iria acontecer a seguir.
— Vou te dar a chance de pedir perdão e começar a falar, ou vai sofrer as consequências. -ele falou parado na porta enquanto um dos demônios soltava as mãos dela e o outro seus pés.
No momento seguinte ela se viu pendurada pelos braços e sentiu novamente toda aquela dor desde que chegou ali estava escondendo, a dor havia voltado com tudo e a Nuria se viu pronta para chorar.
— E eu vou te dar a chance de confessar o seu amor pelo Dean, eu sei que ele não sente o mesmo mas ainda sim gostaria de ver a cara dele quando eu contar isso. -provocar era sempre a melhor chance que ela tinha de ganhar tempo, ela não sabia se tinha forças para fugir e não podia deixar que a pedra caísse nas mãos de demônios.
— Usem o as cordas nas costas dela, quando ela derramar a primeira lágrima talvez eu deixe parar. -Crowley falou se inclinando e pegando uma jaqueta que a morena sabia que era sua mas não se lembrava de ter pego, ele levou a mesma até o nariz e ao sentir o cheiro que estava ali seus olhos ficaram negros.
Os demônios faziam o que era mandado e pareciam estar mais do que felizes por estarem cumprindo o que era ordenado, os dois usavam as cordas e as vezes alternavam mas na maioria das vezes ela sentia as duas, e quando já não sabia mais quantas vezes tinha apanhado em silêncio deixou uma lágrima cair.
— Finalmente o que eu tanto esperava. -o rei do inferno falou rindo e acenando com a mão pedindo para que os demônios parassem.
— Senhor, achei alguma coisa, a garota estava escondendo algo.

No bunker, Sam e Dean que tinham acabado de chegar abriam diversos livros em cima de uma das mesas atrás de algo que fosse ajudar no resgate da morena mas a maior parte dos livros somente dizia como invocar um anjo ou um demônio.

— Dean, você nunca se perguntou o que a Nuria é? -Sam perguntou deixando de lado mais um livro que somente contava sobre vampiros.

— Sam, eu me pergunto isso todos os dias. -Dean falou desistindo de abrir mais um livro e deitou a sua cabeça na mesa em sinal de quem estava para desistir.

— Por que você nunca perguntou isso pra ela? -Samuel falou fazendo o seu irmão virar a cabeça pra ele mas ainda sim sem uma resposta certa para a pergunta.

O loiro parou ali olhando para mais um livro fechado e sentiu naquele momento a vontade de ter o mesmo poder da Nuria de conseguir absorver o que estava nos livros, ele já estava imaginando a quantidade de coisas que poderia fazer mas ao mesmo tempo sentia medo do que a morena era e do que ele podia ser, porque sem saber o que ela era não tinha como seguir em frente naquela pesquisa e sem a pesquisa ele não sabia como salvar ela.

Nuria ergueu seus olhos para o Crowley no mesmo momento em que o demônio se pronunciou, ela conseguiu sentir na voz do mesmo que ele tinha achado a pedra em seu bolso e que era exatamente o que eles estavam procurando mesmo que não tivessem certeza do que era.
— Parece que achamos o que vocês foram buscar tão longe. -Crowley falou se aproximando da morena e pegando a pedra do seu bolso.
Naquele momento com a pedra longe do seu toque, a morena se sentia como se estivesse sem um pedaço dela mesmo e com certeza depois do que passou para conseguir aquela pedra em seu controle ela já não pensava mais em como era sem ela. O rei do inferno nem tentava esconder que estava feliz por ter achado a pedra mesmo que na realidade ele nunca tivesse achado.
— Você não sabe com o que está lidando, então sugiro que coloque a pedra no chão e não fique dentro da gaiola. -a morena falou mesmo com a voz fraca mas mesmo assim parecia convicta.

— Por que? Vai chamar os seus pais para me matar? -ele respondeu ousado o que visto de fora por quem já conhecia a Nuria sabia que era um problema.

— Eu não preciso deles para matar vocês. -ela falou séria.

Olhou para o Crowley e então levantando a cabeça para o céu fechando os seus olhos se viu pronta para fazer o certo, quando olhou novamente para o rei do inferno seus olhos estavam em tempestade e como se as algemas não fossem nada, se soltou delas caindo de joelhos no chão com os cabelos cobrindo seu rosto.

Estendeu uma das mãos para um dos demônios quebrando o pescoço dele, fazendo Crowley dar passos para trás e fechar a gaiola como se quisesse conter a morena lá dentro, que se levou jogando o cabelo que estava em seu rosto para trás, e avançando pra cima do outro acertando uma joelhada no nariz dele fazendo o mesmo cair no chão.

— Eu falei pra você não mexer comigo Crowley, deveria ter me escutado, seria muito mais fácil pra você. -Nuria falou pegando a sua jaqueta no chão e vestindo ela.

Quando ela estava para se aproximar do portão outros dois demônios entraram na sala empunhando armas e então tudo aconteceu muito rápido, tiros foram disparados com um único alvo que era a morena, ela levantou um escudo impedindo que qualquer coisa tocasse nela mas a sua missão ainda era recuperar a pedra que ainda estava na mão do Crowley que permanecia parado como se estivesse em choque.

— Quem é você? — Crowley falou segurando a pedra com mais firmeza e levantando a outra mão em sinal para os demônios pararem de atirar.

— O seu pior pesadelo. -a morena respondeu levantando a mão e fazendo a pedra sair da mão do rei e ir parar na sua, enquanto que o mesmo parecia sem ar como se estivessem enforcando ele mas não somente o corpo como o demônio dentro dele.

Seus olhos com tempestades e os seus poderes diferentes de tudo que eles já viram assustava os demônios que entraram ali e encantavam os que estavam do lado de fora mas ouviam boatos; ela era poderosa e o destino já sabia muito bem como usar isso.

Nuria se abaixou sem se importar com as dores no corpo ou as costas ardendo, colocou a pedra de volta no seu bolso e se ajoelhando deixou suas duas mãos no chão começando uma tempestade do lado de fora e iniciando o que parecia ser um terremoto, como já tinha feito outra vez só que agora com o seu consentimento. Não foi preciso muito para que o prédio começou a vir abaixo começando a revelar que estava em um lugar afastado e já estava escuro então se sentiu livre para ser ela mesmo.

[...]

Já estava quase amanhecendo e Dean estava pronto para chamar pela Amara para que ajudasse ela, quando escutaram barulhos de passos na escada, passos tão característicos que em outro momento ele nem precisaria olhar para saber quem era mas naquele momento tanto ele quanto o Sam se levantaram e seguiram até ela.

— Onde você estava? Estavamos tentando te salvar. -Dean falou mas a morena apenas passou por ele puxando Sam pela mão até o quarto do moreno.

Somente quando estava dentro do quarto e fechou as portas colocou tudo que estava sentindo para fora, não queria mas seu corpo implorava para encostar em algo e ao se deixar encostar na porta suas costas doeram fazendo ela soltar um gemido que fez com que Samuel se aproximasse ajudando ela a se sentar na cama.

O moreno tentou não demonstrar sua cara de surpreso ao ver a situação que a blusa do Nuria estava por baixo da jaqueta para não assustar a morena mas mesmo assim foi impossível, ela sabia pela dor que estava sentindo que não estava em suas melhores condições e não poderia dizer diferente das suas costelas, abraço e até mesmo o rosto.

— Eu vou precisar tirar a sua roupa pra ficar mais fácil de limpar. -o moreno de lindos olhos falou se abaixando e pegando um kit de primeiro socorros que estava embaixo da cama.

— Eu não vou conseguir, é mais fácil pegar uma tesoura e resolver isso, por favor. -ela falou baixo sentindo finalmente todo o cansaço do seu corpo que estava acumulado e deixando algumas lagrimas caírem.

Samuel deixando a maleta em cima da cama e se abaixou na frente da morena tirando suas botas e meias, deixando elas do lado da cama; pegou a tesoura começando a cortar a calça jeans que ela usava e ao chegar no joelho encontrou machucados que pareciam recentes e o mesmo na cintura mas somente quanto terminou de tirar a calça e começou a cortar a blusa e seus olhos viram a situação em que estava as costelas nem ele conseguiu se manter firme.

— Como isso aconteceu? -Sam perguntou baixo deixando a tesoura de lado e se levantando para tirar o cabelo da morena do seu rosto, revelando que ali também tinha alguns machucados.

A Nuria se manteve em silêncio e o moreno entendeu isso como um sinal de que ela não iria falar nada ou demonstrar mais do que lágrimas, ele se levantou em silêncio indo até o banheiro do quarto e ligando o chuveiro na água fria mas no caminho de volta para o quarto, quando passou pela porta escutou passos do lado de fora e soube que era o Dean.

Sam colocou a morena sentada em uma cadeira ao lado do chuveiro enquanto ele parado em pé atrás dela molhou um pano na água fria e limpava as feridas piores das costas e as duas dos braço; que a Nuria ali sentada apenas de roupas íntimas se contorcendo de dor e chorando era um sacrifício até mesmo para o moreno que não era o mais ligado a ela. Mas quando teve que colocar ela toda debaixo do jato de chuveiro e escutar ela soltando alguns gritos de dor e sem poder fazer nada apenas ficou ali tentando ajudar o máximo que conseguia.

Quando a Nuria sentiu que não conseguia mais ficar acordada Samuel anunciou que já tinha acabado; em seu braço uma faixa cobria os machucados da faca, em suas costelas uma boa quantidade de pomada e faixas que davam a volta, em suas costas mais pomadas e alguns curativos nas feridas maiores e no cintura com uma ferida mais seria causada pelas cordas mais faixas como a da costela.

O moreno vestiu a garota com uma das suas camisas depois de deixar ela trocar as suas roupas íntimas com uma calma que ele nem imaginava que tinha, então ao colocar a mesma na cama saiu do quarto encostando a porta e seguiu até a cozinha encontrando Dean encostado na pia tomando o que parecia ser cerveja.

— O que aconteceu? -o loiro perguntou sério.

— Ela não quer falar sobre isso, e parece não querer falar com você também. -o moreno falou pegando um copo e enchendo do que parecia se Whisky e pegou os remédios para dor que ficavam na cozinha.

— E por que ela está falando com você? -Dean perguntou vendo que o seu irmão já estava saindo e nem ao menos se deu ao trabalho de responder ele apenas seguiu de volta para o seu quarto.

Assim que entrou no quarto e fechou novamente a porta se viu olhando para alguém que não parecia mais a mesma pessoa que ele conheceu semanas atrás, aquela era uma garota machucada e parecia ter medo; Sam se sentou ao seu lado entregando três comprimidos e depois o copo com bebida, mas quando se levou pronto para sair do quarto um pedido fez com que ele parasse.

— Fica comigo Sammy? Não quero mais ficar sozinha. -Nuria falou com a voz de choro fazendo o moreno colocar o copo no criado mudo e se deitando na cama ao seu lado.

Ao primeiro toque a morena de olhos castanhos se encolheu mas ao poucos foi se aproximando e quando já estava perto o bastante virou de costas para ele fazendo ele lhe abraçar por trás, e pela diferença de tamanho ele cobria ela fazendo com que ela pela primeira vez naquele dia, se sentisse segura.

Notas finais
roupa da Nuria: https://www.polyvore.com/cap14_15/set?id=212766598 https://www.polyvore.com/cap15/set?id=224465721 Estou voltando de ferias agora, então tenho certeza se vou ter outro capítulo pronto tão cedo, então o próximo saia somente daqui três semanas...