Mera Ilusão, Doce Acaso...
2 Lizzie Acorda!!
Notas iniciais
Bjinhos,
Nat
Sábado 19 de outubro de 2010, 08h25min
“I've heard it said that a man would climb a mountain
Just to be with the one he loves.
How many times has he broken that promise?
It has never been done
Well I never climbed the highest mountain,
but I walked the hill of Calvary” (Third day, Just to be with you)
Eu estou simplesmente ouvindo uma das minhas músicas favoritas sendo cantada por pela pessoa mais perfeita do mundo quando minha queridíssima irmã entra aos berros no meu quarto.
– LIZZIE ACORDA PARA VIDA MANA! VAI CHEGAR ATRASADA NA ESCOLA!
BUMM!
Caso você não tenha entendido o “BUMM”, é exatamente o que você imaginou. Sim, eu mesma colidindo com o chão de madeira do meu quarto e claro como de praxe havia deixado meus sapatos altos jogados ali mesmo quando chegara em casa; obviamente aquele salto fino deixaria uma marca na minha coxa. Ora, magnífico nada como o começo de mais um dia glorioso.
Ah que grosseria a minha! Sou Elisabeth Marie Thompson – mas conhecida como Lizzie ou Má — e a maluca que estava gritando a cinco segundos comprometendo meu bem estar e de quebra me dando uma contusão na cabeça, é a minha irmã caçula Kayle Louise Thompson, eu a amo de paixão, mas ela pode ser tão inconveniente ás vezes!
É sábado! Pelo amor de Deus! Qual o problema dela?
Bem eu vou lhe dizer qual o problema dela... Ela resolveu que prefere viver levando essa vidinha medíocre na face da terra do que vagar e viver a sua verdadeira vida no mundo dos sonhos.
Você não entendeu? Tudo bem eu explico.
Todos nós nascemos e vivemos na nossa tão adorada Terra (notou o sarcasmo?) e aqui morremos para acender aos céus... Blá... blá...blá...blá... O que você quiser imaginar esta valendo.
Apesar de eu achar isso tudo uma grande balela, Kay resolveu ignorar o chamado de seus sonhos — de sua vida — porque se diz apaixonada e aparentemente viver um amor entre os sonhos é impossível. O que eu posso fazer é bater a cabeça dela na parede para ver se ela se toca, não dá não é? Mais quem sabe ajudaria a ela ver como dói bater o cocorocó logo de manhã... Essa baixinha ainda me paga, a se paga, ela não perde por esperar.
Mas a onde eu estava mesmo?!
Claro, na explicação do que somos. Somos seres essencialmente feitos de energia e sabedoria. Sim você leu muito bem – sabedoria — e milenar meus caros leitores, ouvintes ou amigos em comum, viajantes, ou como desejarem, espero não estar confundindo-os novamente — estou? Mas que falta de senso a minha — deixe-me voltar à explicação propriamente dita... Vejamos:
Você conhece aquela frase "penso, logo existo"? É claro que conhece, qualquer um conhece René Descartes, em algum momento da sua vida seja no colegial ou nos filmes os escritores adoram adotar frases importantes de grandes pensadores. Sabe o que mais me deixa chateada? É que eles não fazem essas idéias sozinhos... Logicamente não! Ora essa, você sabe muito bem que estamos falando de sonhos aqui, logo tudo aquilo que eles sonharam e resolveram por em prática no "nosso mundo", (e vocês deveriam estar para lá de agradecidos, pois afinal imagina ter que viver sem o avanço da internet, a praticidade dos celulares e o maravilhoso microondas? Ou vai negar que você prefere fazer do modo antigo?) logicamente foram sim, criados devido à conectividade de nossas mentes — ou seja, você e todos os outros serem pensantes contribuíram para a idéia propriamente dita. Mas você já sabia disso não é?
Ok... Ok... Vou voltar à explicação, é que fiquei empolgada com tudo isso.
Como estava dizendo somos todos seres providos de energia, sabedoria e infinito desejo de conhecimento não importando o quê ou quem. E nossos sonhos são nossa fonte de energia e equilíbrio, sem os mesmos não podemos viver. Mesmo não nos lembrando do que sonhamos não significa que passamos uma noite sem sonhos- pelo contrário foi sim uma noite vivida.
Kay, minha irmã esta cansada de tentar distinguir aquilo que sonha da realidade em que vive. Considerando que na verdade vivemos quando dormimos e sonhamos quando estamos acordados realizando os trabalhos diários, insípidos e degradantes. Sabe o que eu quero dizer.
E por isso agora desistiu de amar e procurar aquele que permeia seus sonhos. Consegue acreditar nisso? Ela desistiu do AMOR!
Se ela soubesse a confusão na qual acabou de nos colocar, ela com certeza, não estaria tão sorridente hoje de manhã. Você deve estar se perguntando e por quê? Eu lhe digo. Por que ela já encontrou a sua cara-metade tanto no mundo Somniu* quanto no mundo Realitas* o único problema é que ela resolveu ignorar os sinais. E por isso se afasta cada vez mais do amor que lhe está predestinado.
No entanto antes de entrar em detalhes românticos e complexos a respeito da minha adorada irmã, devo primeiramente me apresentar formalmente – afinal nada sabem a meu respeito exceto o nome.
Como já dito anteriormente, sou Elisabeth Marie Thompson, sou sagitariana (N/A: viva os sagitarianos!) nascida em 19 de dezembro de 1987, ou seja, logo completo 23 anos, e isso é uma coisa boa. Eu acho. Além de Kay tenho mais um irmão Loius Connor Thompson – carinhosamente chamado de Conn ou Connie quando estou resolvo implicar com ele. Connor é o protetor da família desde que nossos pais foram assassinados ele se sente na obrigação de ser pai e mãe ao mesmo tempo tanto para mim como para Kay, mesmo tendo somente 24 anos.
Fui tirada de meus devaneios ao ouvir o bater da porta e uma voz melodiosamente conhecida me chamando:
- Maninha? Bethy? — É Conn ainda me chama de maninha, vai entender? Ele é o único que tem permissão para me chamar de Bethy... Somente meus pais me chamavam assim e Kay nunca nem quando pequena me chamou assim, e quando mais velha me chamou e eu tive uma crise de choro e sai correndo da sala não nos falamos por dois dias, ela nunca voltou a tocar no assunto.
— Oi Conn, na cozinha. — Respondi mal — humorada. Kay resolvera sair e me deixar com a cabeça ainda latejando preparar sozinha o café. Estava no momento procurando minha xícara, porque aparentemente a cozinha se encontrava em estado de calamidade.
Nota para mim mesma: Falar com Kay a respeito disso, desde quando virei a Maria da casa?
-Deus do céu que houve aqui?
— TERREMOTO, HOLOCAUSTO, TSUNAMI... Você escolhe. — Disse em um tom sarcástico.
— Temos que falar com a Kay a respeito disso. — Falamos juntos.
- Preparada para hoje? – Perguntou arqueando a sobrancelha.
- Eu? Maninho, eu nasci pronta.- Disse com um sorriso torto nos lábios, arqueando minha sobrancelha direita enquanto me dirigia a ele para um abraço.
- Senti sua falta Conn. – Murmurei.
- Eu também Liz. Eu também... — A voz dele agora era cansada e carregada de culpa e tristeza.
- Você a achou?
— Não. Já não sei o que fazer.
— Tente descansar e procure por ela novamente.
- Nos sonhos Liz? Por favor, não me venha com essa novamente. —Disse saindo do meu abraço, jogando os braços ao ar e deixando-me sozinha. PIII – ouvi o barulho da chaleira — pelo menos vou finalmente conseguir tomar o meu café agora.
Notou que nenhum dos dois sabe a importância dos sonhos?
Estão descrentes e vejo que mais dia menos dia terei que tomar decisões realmente drásticas. E os dois não perdem por esperar.
Ou não me chamo Elisabeth Marie Thompson!
Eles vão se surpreender com a verdade, ou irão finalmente aceita-lá.
Eu?
Eu somente sei que tenho que encontrá-lo, custe o que custar. Meu coração já não consegue viver com a sua ausência. Seria com certeza mais fácil se eu tivesse uma idéia de seu rosto e seu corpo, no entanto tudo o que tenho são lembranças de sonhos — uma voz, um perfume, um afago.
Quando o terei comigo?
20 de outubro de 2010.
19h.
Aquele era o dia em que criamos este ritual. Estava contando as noites para o Halloween — A noite de todos os santos. Eu, Conn e Kay fazíamos brigadeiro e escolhíamos os filmes de terror e suspense para assistirmos. Uma prévia do que realmente faríamos no dia das bruxas.
Mais precisamente, não era isso que eu tinha em mente para o dia. Mas eu precisava convencê-los de que podiam, sim, achar aquilo que tanto almejavam.
Eu estava na Blockbuster escolhendo alguns filmes quando senti um calafrio percorrer a minha espinha. Fiquei zonza a ponto de deixar os DVDs que segurava caírem ao chão, passei uma de minhas mãos pelo cabelo enquanto me apoiava em uma das estantes. A sensação era a de que iria desmaiar em breve, e a respiração falhava de tal modo que eu já arfava, tudo aumentava cada vez mais. Porém, nesse momento, uma mão tocou em meu ombro delicadamente, fazendo uma corrente elétrica percorrer o meu corpo, abalando-me. Quando dei por mim, estava desmaiando e sendo amparada por braços fortes e gentis.
POV Desconhecido
Como sempre, após dois dias de plantão, resolvi ir a minha locadora de filmes preferida. Apesar de haver outras que de fato eram mais perto da minha casa, por uma ilustre razão sempre ia à mesma como se esperasse encontrar algo diferente, ao invés da Sra. Sparkles e seu "sobrinho-neto" Jorge. Entrei e os cumprimentei, dando um tchauzinho amigável ao Jorge e beijando a face da Sra. Sparkles. Ela me conhece desde menino, é como se fosse minha avó, já que recebo dela muitos conselhos.
A locadora é aconchegante, com um ar antigo; desde pequeno, parecia com uma antiga livraria, lustres de luzes amarelas e sofás espalhados pelo lugar, quase nos convidando a ficar. Era estranho considerar que agora o estabelecimendo não mais se chamasse "Sparkles Films", mas sim "Blockbuster", uma vez que outras grandes companhias quiseram comprar o local. Lembro como a Sra. Sparkles negou e disse que só o que conseguiriam dela seria mudar o nome do local, tirando isso eles "poderiam ir todos ao inferno".
Lembrava-me desse fato enquanto andava pelos corredores, e então senti um calafrio percorrer minha espinha. Mal consegui pensar quando vi uma garota vasculhando a estante de filmes de terror: bonita, lindos cabelos castanhos, um corpo esbelto e não muito alta — "na medida certa para os meus braços", pensei. Resolvi ver se havia algo interessante para assistir, além — é claro — de observar a bela garota; só que, quanto mais me aproximava dela, mais parecia que desejava tê-la em meus braços, mais queria beijar seus lábios rosados. Estava bem próximo dela e, de repente, a garota deixou cair os DVDs que segurava e apoiou-se na estante. Fui checá-la, estava pálida e parecia prestes a desmaiar — antes que o fizesse, amparei-a em meus braços, e notei naquele minuto que ela se encaixava perfeitamente neles.
- Sra. Sparkles, um copo d'água, por favor, acho que temos um caso de pressão baixa aqui.
- Jorge, querido, a ambulância — ouvi a Sra. Sparkles dizer, enquanto me trazia um copo com água.
- Obrigado — toquei a testa da garota e senti sua pulsação.
- Oh, não... Lizzie.
- Você a conhece, Sra.Sparkles?
- Sim, claro. Desde que se mudou há três anos com os irmãos vem fazendoisso, é como se fosse um ritual para eles. — Ela explicou-me.
- O quê? — Continuei sem entender.
- Filmes de terror onze dias antes do Halloween. Um tanto bizarro, você deve estar imaginando. Mas na verdade são garotos adoravéis. Enfeitam a casa no Dia das Bruxas e visitam os vizinhos para o famoso "travessuras ou gostosuras". As crianças adoram essa época do ano, pois geralmente os Thompson's irão diverti-los ou assustá-los.
- Dr. Ross. Vovó, a ambulância está aqui. — Jorge voltou, chamando a avó.
- Obrigado, Jorge. Deixe que eu a levo — Depois, Sra. Sparkles virou-se para mim — Vou ligar para os irmãos dela, Daniel, não se preocupe, querido.
- Obrigado novamente, Sra. Sparkles.
- Não há de quê, e, por favor, nos mande notícias.
Carreguei Lizzie até a ambulância, deitando-a gentilmente na maca, enquanto conversava com os paramédicos.
— Olá, Dr. Ross — Disse um deles, fechando a porta da ambulância.
- O que temos aqui? Pode nos informar? — O segundo paramédico, que conduzia o veículo, perguntou.
- Não sei, talvez pressão baixa, ou anemia... Ambos podem causar desmaios.
- Qual o nome do paciente?
- Segundo a Sra. Sparkles, o nome dela é Lizzie.
Pararam na sinaleira e o segundo paramédico, que identifiquei pela camisa como Lewis, olhou em minha direção, e logo depois para a garota.
— Elisabeth? — Disse Lewis, alarmado.
- A Bethy? Irmã da garota por quem você tem uma quedinha?
- Quedinha? — Revirou o olhos, bufando. — É, é ela mesma. Tenho que ligar para a Lou, cara.
- Okay. Porque só eu não conheço ela? — Indaguei.
- O que você queria, meu irmão? Você se esconde do mundo... Eles fazem uma festa de Halloween todos os anos, nunca participou de nenhuma?
A essa altura, já havíamos chegado ao Hospital Geral e demos entrada em Lizzie. Fiz questão de acompanhar o caso, coloquei um jaleco e observei a enfermeira colocar uma intravenal com soro para estabilizar e hidratar a garota.
POV Lizzie
Sentia-me segura e ao mesmo tempo leve, como se estivesse flutuando. Logicamente estava adormecida, no entanto era como se conhecesse a pessoa que me segurava. Quando acordei, estava em um quarto de hospital. "Argh, hospital. Mas que merda, hein? Não podiam simplesmente me deixar acordar normalmente?"
- Olá, Bela Adormecida. Como se sente? Você me deu um bom susto há algumas horas atrás. A Sra. Sparkles mandou-lhe melhoras.
“Ai, minha nossa senhora! Que homem maravilhoso é esse? Morri e esqueceram de me enterrar, é? Ou será que estou delirando?”
- Senhorita? Você está se sentindo melhor?
- Sim, claro. Hum, desculpe, mas o que exatamente aconteceu?
- Você desmaiou, eu estava por perto e a amparei. Sou residente, mas estava de folga.
- Muito obrigada — Disse completamente envergonhada.
- Não é todo dia que tenho a oportunidade de ter um anjo em meus braços, não é mesmo? — O homem disse, dando-me um pequeno sorriso. Aquilo me fez ruborizar ainda mais e suspirar com tamanho elogio.
- Obrigada — Agradeci, mordendo os lábios, sem saber o quão sexy aquilo lhe parecia.
- Meu nome é Daniel Ross.
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