Mental

2 Capitulo 2- Lucia


Estou no banheiro de minha antiga escola do primário, estava fugindo de alguém mesmo não sabendo ao certo quem era. Havia um som agudo em minha cabeça que ficava cada vez pior impedindo-me de raciocinar, minha cabeça girava, eu estava sentada no cão dentro de uma das cabines. Meu nariz sangrava e aquele som agudo estava começando a me causar fortes pontadas de dor em minha cabeça, e então escuto passos vindo em minha direção e é como se soubesse que aquela pessoa quer me matar. Ela me puxa pelos cabelos para fora da cabine e me senta na pia me pressionando contra o espelho e então a dor que martelava em meu cérebro chega a seu máximo e depois como magica, some, e vem a calmaria e já não enxergo mais nada, não há mais dor. Apago.

Acordo assustada, o mesmo pesadelo de sempre que tenho dês de meus nove anos, sempre a mesma coisa, sem tirar nem por. Pego meu celular na tentativa de me distrair, abro o box de conversas com o meu namorado, já tinham passado duas semanas dês da última vez em que havia falado com Diego, e dês de então ele parece me evitar. Prefiro não me preocupar com isso agora. A viagem dos meus sonhos estava próxima de se tornar realidade e sinto que já passou da hora de colocar as minhas vontades na frente das dele.

— Lúcia seu voo vai sair daqui a algumas horas então levante logo.- Ouço minha tia gritar da cozinha.

— já estou terminando de me arrumar. – Digo ainda sem tomar nem banho, acabo levantando e me arrumando rapidamente. Ao mesmo tempo que penso nisso vejo uma ligação de Diego me implorando para ficar, porque, de acordo com ele, sem mim ele não vai ter condições de viver. Trágico ver que meu único amigo de infância se transformou em um completo babaca, se me amasse de verdade estaria me apoiando.

— Esqueceu que vai ir pra longe hoje bebê da titia? — Fala assim que me vê descendo as escadas com meu lanche na mão.

—Tia, já falei para a senhora não me chamar de bebê, imagina se algum amigo meu tivesse aqui? Não tenho nenhum, por esse simples fato não passaria vergonha, mas já penso o a merda que daria?

— Primeiro...senhora está no céu e eu não sou tão velha assim, dirija-se informalmente a mim. Eu quero que meu bebê tenha uma ótima viajem, me ligue todos os dias, em fale de todos os paqueras, estude, divirta-se e tente não ser expulsa do pais.- E assim que termina todo o drama- Te amo!-Fala com os olhos já cheios de lágrimas, fazendo-me abraçara-la.

— Agora tenho que ir – Digo, me desgrudando do abraço de urso que ela me dá, ela me ajuda a pôr todas as malas dentro do táxi e assim só vejo a sombra da mulher que eu mais amo nessa vida, minha única e verdadeira amiga... E com muita dor no coração eu falo a palavra que vai fechar essa faze da minha vida- Tchau.

Assim que chego no aeroporto meia hora depois de minha despedida, escuto a informante dos voos avisando que o meu logo já estaria de saída. Um tempo de pois quando já estou na fila para o embarque, olho nos olhos de uma garotinha, não demora e começo a ver imagens desfocadas em minha mente, a vejo amordaçada, em seguida como em um flash vejo uma arma sendo disparada, outro flash, ela morta. Sei que a visão de que ele morrerá logo era me atormentar pelos próximos dias, mas eu não posso fazer nada. Assim finjo ignorar esse aperto no peito e embarco.

Algumas longas horas depois desembarco finalmente em Londres e procuro uma plaquinha com meu nome, espero que seja John que esteja me esperando, mais consigo prever que é um loiro maravilhoso que está à minha espera, fico feliz com isso, mais não temos futuro, tento forças pra ver se consigo alguma coisa, um flash ou então quem sabe alguma sensação, porem nada aparece é como se não tivesse sido de certa forma ´´escrito´´. Vou em sua direção e entramos no carro sem nem nos apresentarmos, ele parecia como se estivesse preso em sua própria mente de tão distraído. O silencio naquele carro estava começando a ficar bastante desagradável então decido ser sociável ao menos uma vez na vida, e início uma conversa. Não posso ignorar que so o fato de esta conversando com uma pessoa estranha já me incomoda, puxar assunto então é algo que é como tortura para mim, porem para a minha sorte ele acaba interrompendo o silencio, como se pudesse ler a minha mente.

—Seu nome é Lúcia certo? -Ele diz olhando pra mim, ele falava sem emoção alguma. Algo me diz que não está em um de seus melhores dias.

— Sim, se não me engano o seu é Klaus.

— Como você sabe meu nome? -Me pergunta surpreso.

— Senhor Turner me disse.

— Sim. Quer uma dica? Chame ele de John.

— há sim é mesmo! uma vez ele me disse que gostaria que o chamássemos de apenas de John. E então, como ele é?

— eu já estou la a pouco menos de uma semana então, até onde eu sei ele é um cara legal, mas quase não para em casa não dá para dizer muita coisa.

— Entendo.- disse e o silencio volta a reinar no carro. Quando entro no prédio a sensação é de que irar desmoronar se eu pelo menos tossir comum pouco mais de força, mas ignoro essa sensação de esta dentro de um castelo te cartas ambulante.

— Como havia tido, ele praticamente n para em casa então, ele deu uma saída, geralmente ele algumas horas antes da hora do jantar. — Falou- seu quarto é no segundo andar, primeira porta a direita.

— há...ok obrigada- falei meio confusa- ele me ajudou com as malas e me entregou a chave do quarto, ele estava muito calado, tão calado que me deixa sem graça.

—bom eu tenho que ir ali resolver alguns problemas, mas se você precisar de alguma coisa meu quarto é o da frente.

—tudo bem, acho que agora eu me viro.

—ha propósito, tem uma pastinha no criado mudo explicando tudo que você precisa saber sobre as regras da casa e essas coisas.- ele falava como se já estivesse ensaiado antes, mas era meio visível o quando ele estava perturbado.

—han sim claro, han... obrigada Meu quarto era normal, com paredes em tons de creme, uma cama de casal, uma escrivaninha, algumas prateleiras nas paredes, um banheiro pequeno, o armário e uma TV com suporte na parede. Mais duas janelas com vista para a rua que naquele momento estava com pouco movimentada. O quarto não era muito menor que o meu antigo quarto, porém se não fosse pelas duas janelas me sentiria sufocada nele.

Algumas horas depois ouso senhor Turner chegar, a pouco Klaus havia decido e não demoro para escuta-los conversar devolvendo a vida a casa, saio do meu quarto ignorando a pontada de nervosismo que havia surgido em mim.

— veja, ai esta ela.- disse assim que me viu no início da escada Klaus descontraído, ele parecia melhor.

— Olá- disse terminando de descer as escadas.

— Olá Lúcia é um prazer conhece-la pessoalmente- disse senhor Turner apertando minha mão

— igualmente senhor Turner...- olhei para Klaus por um segundo lembrando do que ele havia me dito mais cedo- er...John.- terminei por fim meio sem jeito, acabei sorrindo com a pequena confusão.

Na manhã do dia seguinte começo a organizar um pouco das minhas coisas fora da mala. Fico algumas horas arrumando enquanto tinha uma conversa animada pelo Skype sobre garotas londrinas com minha tia, ela disse que já teve uma namorada londrina, e para ela Londres é a verdadeira cidade do amor e paris não passa de uma cidade fofinha. Não pude deixar de rir com o comentário. E foi em meio a divertidas trocas de mensagens com minha tia que vejo o inbox de conversas com Diego acender novamente depois de algumas semanas dar sinal de vida. Pensei em ignorar a mensagem porem a minha curiosidade foi mais forte que acabei abrindo a conversa e achar um simples ´´sinto muito, mas, eu quero terminar. ´´ Não posso dizer que na hora meu mundo caiu porque isso não foi verdade, eu já sabia que isso iria acontecer antes mesmo de nos desentendermos, eu literalmente já havia prévio isso. Eu sabia meses antes o porquê iriamos brigar, quando e onde iriamos brigar sabia até mesmo que iriamos terminar, mas me surpreendeu ele ter sido tão frio e ter de forma tão ridícula e isso me deixava com muita raiva. Eu posso dizer que eu estava triste, mas não pelo termino em si claro, mais pela pena de ver uma história de amor chegando ao fim, mesmo o amor já estando morto a alguns meses. Mandei um ok em letra maiúscula e em negrito. Contei para minha tia, ela entendeu a situação e o máximo que ela poderia fazer agora era voltar a falar comigo sobre sou fetiches com morenos. Cinco minutos depois recebo um ´´mas podemos continuar a ser amigos certo?´´ envio print para minha tia que analisa a foto seriamente como se fosse um laudo médico.

— Acho que o que o meu paciente tem é idiotice.- brincou

—moleque estranho! — falei ao analisar o quanto ele estava sendo tão babaca a altura do campeonato.

— Que?- disse Klaus me olhando confuso da porta do quarto dele.

—er... nada... eu só estou conversando com a minha tia sobre um garoto aqui- disse meio sem graça.

—ata... ok. John irá ficar livre essa tarde e disse que se precisássemos resolver alguma coisa ele nos daria carona. Eu vou sair para resolver algumas coisas que ainda estão pendentes, você provavelmente deve ter algumas então... que tal irmos resolver isso logo e darmos uma volta na cidade? Eu acho que você assim como eu vai estar meio que sem nada pra fazer então... ta afim de ir tomar um café?- disse nesse momento escuto minha tia explodir em gargalhadas

— claro... er... ignore essa risada escandalosa da minha tia ela está bêbada, por causa que...- iria me explicando porem acabo desistindo do de tentar me justificar depois que a minha tia começou a rir novamente. Escuto meu celular apitar e abro e vejo a mensagem de minha tia pelo privado ´´mas como você é rápida! Termina com um e em literalmente 5 minutos depois já tem outro em seus pés! Puxou a titia foi?´´ encaro a webcan e a vejo o semblante divertido de minha tia me olhando como se nada tivesse acontecido em seguida desligamos e volto a encarar Klaus.

—ignore isso ela é meio... empolgada de mais- disse tentando disfarçar o rubor que começava a surgir em minhas bochechas.

— Sem problemas, ela me lembra muito um amigo meu.- falou pegando a toalha que estava pendurada em sua cadeira e se dirigindo ao banheiro no final do corredor. O almoço foi até que animado, pois John simplesmente parecia muito empolgado em contar as tretas do seu clube de xadrez, depois do almoço o ajudamos a arrumar a cozinha e não demorou que estivéssemos nas ruas de Londres. Eu já tinha viajado para fora do brasil algumas poucas vezes, mas nunca cheguei a conhecer Londres, e ao passar pelas aquelas ruas cinzas eu tive duas certezas, coisas muito boas iriam acontecer naquelas ruas para mim, e infelizmente coisas muito ruins também. Klaus estava no banco de trás comigo, mas não parecia tão maravilhado quanto eu estava. Passei a observa-lo, ele era bem pálido e tinha cabelos loiro escuro na altura de maxilar, olhos verdes de um tom quase mel, e um nariz fino. O tipo de cara que se eu visse a quilometros de distancia iria pensar ´´gringo´´.

Estávamos em café conversando coisas aleatórias, nada sério apenas jogando conversa fora e ele parecia tranquilo e diria divertido estava completamente o contrário do homem frio e distante que conheci ontem. Mas ainda me incomodava o fato de não conseguir ver nada em seu futuro, não sabia o que aquilo significava, será é que talvez seja porque sua morte está próxima? não, eu teria prévio isso. Então resolvo apenas me render a tarde agradável que estávamos tento. No chá das 5, que John fez questão que ´´tomássemos para dar sorte´´ ele sugeriu que fôssemos a uma casa de chá\cafeteria. Ele pediu um chá para experimentarmos e algumas torradas eu. E voltamos a conversar, Klaus estava falando uma história de quando chegou em casa e achou um bode no meio da sala por causa do amigo dele, não entendi ao certo o que aconteceu mais, parece que o amigo dele perdeu uma aposta para um cara e acabou tendo que levar o bode para casa e acabou quase perdendo a moto.

—é sério! A casa ficou cheirando á bode por no mínimo uma semana depois! — Disse empolgado

—imagino- disse rindo. Apesar da cafeteria está cheia de pessoas o pedido logo chegou e cominamos nossa conversa normalmente porem alguns minutos depois quando a garçonete veio nos entregar a comida eu acabei me perdendo no olhar da dela. Um segundo de escuridão e então os flashes começam. 3 caras entrando, depois vejo eles apontando a arma para a cabeça da garçonete, no flash seguinte vejo sangue, depois um segundo de completa escuridão novamente. Então encarando a garçonete.

— temos que sair daqui- foi a única coisa que passou na minha cabeça no momento.

—o que foi?- perguntou John preocupado.

—é que...- não sabia coo explicar ele me encarou por alguns segundos- temos mesmo que sair daqui!- disse pegando a minha bolsa, entregando o dinheiro da conta para a garçonete e puxando Klaus e John dali. Para minha sorte John não hesitou e me seguiu, porem Klaus estava confuso. O vejo pegar algumas torradas e enfiar uma na boca antes de nos alcançar no meio do café. Quando estávamos quase saindo os 3 caras da minha visão entram na cafeteria. Klaus fica na minha frente e os encara e como magica um deles começa a se contorcer e outro se encosta no portal da porta e começa a vomitar e o terceiro fica confuso, nós não ficamos lá para descobrir o que aconteceu.