Menina da Noite, Menino do Dia
1 A Menina dos Olhos da Lua
Notas iniciais
Menina, menina
Que canta e desafina
Que caminha, mas tropeça
Que ama e se confessa
Que chora assim ao léu
Cercada desse céu
–
Menina sem jeito, menina sem direção
Garota perdida que ouve a voz do coração
Ela ama, ela perde
Calada, triste e inerte
Largada assim nessa vida
Sem ser amada, vista ou ouvida
–
Mas assim, no meio da escuridão
Surge a noite em sua canção
Ela tropeça, cai, levanta
Ferida com um sangue que não se estanca
Observada apenas por um alguém
Que das apresentaçães se abstém
–
Menina dos olhos da lua
Olhava para ela do meio da rua
Tirada de sonhos da noite escura
Sob o ar singelo de mesura
Suave melodia de seu pranto
Ecoava no ar como um encanto
–
Lua de prata, lua de cor
Lua de emoção, lua de amor
Brilha no negro estrelado
Dama da noite em um mundo mal-amado
Musa dos poetas, dos amantes, da desilusão
Mãe das estrelas, filha da escuridão
–
Lua admira a menina que a admira
Menina melancólica alvo de ira
Das estrelas que a invejavam
Somente se lamentavam
A sorte de ser especial
Para uma lua imortal
–
Doce ciranda cantada
Da boca da criança abandonada
Suave molodia de som, linda harmonia de cor
Cantiga simples de leviano teor
Que aos corações frios derrete
E que aos vazios, aquece
–
Menina de sonhos, menina do sonhar
Menina da noite que aprendeu a amar
Seu reinado se esvaí
Assim que a lua caí
Seu sorriso jaz somente
Naquela lua linda e ausente
–
Menina, menina
Menina dos olhos da Lua
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