Menina Veneno

4 Longa Noite - capítulo 4


Notas iniciais
Olá, marcianos!

Olivia ajudou Elliot a sentar na cama novamente.

– O que ele disse, Liv? — perguntou ele, tentando deitar.

– Ah... Você passou mal por falta de hidratação, e falta de comida. — disse ela, batendo na barriga dele.

– Olivia, eu bebi três garrafas d'água na sua casa, como eu posso estar desidratado? — perguntou ele, coçando a cabeça. Olivia deu de ombros.

– Foi o que o exame indicou, El... — respondeu ela, sentando-se no sofá do quarto.

– Isso mesmo, detetive. — disse o médico, que agora, já estava ao lado dele.

– Eu me sentiria mais a vontade, se eu soubesse teu nome. — indagou Elliot, irônico. Olivia suspirou, e tentou esconder o rosto.

– Ok, detetive... — riu o médico. — Meu nome é Tyler.

– Ok, Tyler... Pode continuar. — respondeu Elliot, ainda com um sorriso irônico nas feições.

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Depois de Tyler responder todas as perguntas, tanto de Olivia, quanto de Elliot, ele foi embora, levando consigo, a bandeja de comida.

– Em quanto tempo eu saio daqui? — perguntou ele, mexendo no aparelho ao lado.

Bip. Bip. Bip.

– Acho que você pode sair ainda hoje. — indagou ela, se levantando.

Elliot apenas observou.

Quando viu que ela se agachara para procurar uma garrafa d'água, seus olhos se concentraram mais abaixo.

Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip.

Olivia se assustou com a continuidade de batimentos, que eram rápidos.

– Tudo bem, El? — perguntou ela, colocando a mão em cima do braço dele, que se arrepiou.

– Uh... Sim. — respondeu ele, de olhos fechados.

– Quer alguma coisa...? Como... Uma água, com açúcar? — perguntou ela. Elliot negou com a cabeça, mas logo respondeu:

– Acho que eu aceito uma água.

Olivia sorriu, e abaixou para pegar a garrafa d'água no frigobar.

Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip.

– El, você não está bem. — riu Olivia, enquanto colocava água no copo de plástico. Ele riu.

– Não, parece que não. — gargalhou ele. Olivia sorriu.

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Enquanto conversavam, risadas ecoavam no corredor. Apesar de estarem se forçando a rir mais baixo, as paredes, que eram bem finas, não ajudavam muito.

– El, chega! — pediu ela, ainda rindo. Elliot parou de rir, e fitou os olhos castanhos.

– Quero água! — pediu ele, como uma criança. Olivia sorriu, e foi até a bancada.

Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip.

– Elliot, esses batimentos estão me preocupando. — disse ela, com as mãos na cintura.

– Ah, nada de mais, Liv... — reclamou ele, ajeitando-se na cama. Olivia se aproximou dele, e o cobriu.

Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip.

– Elliot! — reclamou ela, com tom de voz alto. — Vou chamar Tyler, espere aqui...

Elliot tentou negar, não sabia o porquê de Olivia sempre ir àquele hospital, mas preferia não saber.

Já não gostava dele, afinal, Tyler era mais amigo de Olivia do que ele, e, afinal, de quem Elliot não tinha ciúmes, tratando-se de Olivia?

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Elliot estava com os olhos fechados, tentando processar todos os "bip", que seu coração produzira.

Ah, aquela mulher o levava à loucura!

– Olá, Elliot. — disse Tyler, entrando no quarto. Elliot abriu os olhos e olhou para o médico, depois, fechando-nos.

– Oi. — respondeu ele seco.

– Ei, eu sei que você não gosta de mim, e eu sei por quê. — riu Tyler. Elliot abriu os olhos, arregalados.

– Co-como assim? — perguntou ele, gaguejando. — Aonde está Olivia?

– Elliot, ela foi comer alguma coisa na lanchonete, agora, é papo de homem. — gargalhou o médico. Elliot o fitou.

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Depois de um par de horas conversando, Tyler finalmente chegou ao assunto que Elliot queria.

– Em relação ao que você pensa que eu e Olivia temos... — começou ele. Elliot se ajeitou na cama, olhando fixamente para o médico. — É impossível termos algo.

– Como assim? Você sabe, ela é uma mulher bonita, inteligente, decidida... — disse Elliot, dando uma pausa.

Sexy. – acrescentou o médico. Elliot riu.

– Sim, e... Você é um homem bem-sucedido. — continuou ele, com o rosto vermelho.

– Admito que existem várias mulheres atrás de mim, inclusive aqui no hospital. Mas... Olivia nunca estivera atrás de mim, e... Eu não estou interessado nela. — respondeu o médico, objetivamente. Elliot o fitou assustado.

– Como assim?!

– Elliot, preste bem atenção: todo homem, heterosexual, gostaria de "pegar" Olivia. — disse Tyler. Elliot assentiu com a cabeça, e o médico continuou: — Se eu não quero "pegá-la", eu não posso ser hétero.

– Oh, meu Deus! Você é gay! — disse Elliot chocado.

– Sim, Elliot! Acho que você descobriu meu segredo. — gargalhou Tyler, Elliot o acompanhou.

– Mas, como você e Olivia se conheceram? — perguntou Elliot. Tyler limpou a garganta com um grunhido.

– Nós nos conhecemos na escola. Éramos grandes amigos, e sempre planejamos uma vida próxima, mas ela escolheu a polícia, eu, a medicina. — respondeu ele, mexendo nos próprios dedos.

– E como vocês se encontraram? — perguntou Elliot. Tyler o fitou, e ele continuou: — Digo, como vocês se encontraram atualmente?

– Bem, Elliot... Eu estava de plantão, e ela chegou pra ver uma vítima, foi aí que nós nos reconhecemos, e eu fiz de tudo pra ajudar no caso. — respondeu ele sorrindo. Elliot assentiu com a cabeça.

– Ela nunca me contou sobre você, até me trazer aqui, ontem. — sorriu ele, envergonhado.

– Bem... — começou Tyler, sendo cortado por Elliot.

– Por que ela vêm aqui, com tanta frequência? — perguntou Elliot. Tyler murmurou palavras desconexas, mas logo respondeu:

– Bem, era isto que eu ia te contar agora... Ela quer muito ter filhos, disto você já sabe... E aqui, nós fazemos in vitro, e ela queria tentar. — respondeu ele envergonhado.

– Ela já tinha feito algum procedimento...? — perguntou Elliot, assustado.

– Como assim? Se ela já havia colocado esperma dentro de si? — perguntou Tyler, chocado. Ele era o quê? Parceiro, ou marido dela?

– Isso. — respondeu Elliot, engolindo em seco.

– Não! Ela nunca teve coragem suficiente, mas sempre vinha aqui. — indagou Tyler, parando de falar quando viu Olivia entrando no quarto. — Bem, detetive... É só isso mesmo, alguma pergunta?

Elliot sorriu, pelo fingimento do médico, mas não iria entregar que estavam falando dela.

Nope, eu entendi. — respondeu ele. Tyler sorriu, e saiu do quarto.

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Olivia entrou no quarto sorrindo. Já era alguma coisa os dois estarem se dando bem.

– Já se conheceram bem, huh? — perguntou ela, chamando a atenção. Elliot sorriu, e se fez de desentendido.

– Liv, eu só sei o nome dele. — respondeu Elliot, observando a expressão dela, se transformar, de tranquila, a inquieta.

– Bem, ele é amigo meu, de faculdade... Escola... Desculpe, e, nós dissemos um ao outro que sempre estaríamos um ao lado do outro... — começou ela, interrompendo-se, ao ver que Elliot queria falar.

For better or worse. – sorriu ele. Olivia assentiu, e soltou uma risadinha tímida.

– Isso mesmo... Mas... Eu escolhi a polícia, e ele a medicina. — continuou ela, com os olhos tristes. Elliot teve vontade de levantar daquela cama, e abraçá-la, mas isso entregaria os dois. Ela não podia saber que ele já sabia de tudo.

Até mesmo da fertilização in vitro.

– Bem... Nós nos encontramos por conta de um caso que nós tivemos. — concluiu ela, sorrindo.

– E você vem aqui com frequência? — perguntou ele, querendo que ela mesma dissesse sobre a fertilização.

– Não, não muito. Somente para visitá-lo. — sorriu Olivia.

– E... Ele já tentou...? — perguntou ele, querendo que ela dissesse que ele não era perigo, que ele não era... Que ele jogava no outro time.

– Não! Elliot, não conte a ele que eu te disse, mas... Desde a escola, ele diz que nunca se interessou por mulheres. — respondeu Olivia, tímida, envergonhada.

Que ele é gay, Olivia! Ele é viado!– pensou Elliot, controlando-se para não rir do próprio pensamento.

– Uh... Ele não se mostrou assim, Liv. — disse Elliot, sorrindo.

– Ele não parece, não é? — perguntou ela, parecendo que estavam falando do menino mais desejado da escola.

Nope, não parece mesmo, Liv... — sorriu ele, afastando o pensamento de que ela pudesse fazer in vitro, afinal, ela o tinha nas mãos.

E, ah! Como tinha!

– Bem, eu vou ver como está o seu estado, e, dependendo das circunstâncias, você já pode ir pra casa. — disse Olivia, radiante, saindo do quarto novamente.

Elliot ficou pensando ali, sozinho, em chamá-la para comer alguma coisa, num restaurante, ou até comer uma pizza, de delivery.

Existe uma coisa mágica chamada delivery, Elliot...

Ele riu, da voz dela em sua mente. Ela estava doente, e desta vez, quem estava doente era ele.

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Quando estava quase dormindo, não por sono, mas por tédio, Elliot lembrou-se do que ela havia dito depois de uma das piores brigas, de acordo com Cragen.

Well, like you said... You're the longest relationship I've ever had with a man...

– Sim... Liv, sim, eu sou... — murmurou ele, sorrindo. O sorriso desapareceu, ao ver Olivia entrando no quarto.

Ele não podia ser menos discreto?

– Oi... — murmurou ela. Ele a fitou, confuso.

– Liv...?

– El, você pode ir pra casa. — disse ela, radiante. Elliot sorriu, e pediu ajuda para levantar-se. Olivia foi até ele, e ajudou-no a ficar de pé.

– Eu... Vou me vestir, e... Depois você me leva? — disse ele. Olivia assentiu, e depois, sentou-se no sofá do quarto.

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Quando os dois saíram do hospital, já era noite, e Tyler estava na porta, esperando o carro se afastar.

Olivia deu partida no carro, e Elliot viu Tyler acenando.

– Ele é bem legal, Liv... — murmurou ele, sorrindo.

– Sim... — sorriu Olivia, olhando para a rua. Por um momento, Elliot desejou que eles ainda estivessem naquela festa, para que ele pudesse observá-la com aquele vestido por mais tempo.

Só que... Não! Ele não podia!

Se perdesse o controle, poderia arriscar a parceria e a amizade, que tinha com Olivia.

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Olivia e Elliot chegaram rapidamente ao prédio dele.

– Obrigado, Liv... — murmurou ele, sorrindo, enquanto saía do carro. Olivia assentiu, antes de pedir:

– El, qualquer coisa... Me ligue.

– Qualquer coisa? — perguntou ele, debochado, antes de fechar a porta do carro. Olivia assentiu e ele sorriu. — Ok, ligo sim.

Elliot bateu a porta do carro, correu até o prédio, e entrou. Já estava chuviscando, e se ele ficasse do lado de fora, pareceria um gato molhado.

Olivia observou-no entrando, para depois ir até o apartamento.

A noite seria longa... Para ambos.

Notas finais
revieeeews plsp´ska´p~sdps *u*