Tudo aconteceu em uma época gélida, a qual flores não ousavam desabrochar. Ambos atravessavam uma densa neblina em meio à escuridão, completamente sem rumo — mas precisavam sair dali.

– Aguente firme, Zero! — a menina de olhos aterrorizados o incentivou, sem muitos resultados. — Não... desista...!

A cada segundo que passava, sentia seu corpo enrijecer cada vez mais. Não estava pronta para isso.

Não podia ser verdade.

Procurava forças suficientes no seu interior para pronunciar alguma palavra, algo semelhante a um encorajamento, por mais trêmula e inaudível que encontre-se a sua voz. Yuuki exercia um tremendo esforço ajudando-o a caminhar; um de seus braços envolvia a cintura do rapaz. Desajeitadamente, estava dando certo; porém um grosso rastro de sangue o seguia, qualquer fosse o seu caminho.

Nesse momento, as lágrimas de Yuuki começaram a arder.

– Tudo... ficará bem, e você... vai conseguir... Zero... — ela falou entre soluços.

O olhar vazio do garoto fitava o chão coberto por gotas de orvalho, já ciente do que estava para acontecer.

Ele caiu em seus joelhos, trazendo-a consigo.

– Eu sinto muito... — ele começou a falar, em um sussurro — ...Yuuki...

Zero voltou seu olhar para o rosto da menina partida mais uma vez, pedindo aos céus para que ele lembre daquele precioso rosto, dali há alguns segundos.

– ...eu não vou.

O rapaz de cabelos prateados então descansou o queixo sobre o seu ombro, mantendo as pálpebras meio-abertas com grande dificuldade. O desolado choro da menina o estava arrancando pedaços; doía saber que ele era o motivo. Como último recurso para confortá-la, ele usou seu resquício de voz:

– Não chora, Yuuki — e sorriu.

Ela apenas fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, não contendo lágrima alguma.

O primeiro raio de sol do dia aparecera em meio às nuvens no instante em que outra alma foi levada embora.

Ele morreu sonhando.

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