Memórias de Um Guildmaster
9 Dia 13 - Silêncio Gélido / Dia 14 - Coveiro.
Dia 13 – Silêncio gélido.
É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas, e anima o gênio. Maldição, não consigo concentrar-me com esse “EmePeTrês” aqui. Por que raios a Vivian foi esquecer ele aqui? Ele tira minha concentração. Mas hoje está chovendo e muito nublado, e nada vai tirar minha inspiração. Ela não vai se importar de deixar o aparelho ficar aqui mais um tempinho, não é? (Droga, mas ele tira minha concentração...)
Ikarus era o mais encrenqueiro possível, ele provocava qualquer um na rua, enquanto Litos era a pessoa mais meiga possível, se pudesse, ela pararia para ajudar todos que necessitavam. Afinal de contas, por que uma Assasssin Cross e não uma High Priest?
— Mestre! — gritou aquele louco do Shark. Por que ele sempre me chamava de mestre? Não sei o motivo, mas eu gostava. — Se liga na base que eu achei!
— Mano, quem é esse pivete? — perguntou Ikarus, apontando para Shark que pulava como um louco.
— Pivete não cumpade! Shark! Shark in the Desert! Trema ao ouvir esse nome! — disse Shark, tentando parecer forte para Ikarus.
— Não chame-o de pivete, Ikarus! Ele é um simples Hunter ainda! — disse Litos, tentando proteger o pequeno Shark.
— Oh, meu Deus!! Quem é essa deusa que para em minha frente? Chega mais, a gente pode conversar. Eu sou Shark in the Desert, e não sou um simples Hunter. Eu sou "O" Hunter. — respondeu Shark, jogando seu cabelo para trás. Ele não devia ter feito isso.
— Fala isso de novo que eu te jogo pros dragões, Pivete! — respondeu Litos enfurecida.
— Mestre Tokay, tu tem que ver a base que eu achei pra nossa guild! Tu vai se amarrar!
Nós andamos um pouco e logo chegamos a um pequeno parquinho com várias crianças brincando. Tipo, ele não quis dizer que nossa base era o parquinho, né? Aqueles olhos brilhantes dele me assustavam...
— Não!! Mestre!! ROUBARAM nossa base! — gritou Shark de modo histérico. Era o que eu temia, ele realmente pensava que o parque das crianças era nossa base. Onde eu fui encontrar esse babaca...
— O que?? Essas crianças pegaram nossa base, Tokay? Quer que eu EXTERMINE-OS? — disse Ikarus, apontando sua flecha para as crianças. E eu que pensava que o Shark era babaca.
— Você está louco, Ikarus?? Nossa base não pode ser aqui! Eu teria vergonha de ficar aqui! — graças a Deus existe alguém nessa guild que me entenda!!
— Litos está certa, temos que procurar outro lugar, por que não alguma cidade? — peguntei.
— Sugiro que não, as cidades já são sedes de outras guilds, se escolherem uma, terão que dividi-las com outros clãs. — disse um estranho homem que apareceu ao lado de Shark.
— Miguel! Tu veio! — disse Shark abrindo os braços para abraçá-lo.
— Bom te ver primo! — respondeu o homem, afastando o garoto. — Eu sou Miguel, um High Wizard, e venho a pedido de Shark, unirei-me neste momento, à sua Guild.
Tipo assim: OH MY GOSH! Finalmente eu havia encontrado alguém que fala a minha língua, e não um louco que chega e fala assim: Eae véi, tudo em cima?? MEU DEUS!! Eu estou falando igual a ele agora?!
Miguel era um poderoso High Wizard, ele tinhas os cabelos vermelhos como o fogo, assim como os de Shark, e vestia uma grande capa azul com detalhes dourados, seus olhos pareciam com oceano. Ele apoiava-se em um cajado, mas não pela idade, pois era jovem, talvez pelo cansaço, pois sua capa era bem surrada e manchada de prováveis longas caminhadas passadas. Apesar de ser um mago, vestia algumas armaduras em lugares estratégicos de seu corpo. Era um homem bem reservado, misterioso e quieto. Ele preferia ficar sozinho e estudar sobre as artes do gelo. Não me lembro se ele usava óculos... usava?
Com a entrada de Miguel, a Elite estava completa e os melhores membros de minha guild estavam em mãos. A Guerra de Emperio se aproximava...
Mais tarde eu fui até a casa de Vivian devolver seu aparelho. Era uma casa bem grande se comparado a minha, a chuva já cessara, mas o céu permanecia nublado, e logo as estrelas começariam a enfeitar a escuridão da noite. Diversos fantasmas perambulam pelas ruas com lapiões que liuminam o céu. Quando anoitece, as sombras entram em ação, e é possível encontrar-se com o grande Lord of Death em Niflheim, porém ainda não tive oportunidade de encontrá-lo desde que cheguei. (Ele é meu ídolo!!)
A pior solidão é não ter amizades verdadeiras. Mas pergunto-me como eles devem estar do outro lado...
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Dia 14 – Coveiro.
Os fantasmas acordam cedo, muito cedo. Parece uma lei, aos primeiros raios de sol você já está de pé. E foi nesse horário que ouvi um vizinho em minha porta. Estranho, visitas? Eu nunca recebo visitas... Deve ser conta, se alguém vem me visitar é pra cobrar algo...
— Tokay? É o Stanley, o Coveiro está voltando! — disse o homem que batia na porta.
Coveiro...? Do que ele estava falando? Tipo assim... Eu conhecia dois coveiros... Um deles que fazia ronda num cemitério da minha cidade enquanto eu era vivo, e tem o segundo coveiro, que é aquele que eu roubei a casa.
— Melhor correr, ele está chegando! — respondeu Stanley indo embora.
COVEIRO?? Meu Deus, eu estou morando em uma casa emprestada!! Eu tinha até esquecido!! Maldição, por que a morte não levou esse velho?? Droga, o que eu faço?? Foi tudo muito rápido, eu ainda estava com sono e esfregando os olhos. Arrumei-me rapidamente para tentar dar uma explicação para aquele coveiro que já estava na porta. Eu decidi encarar os fatos e desculpar-me.
Ao abrir a porta deparei-me com o fantasma de um senhor. Ele tinha os cabelos bem brancos e uma longa barba da mesma cor. Seu rosto era bem marcado pelo tempo, ele andava um pouco encurvado e com as mãos para trás. Suas roupas eram bem simples e muito surradas. As botas eram cobertas por lama e seu cinto prendia uma camisa, á altura do umbigo. Quando eu falei que eu queria que a morte tivesse levado esse velho eu falei brincando!!
— O Senhor é Tokay, não é? — perguntou o velho com dificuldade.
— Perdoe-me senhor coveiro! Eu não tinha a intenção de invadir sua casa! Não se preocupe já estou de partida! — respondi preocupado e envergonhado.
— Não meu jovem, vim agradecê-lo por cuidar de minha casa por todo esse tempo, e agora como pode ver, eu estou morto, e estou partindo para o céu. — disse o velho dando um sorriso. — E agora estou deixando essa casa para você, junto com tudo que há nela.
Tipo assim... Porque ele tá indo pro céu direto e eu tenho que esperar?? Ah, já saquei, eu vou pro inferno, não é? Tudo bem eu não vou ficar triste não! Aff, deixa eu riscar essa parte brisada. O Velho coveiro falecera e sua casa agora pertencia a mim.
— Perdoe-me senhor, mas o que são estas figuradas esculpidas de madeira que fazia? Você já foi um guerreiro? — perguntei segurando um Ktullanux de madeira em minha mão.
O Velho sorriu e disse: — Passatempo.— E partiu para a eternidade...
Aquela noite, pela primeira vez, senti-me em casa, e Vivian veio pois soubera da noticia. O velho coveiro, caiu no esquecimento, pois não há ninguém vivo que se lembre. Amanhã o dia será longo, longo como a eternidade... (Nossa, aquele coveiro era estranho mesmo!)
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