Memória Perdida
16 Capítulo 15 Nervos Fora Do Controle
Notas iniciais
Eu tentei postar ontem, mas não consegui...
Não me odeiem por causa desse capitulo, tudo vai se resolver.
Bjs
Ian Kabra secou as lágrimas.
Trancado no banheiro, ele não conseguiu mais segurar as lágrimas que estava escondendo desde a noite anterior.
Natalie sumiu!
Ninguém tinha dormido nada naquela madrugada. Sinead e Victor passaram a noite toda diante dos computadores tentando rastrear Natalie pelo aparelho que estava preso a seu corpo. Amy passou a noite toda pendurada no telefone, avisando o maior número de Cahill sobre os Vesper. Hamilton por sua vez, ficou o tempo todo na cozinha, preparando café para os demais.
Ian não conseguiu fazer nada de útil. Depois de tentar ajudar Sinead e Victor e até mesmo tentar fazer um café com Hamilton, Amy percebeu como ele estava abatido e ordenou que ele fosse dormir.
Como se fosse possível!
O moreno se olhou no espelho do banheiro. As olheiras que tinham sumido do seu rosto depois que a busca pelas pistas terminou voltaram.
Ian bufou e lavou o rosto antes de sair do banheiro.
Os primeiros raios de sol entravam pelas janelas do quarto.
Alguém bateu na porta do quarto.
- Entre. – Ian disse, esperando que fosse Amy.
E era.
A ruiva entrou. Ela tinha tirado o vestido de festa e colocado uma calça superfolgada de Hamilton e uma regata gasta de Sinead, porém ainda estava com o mesmo coque que usou na festa e ainda havia resquícios de maquiagem em seu rosto.
- Como você está? – Ela perguntou, aproximando-se devagar.
- Cansado. – Ian admitiu.
Ele não precisava ter dito isso; Amy viu o cansaço no rosto dele. Depois de tudo que viveram na noite anterior, ela não teve tempo de pensar no que aconteceu na pista de dança. O sabor dos lábios de Ian ainda estava na boca dela.
- Eu e Sinead conversamos e nós achamos que Natalie foi levada para o mesmo lugar que Dan está. – Amy caminhou até a própria mochila e fingiu estar ocupada para não olhar para Ian e acabar corando. Ela sentia o olhar dele em suas costas. – A mensagem de Dan parece ter vindo de uma frequência perto de onde nós perdemos o rastro de Nat...
Ela parou de repente, percebendo a burrada que fez.
- Vocês perderam o rastro dela? – Ian quase gritou.
Amy largou sua mochila e conseguiu olhá-lo nos olhos.
- O sinal ficou fraco e depois sumiu. – Ian chutou com força a cômoda que estava perto dele. Amy parou de falar e se encolheu.
O coração de Ian apertou quando ele viu o rosto apavorado de Amy e percebeu que ela estava segurando o choro. Sua raiva repentina se transformou em vergonha. Ele deu alguns passos na direção dela:
- Amy, eu não queria assustar você eu... – Ela o abraçou de repente, cortando suas palavras. – Ei, vamos achar eles, nem que eu precise caçar Vesper por Vesper desse planeta.
Amy o encarou. Os olhos do garoto estavam tão escuros que pareciam ter perdido o tom âmbar natural, mas, enquanto ela o observava, o tom natural retornou, talvez porque ele estava um pouco mais calmo.
- Estamos na mesma situação agora. – Amy falou enquanto colocava uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Juntos somos fortes.
Ian a observou. Ela era cerca de vinte centímetros mais baixa que ele e o seu coque estava despenteado. A maquiagem destruída e as olheiras azuladas. Os lábios estavam se cor.
- Juntos. – Ele repetiu, ainda em transe. Ela era linda demais. Toda a tristeza que estava sentindo alguns minutos antes se transformou em esperança. Ian beijou o topo da cabeça dela. – Juntos.
Eles continuaram abraçados por mais alguns minutos antes que Sinead entrasse sem bater no quarto:
- Amy. Ian. – Ela apontou para os dois. – Acho que eu descobri o paradeiro de Dan e Natalie.
Os dois seguiram Si até um dos computadores.
Um mapa-múndi estava ampliado na tela do computador e mostrava a Europa. Dois pontos – um preto e o outro azul – brilhavam lado a lado.
- O ponto azul vem do sinal do aparelho de Natalie. – Sinead explicou para todos que estavam na sala. – Eu e Amy achamos que Nat e Dan poderiam estar no mesmo lugar, então eu foquei a minha busca pelas ondas que trouxeram a mensagem de Dan nessa área e pin! eu estava certa!
A Ekaterina estava com um sorriso triunfante no rosto.
- Temos que planejar uma forma de chegar nesse lugar. – Amy disse, eufórica.
- Alemanha. – Sinead falou. – O mapa está apontando para Berlin, mas, se olharmos as coordenadas, podemos ver que o ponto não é realmente em Berlin e sim mais ao norte da cidade.
- Talvez seja uma base Vesper. – Foi a vez de Ian falar. – Não sabemos quantos Vesper podem estar nesse lugar nem como ele é.
- Ian está certo. – Victor se levantou do sofá onde estava deitado, segundos antes, com um notebook no colo. Ele parecia não estar prestando atenção. O rapaz estava descalço, mas ainda usava a camisa de linho branco e a calça de seda que usou na festa. – Tomei a liberdade de entrar na lista de antigos agentes Ekaterina que saíram do clã.
- E daí? – Resmungou Ian. Ele não gostava da forma como Victor olhava para Amy.
- Achei um antigo agente que saiu do clã nos anos 1990 e que foi preso várias vezes depois disso por assassinato, mas, por incrível que pareça, ele sempre conseguia fugir. – Victor pousou o notebook na mesinha de centro e virou para todos. Na tela a foto de um homem gordo e com um dente de ouro piscava. – Seu nome na época era Isaac Raves, mas consta aqui que essa pessoa foi dada como morta no ano de 2003, ou seja, ele está usando um nome falso de Isaac Smith e está morando em Zurique.
Quando Victor enfim parou de falar, Amy foi a primeira a se pronunciar:
- Você quer que a gente interrogue esse homem? – Seu rosto era de puro nojo. – Ian tinha me dito que os Ekaterina eram gênios e não assassinos.
- Os Cahill são assassinos. – Corrigiu Hamilton. – Todos nós, não importa o clã.
- Isaac era um gênio. – Completou Victor. – Ele mesmo que criava venenos e injetava nas pessoas para testar seus efeitos. Geralmente esses venenos eram fatais.
Hamilton pegou o notebook que estava na mesinha de centro e leu por alguns segundos antes de falar:
- Aqui diz que ele trabalha em uma boate. – Ele levantou os olhos. – Só me faltava esse cara fazer striper!
Ham conseguiu o que queria: arrancou uma gargalhada ou um sorriso de todos os que estavam ali. O clima pesado fazia com que ele se lembrasse da busca pelas pistas. O loiro fez uma nota mental lembrando-se, de repente, que fazia uma semana que não ligava para os seus pais e as suas irmãs, que ficaram em Milwaukee.
- Não sei o que ele é, mas hoje mesmo eu vou para Zurique interrogá-lo. – Disse Victor. – É melhor que eu vá sozinho ou com apenas uma pessoa. Se formos todos, ele provavelmente vai fugir.
Antes que qualquer um se dispusesse a ir, Amy deu um passo a frente.
- Eu vou com você.
- Você enlouqueceu? – Gritou Ian, virando-se para Amy. – Você acha realmente que eu vou te deixar ir sozinha interrogar um assassino?
Ela bufou.
- Em primeiro lugar, eu não vou sozinha. – Ela estava falando mais alto que o normal. – Segundo: você não é meu pai. – Ela apontou para Ian. – E eu acho que já convivi o suficiente com assassinos.
Aquelas últimas palavras pairaram no ar. Ninguém dizia nada. Ian arfava com força, os olhos arregalados.
Amy percebeu o que tinha dito. Na verdade, ela não entendia porque tinha dito aquilo. Por que aquelas palavras saíram de sua boca? Minutos atrás ela estava nos braços de Ian, sentindo uma nova recarga de esperança e agora tinha dito aquilo para o garoto.
Ian deu meia volta e puxou um casaco que estava pendurado ao lado da porta de entrada antes passar por esta e batê-la forte.
Amy quis sair correndo atrás dele e berrar o seu nome, mas seu corpo parecia não querer responder. Ela não conseguia se mexer ou falar qualquer coisa.
Sinead olhou para os garotos que estavam petrificados diante daquela cena – ninguém entendia porque Amy perdeu a cabeça – e depois fez Amy se sentar no sofá.
- Vamos planejar. – Ela falou apenas para cortar o silêncio. Hamilton, Victor e ela começaram a planejar os detalhes e Amy apenas assentia com a cabeça, pois sua mente estava presa em um par de olhos cor de âmbar.
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- JONAH! JONAH! JONAH!
Uma multidão de fãs e repórteres cercaram Jonah Wizard assim que ele passou pela por de desembarque.
Ele pretendia vim para a Reunião Anual Cahill, mas o seu jatinho teve um problema de ultima hora e ele não conseguiu embarcar. Ao que parecia, esse problema o tinha salvado de uma verdadeira catástrofe que foi a Reunião.
Broderick Wizard estava ao lado do filho, ajudando os seguranças a conter a multidão.
Jonah tinha acabado de desembarcar na Suíça e iria imediatamente para o belo chalé de Sinead, onde poderia ajudar nas buscas por Dan e – segundo suas informações mais recentes – Natalie Kabra.
Depois de muito empurra-empurra e algumas fãs enlouquecidas machucadas, Jonah e o pai conseguiram enfim entrar na picape que os esperava do lado de fora do aeroporto. Com sorte, nenhum paparazzo o seguiria até a casa de Sinead.
Quando o carro já tinha deixado a multidão para trás, Broderick perguntou ao filho:
- Você está bem, Jonah?
O garoto levantou a cabeça, fazendo os colares que carregava no pescoço baterem um no outro gerando um leve barulho.
- Estou. Está tudo bem, pai. – E ele abriu o seu mais belo sorriso.
De repente o seu celular começa a tocar. “Número desconhecido”. Jonah virou o celular para o pai, perguntando em silêncio o que fazer.
- Deve ser alguma fã que conseguiu o seu número... – O celular continuava a tocar. –... Ou uma emissora de televisão querendo marcar uma entrevista. Atenda.
Jonah deu de ombros e fez o que o pai disse.
- Alô.
- Jonah...
O coração do hip-hop parou de bater e seus olhos buscaram os olhos do pai. De repente, ele esqueceu como se fazia para respirar.
Não era nenhuma fã. Não era nenhuma emissora de TV.
Aquela era a voz de Nellie!
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Primeiro foi o braço de Natalie que acertou a barriga de Dan.
Depois foi a perna dele que chutou as costas dela.
Por ultimo foi a mão dela que acertou o rosto dele.
Talvez eles se machucassem menos se estivessem brigando e não tentando dividir um colchão estreito!
- Chega! – Disse Dan, sentando-se.
- Fique quieto e pronto! – Resmungou Natalie enquanto virava de costas e fingia estar dormindo.
- Mas eu não sei o que fazer com os meus braços!
A luz do dia já entrava pela janela do quartinho e eles não tinham dormido nada. Depois que Natalie se recuperou de seu “momento bipolar” (como Dan apelidou mentalmente), eles resolveram dormir um pouco, pois a morena parecia ainda estar dopada e estava com sono.
Natalie bufou.
- Corte eles então. – Ela resmungou para Dan.
- Ha-ha-ha. – Dan fingiu estar rindo e depois empurrou Natalie. – Eu fui sequestrado primeiro, tenho direito a um pedaço maior do colchão.
Aquilo irritou Natalie:
- Você chegou primeiro, mas eu que sou a mulher aqui. – Então, só para provocar, ela completou: — Ou não?
Dan puxou o travesseiro onde ela apoiava a cabeça. Era o único que tinha ali.
- Então o travesseiro é meu!
- Nem pensar! – A morena se pôs de pé e agarrou o outro lado da fronha. – Eu não consigo dormir sem travesseiro. Peça um para esses Vesper idiotas que não sabem que um+um é dois!
O travesseiro ia de um lado para o outro até Natalie dar um puxão forte e soltá-lo das mãos de Dan. Ela pulou no colchão e prendeu o travesseiro com a cabeça.
- Ganhei! Vai ter que dormir no chão! – E ela caiu na gargalhada.
Dan bufou e, indo contra todas as expectativas de Natalie, se deitou ao lado do colchão no chão frio e duro.
Natalie parou de rir ao ver aquela cena. Ela revirou os olhos e se deitou novamente, achando que o menino estava apenas brincando com ela, mas alguns minutos depois ela continuou sozinha no colchão. Natalie não conseguia fechar os olhos.
Mais espaço para mim! Ela pensou, tentando se manter indiferente, mas não conseguia parar de pensar em Dan dormindo no chão e ela com o colchão só para si. Cadê a velha Natalie que não se importava com nada nem ninguém?
Mais alguns minutos se passaram antes que ela bufasse e se sentasse no colchão.
- Dan. – Ela chamou, mas ele abriu um olho só e depois o fechou novamente, ignorando-a. – Dan! Eu sei o que fazer com os seus braços.
- Cortá-los? – Resmungou o menino, baixinho.
- Isso, idiota! – Então ela o puxou para o colchão e Dan se deixou levar. Natalie se deitou e puxou os braços do menino para si. Os braços de Dan envolveram o corpo dela.
O garoto sentiu toda a sua pele se arrepiar quando sentiu a pele macia da barriga de Natalie com as mãos. Ainda custava a acreditar que era mesmo Natalie Kabra que tinha o puxado e que tinha colocado os seus braços em torno do próprio corpo.
Natalie sentiu as mãos quentes de Dan. Ela nunca dormiu tão perto de alguém, nem mesmo de sua mãe e lá estava ela, puxando os braços de Dan para que eles a abraçassem.
Que se dane!
E então eles pegaram no sono, cada um com seus próprios pensamentos sobre o outro.
Notas finais
Bom, Ian e Amy brigaram e eu ñão culpo ela, porque a vida sem memoria deve ser um inferno. Mas tudo se acalma. Ainda tem muita ação por ai!!!
Bjinhos sangrentos.... e preparem o coração para o proximo capitulo!
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