Memories

20 In my dreams


Notas iniciais
Espero que vocês ainda se lembrem dessa história e tudo que tem acontecido com ela até o momento. Parte da demora para atualiza-la foi falta de tempo, e a outra parte foi simplesmente por conta de pesquisas. Como sabem, Regina nessa fanfic tem o problema com as pernas, e eu não queria simplesmente não descrever nenhuma cena do momento da fisioterapia que ela precisa fazer, para voltar a andar com as pernas. Então eu passei muito tempo pesquisando cada detalhe, pra poder conseguir entender e escrever sobre esse momento. Mesmo que eu não tenha colocado muita coisa, ainda sim as pesquisas e ajuda de algumas leitoras foram muito importantes para o que foi descrito nas cenas. Espero que vocês entendam que a demora se deu mesmo, porque eu não sou o tipo de autora que ecreve sobre um assunto que não é familiarizada sem pesquisa alguma. Sem base alguma. Possa ser que eu tenha colocado algo errado. Afinal, não sou dessa área e tudo que eu sei foi com base nas pesquisas, mas ainda sim, eu não quis ofender ninguém que passe por isso, ou que saiba do assunto, e passei um tempo pesquisando sobre o assunto, para não escrever besteiras, igual certas - por aí com alguns temas.

20º Em meus sonhos

[Regina]

— Regina, a Dr. Page está lá embaixo à sua espera... — Disse minha mãe, ao abrir a porta e adentrar em meu quarto. Eu estava jogando Song Pop em meu celular, mas parei assim que ouvi sua voz e o nome dito por ela. — Vamos descer? — Indagou-me, já pegando minha cadeira de rodas e a colocando perto da cama.

— Ela é a minha fisioterapeuta? — Mamãe assentiu, colocando-me em minha cadeira e me empurrando para fora do quarto. — Mamãe, como a senhora conseguirá me descer pelas escadas? — Indaguei curiosa, ao notar a ausência de meu pai ou Zelena.

— A Dr. vai nos ajudar assim que chegarmos no topo da escada. — Meu coração acelerou com a resposta. Eu estava torcendo para que não fosse quem eu pensava que fosse.

Ao chegar à ponta das escadas, vi uma mulher, aparentemente de meia idade, de costas, cabelo longo e escuro, mas com mechas claras, falando ao celular.

— Dr. Page? — Minha mãe chamou sua atenção, fazendo-a se virar no mesmo momento e permitindo que eu visse seu rosto.

Então pude constatar que sim...

A mulher que estava no fim das escadas, esperando-me para começarmos a minha fisioterapia, era ela.

Kristin Page. Mãe de Lilith Page.

— Boa tarde, Regina! — Cumprimentou-me animada, abrindo um enorme sorriso. Estava diferente do que eu me lembrava.

— Boa tarde... — Respondi forçadamente, enquanto ela vinha ao meu encontro, no topo da escada.

•§•

— Como você passou muito tempo acamada, faremos os movimentos passivos, pois você não tem força suficiente no corpo. — Começou explicando, de forma séria. Em nenhum momento ela demonstrou me conhecer, ou muito menos se lembrar de algo que aconteceu no passado.

Será que tudo o que eu me lembro de ter acontecido entre nós, Emma e sua filha, realmente aconteceu? Será que mais uma vez, foi apenas mais uma história criada pelo coma e tudo o que eu lembro é falso? Será que é apenas mais uma coincidência, ela ser a minha fisioterapeuta? Ou será que ela é apenas uma boa atriz?

— Ela vai sentir alguma dor? — Minha mãe pergunta, interrompendo os meus pensamentos.

— Os movimentos serão lentos e fracos, a princípio. Se mesmo assim ela sentir qualquer desconforto, nós paramos. — Explicou para minha mãe, que empurrava minha cadeira e apertava meu ombro, como uma espécie de apoio. Estávamos indo para a parte coberta do jardim. Além de ser mais arejado, tinha espaço de sobra.

— Eu vou poder ficar aqui, acompanhando?

— Será maravilhoso ter alguém aqui, para incentiva-la. Principalmente a mãe. — Responde, virando-se para nós e andando de costas. Estava sendo uma ótima profissional. — Mas caso a paciente sinta-se desconfortável com a presença de terceiros, seria melhor que não. — E olhou para mim, como se estivesse me questionando.

— Pode ficar conosco, mãe. — Digo-lhe, apertando sua mão que ainda está em meu ombro.

— Obrigada meu amor. — Beija minha cabeça.

— Sra. Mills, preciso que traga um colchonete. Pode ser? — Paramos ao chegar ao nosso destino. De onde estávamos, podíamos ver quem chegava e quem saia de casa, além de ver quem passava na rua, perto da saída. Um ótimo lugar para vigia. Diga-se de passagem.

— Claro, só um minuto. — Rapidamente minha mãe se afasta de nós duas, deixando-nos a sós.

— Ah! — Vira-se para mim. — Eu gostaria de pedir que você trocasse de roupa e colocasse algo que deixasse suas pernas livres e confortáveis. — Disse, logo após minha mãe se afastar.

— Tem que pedir a minha mãe. — Aponta para dona Cora, já um pouco longe de nós.

— Sra. Mills? — A doutora a chamou. — Traga uma vestimenta mais confortável para a sua filha. — Mamãe assentiu rapidamente e logo sumiu de nossas vistas.

— Você acha que eu tenho chances de voltar a andar? — Indago algo que eu estava tendo dúvidas desde o dia em que abri meus olhos, em todas as realidades que já estive, sendo elas reais ou não, em que estou nesta condição, e não senti minhas pernas funcionarem como deveriam.

— Todas. — Responde convicta. Ao olhar minha expressão surpresa, ela sorrir. — Você não sofreu nenhuma lesão na coluna. Com isso você já ganhou uns 50 pontos positivos para a sua recuperação. — Explica de forma animada.

— Então eu tenho quase cem por cento de chance? — Indaguei esperançosa.

— Quase isso... — Fez um gesto com as mãos e eu senti as esperanças esvaírem-se aos poucos. — Seu problema foi ter passado bastante tempo acamada, sem usar suas pernas. O sangue não circulou, por isso que ficaram fracas. Apesar de uma perna ter ficado com aquele enorme ferro preso, ele não afetou nada que pudesse te prejudicar... — Explica-me calmamente, tocando em minha perna direita. — Acredito que deixou apenas uma cicatriz enorme.

— Sim... — Confirmo, passando a mão onde a marca está.

— Sabe Regina... — Murmura em tom pensativo. — As pessoas esperam resultados mágicos da fisioterapia. Em duas ou três sessões, querem ver resolvido seu problema. Mas na verdade, não há mágicas, e o resultado do tratamento depende da colaboração do paciente. — Aponta para mim. — O primeiro passo é querer. Você tem que querer fazer a fisioterapia. — Balanço a cabeça afirmativamente e lembro-me de quando encontrei Emma em Miami, em um dos meus sonhos, não sei, e ela me disse para não desistir. — Segundo, você tem que acreditar que vai conseguir. Se você manda pensamentos positivos para o seu cérebro, as chances de você voltar a andar serão maiores... — Faz uma pausa, levantando-se do gramado. — Pense em um bom motivo para servir como estímulo. Ajuda muito... — De repente, lembrei-me novamente da Emma de minha vida, infelizmente ilusória, pedindo-me que eu não desistisse de tentar, quando nos encontramos em Miami, e quando estávamos nos despedindo, quando voltamos do passeio de lancha. — Quem sabe alguém... — Pisca um dos olhos e sorri. Novamente volto a pensar em Emma e seu pedido. Depois de conhecer todas essas Emmas dessas realidades falsas, ou não, criadas por minha mente, mesmo alguma delas não existindo, e depois de ouvir o que Ruby me falara da possível Emma real, a Emma dessa realidade, eu sei que é exatamente o que ela me diria nesse momento, se estivesse aqui comigo. Para tentar. E se não conseguir, para não desistir e tentar no dia seguinte de novo. Pois o amanhã será um novo dia. Um novo dia de e para recomeço.

•§•

Após uma hora contada no relógio, de estímulos em minhas pernas, eu já estava cansada e sentindo muitas dores. Pedi para que Kristin parasse um pouco e ela decidiu por encerrar a sessão e voltar outro dia, para continuar.

Em nenhum momento que ficamos a sós, Kristin demonstrou já me conhecer antes. Em nenhum momento, ela demonstrou saber ou se lembrar de alguma coisa do passado, que ocorreu entre mim, ela, sua filha e Emma. Ela não demonstrou absolutamente nada.

Cheguei então, a conclusão de que talvez, tudo tenha sido apenas uma grande coincidência. Talvez, tudo tenha sido apenas uma imaginação de minha cabeça. Talvez, tudo tenha sido apenas um mundo paralelo que minha mente criou durante o coma. Talvez, tudo tenha sido apenas a forma que minha mente criou, para fugir da realidade.

É...

Talvez esse seja mesmo o meu mundo real e eu só tenho que aceitá-lo.

•§•

— Emma? — A ligação estava péssima. — Onde você está? — Tapei o outro ouvido, para tentar ouvi-la melhor.

— Oi meu amor... — Consegui ouvi-la dizer após andar um pouco pela sala do nosso apartamento. Eu havia voltado da Alemanha mais cedo que o previsto e não avisei a minha noiva, para poder fazer uma surpresa para ela. Estava morrendo de saudade e louca para abraça-la e beija-la. Principalmente depois dos pesadelos terríveis que eu tive, em que eu havia sofrido um acidente e nem mesmo a conhecia, em algumas das vezes. Mas aparentemente a minha ideia de surpresa tinha falhado, já que eu abri a porta do apartamento e dei de cara com o escuro. — Eu estou na fazenda, por isso a ligação está ruim. — Explica-me. — Onde você está?

— Em nossa sala, louca de saudades de você... — Sentei-me no sofá, já começando a tirar meus saltos que estavam acabando com os meus pés.

— Amor, por que não me disse que estava voltando? — Indaga. Sua voz em tom de decepção.

— Eu queria fazer uma surpresa para a minha noiva. — Rebati com uma voz de criança contrariada. Emma sempre caia nessa e me perdoava por qualquer coisa.

— OK... — Disse logo após me ouvir e eu comemorei com pequenos socos no ar. — Não saia daí, chegarei em duas horas e meia.

— Eu não me mexerei. — Rebati sorrindo. — Até daqui a pouco, meu amor. — E ao mesmo tempo, encerramos a ligação.

Após retirar meus saltos e joga-los para longe de mim, jogo meu celular no acento ao lado, retiro minha roupa e sigo direto para o banheiro. Precisava de um bom banho relaxador, e precisava também, estar renovada para quando a minha linda chegasse. Com a saudade que estávamos uma da outra, eu iria precisar de muita energia.

Após um demorado banho de banheira, totalmente cansada da viagem e não aguentando esperar minha loira chegar, jogo-me na nossa cama, torcendo para que Emma me acorde quando chegar e que eu esteja bastante descansada. Logo minha mente começa a se desligar, anunciando a chegada do sono.

•§•

Acordo de repente, dando um pulo da cama, sentindo-me bastante suada e olho ao redor, observando o lugar onde eu estou. Por um instante pensei que tudo tivesse voltado ao normal, até olhar para a parede da frente e ver o quadro que Emma havia me dado, de acordo com Zelena, e reconhecer que o quarto em que eu estava não era o nosso, mas sim, apenas o meu, que fica na casa da minha mãe.

Pego meu celular debaixo do travesseiro, vendo na tela de desbloqueio uma foto minha e do meu pai, só para constatar que realmente havia acontecido mais uma vez.

Novamente eu havia sonhado que tudo não passou de um sonho e que a minha realidade verdadeira era a primeira de todas as lembranças que eu tenho. A realidade em que eu não havia sofrido acidente algum, estava para fazer uma viagem a trabalho e era noiva de Emma.

Para piorar a situação, tudo parecia tão real, que não bastava eu sentir tudo que acontecia, mas tinha que acontecer simplesmente como se fosse uma continuação de minhas lembranças, como se realmente tudo que tenho vivido desde que acordei do coma, fosse um sonho interrompendo a realidade.

Argh! Eu não aguento mais dormir e viver outra vida em meus sonhos. Não aguento uma hora está andando, outra hora está sofrendo por não andar. Em um momento eu conhecer a Emma, em outro eu não a conhecer.

Eu só... Não aguento mais... Não aguento mais não saber em qual realidade acreditar. Não aguento mais dormir, sonhar com algo tão real quanto quando estou acordada, e ficar na confusão sem saber em que devo acreditar.

Eu só não aguento mais preferir viver em meus sonhos, que eu nem sei se posso chama-los assim, já que todos parecem reais demais, e eu simplesmente não tenho prova alguma de qual a verdade, porque neles, aparentemente minha vida é melhor e não é confusa.

Eu só não aguentava mais.

•§•

Após um animado momento entre meus pais e minha irmã, na hora da janta, Zelena me levou para o jardim e me colocou na enorme rede que, mais cedo, papai colocara para mim, entre algumas árvores.

Estava uma linda noite, nem muito quente e nem muito fria. A lua estava linda, grande e cheia, no topo do céu e as estrelas pareciam brilhar mais forte naquela noite.

De repente eu encarei a minha irmã que olhava de forma bastante concentrada para a tela do celular, e me pus a pensar.

Será que ela é a mesma?

Será que ela é a mesma Zelena Mills das minhas melhores memórias?

Ontem depois de minha cessão com o Dr. Lake, ao me questionar sobre o que estava acontecendo por eu estar tão calada, e eu lhe ter respondido que era uma situação complicada, ela disse que poderia tentar entender.

Será que realmente entenderia? Será que acreditaria? Será que me daria forças igual a Zelena que eu me lembro, deu-me quando eu contei sobre Emma e fomos para Miami?

— Zelena? — Chamei-a baixinho, ainda criando coragem. Eu queria tentar. Queria descobrir se era mesmo a minha Zelena, apesar de tudo.

— Você me chamou? — Indagou baixinho, ainda olhando para a tela do telefone.

— Sim. — Respondi depois de um longo suspiro. — Podemos conversar? — E então, rápido como a luz, Zelena já estava sentada em minha frente, dando-me total atenção.

— Quando você fala assim, é porque a coisa é séria. — Comenta.

— Bem... Digamos que sim... — Olhei ao redor, pensando em uma forma de como começar aquela conversa, sem parecer estranha. Apesar de que eu acho que seria impossível.

— Estou atenta. — Disse, encarando-me com seus lindos olhos claros.

— Você se lembra do que eu disse quando chegamos do hospital, quando recebi alta? — Espremeu os olhos, como se tivesse tentando se lembrar. Mas como provavelmente não conseguiria, então decidi continuar: — Você comentou que eu estava muito calada, e respondi que se eu te dissesse o que estava acontecendo, você não entenderia, pois é complicado. — Expliquei.

— Sim, eu me lembro disso... Você vai me contar agora? — Assenti rapidamente, temendo que a coragem para me abrir, fosse embora.

— Você promete me ouvir por completo e só questionar quando eu terminar? — Cruza os dedos e dá um beijo na ponta. — Bem... — Respirei fundo, ainda cogitando a possibilidade de desistir. Mas como eu já tinha começado, não iria mais parar até terminar. — Como mamãe te contou... — Ela balançou a cabeça afirmativamente. — Devido ao coma, eu estava com a mente um pouco confusa, mas a verdade é que... — Fiz uma pausa. Ou seria agora, ou não seria nunca. — A verdade é que enquanto eu estava em coma, eu vivi toda uma vida, e isso para mim, foi verdade até eu acordar e saber que foi apenas uma fuga da realidade que minha mente criou, e que na verdade, eu estive em coma.

— Me deixa ver se eu entendi... — Estende uma mão em minha direção, indicando seu pedido, e olha para cima, como se estivesse pensando. — No coma, você sonhou com outra realidade, e isso foi tão real que você achou que fosse a verdadeira, e que não estava em coma coisa alguma? É isso? — Assenti. — Tá, mas... O que tem de complicado nisso? Por que eu não acreditaria nisso? — Deu de ombros. — Eu já ouvi histórias assim antes, em documentários...

— Então... Agora é que vem a parte complicada e você vai precisar prestar bastante atenção para poder entender. — Pedi, vendo-a balançar a cabeça várias vezes, de modo afirmativo. — Na minha vida vivida durante o coma, eu acordava de um coma, onde acontecia a mesma coisa que aconteceu aqui... — Vi a expressão de minha irmã se converter em uma grande interrogação e por um instante eu tive vontade de gargalhar. — Você está entendendo até agora?

— Mais ou menos... — Estreitou os olhos. — Mas pode continuar. — Pediu bastante empolgada.

— Nesse sonho que eu tive, eu acordava de um coma sem saber totalmente de nada do que tinha acontecido, nem mesmo que estava no hospital por causa de um acidente que eu tive três anos atrás. Minhas únicas lembranças eram de que eu estava indo para a Alemanha a trabalho, e estava noiva de alguém... — Fiz uma pausa para que Zelena pudesse fazer alguma pergunta, que eu sei que ela queria, e também para poder entender tudo o que eu dizia.

— Quem? — Indagou curiosíssima.

— De Emma... — Sussurrei. Ela abriu a boca, provavelmente surpresa, mas logo a fechou.

— Continue... Isso está interessante... — Balancei a cabeça negativamente, sorrindo. Até que ela parecia com a Zelena que eu me lembro.

— Bem... Eu estava noiva dela. Tínhamos nos conhecido em Miami, em uma viagem de férias que eu fui com você, e depois de ficarmos algumas vezes, namoramos e noivamos. Então quando eu me acordei, essas eram as lembranças que eu tinha e achei que fosse verdade até o Doutor me contar tudo.

— E você acreditou quando o Doutor te contou?

— Foi difícil porque, em um momento eu estava vivendo minha vida bem, me preparando para uma viagem a trabalho, noiva da pessoa que eu amo, e de repente eu me acordo e descubro que na verdade eu sofri um acidente, perdi os movimentos das pernas, mesmo que temporariamente, e que não existia Emma alguma em minha vida.

— Você não conhecia a Emma?

— Não exatamente. — Vi a expressão de minha irmã se contrair em uma clara dúvida e sorri. — Na verdade, antes do acidente, a gente tinha se conhecido exatamente em Miami. — Zelena levou a mão à boca em surpresa e depois coçou a cabeça. Parecia bem confusa. — Tínhamos nos envolvidos, e só. Então quando eu acordei, a primeira pessoa que eu procurei, foi ela. Ai foi quando você me disse que não tinha nenhuma Emma e...

— Eu também estava nesse sonho? — Indagou interrompendo-me e eu demonstrei irritação no mesmo instante. Primeiro pela interrupção, e segundo por chamar tudo isso de “sonho”. Isso não foi um sonho. Não foi! Foi real, e eu tenho certeza que ainda é. Eu só preciso acordar de novo, como aconteceu das outras vezes, e viver na realidade certa.

— Você acha que isso tudo foi um sonho? — Perguntei, deixando minha raiva transparecer no tom.

— E não foi?

— Não foi um sonho... — Murmurei convicta, agora triste por constatar com uma simples pergunta, que a Zelena que está em minha frente, infelizmente não é a minha Zelena. — Foi qualquer outra coisa, menos um sonho... Eu tenho certeza disso, eu só não sei o que é...

— Desculpe-me, eu não queria te magoar... — Pede, apertando minha mão e me abraçando em seguida. — Você pode continuar? — Assenti, vendo-a se afastar e se sentar novamente. Ainda havia muita coisa para contar a ela. Principalmente a parte em que eu dormia e acordava como se tudo estivesse começando a partir dali, piorando ainda mais a minha confusão mental.

— Quando eu contei pra você todas as minhas únicas lembranças, você me contou que eu havia conhecido uma Emma anos atrás, e depois de te convencer e convencer a nossa mãe, nós fomos atrás dessa Emma em Miami. — Olhei para o céu estrelado, sentindo meus olhos querendo transbordar com a saudade que eu estava sentindo de algo que eu nem tenho certeza se foi real ou não. — No terceiro dia em Miami, procurando a Emma, nós a encontramos do mesmo jeito que eu me lembrava de ter acontecido em minhas lembranças, que eu já começava a acreditar que não eram reais. — Não aguentando mais segurar, deixei que a saudade transbordasse pelos meus olhos e descesse por minha face. Minha irmã se aproximou novamente e me deu mais um de seus abraços apertados e reconfortantes. Ao menos isso era exatamente como eu me lembrava.

Ficamos alguns minutos abraçados e em silêncio, até escutarmos passos na grama, aproximando-se de nós. Porém continuamos exatamente como estávamos.

— Dizem que lembranças são memórias de outra vida... — Escuto uma voz bastante conhecida, dizer atrás de mim. Solto-me devagar de Zelena, e ao me virar, vejo-a vindo em nossa direção. Estava toda elegante, usando saltos bastante altos, cabelo preso em um rabo de cavalo, a camisa social dobrada até metade do antebraço, e com os primeiros botões abertos, deixando seu colo amostra, uma mão no bolso e a outra segurando o terno jogado nas costas. Bem diferente da Emma que eu me lembro, mas ainda assim, linda como sempre.

Notas finais
Se não for pedir muito, eu gostaria agora de saber o que vocês estão achando da história. A caixa aqui está aberta para elogios, sugestões, ou reclamações dos nossos serviços. ;) Grupo no wpp: https://chat.whatsapp.com/0ZEgP7eqDYqAABT8hXgQMQ Lista de música no spoitfy: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/53014UCr0fSYD39N7Epbpc