Memories
6 I remember you
Notas iniciais
6º Eu me lembro de você
[Regina]
— Zel... — Estendi meu braço em sua direção.
— Não entendi. — Franziu o cenho. Balancei a cabeça negativamente.
— Bate aqui, por favor, preciso saber se isso é mesmo real. — Expliquei. Zelena abriu a boca e murmurou um “ah” de entendimento. — O que aconteceu com o seu 4G?
— O que? — Deu uma tapa em meu braço, seguida de um beliscão.
— Não... — Fechei meus olhos e abaixei minha cabeça. — Sério? — Encarei-a séria e só então ela entendeu. Ou fingiu entender. Não sei.
— Então... O que faremos para chegar até ela? — Virou sua cabeça em direção para onde Emma estava e eu fiz o mesmo.
— Eu não sei... — Murmurei. Estava perdida em sua beleza. Só havia passado dois dias desde que eu acordei do coma, e parei de viver com ela em minha vida ilusória, mas parecia fazer tanto tempo... Eu já sentia a sua falta. — O que você sugere? — Encarei minha irmã que ainda olhava para Emma. — Você sabe... Eu não posso ir até ela, como fiz da outra vez.
— É... Eu sei... — Concordou, voltando sua atenção para mim. — Você quer que eu faça como nos tempos da escola ou faculdade? — Franzi o cenho sem entender. — Sério, Regina? — Indagou tentando imitar a minha voz e eu gargalhei. — Ah! Que droga. —Bufou irritada. — Fazer isso com você não tem graça. — Olhei-a de forma superior. — Mas, voltando ao assunto... — Assenti, voltando a ficar séria e a olhar para Emma. — Se você quiser, eu posso chegar nela, e dizer: “Olha, aquela é minha irmã e ela gostou de você...”
— Ela não vai dar a mínima. — Respondi sem encará-la. — Vai querer no máximo ser minha amiga.
— Por que diz isso? — Indagou-me, mas eu já nem prestava atenção direito em minha irmã, pois Emma havia levantando sua cabeça e estava agora olhando para mim, com um sorriso nos lábios, e encarando-me de forma curiosa. — Não me vai dizer que é aquela história de novo, de você estar numa cadeira de rodas... — Desviei meu olhar do Emma e olhei para a minha irmã, mas pela minha visão periférica percebi que algo se mexia em minha direção, e ao olhar, puder ver que era Emma que vinha ao meu encontro. — Regina?
— Ela vem aqui... — Disse de forma nervosa. Meu coração batia acelerado. Era capaz até de sair pela boca. — Ela está vindo aqui, Zelena. — Repeti mais nervosa ainda.
— O que? — Ao se virar para trás viu a loira já próxima a si. — Wow. — Soltou no susto.
— Olá... — Cumprimentou-nos com um sorriso. — Boa noite, garotas! — Direcionou seu olhar à minha irmã e depois voltou para mim. Seus olhos semicerrados em minha direção me analisavam curiosamente. Será que estava me reconhecendo?
— Oi. — Respondi envergonhada. Ela havia me pego no flagra, encarando.
— Tudo bem? — Sentou-se no banco que dividia a areia do calçadão e ficou de frente pra mim. Bem próxima. Eu apenas assenti à sua pergunta. Sua aproximação me deixou um pouco desnorteada, se assim posso dizer.
— É... — Zelena pigarreou, levantando-se. Minha irmã estava sentada ao meu lado, porém no chão. — Eu vou ali... — Apontou para trás. — Vou comprar algo para tomar. — Assenti sem nem mesmo desviar a vista de Emma, que me olhava sorrindo. — Você quer algo, Regina? — Neguei. — Só não pergunto se você quer, Em... — Dei uma tapa em sua perna e arregalei os olhos, finalmente encarando minha irmã. Ela não podia demonstrar que sabia o nome de Emma. Percebendo o que faria, pigarreou e sorriu sem graça. — Só não pergunto a você, porque já está bebendo.
— Tudo bem. — Olhou para a minha irmã e depois voltou sua atenção para mim.
— Então, estou indo. — Apontou para trás e depois se virou rapidamente, afastando-se de nós duas.
— Regina... — Ela murmurou. Senti meu corpo se arrepiar dos pés à cabeça. — Sabe... — Colocou sua latinha de cerveja ao seu lado e puxou minha cadeira em sua direção. Meu coração disparou. — Seu nome não me é estranho... — Olhou-me profundamente. — Seu rosto também não. Já nos conhecemos? — Meu coração bateu ainda mais acelerado. — Digo... — Sorriu. — Você já veio aqui antes? Ou sei lá... — Olhou para cima como se pensasse em algo. — É... Já nos conhecemos de algum lugar? Porque eu tenho quase certeza que você se parece com uma mulher que eu conheci um tempo atrás... ― Seu tom é pensativo. Meu coração dá uns pulos nervosos no peito.
— Três anos atrás eu vim aqui com a minha irmã... — Apontei para onde ela tinha ido. — E bem... — Desviei meu olhar do seu. — Acho que você não se lembra, mas nos conhecemos... — Completei baixinho. “E depois namoramos. Você me pediu em casamento e estávamos vivendo felizes até antes de ontem” Era o que eu queria dizer, mas como eu não queria espantá-la e muito menos ser considerada como doida, parei na parte de nos conhecermos mesmo...
— Hmm... Então isso explica seu rosto e nome me ser tão familiar. — Sorriu de novo. Afastou-se um pouco de mim, soltou minha cadeira e pegou sua latinha de cerveja, dando um longo gole. — Então... Como nos conhecemos? — Quis saber. Desviei novamente o olhar, e ao virar a cabeça em direção ao lado que Zelena tinha ido, pude vê-la sentada mais afastada, conversando no celular e olhando em nossa direção. — Eu quero relembrar... ― Acrescenta em um tom claro de interesse. Teria ela gostado de mim?
— Era noite... — Comecei hesitante. — Você estava de frente para o mar, sozinha. Usava um vestido branco, parecido com esse que usa agora, segurava as sandálias atrás do corpo e tinha uma garrafa de vinho vazia ao seu lado. — Apontei para o mesmo. — E eu estava esperando minha irmã voltar de um quiosque quando te vi e simplesmente fui até você...
— Espera... — Interrompeu-me. — Eu me lembro disso. — Sorriu mais uma vez e meu coração voltou a disparar. — Nós... — Deu um sorrisinho malicioso e arqueou a sobrancelha. — Nós tivemos um envolvimento, não foi? — Assenti, segurando-me para não gritar por ela ter lembrado. — É de você que eu me lembro, então... ― Parece falar mais para si do que para mim. ― Nossa... Desculpe-me não ter me lembrado assim que te vi. — Pediu sem graça e eu achei fofo a sua carinha. Queria poder apertá-la. ― É que você está tão diferente de como eu me lembro...
— Não... Tudo bem... Já faz tanto tempo, não é? — Olhei mais uma vez para onde Zel estava, e ela já não estava mais ao telefone. Conversava com alguém. Uma mulher de cabelos morenos e mechas vermelhas.
— Posso te fazer outra pergunta? — Voltei minha atenção para ela e assenti. — O que te fez ficar assim? — Foi direta. — Você não a usava quando nos conhecemos. — Sua expressão era de curiosidade.
— Um acidente. — Ela abriu a boca em espanto. — Três meses depois de vir aqui, eu sofri um acidente e fiquei em coma por três anos e quando acordei, estava assim. — Contei o que me contaram.
— Nossa... — Coçou a nuca. Parecia estar sem graça. — Eu... Eu não sei bem o que dizer. — Passou a mão pelos cabelos que voavam em seu rosto. — Mas... Você vai ficar assim para sempre?
— Eu espero que não. — Sorri. — De acordo com o meu médico, só estou assim porque passei tempo demais sem movimentá-las. — Ela balançou a cabeça em concordância. — Se eu der sorte, se resolverá com uma boa fisioterapia.
— Mas é claro que vai se resolver. — Pegou em minhas mãos, ato que me deixou bastante surpresa, mas não deixei transparecer, e as apertou. — Sei que não nos conhecemos bem e nem somos amigas, embora já tenhamos nos envolvido no passado, mas eu te obrigo a expulsar esses pensamentos pessimistas da cabeça. — Fala em um tom sério, mas logo muda a expressão para descontraída.
— É o que eu digo a ela. — Disse Zelena, sentando-se ao lado de Emma e chamando nossa atenção. — Prazer, Zelena. — Estendeu a mão para a loira. — Irmã dessa linda mulher aqui. — Apontou-me com a cabeça. Senti minhas bochechas esquentarem de vergonha.
— Oh! Não precisa ficar envergonhada. Sua irmã só disse a verdade. — Eu podia ouvir meu coração batendo acelerado. Se eu estava queimando de vergonha antes, agora estou pegando fogo. — Prazer, Emma. — Apertou a mão de minha irmã. — Agora que percebi... — Tornou sua atenção para mim. — Não nos apresentamos... — Fez uma pausa e sorriu. — Ou melhor... — Pigarreou. — Não nos reapresentamos esse tempo todo de conversa. — Estendeu-me a mão. — Mesmo que já saiba... Emma... ― Diz bem-humorada.
— Mesmo que já saiba... ― Entro na brincadeira. ― Regina... — Apertei sua mão, que apesar do friozinho que fazia, estava quente.
— Bem garotas... — Levantou-se, pegando sua latinha de cerveja e dando mais um gole. Acredito que a bebida estava quente por causa da sua careta. — Foi muito bom te reencontrar e conversar com você, Regina... — Encarou-me por alguns segundos e depois levou sua atenção para a minha irmã, que me olhava confusa, com certeza pelo que acabara de ouvir. — E conhecer você Zelena, que aliás, não me é estranha também. Acho que me lembro de você da outra vez que nos conhecemos... — Estreitou os olhos. — Quer dizer... — Coçou a cabeça. — Eu te conheci também, não é?
— Conheceu sim. — Respondi por Zel.
— Bem... Preciso ir agora. — Apontou para trás. — Amanhã vai ter uma festa em minha casa...
— Emma! — Uma voz chamou por ela, interrompendo-a.
— Já vou. — Gritou em resposta e voltou-se para nós. — Bem, amanhã terá uma festa em minha casa, e eu gostaria que vocês fossem.
— Adoraríamos. — Zelena respondeu. — Mas nós não sabemos onde você mora...
— Ah! Quanto a isso, não se preocupem. Eu venho aqui buscar vocês.
— Então está decidido. Nós vamos. — Zel respondeu animada. Eu mantinha-me calada sem saber bem o que dizer. — Qual o horário?
— 08:00pm está bom para vocês? — Minha irmã assente, toda animadinha. — Então, até amanhã meninas. — Aproximou-se de Zelena e deu um beijo em sua bochecha, pegando-a totalmente de surpresa, e a mim também. Em seguida fez o mesmo comigo, me deixando momentaneamente paralisada. — Escute a mim e a sua irmã. — Sussurrou em meu ouvido antes de se afastar e ir embora. Seu sussurro fez meus pelos se eriçarem.
— Mas que mulher maravilhosa. — Comentou Zelena e eu virei minha cabeça em sua direção no mesmo instante. — O que foi? — Fingiu inocência, mas eu podia ver que segurava um sorriso. — Sem ciúmes, baby. — Soltou-me um beijo. — Então, me conta tudo que vocês conversaram. — Pediu animada. — Que história é essa de “Foi muito bom te reencontrar e eu te conheci também?”
— É que... — Suspirei. — Ela disse que meu rosto e nome não eram estranhos pra ela, e eu disse que já nos conhecemos.
— Você o que? — Indagou nervosa.
— Calma... — Ela arqueou a sobrancelha e me encarou, esperando uma continuação. — Eu só contei a parte da praia. Não sou louca. — Ela suspirou, acho que aliviada. — Ela perguntou como nos conhecemos, e quando eu comecei a contar, ela se lembrou de mim, do que tivemos...
— Só isso?
— Só isso o que? — Perguntei sem entender.
— Que vocês conversaram. — Rebateu como se fosse o óbvio.
— Você perguntou sobre isso de ela te conhecer. — Defendi-me. — Agora respondendo o que me foi perguntado antes... Ela também me perguntou como vim parar numa cadeira de rodas.
— E o que você disse?
— A verdade... — Sua expressão mudou de curiosa pra assustada. — O que me foi dito, Zelena.
— Certo... — Balancei a cabeça negativamente. — Agora me diz... Qual o sobrenome dela? É Swan?
— Ela não disse em momento nenhum, mas eu não preciso saber do sobrenome para saber que é ela, Zelena. — Disse convicta. — A mesma Emma da minha “vida”... — Fiz aspas com os dedos. — É a mesma Emma que esteve poucos minutos aqui conosco, que é a mesma que nós conhecemos naquela viagem de três anos atrás. Prova disso é que ela se lembra de nós, e você se lembra dela.
— Vai que exista mais de uma mulher com o rosto igual o dela, e que tenha o mesmo nome? — Encarei-a incrédula. — OK. — Balançou a cabeça negativamente. — Uma irmã gêmea?
— Claro... — Rebati com ironia. — A mãe dela deve adorar muito o nome “Emma” e por isso resolveu colocar nas duas filhas, que são gêmeas, ainda mais. — Suspirei pesadamente. — Você quer tirar uma comigo? — Ela gargalhou. — Acabei de te provar com uma explicação que são a mesma pessoa e você me vem com “irmã gêmea”? — Balancei a cabeça negativamente. — Sério?
— OK! Eu me rendo. — Voltou a gargalhar e levantou as mãos para o alto. — Eu só estava brincando com você. — Fuzilei-a com o olhar. — Mas, agora mudando de assunto... O que ela te disse no ouvido? — Agora sua expressão era de malícia.
— Como você sabe que ela me disse algo? — Perguntei curiosa.
— Eu escutei o sussurro, além de ver como você ficou depois. — Sorriu maliciosa.
— Ela me disse para ouvi-la e ouvir a você. — Sua expressão mudou para confusa. — Em relação a não ter pensamentos pessimistas sobre minha atual condição de locomoção. — Expliquei.
— Hm... Então... Nós vamos amanhã, não é? — Mudou de assunto.
— Devemos? — Estava com medo de dar qualquer “passo” errado.
— Óbvio que sim... — Levantou-se e começou a empurrar minha cadeira. — Acho que ela está interessada em você. — Confidenciou em meu ouvido.
— Eu acho que não...
— Você acha que ela só se aproximou por amizade? — Parou de andar, e veio até meu campo de visão.
— Sim... E porque eu estava encarando-a e fui pega. — Sorri ao me lembrar do sorrisinho que ela carregava ao se aproximar de nós.
— Bem... Cada um tem um ponto de vista, e se esse é o seu, tudo bem... — Deu de ombros, e voltou a me empurrar. — Mas eu... Eu... — Enfatizou o pronome. — Eu, Zelena Mills... — Revirei os olhos. — Acredito que ela está na sua.
— Claro que ela está, Greg. — Disse com ironia e escutei a gargalhada da minha irmã, que me contagiou e eu acabei acompanhando-a.
— Agora vamos descansar, Chris Rock... — Tentei me segurar para não rir mais, mas não me aguentei. — A noite de hoje foi cansativa, e a de amanhã pretende ser mais ainda...
— Você ainda me deve a explicação do que acha que está acontecendo. — Avisei-a. — Pensa que me engana? — Cruzei os braços.
— Prometo te contar tudo, Chris... Mas só amanhã... — Paramos na faixa de pedestre e em seguida atravessamos a rua. — Agora eu só quero entrar naquele quarto de hotel, tomar um bom banho e dormir. — Apenas balancei a cabeça concordando. Também precisava de um banho e descanso.
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