Notas iniciais
Olá pessoal! Voltei mais cedo dessa vez e com um capítulo bem grandinho e com um momento legal entre Emma e Regina.

30° Presente

[Regina]

Como é possível esse quadro existir aqui também?

— Regina?

Escuto a voz da minha irmã me chamar em um tom preocupado, mas não me movo, apenas levanto a cabeça em sua direção. Zel está de cabelo molhado, que respingam pelo corpo e chão, enrolada na toalha. Suas roupas sujas estão penduradas na mão.

— Que susto! — Segura-se na parede e coloca a mão no peito. — Vi sua cadeira de forma aleatória aqui e pensei que tivesse acontecido algo. — Dá um sorriso e eu chuto que seja de alívio. — Que bagunça é essa? — Aponta para o chão. As coisas da caixa espalhadas ao meu redor. Mostro o quadro e ela franze o cenho. — Que quadro é esse? — Chega mais perto, curiosa. Sua atenção está toda voltada para o objeto em minhas mãos.

— Você não o conhece? — Questiono confusa. Como ela poderia não conhecer se foi ela mesma que me disse quem tinha me dado, ao menos em uma das realidades?

— Eu deveria? — Pelo seu tom, Zelena estava mais perdida do que eu. Se eu não lembrava, imagina ela? — Eu não conheço ele. — Responde à minha pergunta, franzido o cenho e balançando a cabeça negativamente. — Não que eu me lembre. — Agacha-se perto de mim, pega o quadro e o analisa, colocando-o mais perto de sua vista. — Emma Swan... — Passa o dedo pela assinatura. — Foi a Emma que te deu? Você se lembra? — Encaro-a sem saber o que lhe responder. Eu não sabia nem como aquele quadro estava ali, quanto mais saber quem tinha me dado. — Swan...? — Ela questiona, tão confusa quanto eu quando vi o sobrenome assinado.

— Pois é! Tudo está tão confuso... — Passo as mãos pelo cabelo, agoniada. — Está vendo esse livro? — Aponto-o e sua atenção vai toda para ele.

— O apanhador no campo de centeio... — Lê o nome, pegando-o e o analisando também. — Não é aquele livro...

— Zel, foco, por favor. — Peço em um tom sério, interrompendo-a.

— Desculpa! — Solta o livro no chão e levanta as mãos, deixando sua roupa suja cair com o movimento.

— Esse livro... — Pego-o do chão e o coloco de volta na caixa. — Essa echarpe... — Levanto a peça para que ela veja e também a guardo, exatamente como estava antes, enrolada no livro. — Essa foto... — Mostro a minha foto com Emma e também a guardo, porém, enfiada no livro. — E esse quadro... — Pego-o de sua mão e enfio na caixa também. — Essas coisas não deveriam estar aqui. — Digo, nervosa, cobrindo o meu rosto e esfregando-o.

— Por que não? — Minha irmã pergunta e sinto-a se sentar ao meu lado. — O que está acontecendo, Regina? — Seu tom é preocupado. Toca em meu braço e o balança, querendo chamar minha atenção, provavelmente.

Respiro fundo e descubro o rosto, direcionando minha atenção para ela.

— Esse livro e essa echarpe são da realidade que eu me lembrava assim que acordei do coma, que eu sou noiva da Emma e não sofri acidente algum. — Começo a explicar e vejo a expressão de preocupação da minha irmã mudar para confusão. — Esse quadro é da realidade que você é noiva do Graham e nós não nos dávamos muito bem por causa dele. — Ela franze o cenho e depois assente. Provavelmente se lembrando de qual realidade eu falava. — Lá, ela é Emma Swan, mas aqui? Aqui é apenas Nolan. — Respiro fundo, tentando me acalmar. Eu estava tremendo. — Ele também aparece na realidade que Emma é minha psicóloga e você e mamãe morreram. Como raios ele pode estar aqui? — Questiono-me, observando-o dentro da caixa, tentando entender toda essa bagunça.

— Talvez você o trouxe quando voltou de lá? — Zel sugere, dando de ombros e sorrindo. Como ela poderia estar brincando em um momento como esse? Aprecio sua tentativa de acalmar as coisas, amenizar a situação, mas não assim, com brincadeiras. A situação era séria demais para isso.

— Minha vida não é uma ficção científica. Como eu iria trazer algo de outra realidade? — Esfrego as têmporas, sentindo a dor de cabeça tomar conta. Eu estava nervosa demais. Estava me sentindo fora de controle.

— Desculpa, eu não sei. Eu só quis descontrair. Estou tão confusa quanto você. Isso tudo é muito complicado. — Fala em um tom que parecia de culpa e então eu percebo o quanto fui grossa e estava sendo ingrata. Zelena não tinha culpa do que estava me acontecendo. Na verdade, ela nem tinha o dever de estar aqui, tentando entender toda essa loucura comigo e mesmo assim estava, não só me ajudando, mas acreditando em mim também. Eu deveria agradecer por seu apoio em vez de jogar a minha raiva nela.

— Desculpa, eu estou estressada e estou descontando em você. — Jogo-me no chão, exausta. Fecho os olhos e esfrego as têmporas com mais necessidade. — Argh! — Grito, irritada. Segundos depois, sinto o calor do corpo da minha irmã ao meu lado.

— Ei, tudo bem... — Sussurra, esfregando o meu braço. — Imagino que não deve estar sendo fácil para você. — Minha ruiva me abraça e eu respiro fundo, sentindo a paz que o afeto me traz, me preencher por breves segundos. Eu estava a ponto de explodir.

Solto-me do seu abraço e me viro para o outro lado. Levanto a caixa e vejo o quadro, o livro, a echarpe e a foto novamente. Quatro pequenas coisas que vieram para acabar com minha sanidade no dia de hoje.

— E essa foto... — Puxo-a de dentro do livro novamente e me viro para Zel, mostrando-a.

— De onde é essa foto? — Ela pega da minha mão, olhando bem. Vira atrás, mas não há nada escrito.

— Essa foto é da realidade que Emma é minha psicóloga, Zelena. — Respondo, exasperada. — Como essa foto existe aqui e lá? — Indaguei-a como se ela tivesse as respostas que eu precisava, mas Zelena sabia tanto quanto eu, ou até menos. — Agora eu tenho ainda mais certeza que tudo que estou vivendo é uma grande ilusão e fuga, como a Emma me disse, e que lá... — Balanço a cabeça negativamente, já sentindo as lágrimas quentes descerem por meu rosto.

— Não...

— Eu tinha um filho, Zelena! — Gritei entre lágrimas. Levantei-me com dificuldade e Zel me acompanhou. — Eu tenho um filho! — Repito um pouco mais baixo. A voz trêmula por causa do choro e do nervosismo.

— Você não tem um filho, Regina! Aquela não é sua realidade verdadeira. — Ela toca em meu rosto e limpa minhas lágrimas. — Sério! Você precisa procurar um especialista. Não pode mais ficar assim. Isso está acabando com você.

A porta se abre, interrompendo nossa conversa, mas eu não me viro para trás para saber quem é. Ou era meu pai, ou era a minha mãe. Enxugo minhas lágrimas rapidamente.

— Regina, chegou uma coisa para você. — Escuto a voz de mamãe e viro rapidamente, interessada, vendo-a com um embrulho na mão.

Só podia ser a encomenda de Emma.

— De onde é? — Pergunto um pouco animada.

— Eu estou sem óculos. — Faz uma careta. — Só sei que é para você porque o rapaz da entrega disse, quando me pediu para assinar a confirmação de entrega. — Entra no quarto e coloca o pacote em cima da cama. — Você está bem, querida? — Pergunta em tom preocupado, aproximando-se de mim e de Zelena, que agora já está em pé.

Então me lembro que estava chorando há pouco e que, com certeza, estou com o rosto inchado e o nariz vermelho.

— Sim, foram só algumas lembranças que me afetaram. — Dou a desculpa, trocando um olhar considerado suspeito por outros, com a minha irmã, e nossa mãe parece não perceber.

— Você está se lembrando? — Pergunta animada, dando-me a certeza de que acreditou na mentira, que não era tão mentira assim, já que, no começo eu realmente chorei de saudade quando me lembrei de um momento com Emma, além de, de certa forma, tudo que discuti com Zelena eram memórias que me afetaram.

— Regina? — Zelena me chama e eu a olho, sem entender. Ela indica nossa mãe com a cabeça e eu percebo que não tinha dado uma resposta e tinha me perdido nos pensamentos.

— Um pouco... — Fiz um sinal de mais ou menos, respondendo-lhe finalmente.

— Está mesmo tudo bem? — Pergunta desconfiada e o meu coração salta no peito. Contudo, assinto rapidamente para evitar mais desconfianças e abro um sorriso. — Ok! O seu pai está muito animado hoje e me pediu para chamar vocês para sair mais tarde, depois de jantarmos. Topam? — Indaga animada e eu abro um sorriso. Não lembrava da última vez que a tinha visto tão feliz.

— Parece que não é só ele que está animado hoje. — Comento, arqueando a sobrancelha e minha mãe sorri.

— Bem, eu vou considerar que vocês aceitaram o convite. — Dirige-se até a porta. Olho para minha irmã e ela está sorrindo, balançando a cabeça negativamente. — Em vinte minutos o jantar está pronto. Esperamos vocês! — Avisa e sai do quarto, deixando-nos a sós novamente.

— Zel, pega esse embrulho para mim, por favor. — Peço, muito ansiosa para saber o que é.

— Não precisava nem pedir... — Reviro os olhos, rindo. Em questão de curiosidade, nós éramos muito iguais.

Quando Zelena me entra o pacote e eu o analiso, vejo um endereço de Miami e o nome de Emma como remetente.

— É de Emma. — Digo, sabendo que ela estava muito curiosa para saber quem mandou.

Com um sorriso enorme, abro o embrulho com delicadeza, tirando de dentro uma linda pulseira cheia de pedras coloridas, uma mais linda que a outra.

— O que será que significa? — Levanto a pulseira no ar, analisando cada pedra.

— Não faço ideia, mas elas são lindas. — Zelena chega mais perto, também analisando-as. — Quando ela te contar eu quero saber. — Assinto, guardando a pulseira no saco de novo, com cuidado. — Bem, agora eu vou trocar de roupa, que já faz mais de uma hora que eu estou assim, só de toalha. — Corre para a porta. — É libertador e bom, mas nem tanto. — Faz uma careta e eu gargalho.

— Vamos tomar banho comigo? — Sugiro, sentindo-me muito animada de repente. Acho que foi a felicidade da minha mãe que me contagiou, somado ao presente que recebi de Emma. A dor de cabeça já nem estava mais tão forte como antes.

— Não precisa pedir duas vezes. — Volta correndo até mim, já tirando a sua toalha.

— Quando foi a última vez que fizemos isso? — Zelena me pega no braço e me leva para o banheiro. Coloca-me sentada na cadeira, usada exatamente para os meus banhos independentes e me ajuda a tirar roupa.

— Não sei, acho que quando éramos criança. — Responde bem-humorada e nós caímos na gargalhada.

Eu estava me sentindo em paz naquele momento.

•§•

Após a animada noite que tive com a minha família, eu estava exausta, mas estava feliz, afinal. Eu tinha conseguido esquecer os problemas por algumas horas e já não estava mais tão estressada. Eu não sabia que sentia falta de um momento como aquele, em família, até estar em um.

Deito-me na cama e sinto, embaixo de mim, uma elevação. Arrasto-me para o lado e vejo o embrulho que minha mãe me trouxe mais cedo. A pulseira que Emma me deu. Ela me devia explicações do significado de cada pedra.

Olho a hora no relógio em cima da mesa de cabeceira. Quase onze horas da noite. Eu deveria ligar?

De repente, o celular apita informando uma notificação e eu me estico para pega-lo. Antes mesmo de eu desbloquear, vejo que é uma mensagem de Emma.

Que conexão! Penso, sorrindo feito boba.

“Olá!” É o que diz na mensagem.

“Oi” Respondo rapidamente, já vendo-a digitar novamente.

Enquanto espero sua resposta, levanto-me e me encosto no espelho da cama.

“Acabei de ver que recebi um e-mail que confirma a entrega de algo que eu mandei para alguém em Orlando. Você sabe se essa informação é verídica?”

— Besta! — Balanço a cabeça negativamente, sorrindo.

“Posso confirmar, sim.”

“Ótimo!”

Aperto no teclado para responder, mas não tenho ideia do que falar. Vejo que ela começa a digitar, então resolvo esperar. Mas então, o “digitando” some e o “online” também.

Então a conversa já iria acabar? Sem nem mesmo uma despedida? Nós mal tínhamos começado. Eu precisava fazer algo para impedir.

Não querendo que a conversa acabasse, decido mandar uma mensagem.

“Eu estava olhando a pulseira e me perguntando o que cada pedra significa.” “Eu estava agora mesmo pensando se devia te ligar a essa hora ou não.”

“Então eu posso te ligar?”

A resposta veio rápida, fazendo o meu coração saltar, e eu não tive dúvida em lhe responder da mesma forma.

“Claro!”

Três segundos depois, o telefone começa a vibrar, ele estava no silencioso, e o nome de Emma aparece na tela.

— Oi! — Pronuncio, sentindo-me envergonhada, como se nunca tivéssemos conversado pelo telefone antes. Ri de mim mesma.

— Quer dizer que você estava pensando em mim? — Corei com a pergunta e agradeci por não estarmos frente a frente, apesar de que eu gostaria muito de estar.

— É... Eu estava. — Fui sincera, sentindo um nervosismo me consumir. Meus pés e mãos já suavam frios e eu sentia calor mesmo a noite estando mais fria.

— Então, o que achou da pulseira?

— É linda! O que significa cada pedra? — Pego a pulseira e a levanto no ar, na altura de meus olhos, rodando-a devagar de um lado para o outro.

— Primeiro. Não é para você usar no pulso. É muito grande e pesada. — Escutei sua risadinha. — É apenas uma lembrança, ok?

— Ok!

— Outra coisa: Não foi à toa que eu te dei essa pulseira. Certa vez você me contou o quanto achava linda essas pedras e gostaria de tê-las. — Conta, pegando-me de surpresa. Eu não me lembrava disso. Era a primeira vez que eu não me lembrava de algo. — Não pude te dar na época, mas estou fazendo isso agora.

— Elas são verdadeiras? — Perguntei animada com a possibilidade de estar segurando reais pedras preciosas. — Devem ter custado uma fortuna.

— Sim, são verdadeiras e saíram de graça. Conheço alguém que tem várias e não se importou de me dar algumas. — Explica em um tom tranquilo e eu juro que podia vê-la em minha frente, sorrindo. — Mas vamos lá. Vou explicar o que cada pedra significa. — Apertei o celular contra a orelha e fiquei atenta, esperando sua explicação começar. — Então... A pedra roxinha se chama Ametista. Ela leva nosso lado espiritual e transforma energias negativas em positivas. — Coloquei a pulseira no meu colo e peguei apenas a pedra roxa, analisando cada detalhe. Era uma pedra linda. — As três lindas pedras azuis são: Água Marinha, que reduz os efeitos do estresse e acalma a mente e os sentimentos e nos dá uma sensação de paz interior muito profunda. E o melhor de tudo, simboliza a fidelidade e o amor verdadeiro. — Amor verdadeiro... Eu não acreditava em amor verdadeiro e nem mesmo lembro de já ter acreditado algum dia, mas depois de conhecer várias versões da mesma pessoa e me apaixonar por todas elas, eu estava começando a duvidar disso. — Turquesa, queatrai a boa sorte, favorece a realização de nossos sonhos e promove o bem estar. E Safira, que aumenta a sabedoria, dá paz de espírito e purifica nosso campo energético. — Até agora, todas as pedras que Emma citou, de alguma forma traz paz de espírito. E tudo que eu precisava no momento, era de paz. Como ela mesma disse no começo dessa conversa, não foi à toa que me deu essa pulseira. Parecia até que ela sabia o que estava me acontecendo. — Bem, essas duas verdes que você está vendo? Uma é Jade e a outra eu tenho certeza que você conhece...

— Esmeralda? — Chutei. Eu não era conhecedora de pedras preciosas, ou me lembro de ter sido, mas Esmeralda é uma pedra muito conhecida. Não precisava de muito para reconhece-la.

— Exatamente! — Dei uns soquinhos no ar em comemoração por ter acertado. — Bem, a Jade é um amuleto de proteção e boa sorte, e a Esmeralda atrai as bênçãos universais e propicia equilíbrio físico, emocional e mental. — Faz uma pausa e eu escuto barulho de copo. Provavelmente deve estar bebendo algo. — E bem, a vermelha, talvez, a mais linda de todas, é a pedra da paixão... — Diz em um tom afetado. Arqueio a sobrancelha, intrigada com a forma como fala. Estaria Emma querendo dizer alguma coisa? Era certo que, se Zelena estivesse escutando essa conversa, ela diria o mesmo. — Rubi equilibra o espírito, dá confiança e vitalidade e também estimula a paixão pela vida. — Finaliza sua explicação. Prendo o celular entre o ombro e a orelha e bato palmas. — Obrigada! Eu fiz bem a minha tarefa de casa. — Brinca, dizendo em um tom sério, que eu sabia bem que era falso. — Bem, eu só não consegui pérola e diamante porque são caras demais para serem dadas. — Ela sorriu.

— Tudo bem, não tem problema. Essas daqui já estão ótimas.

Ficamos em silêncio, mas não algo desconfortável, e de repente, o quadro me veio à mente.

Eu deveria tocar no assunto?

Sim, eu deveria.

Mas e se a resposta me machucasse?

Eu tinha que arriscar. Eu precisava perguntar.

— Emma...? — Escuto-a murmurar um “estou aqui” e respiro fundo. — Você pinta? — mando de uma vez, aproveitando a coragem. Pior que uma resposta negativa, só a dúvida. E eu não queria ter.

— Não... — Responde rápida e solta um risinho. Já eu, sinto meu sangue gelar nas veias. — Mas eu já pintei. Bons tempos, aliás... Eu sinto saudade. — Seu tom era nostálgico.

— Você já pintou? — Pergunto, muito nervosa, temendo ter entendido errado e ela responde que sim. — Quando? — Eu não podia desistir.

— Não sei... Mas já faz bastante tempo.

— Uns três anos? — Eu torcia para que a resposta fosse positiva. Eu precisava que fosse. Eu precisava entender a história daquele quadro. Precisava entender a sua existência aqui.

— Por ai... Por que?

Respirei fundo e decidi ser sincera. Não podia andar para trás agora.

— Eu encontrei um quadro aqui, com o seu nome.

— Você encontrou? — Seu tom parecia confuso. Isso não era um bom sinal.

— Você não se lembra de ter pintado algo para mim?

— Hm... — Ela parecia pensar.

Diz que sim! Diz que sim! Diz que sim!

— Infelizmente, não.

Fico muda perante a sua resposta.

Pela primeira vez, Emma não se lembrava de algo que houve entre nós. Porém, assim como a história das pedras, eu também não me lembrava do quadro. Eu o tinha visto em uma realidade, mas não sabia que tinha sido um presente até isso ser dito para mim.

Parece que não seria agora que eu desvendaria esse mistério.

— Desculpa, eu realmente não lembro. — Fala, trazendo-me de volta para a nossa conversa. — Como é esse quadro? — Escuto um bipe na ligação e já imagino o que seja. — Droga! Meu celular vai descarregar. — Outro bipe. Ótimo momento a bateria escolheu para descarregar. — Droga! Eu preciso desligar. Posso ligar amanhã? Prometo que mais cedo. — Dizia tudo muito rápido, com certeza, com medo do celular desligar antes do tempo.

— Tudo bem! Eu vou ficar esperando. — Ao mesmo tempo que eu estava decepcionada pela história do quadro e por nossa conversa acabar, eu estava animada pela promessa de conversarmos amanhã novamente.

— Boa noite, Regina! — Deseja em um tom doce.

— Boa noite, Emma! — Encerro a ligação com um sorriso bobo e ele só aumenta quando vejo que passamos quase duas horas conversando.

Solto o aparelho na mesa de cabeceira e deito na cama, torcendo para ter lindos sonhos com Emma essa noite.

A cada dia eu tinha mais certeza de que estava apaixonada por todas as Emmas que eu conheci em todas as minhas realidades, exceto a que eu acho que é a verdadeira, a que ela é minha psicóloga, porque eu não tive muito contato com ela como tive com as outras. Mas a Emma que era minha noiva? Eu a amava. A Emma que ficou ao meu lado durante o meu coma? Eu a amava. A Emma Nolan de Miami? Eu estava começando a ama-la também.

•§•

Eu disputava uma partida de Ludo com Zelena, apostando dinheiro, porque só assim teria graça jogar com ela, quando escutamos batidas na porta.

Só pelo fato de terem batido, mas não terem entrado, já sabíamos que era papai.

— Pode entrar, pai. — Zelena grita, dando pause no jogo e logo a porta se abre, revelando nosso velho.

— Com licença, filhas... — Nós consentimos com a cabeça e ele entra por completo. — Dr. Page e a filha já estão lá embaixo. — Hoje seria o primeiro dia, aqui nessa realidade, de fisioterapia. Mais cedo, Kristin ligou para minha mãe avisando que traria a filha, que também estava se formando em fisioterapia, alegando que a sessão de hoje seria ótima para ajudá-la a ter experiências. Eu estava muito ansiosa para ver o rosto dela. Precisava saber se era a mesma pessoa de outras realidades e lembranças.

— Avise que eu descerei em alguns minutos, ok? — Papai assentiu e saiu do quarto, deixando-nos a sós. — Zel, você pode pegar um short de poliamida para mim? Na terceira gaveta. — Peço, já sabendo que precisaria, baseando-me na sessão que eu tive na outra realidade. Minha irmã franziu o cenho e eu revirei os olhos, mas sorri de sua carinha confusa. — Ai, Zel, é um short de academia, daqueles bem colados no corpo, mas bem confortáveis. — Explico e escuto-a bufar. Solto um risinho.

— Dá próxima vez você fala a minha língua. — Resmunga, abrindo a gaveta, revirando as peças. — Qual cor?

— Eu agradeceria muito se você não fizesse uma bagunça. — Ela se vira para mim e mostra a língua. Bem criançona mesmo. Típico dela. — Preto, por favor. — Segundos depois, a peça voa em cima da cama. — Obrigada. — Estico-me para tentar alcança-la.

Para eu não perder mais tempo, minha ruiva me ajuda a trocar a peça e depois me empurra para fora do quarto. Quando chegamos na escada, ela me pega no braço e desce comigo, não perdendo a oportunidade de fazer uma brincadeira ridícula de fingir que me derrubaria. Nesse momento eu quis matar Zelena Mills. Papai aparece de repente, saindo da cozinha, e pega a minha cadeira. Quando chegamos ao fim da escada, sinto o déjà vu ao olhar para Kristin de costas, conversando com mamãe.

Levando-se em conta de que, déjà vu é uma sensação de algo que já aconteceu, mas sem ter acontecido antes, eu não podia afirmar totalmente que era o que acontecia comigo, já que, eu não tinha certeza se tudo que vivi e lembro, foi real ou imaginação. Mas, déjà vu era a melhor explicação para o que eu estava sentindo no momento.

Quando Kristin e a outra pessoa, com certeza a sua filha, viram-se para mim, vi a surpresa em seus olhares.

Elas me conheciam.

A troca de olhares logo após a surpresa, me confirmava isso.

Olhei para Zelena e ela me confirmou que também havia percebido.

Papai e mamãe ofereceram que fossemos para o jardim para ter mais espaço, e após aceitar a sugestão, Kristin pediu gentilmente que trouxessem um colchão para que eu pudesse deitar confortavelmente no chão.

Quando mamãe saiu para ir buscar o que foi pedido e papai foi à cozinha em busca de algo para oferecer às mulheres, Zelena me empurrou para a porta, no intuito de me levar para fora. Kristin e a sua filha, que agora eu tinha certeza, trava-se de Lilith, ao menos na aparência era ela, vieram logo atrás.

Ao chegarmos no jardim, Kristin para em minha frente, olhando-me atentamente.

— Acho que eu lembro de você de algum lugar, Regina... — Solta, com uma expressão pensativa, confirmando ainda mais as minhas suspeitas. Meu coração bateu acelerado no peito.

— Acho que eu também lembro de você. — Lilith, creio eu, que esse seja o seu nome, também diz, aproximando-se de nós. Seria coincidência demais, ela se lembrar de mim e ter o mesmo rosto, mas não se chamar Lilith.

Olho para Zelena e ela está com uma expressão curiosa, analisando as duas mulheres.

E antes que eu pudesse perguntar de onde elas me conheciam, mamãe chega com o colchão e papai com biscoito e café.

•§•

Fazia trinta minutos que eu tinha chegado no consultório do amigo de Zelena. Enquanto minha irmã jogava o seu vício no celular, sentada confortavelmente em uma poltrona, eu decidia se realmente entraria ou não.

Após a primeira sessão de fisioterapia, dias atrás, eu conversei com a minha ruiva sobre Kristin e Lilith. Ao confirmar que a única vez que nos vimos foi no bar, na realidade em que eu era noiva de Emma e que era a que eu lembrava quando acordei do coma, mesmo com o pé atrás sobre aquela ser a única vez, já que, de acordo com ela, eu poderia ter conhecido as duas antes do meu acidente, ela me convenceu de que estava na hora de eu procurar alguém para me ajudar. Eu relutei um pouco, mas aceitei a sugestão. E era por isso que agora eu estava aqui, na sala de espera de um homem chamado Ricky Martin, esperando a minha vez.

Eu estava decidindo se realmente entraria porque, após ver um paciente sair de sua sala e eu ver que seria a próxima, fiquei com medo de prosseguir.

— Zelena, foi uma péssima ideia ter vindo aqui. — Sussurrei para que a recepcionista não escutasse.

— Regina, eu vou estar com você. — Minha ruiva aperta minha mão fria, tentando esquentá-la.

Olhei para a porta mais uma vez, procurando coragem e tentando me acalmar, e ela se abriu, revelando o tal do Ricky. Meu coração só faltou saltar pela boca.

Era agora ou nunca. Eu precisava decidir se seguiria em frente ou não, se procuraria tentar entender tudo que estava acontecendo e com sorte, lembrar de alguma coisa que pudesse ajudar, ou se deixaria tudo como está.

— Regina? — O homem perguntou, simpático, e eu assenti.

— Vamos? — Zelena sussurrou.

Respirei fundo e tomei a decisão. Eu não podia andar para trás.

— Vamos!

Notas finais
Para mais informações sobre pedras preciosas, acesse: 1 - https://www.cristaisaquarius.com.br/blog/nomes-de-pedras-preciosas/ 2 - https://www.greenme.com.br/usos-beneficios/1096-30-pedras-preciosas-significado-beneficios Gostaria de agradecer por estarem aparecendo nos comentários novamente e por me contarem tudo que pensam sobre os capítulos. Estou me divertindo muito com alguns comentários hahahaha. ~~ floresta encantada~~contos de fadas~~ enfim... Algumas coisas foram reveladas nesse capítulo. 1 - Kristin e Lilith conhecerem Regina. 2 - Emma não se lembrar do quadro. 3 - Regina não lembrar da história das pedras. Como viram no final, Regina finalmente tomou coragem para ir ver um profissional. Agora, mais do que nunca, ela sabe que precisa de ajuda para acabar com essa loucura da mente dela. O que esperam dessas futuras sessões? ~~ coisas serão revelas, com certeza ~~ Bem, espero que tenham curtido esse capítulo e tenham curtido mais ainda eu ter atualizado mais rápido hahaha Até o próximo, mores :D