Memories
14 Can't Help Falling In Love
Notas iniciais
14° Não consigo evitar de me apaixonar
[Regina]
Estava sentindo um calor terrível e meu coração batia acelerado. Abri os olhos rapidamente, dando de cara com Emma dormindo ao meu lado. Franzi o cenho.
O que ela fazia ali? O que eu estou fazendo aqui, dormindo? Não deveria estar esperando meu pai para irmos ao cemitério?
Virei minha cabeça para o lado oposto ao de Emma, e olhei ao redor. Eu não estava mais no meu quarto. Estava no quarto de Emma, em Miami.
Então eu... Eu voltei? Era um sonho? Ou será que agora que é sonho?
Droga!
Eu espero que seja a primeira opção. Tem que ser a primeira.
Devagar para não acordar Emma, levantei meu corpo à procura de algo que me dessa a certeza de que eu havia voltado, e logo encontrei a confirmação. Minha cadeira de rodas estava ao pé da cama.
— Obrigada Deus. — Sussurrei olhando para o teto. — Obrigada por ter sido apenas um pesadelo, e por ele ter acabado. — Respirei aliviada.
Mas agora preciso saber onde está Zelena, e o que Emma fazia ali.
De repente a porta do quarto se abre, e minha irmã entra, com uma bandeja em mãos, como se tivesse escutado meus pensamentos.
— Bom dia, bela adormecida. — Seu tom estava animado. Ou algo havia acontecido, ou era apenas seu bom humor matinal. Sentou-se ao meu lado e colocou a bandeja em meu colo.
— Bom dia... Que horas são? — Olhei para a bandeja, escolhendo qual fruta pegaria primeiro, para comer.
— Dez e vinte. — Arregalei os olhos. Não lembro a ultima vez que dormi tanto. Tirando o coma, é claro. — Estou brincando... — Gargalhou. Dei-lhe uma tapa em repreensão, e apontei para Emma que ainda dormia ao meu lado. — São oito e quarenta. — Jogou uma uva para dentro de sua boca.
— O que ela faz aqui? — Sussurrei a indagação.
— Brigou com a namoradinha no meio da madrugada... — Sussurrou de volta. — Na verdade, foi o contrário. — Deu de ombros. — Vi quando tudo aconteceu, e para não deixá-la ir dormir no sofá, acabei chamando-a para cá, para dormir conosco. — Concluiu. Meu coração passou a bater mais acelerado, ao imaginar nós dormindo juntas, mesmo não sendo da forma como eu queria. — Mas, mudando de assunto... — Sua expressão se tornou séria, o que me deixou em alerta. Algo não bom estava para ser dito por minha irmã. — Tenho duas notícias. Uma boa e uma ruim, mas vou dizer primeiro a ruim... — Assenti. — Mamãe ligou hoje cedo, pedindo para voltarmos para casa, e se não formos, ela vem nos buscar.
— O que? — Ao me imaginar indo embora, deixando Emma aqui, e voltando para a minha realidade, senti uma pontada em meu coração e estômago, uma vontade louca de chorar, gritar, espernear, puxar meus cabelos... Eu não quero voltar. Não quero ir para longe dela. Não quero voltar para a minha vida.
— A notícia boa... — Fez uma pausa, para dar suspense e sorriu. — É que só dá para irmos amanhã de madrugada, então podemos aproveitar um pouco mais.
— Eu não quero ir embora. — Joguei-me na cama, esquecendo-me total de Emma, que acabou por abrir os olhos e se levantar.
E eu tenho que dizer: Emma Nolan é linda até quando acorda. Misericórdia!
— Desculpa por ter te acordado. — Pedi sem graça.
— Não tem problema... — Sua voz saiu rouca, o que fez eu me arrepiar. — Na verdade, já estava na hora de eu me acordar mesmo. — Sorriu-me. — Bom dia... — Cumprimentou com mais um sorrisinho, passou a mão direita pelo cabelo, abriu e fechou os olhos algumas vezes até se acostumar com a luz. — Obrigada pelo convite. — Dirigiu-se a Zelena. — Espero que não tenha ficado apertado. — Sentou-se na cama.
— Não ficou. — Garantiu Zelena, em tom gentil. — Você e Regina não se mexem muito, então fiquei com um bom espaço... — Acrescentou, pegando outra uva e pondo em sua boca.
— Sinto muito se eu acabei te acordando de madrugada. — Seu tom estava envergonhado. Provavelmente falava da briga que Zelena me falou, que ela teve com a garota com quem está ficando, que, aliás, fico me perguntando como eu não escutei, já que tenho um sono bastante leve.
— Na verdade, não foi você... — Deu um sorrisinho. — Mas, não se preocupe, eu, na verdade, ainda estava acordada. — Emma assentiu. — Agora, comam... — Apontou para a bandeja que estava em meu colo. — Eu vou tomar um banho rápido. — Avisou para mim, e se levantou. Foi até sua mala, e arrastou-a para o banheiro. Era tão bom ver minha irmã ali, bem, viva. Eu a amo tanto. Não suportaria vê-la partir antes de mim.
De repente, uma enorme saudade da minha ruiva, invadiu o meu peito, e acabei por senti uma necessidade enorme de abraçá-la.
— Zelena? — Chamei-a. Eu não queria esperar para abraçá-la. Minha ruiva colocou a cabeça para fora do banheiro e me observou com uma expressão de curiosidade. Pelo que vi, já estava de toalha. — Vem aqui, por favor... — Chamei-a com a mão também.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou ao se aproximar. Seu olhar estava em mim e em Emma. Balancei a cabeça negativamente, e puxei seu braço para abraçá-la. — Está carente? — Indagou sorrindo e apertando-me mais em seus braços. Emma se mantinha calada ao nosso lado. A última vez que a olhei, ela estava comendo uma maçã.
— Eu só queria te abraçar, e não queria esperar o banho acabar. — Sussurrei, segurando-me para não chorar.
— Você teve aquele pesadelo novamente? — Sussurrou em meu ouvido, e eu murmurei um “sim”. — Nada daquilo é real, Rê. Eu estou bem aqui, bem viva, com você. — Murmurou. Sua voz estava embargada. — Mas saiba que se um dia acontecer, onde eu estiver, estarei sempre com você... — Afastou-se um pouco de mim. — Bem aqui... — Tocou em meu peito, indicando o meu coração. Em seguida, deu um sorrisinho. Os olhos um pouco marejados. — Agora, eu preciso tomar banho... Não temos muito tempo aqui e precisamos aproveitar... — Assenti, soltando-se dela e permitindo-a se afastar.
— Vocês vão embora? — Não sei se foi impressão minha, mas acho que senti um tom de tristeza em sua voz.
— Infelizmente eu tenho que voltar para começar minha fisioterapia... — Peguei um pedaço de laranja para comer. — Se não formos, mamãe vem nos buscar. — Ela fez uma careta. Adorável, por sinal.
— E quando vocês vão? — Quis saber. Parecia realmente interessada.
— Amanhã de madrugada... — Ela balançou a cabeça afirmativamente. Sua expressão era de pensativa.
— Você está bem? — Franzi o cenho com a pergunta repentina, mas afirmei. — Refiro-me ao seu machucado... — Apontou para sua própria testa, indicando-me do que estava falando.
— Ainda dói, mas está bem melhor... — Passei a mão pelo local. Confesso que tinha me esquecido disso. Só lembrei agora, que Emma havia falado.
— Você se importa? — Apontou para uma banda de laranja. Neguei rapidamente, logo a vendo colocar a fruta na boca. Parece que alguém gosta de comer muito também. Contive um sorriso com o pensamento. — Faz um tempo que eu e Ruby estamos querendo fazer um luau... — Fez uma pausa, para engolir o que comia. — Já que vocês vão embora amanhã, estive pensando em marcar com um pessoal, para nos juntarmos hoje...
Antes que eu pudesse responder, Zelena sai do banheiro, chamando nossa atenção.
— Eu interrompi algo? — Fez uma careta. Semicerrei os olhos para ela, que murmurou um “oops” deu um sorrisinho e voltou para o banheiro, voltando logo em seguida.
— Eu estava chamando vocês para ir à um luau hoje, já que estão para ir embora. — Emma falou, assim que Zelena sentou ao nosso lado.
— Por mim... — Zel deu de ombros. — Estaremos lá com certeza. — Deu um sorrisinho. — Mas vou precisar passar o dia todo com o tornozelo no gelo... — Fez uma careta. Franzi o cenho, totalmente confusa.
— O que aconteceu? — Ao olhar para o seu pé, percebi que estava um pouco inchado.
— Lembra quando estávamos em Clearwater e... — Arqueou a sobrancelha, olhando disfarçadamente para Emma. — Eu corri e... — Pigarreou, fazendo-me entender o que ela iria dizer, mas não o fez por causa de Emma. — Eu caí na areia, e machuquei o tornozelo? — As imagens do tombo de Zelena vieram à mente, e eu acabei gargalhando. — Não é para rir. — Deu-me um empurrãozinho. — Bem... — Pigarreou novamente, fazendo-me parar de sorrir para ouvi-la continuar. — No dia seguinte, eu tinha acordado muito bem, e estava até alguns minutos atrás... — Apontou para o banheiro. — Dei um mau jeito enquanto tomava banho.
— Não seria melhor ir ao hospital? — Indagou Emma, levantando-se e indo até os pés da minha irmã.
— Não quero colocar gesso. — Balançou a cabeça negativamente. — Mas então... Temos que ir para o hotel... — Falou para mim. — Você precisa tomar seu remédio, e precisamos pegar roupas novas.
— Eu levo vocês. — Emma se ofereceu rapidamente.
— Não pre...
— Obrigada. — Minha irmã agradeceu, interrompendo-me. — Já terminou de comer? — Apontou para a bandeja de comida que trouxera.
— Nem comecei... — Emma deu um sorrisinho ao meu lado, quando Zelena revirou os olhos.
— Assim que você terminar, nós vamos, OK? — Assenti. — Estarei esperando lá embaixo. — Levantou-se, seguindo para a porta.
— E eu vou tomar um banho... — Emma também se levantou. — Quando eu trocar de roupa, eu desço com você. — Sem esperar por resposta, saiu do quarto.
— OK... — Murmurei para o nada.
•§•
Sete e meia da noite, já estávamos todos na praia, em frente à casa da Emma.
Sentados ao redor de uma fogueira, uns em cima de uns troncos e cadeiras, e outros apenas na areia, com algumas bebidas esparramadas pela areia, escutávamos os amigos de Emma, tocarem no violão, algumas músicas antigas de Elvis Presley.
O momento estava bom. Relaxante. Se eu pudesse, passava o resto da noite ali, sentindo o vento tocar minha pele e balançar meus cabelos, sentindo a areia em meus pés, ouvindo o som do mar ao fundo, e uma boca música, cantada e tocada por pessoas talentosas.
Zelena estava ao meu lado, conversando animadamente com Ruby, que segurava sua mão e fazia um carinho. As duas estavam a cada dia, mais próximas.
Emma não estava entre nós. Tinha saído com a namorada para comprarem mais bebidas.
E eu estava sozinha, apenas apreciando o bom momento.
•§•
Vinte minutos depois, Emma chega, mas não está com a garota. Olho para trás para ver se a vejo, mas aparentemente ela não está.
Emma deixa as bebidas que trouxera, nos isopores que estão perto das fogueiras, fala com algumas pessoas e se aproxima dos amigos que estão tocando. Fala algo no ouvido do vocalista, e em seguida, ele lhe entrega o violão que segurava.
Em silêncio, Emma se sentou ao lado do homem, pigarreou, deu um sorrisinho para o amigo, e começou a tocar o instrumento.
De primeiro eu não reconheci qual música era. Mas quando ela começou a cantar, consegui identificar qual era a canção.
Wise men say (Homens sábios dizem)
Only fools rush in (Que só os tolos se apaixonam)
Eu encarava-a com um sorriso nos lábios, enquanto mexia-me no ritmo da música.
Emma não só tocava como cantava muito bem, e eu estava bastante surpresa, pois isso era mais uma coisa em comum que ela tinha com Emma Swan.
De repente, ela que estava com os olhos fechados e com a cabeça em direção ao céu, enquanto cantava, abaixou a cabeça, abriu os olhos, e começou a me encarar com um sorriso no rosto.
But I can't help (Mas eu não consigo evitar)
Falling in love with you (De me apaixonar por você)
Ao final, piscou para mim, e desviou o olhar. Arrepiei-me dos pés à cabeça.
Aquilo significava alguma coisa, ou foi apenas coincidência?
— Pegou a indireta, direta? — Indagou Zelena, cutucando-me. Olhei-a sem saber o que responder. Ela deu um sorrisinho e voltou a olhar para frente.
Shall I stay? (Eu deveria ficar?)
Would it be a sin (Seria um pecado)
If I can't help (Se eu não consigo evitar)
Falling in love with you? (De me apaixonar por você?)
E mais uma vez, enquanto cantava a parte final, ela me encarou. Porém dessa vez, estava mais séria.
Like a river flows (Como um rio que corre)
Surely to the sea (Certamente para o mar)
Darling, so it goes (Querida, assim vai)
Some things are meant to be (Algumas coisas são destinadas a ser)
Take my hand (Pegue minha mão)
De repente, as pessoas começaram a acompanhar Emma na canção, e logo o coro estava formado.
Não me aguentei. Eu adoro cantar. Principalmente se for Elvis.
Acompanhando Emma e os outros, encarando-a também, porque sim, ela havia voltado a me olhar, eu comecei a cantar.
Take my whole life too (Tome minha vida inteira também)
For I can't help (Porque eu não consigo evitar)
Falling in love with you (De me apaixonar por você)
Emma terminou a canção e todos, inclusive eu, batemos palmas, e alguns até assoviaram. Ela se levantou com um lindo sorriso no rosto, entregou o instrumento de corda para o dono, e se curvou em agradecimento.
Em seguida, depois de pegar uma cerveja, ela veio em minha direção, pediu um espaço a Zelena, e se sentou ao meu lado. E foi aí que eu pude perceber que o lábio inferior de Emma, estava um pouco alto, e tinha um pequeno corte. E em seu vestido, na parte do ombro, tinha pequenas gotas de sangue.
O que havia acontecido?
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