Memories
40 A day to remember
Notas iniciais
40º Um dia para ser lembrado
[Regina]
Hoje faz duas semanas que minha loira voltou para casa para ajudar os pais nos negócios, uma empresa de viagens e turismo que estão abrindo, e nós temos nos falado apenas por ligações, vídeo chamadas e WhatsApp. Não é o suficiente para matar a saudade, mas já é alguma coisa.
Assim como nas realidades que eu criei e acreditei que uma ou outra podia ser a real, de acordo com Mary, quem me confirmou a informação porque eu não tinha certeza se estava certa, pois nem todas as informações das realidades eram verdadeiras pelos motivos que Martin explicou, dia 23 de outubro, em uma semana, Emma estaria completando mais um ano de vida. 34. Ela não sabia, mas com a ajuda de Zelena e Ruby, eu estava planejando ir até Miami, fazer uma festa surpresa com amigos e familiares e depois uma festa particular só para nós duas. Desde que nos entendemos aqui em casa e engatamos em um relacionamento, não houve um pedido de namoro formal por nenhuma das partes e eu quero aproveitar essa oportunidade para fazê-lo.
Aos poucos eu estou abandonando a cadeira de rodas e migrando para as muletas. É um processo lento, mas eu estou indo muito bem. As sessões de fisioterapia têm dado bons resultados não só em minhas pernas, mas na minha relação com Kristin e a filha também. Quando tudo aconteceu, três anos atrás, quase quatro agora, eu jamais pensei que reencontraria as mulheres que deram um golpe em mim e Emma, e muito menos que teríamos uma boa relação. Kristin e Lilith também pensaram que nunca mais veriam nossos rostos por aí, ainda mais por morarem em Orlando e tudo ter acontecido em Miami, mas a vida, desde o nosso primeiro encontro, já tinha planejado direitinho para que nos reencontrássemos mais na frente. Durante nossas sessões, temos conversado bastante e Kristin tem me contado muita coisa, inclusive o número de vítimas que fizeram antes de nós, e que eu e Emma fomos as últimas. Quando eu ouvi suas palavras, fiquei chocada.
Na semana passada, aproveitando a minha melhora, eu decidi voltar a trabalhar. Foi estranho entrar na minha sala, sentar na minha cadeira giratória, que ainda estava desocupada porque o meu chefe nunca quis colocar alguém meu lugar, usar o meu notebook, responder e-mails e atender ligações de pessoas dos setores que respondiam a mim, depois de três anos afastada. Eu estava me sentindo como uma nova funcionária na empresa. As pessoas me olhavam curiosas, como se eu realmente fosse novata, falavam comigo de forma receosa e sempre desviavam a atenção constrangidas, quando eu as pegava olhando para a minha cadeira e pernas. Adaptar-se a voltar a trabalhar na empresa que eu já trabalhava há anos estava sendo bem estranho e um pouco complicado. Eu estava me sentindo deslocada e Zelena e o meu chefe estavam sendo a minha salvação.
Ontem quando fui com minha irmã visitar Rose e Evan, que ainda estavam no hospital, eu tive uma grande surpresa ao ser convidada por ela e Graham, junto com Emma, Ruby e Zelena, para ser madrinha do Evan. Após eu e minha irmã aceitarmos o convite, ligamos para Emma e Ruby e eles fizeram o convite às duas, que sem pensar duas vezes, também aceitaram.
Ao saímos do hospital, horas mais tarde, nossa primeira parada foi na Disney Store. Evan ainda não havia recebido brinquedos, apenas roupas, fraldas e alguns kits de mamadeiras, pratos e copos, e nós queríamos ser as primeiras a fazer isso.
Eu e Zelena estávamos muito animadas com a ideia de termos um afilhado, e se dependesse de nós, seríamos igual avós. Iriamos mima-lo até não podermos mais. E para mim, Evan seria o filho que eu não tinha, mas gostaria de ter.
•§•
Em um dia seria o aniversário de Emma. Enquanto eu terminava de arrumar a minha mala com a ajuda da minha mãe, Zelena terminava de tomar banho. Dentro da bagagem, em um compartimento escondido, um delicado colar com pingente em formato de ondas, representação clara do lugar onde nos conhecemos, aguardava a hora de ser entregue.
Tudo lá em Miami já estava pronto. Era só esperar o dia chegar e arrumarmos o lugar. A mãe da minha loira já tinha a desculpa pronta para levá-la para longe da casa perto da praia e podermos fazer tudo tranquilamente. Emma nem desconfiava do que aprontávamos. Além de não ser do seu costume comemorar seus aniversários com festas, embora seja tão festeira, ela também nunca me falou sobre o dia do seu aniversário, apenas me revelou o mês sem nem perceber, então nem imaginava que eu sabia. Seria mais uma surpresa.
Em uma tarde de conversa pelo telefone com Mary, além dela me confirmar a data do seu aniversário, me contar o quanto gosta de festa, mas não comemora seus aniversários dessa forma e o quanto gosta de ficar na casa perto da praia, eu tinha descoberto muitas coisas do meu amor, inclusive com quantos meses ela deu seu primeiro passo, com quanto tempo seus dentinhos começaram a aparecer e qual a primeira palavra dita. Tinha sido uma maravilhosa tarde de conversa e eu já estava pensando em quando seria a próxima.
Enrolada na toalha e com os cabelos pingando, Zelena entra de repente em meu quarto, assustando a mim e a minha mãe, joga-se na cama por cima das minhas roupas que eu ainda não tinha guardado na mala e dá um gritinho, cobrindo o rosto.
― Eu tomei uma decisão. ― Revela em um tom extremamente animado e eu e mamãe nos olhamos e sorrimos com o seu jeito. ― Vou pedir a Ruby em namoro.
― E esse gritinho é de animação ou...
― Eu estou ansiosa para isso, mas estou com medo. ― Explica, interrompendo-me. Descobre o rosto, mas se mantém na mesma posição, olhando para cima. ― Tenho medo que ela não esteja tão afim de mim como eu estou dela, Regina. ― Diz aflita. Então olha para mim e eu vejo o medo estampado em seu rosto.
― Eu tenho certeza que ela gosta de você o tanto que você gosta dela. ― Digo com certeza, não só pelo que vejo, mas porque Emma também me diz algumas das coisas que Ruby lhe diz sobre seus sentimentos em relação a minha irmã. ― Talvez até mais. ― Acrescento, piscando um olho e fazendo-a abrir um sorriso.
― Você acha? ― Pergunta, ainda receosa e eu balanço a cabeça afirmativamente em resposta. Zel abre um sorriso e a julgar pela sua expressão, está aliviada pelo que acabou de ouvir. ― Ok! Depois eu quero que você me ajude a fazer um pedido legal. ― Avisa e se vira para nossa mãe, deitando a cabeça em seu colo. ― Mãe, a senhora está muito quieta só escutando nossa conversa. O que a senhora acha das duas filhas sapatão e só o papai de homem em casa?
― Zelena! ― Repreendo-a, dando uma tapinha em seu braço. Mamãe já tem umas ideias erradas sobre o assunto e ela ainda fica falando desse jeito, não ajuda muito.
― Olha... ― Faz uma pausa e eu e Zelena nos olhamos brevemente. Sabíamos bem que, quando mamãe começava falando assim, era porque algo sincero viria pela frente, e eu não vou mentir, eu estava com muito medo dessa sua sinceridade arrancar a felicidade que eu estava sentindo pelos últimos acontecimentos. ― Eu nasci e cresci em uma época muito diferente da de vocês, e embora naquela época eu tenha tido algumas amigas e vizinhas que eram apaixonadas por outras mulheres, mas que foram obrigadas a se casarem com homens, meus pais e a sociedade sempre fizeram questão de deixar claro o quanto era errado e inaceitável. ― Faz uma pausa e eu seguro o ar, tensa. ― Foi um choque para mim, mesmo nos dias de hoje, saber que não teria genros, mas sim, duas noras. ― Dá um sorrisinho e só Zelena a acompanha. Eu não consigo. ― Diferente do Henry que aceitou facilmente assim que soube, eu tenho me esforçado bastante para abrir a mente e ser como ele e... ― Faz uma pausa, sorri e passa as mãos pelo rosto, parecendo envergonhada de uma forma que eu nunca vi antes ou me lembro de ter visto. ― Eu preciso confessar uma coisa. ― Ao ouvir suas palavras, meu coração bate acelerado, nervoso com medo do que está por vir em sua confissão. ― Eu tenho gostado tanto das meninas que as vejo como filhas também, e peço a Deus todos os dias para que vocês fiquem com elas até o fim. ― Conta, deixando a mim e a minha irmã literalmente de boca aberta. Nós sabíamos o quanto Emma e Ruby tinham se dado bem com nossos pais, mas jamais pensei que estavam nesse nível ao menos com nossa mãe.
― Mãe... ― Meu coração se acelera ainda mais e meus olhos se enchem de lágrimas. ― Eu não sei nem o que falar... ― Confesso. Estou surpresa demais para formular uma resposta para mostrar o quanto estou feliz com o que nos disse.
― Me agradeça por fazer a mamãe falar essas coisas. ― Zelena diz para mim, toda se achando, mas eu estou emocionada demais para dar qualquer tipo de resposta, até pare revirar os olhos, então só sorrio mesmo. ― Se não fosse por mim, nem saberíamos seus atuais pensamentos a respeito de nosso relacionamento. ― Acrescenta, referindo-se ao que mamãe nos disse quando conversamos sobre nossa sexualidade e falamos de nossos envolvimentos com Emma e Ruby logo que voltamos de Miami.
― Ah, aproveitando que você falou isso, Zelena, eu quero dizer que não penso mais daquele jeito. Eu só estava com a mente presa no passado. ― Fala, surpreendendo a gente mais uma vez, porém dessa vez, não só pelo que diz, mas também, pelo pequeno sorriso que abre e por ficar com os olhos marejados.
De repente, Zelena se senta na cama e se joga em seus braços, agarrando-lhe em um abraço apertado. Mamãe reclama da loucura, mas gargalha e lhe aperta em seus braços também, enchendo-lhe de beijos em seguida.
― Ei, eu quero fazer parte desse abraço também. ― Murmuro, cruzando os braços e fazendo bico, fingindo estar com ciúme, mas estando de verdade, porém tentando mascarar com o comentário em tom de brincadeira. Então Zelena se separa de mamãe e me puxa de todo jeito para cima das duas, envolvendo-me no momento também.
Tudo estava indo tão bem que parecia que a sensação era de estar vivendo em um sonho.
•§•
Despedimo-nos de mamãe na porta de casa e entramos no carro com papai, que nos levaria para o aeroporto a contragosto, pois queria nos levar de carro até lá. Mas estava fora de cogitação aceitarmos que ele passasse mais de 6 horas, contando a ida e a volta, dirigindo.
Uma hora depois e já estávamos com Ruby no aeroporto de Miami. Ela nos levaria até a casa de David e Mary, e nós ficaríamos por lá até o dia seguinte.
Embora eu já tivesse conhecido e conversado bastante com os pais de Emma, eu estava muito nervosa e envergonhada em encontra-los. Agora não teria uma tela de celular ou notebook nos separando. Agora seria cara a cara, seria pessoalmente. Eu estava com muita vergonha. A minha sorte é que eu não ficaria na casa deles sozinha. Graças a Deus, Zelena iria estar ao meu lado o tempo todo.
No carro, enquanto Zelena, sentada no banco da frente, conversava animadamente com Ruby, eu pensava em como Emma reagiria quando não me visse sentada na cadeira de roda. Além de da surpresa da festa, da surpresa de estar em Miami, da surpresa do pedido de namoro e do presente que eu lhe daria, eu tinha mais essa surpresa para o meu amor. Na minha última sessão com Kristin e Lilith, eu consegui dar os meus primeiros passos com a ajuda das muletas e era me apoiando nelas que eu pretendia surpreende-la na festa. Eu estava muito apreensiva, com medo de que desse errado, mas vim o caminho todo rezando para que tudo desse certo e eu conseguisse fazer o mesmo que eu consegui na fisioterapia.
Tempos depois, entramos em um condomínio em Coral Gables e paramos em frente a um dos prédios. Antes que eu pudesse descer do carro, Mary e David aparecem na portaria, fazendo o meu coração quase sair pela boca.
David me ajuda a descer do carro e sentar na cadeira e assim que me ajeito no assento, sou surpreendia por Mary me dando um abraço apertado. Envergonhada, retribuo o contato.
― Eu estava querendo fazer isso desde que te conheci. ― Ela sussurra e beija minha cabeça carinhosamente. Seu gesto afetuoso diminui o meu nervosismo e eu já começo a me sentir mais confortável.
― Bem-vinda, Regina! É um prazer finalmente conhecer você pessoalmente. ― David se pronuncia e Mary me solta. Então, um pouco sem jeito, ele se aproxima e me abraça também.
― Prazer em conhecer vocês também. ― Também digo, sorrindo para os dois.
― Zelena? ― Mary se dirige a minha irmã e a abraça também, pegando-a de surpresa. ― Prazer em conhecer você também, querida.
― Ei, Mary. ― Zel murmura, abraçando-a de volta. Apesar de ter sido pega de surpresa, minha irmã está totalmente tranquila e a vontade, totalmente diferente de mim, que apesar de estar um pouco mais confortável agora, a vergonha e o nervosismo não passaram totalmente.
― Bem-vinda também, Zelena! ― David também a abraça.
― Gente, não querendo atrapalhar o momento, mas é que as malas estão um pouco pesadas. ― Ruby fala, chamando a nossa atenção. ― Será que podemos entrar? ― Indica o prédio atrás de nós.
Entre risadas, nós entramos no edifício e minutos depois já estávamos no último andar, conhecendo cada centímetro do apartamento dos Swan.
À tarde, logo após o almoço, Mary e David saíram para se encontrar com Emma e resolverem assuntos relacionados a empresa, e à noite, quando meu amor me ligou, foi um pouco complicado esconder dela onde eu estava, eu não podia ficar em qualquer lugar correndo o risco dela reconhecer, foi preciso me sentar no chão, tapar a parede atrás com um lençol e inventar uma história sobre algo que eu estava fazendo com Zelena para explicar o lençol na parede. Graças a Deus ela aceitou numa boa e nem fez muitas perguntas. Até comentou que gostaria de estar em Orlando para participar também.
Na manhã seguinte, os preparativos começaram cedo, Mary tratou de levar Emma para o centro de Miami e prendê-la por lá e nós fomos para a casa da praia.
Enquanto David e Ruby ficaram responsáveis por tudo que envolvia comida, desde a escolha do cardápio até a preparação e a arrumação, eu, Zelena e uma amiga de Emma, Ella, ficamos com a parte da limpeza e decoração.
Quando terminamos tudo na sala, pedi a ajuda de minha irmã para arrumarmos o quarto de Emma para algo que eu pretendia mais tarde, quando estivéssemos sozinhas, e sob muitas piadinhas Zelena aceitou me ajudar. Ao som de uma playlist de faxina, escolha de Zel, nós limpamos tudo, trocamos os lençóis e fizemos uma decoração romântica com velas aromáticas e pétalas de rosas por cima da cama. Na mesa de cabeceira, um balde esperava seu momento de abrigar um vinho e na cama, o meu presente guardado em uma pequena caixa preta também aguardava o seu momento de ser entregue.
No fim da tarde, faltando pouco para as 5:00, tudo ficou pronto e sem perda de tempo, nós corremos para o apartamento dos Swan para nos arrumarmos.
Como ficou marcado, às 7:00, todos se encontravam na casa da praia apenas esperando Emma e Mary chegarem. Pedi para Zelena colocar gelo e vinho no balde no quarto, apagamos todas as luzes, fechamos as portas e ficamos na sala, à espera. 10 minutos depois, a mãe de Emma me enviou uma mensagem avisando que chegariam em poucos minutos e antes que eu pudesse lhe responder, meu telefone começa a tocar. Era ela. Emma estava me ligando como sempre fazia todas as noites.
― E agora? ― Mostro o celular para Ruby e minha irmã.
― Deixa tocar. ― Zelena me responde. ― Depois ela vai entender o motivo pelo qual você não atendeu.
Com aperto no coração, sigo o que minha ruiva indica e ignoro a chamada. Emma não insiste e eu agradeço por isso, mas fico preocupada com o que pode estar pensando.
― Elas chegaram! ― Alguém, um dos amigos de minha loira sussurra, e todo mundo fica em alerta, esperando que a porta seja aberta para poder cantar a música de parabéns.
Com a ajuda de Zelena, pego as muletas e coloco cada uma de um lado. Quando a porta se abre, segundos depois, todos começam a cantar e bater palmas e Emma dá um gritinho de surpresa. Vejo o grande sorriso em seus lábios e sorrio junto, feliz por ver que gostou da surpresa. Então, com a ajuda de Ruby, eu me levanto devagar, bem como Kristin me ensinou, e em um passo de cada vez, saio de dentro da multidão e sigo em sua direção, que ao me ver finalmente, franze o cenho em clara confusão com a minha presença, mas logo arregala os olhos e abre a boca em surpresa ao olhar para as minhas pernas e perceber que estou em pé, andando.
― Regina? ― Caminha rapidamente até mim, me olhando com fascínio. ― O que... ― Não termina a provável pergunta, provavelmente por estar surpresa demais. ― Você está aqui e está andando... ― Murmura em um tom desacreditado e eu sorrio de seu jeito. ― Não acredito que você escondeu isso de mim. ― Olha-me de cima a baixo e para em minhas pernas. Parecia não acreditar no que via.
― Eu queria te fazer uma surpresa. ― Defendo-me. Então sua atenção voltar para o meu rosto. ― Parabéns pelo seu dia, meu amor. ― Sussurro, jogando-me em seus braços, que me recebem em um abraço apertado e me sustentam para que eu não caia. ― Espero que tenha entendido o motivo pelo qual não atendi a sua ligação. ― Ela gargalha gostosamente e eu não resisto em lhe acompanhar.
― Meu Deus! ― Afastamo-nos um pouco e seus olhos brilhantes me encaram apaixonadamente, fazendo as minhas amiguinhas acordarem. Elas ainda não estavam acostumadas com os olhares apaixonados e com as declarações que Emma me fazia todos os dias, por isso, sempre faziam uma festa. ― Quando você chegou?
― Não precisa ficar tão surpresa assim, sabe? Nós só moramos há umas três horas de distância. ― Respondo brincalhona e nós sorrimos. ― Eu estou aqui desde ontem de manhã. ― Revelo e ela volta a arregalar os olhos e abrir a boca.
― O que?
― Casal, desculpa interromper a conversa e o momento, mas gostaríamos de te roubar só um pouquinho a Emma, Regina. ― Minha irmã fala, aproximando-se de nós com a minha cadeira. ― Prometo que depois vocês poderão conversar à vontade. ― Ela pisca para mim e eu entendo o que quis dizer sobre poder conversar depois. Com a sua ajuda, troco as muletas pela cadeira novamente e logo Emma é arrastada para longe de mim por Ruby e Zel, e levada para junto dos amigos, que lhe abraçam em grupo e fazem uma algazarra.
Após todos os cumprimentos, recebimentos de presentes, inúmeros agradecimentos e um discurso, a música e a comida são liberadas e Emma também, que não perde tempo em sentar comigo no sofá e me encher de perguntas sobre eu estar andando, sobre a festa e a minha presença por aqui.
•§•
Quando os últimos convidados vão embora, fazemos um grande mutirão de limpeza e quando terminados nos reunimos na sala para conversar e comer o que tinha sobrado. Tudo estava gostoso demais e não podia ser desperdiçado ou mesmo deixado para depois.
Quase duas horas depois, já passava de duas da manhã, Mary, David, Ruby e Zelena se despedem e vão embora, deixando-nos sozinhas.
― Finalmente a sós! ― Emma murmura assim que fecha a porta e passa a chave, e eu bato palmas, animada. Em seguida, ela caminha lentamente até mim, senta-se ao meu lado, nossas respirações se misturando, e me beija com vontade, me pegando de surpresa. Nós ainda não tínhamos feito isso desde que nos vimos. Eu estava com saudade.
Rapidamente seu corpo cobre o meu e nós deitamos no sofá, aumentando o contato de nossas bocas. Minhas mãos logo se enfiam por seu cabelo, puxando-a mais para mim, mas seus lábios logo se desprendem dos meus, seguindo um caminho perigoso e gostoso pelo meu pescoço.
Então eu me lembro da surpresa que lhe aguardava no quarto.
― Vamos para o quarto. ― Peço num sussurro, segurando-me para não gemer com suas mordidas em meu pescoço.
Atendendo ao meu pedido, Emma me pega em seus braços, e aos beijos, seguimos em direção ao cômodo.
À medida que fomos nos aproximando, o nervosismo deu o ar da graça e meu coração começou a bater acelerado.
Quando eu abri a porta e Emma deu dois passos para dentro, vendo a pequena decoração de rosas em cima da cama e algumas velas espalhadas pelo cômodo, mais uma vez naquela noite, seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu em surpresa.
― Regina...
― Agora é a vez da nossa festa particular. ― Digo de forma mais sensual possível e ela ataca a minha boca em um beijo sedento.
Delicadamente, minha loira me coloca em cima da cama e volta para fechar a porta. Nesse momento, aproveito para pegar a caixinha com o colar. Quando ela volta, estendo-a em sua direção.
― Ah não, Regina! Não acredito nisso. ― Murmura, pondo as mãos na cintura. Em seguida, abre um grande sorriso, pega a caixa e se senta ao meu lado.
― Espero que goste, mas não é nada demais, apenas uma lembrança. ― Trato de esclarecer para evitar grandes expectativas.
― Não me importo se é só uma lembrança. Até se você me desse um confeito eu iria amar. ― Devagar, minha loira abre a caixa, pega o colar e o espalha na mão, analisando-o. ― É lindo, meu amor. Muito obrigada! ― Entrega o colar para mim e se vira, em um pedido para que eu o coloque nela.
― O pingente é uma onda em representação ao lugar onde nos conhecemos e nos reencontramos. ― Explico, prendendo o atacador e dando um beijo em suas costas.
― Agora que sei o significado, gostei ainda mais. ― Vira-se para mim novamente e toca o meu rosto com delicadeza. Fecho os olhos ao seu carinho e seguro em sua mão, levando-a até a boca e beijando. ― Acho que eu nunca vou cansar de dizer o quanto amo você. ― Sussurra. Segundos depois, sinto seus lábios tocarem os meus delicadamente, encaixando-se e se movendo um sobre o outro.
Iniciamos um beijo calmo, cheio de paixão e delicadeza, mas logo se tornou urgente. Sua língua pediu passagem e eu concedi, sentindo-a tocar a minha e depois ser levemente chupada. Quando nossas bocas se separaram para que pudéssemos respirar, Emma me virou delicadamente e dedicou-se a beijar meu pescoço e ombro, enquanto, lentamente, suas mãos iam descendo com as alças da minha blusa. Ao tentar retirar a blusa por completo, eu seguro o pano com força, impedindo a ação.
― Meu corpo não é o mesmo de três anos atrás... ― Aviso antes que pergunte o motivo da minha hesitação. ― Eu... ― Fecho os olhos e respiro fundo. ― Eu tenho algumas cicatrizes na barriga e nas coxas... ― Sussurro, envergonhada.
― Eu não me importo. ― Meu amor sussurra de volta, abraçando-me pela cintura e beijando minha bochecha. ― Você é linda de qualquer jeito, Regina! ― Declara, diminuindo um pouco a minha tensão, mas não totalmente, e me causando um breve sorriso. ― E eu tenho cicatrizes também. ― Aponta para a cicatriz que tem no colo, pouco acima do seio esquerdo, e dá um sorriso meigo. Meu coração se aquece.
Então, mesmo ainda hesitante, mas sentindo coragem pelo que me disse e pela sua tentativa de dizer que se parece comigo por também ter cicatrizes em sua pele, seguro em suas mãos e juntas, retiramos a minha blusa por completo. Emma joga a peça para longe e me puxa para os seus braços, eu deito a cabeça em seu ombro e nossos olhares se conectam por alguns segundos, até que nossos lábios se encontram mais uma vez. Meu amor segura o meu rosto e me puxa mais para si, aprofundando o contato, agarrando os meus lábios com vontade e preenchendo minha boca com sua língua, suas mãos começam a viajar pelo meu corpo e logo seus dedos encontram os lembretes do que me aconteceu três anos atrás. Nesse momento, encerramos o contato e nos afastamos um pouco, voltando a nos olharmos intensamente, e as pontas de seus dedos rodeiam carinhosamente as cicatrizes na barriga. Então, um pequeno trecho de uma de suas músicas preferidas, a mesma que, em uma das realidades, a primeira de todas, aquela que eu era noiva dela e não tinha sofrido acidente algum, foi usada como fundo para a nossa primeira vez após seu pedido de casamento.
I am at ease in the arms of a woman ― Eu estou sossegado nos braços de uma mulher
Eu estava sossegada. Eu estava sossegada nos braços de uma mulher. Eu estava sossegada nos braços da mulher que eu amo e que me ama também.
Quebrando a nossa conexão mágica pelo olhar, Emma me deita delicadamente na cama, por cima das pétalas de rosas espalhadas pelo lençol e começa a beijar a minha barriga, mais necessariamente, todas as cicatrizes.
― Você é linda! ― Repete, olhando para mim, e eu sinto vontade de chorar, emocionada com o seu carinho. ― Você é linda!
Nossas mãos se unem em apertos firmes e seus lábios sobem lentamente até chegarem em meus seios cobertos. Ainda por cima do pano, Emma cobre o bico do seio esquerdo e me faz delirar quando sinto sua língua acaricia-lo. Não aguentando a tortura e louca para senti-la completamente, sem barreiras, solto nossas mãos e retiro o sutiã com pressa, fazendo-a rir. No segundo seguinte, seus lábios e língua já estão em meus seios de novo e nossas mãos unidas.
Pegando-me de surpresa, Emma morde o bico de um e eu solto um gritinho de susto, ao mesmo tempo que meu corpo se arrepia e eu solto um gemido em seguida. Minha loira me lança um olhar safado e dá um sorrisinho que faz a minha intimidade vibrar. Então puxo-a para cima e uno nossas bocas com força e vontade, não me contendo de excitação e chupando a sua língua e puxando seu o lábio inferior, fazendo-a gemer gostoso em resposta.
Emma solta uma de nossas mãos e a deposita entre as minhas pernas, meu corpo todo vibra em antecipação e eu me movo ansiosa em busca de um contato maior. Seus dedos trilham um caminho perigoso pela minha virilha, ainda por cima da minha calça, e eu suspiro pesadamente, desejando não estar mais com peça alguma. Então, como se ela tivesse ouvido meus pensamentos, afasta-se de mim, desabotoa a minha calça e a retira do meu corpo junto com a minha calcinha, dando o mesmo destino que a minha blusa. O chão.
― Você é linda! ― Sussurra, olhando intensamente para cada parte do meu corpo, fazendo-me arrepiar.
Com beijos molhados, começando dos dedos dos pés, Emma sobe por minhas pernas, e assim como fez em minha barriga, seus lábios tocam todas as cicatrizes em minhas coxas, fazendo-me arrepiar. Todavia, ao chegar em minha intimidade, para a minha frustração, ela para, deita-se por cima de mim, beija meus lábios e sai da cama.
― Você pode beber? ― Pergunta, apontando para o vinho no balde em cima da mesa de cabeceira.
― Eu não estou mais tomando remédios. ― Meu amor rodeia a cama, abre o vinho, enche as taças e oferece uma para mim.
― Um brinde à essa noite. ― Propõe, estendendo o objeto cheio do líquido vermelho em minha direção.
― Hoje será um dia para relembrar. ― Digo e ela assente, abrindo um lindo sorriso. ― À essa noite! ― Encosto a taça na sua e nós bebemos ao mesmo tempo.
Após beber todo o vinho, Emma se levanta da cama, deixa sua taça em cima da mesa de cabeceira e lentamente começa a tirar sua roupa, fazendo-me prender a respiração. Primeiro retira a blusa e meus olhos percorrem sua barriga e seus ainda cobertos, então tira o sutiã e meus olhos percorrem seus seios, depois tira a calça e então a calcinha. A última peça, ela joga em cima de mim, que logo trato de agarra-la e cheira-la. As outras, ela joga no chão, no mesmo lugar que as minhas.
Completamente nua, assim como eu, minha loira vem para cima de mim lentamente, cobre o meu corpo com o seu, beija meus lábios, beija minha bochecha, beija meu pescoço, beija meu ombro, desce para o meu colo e se detém por alguns segundos nos seios, arrancando-me suspiros e gemidos. Em seguida, continua seu caminho lentamente, beijando a minha barriga, até que chega em minha intimidade. Minha loira me lança um olhar de desejo que me arrepia dos pés à cabeça e então seus lábios tocam minha vagina com vontade, me fazendo ir ao paraíso. Sua língua brinca com o meu clitóris e grandes lábios, mordendo e chupando e eu me agarro aos lençóis da cama, mordo meus lábios para evitar a vontade de gritar e movo meu quadril em sua direção em busca de contato.
De repente, sua boca abandona minha intimidade, mas antes que eu possa reclamar, sinto seus dedos me invadirem e logo em seguida, sua boca se afundar em meus grandes lábios novamente. Solto um alto gemido e agradeço por estarmos sozinhas, caso contrário, eu seria ouvida e teria que aguentar as consequências depois.
― Emma... ― Murmuro extasiada de prazer e quase sem forças, sentindo seus dedos entrarem e saírem em alta velocidade. O conjunto de seus dedos e língua têm os movimentos intensificados e eu tento fechar as pernas, mas Emma as segura com força, mantendo-me totalmente aberta para si.
Prestes a gozar, eu seguro em sua cabeça, forçando-a mais para mim, mas não dura por muito tempo, pois ela foge do meu agarre e deita seu corpo por cima do meu, logo voltando a esfregar a minha vagina e beijando meus lábios. Prendo sua cintura com as minhas pernas e me movimento rapidamente em direção aos seus dedos, sentindo o orgasmo se aproximar ainda mais. Emma abandona meus lábios e desce para o meu pescoço, chupando-o e mordendo.
― Eu também quero tocar você. ― Peço, sentindo uma vontade absurda de lhe dar o mesmo prazer que estava me dando. Eu não lembrava da última vez que tinha feito isso.
Atendendo ao meu pedido, Emma pega a minha mão e leva até a sua intimidade, movendo os dedos lentamente por seus grandes lábios e o clitóris. Ela fecha os olhos e eu intensifico os movimentos, escutando seus gemidos baixos. Emma perde um pouco da força e seu corpo cai por cima do meu, eu acolho-a com o braço livre e beijo seus lábios delicadamente, sentindo o meu gosto neles.
Sentindo que Emma se aproximava do seu orgasmo, levo sua mão até minha vagina, indicando o que eu queria, e ela logo entende, penetrando-me novamente.
― Juntas. ― Peço, intensificando os movimentos em sua entrada e ela assente, acelerando seus dedos dentro de mim.
Nós unimos nossas bocas mais uma vez em um beijo sedento e arrebatador, mas o contato não dura por muito tempo, pois a excitação toma conta de nós e, gemendo juntas, nós liberamos nossos prazeres uma na mão da outra.
Aos poucos, vamos diminuindo os movimentos até que Emma se deixa cair por cima de mim, que logo trato de acolhe-la e abraça-la com força. Trocamos mais um beijo, dessa vez mais suave, e minha loira deita a cabeça em meu pescoço. Então, mais uma vez, eu me lembro de um trecho da música preferida dela e de quando o citou para mim, em uma das vezes que, depois de transarmos, ela se deitou em meu peito e eu a abracei, exatamente como agora, três anos atrás.
I am at ease in the arms of a woman ― Eu estou sossegado nos braços de uma mulher
Fazendo carinho nos cabelos loiros, eu fecho os olhos e automaticamente as lembranças de quando nos conhecemos, há três anos, me vem à mente. O momento em que nos vimos na praia, o primeiro beijo, os passeios, o show que fomos, a nossa primeira vez, as conversas, os presentes e a despedida.
De repente, as cenas do meu acidente tomam conta das lembranças e uma antiga dúvida ressurge.
― O que você estava fazendo naquele dia em Orlando? ― Indago, quebrando o silêncio. Minha loira levanta a cabeça e eu vejo em seu rosto a confusão com a pergunta. ― No dia do meu acidente. ― Esclareço e sua expressão demonstra que entendeu.
― Ruby tinha conhecido uma mulher por aqui, mas ela foi embora uns dias depois. Então marcaram uns encontros e a Ruby me arrastou junto.
― Você viu o meu acidente? ― Perguntei, mas só por perguntar, porque seria impossível não ter visto. Eu estava indo em sua direção quando tudo aconteceu.
― Nós não vimos a colisão, só escutamos o barulho e vimos uma multidão ao redor de dois carros no meio da pista. Eu quis ir até lá para ver o que tinha acontecido, mas Ruby estava apressada demais, além de que ela não curte muito ver essas coisas. ― Explica e eu assinto. ― Eu nunca soube que o acidente que presenciei tinha sido com você até você ter me dito naquele dia na festa da Rose, que antes da colisão tinha me visto do outro lado da rua com Ruby. ― Acrescenta, fazendo carinho em meu rosto. Em seguida, meu amor volta a deitar a cabeça em meu peito e eu fecho os olhos para dar continuidade em minhas lembranças.
Repassando cada momento acontecido desde que acordei do coma e reencontrei Emma no mesmo lugar que nos conhecemos, lembrei de quando fomos ao mesmo show que fomos da outra vez e do quanto fiquei triste e decepcionada quando a vi abraçada com outra pessoa.
― O que aconteceu com a sua ex? ― Pergunto curiosa, quebrando o silêncio mais uma vez, e Emma levanta a cabeça, me lançando um olhar confuso novamente.
― Allison? ― Assinto. ― Ela não é minha ex. ― Balança a cabeça negativamente. ― Ótimo momento para falar sobre isso. ― Olha para os nossos corpos nus e colados. ― Bem, depois que eu “terminei” tudo com ela, nunca mais a vi.
― Você terminou por causa de mim? ― Quis saber, já sentindo meu coração se acelerar com a possível resposta.
― O que você acha? ― Olha fundo em meus olhos e eu estremeço. ― Quando a gente se reencontrou naquele dia, eu só não comentei nada sobre o passado porque já fazia três anos que tínhamos nos vistos e se envolvido, e como eu disse naquele dia que nos beijamos, eu não sabia como você estava, se ainda curtia e tudo mais, sem falar que tínhamos acabado de se reencontrar, não seria legal já chegar falando essas coisas. Não foi à toa que eu me aproximei de você tão rápido. ― Sussurra, beijando-me suavemente.
― Ela gostava de você? ― Emma dá de ombros. ― Espero que não. Sofrer por amor não é bom. Eu já passei por essa experiência e garanto o que estou dizendo. ― Murmuro baixinho e minha loira me abraça. ― Você lembra que quando nos beijamos naquele passeio na lancha, eu chorei? ― Ela levanta a cabeça e me encara curiosa. ― Não tinha sido só por emoção como eu tinha dito, tinha muito a ver com o que estava me acontecendo, como você já sabe. ― Ela assente. ― Eu estava perdida. Tinha acordado em uma realidade diferente da que eu lembrava de viver e descobri que não tinha nada com você. ― Respirei fundo. ― Eu estava sentindo falta de você... ― Inevitavelmente, meus olhos marejam e lágrimas molham minhas bochechas, mas Emma não permite que elas rolem por muito tempo, logo passando seus polegares para enxuga-las. ― De repente, tínhamos nos reencontrado, tínhamos nos aproximado bastante e então estávamos ali, fazendo uma coisa que pensei que seria improvável de acontecer, estávamos nos beijando outra vez...
― Eu estava louca por você, estava louca para te beijar... Desde aquele passeio na praia... ― Revela, deixando-me surpresa. ― Aliás, aproveitando esse momento e essa conversa, eu gostaria de te fazer uma proposta. ― Anuncia, ficando sentada, e eu arqueio a sobrancelha, curiosa com o que virá. ― O que você acha de transformar uma de suas realidades em verdade? ― Pergunta e eu franzo o cenho, sem entender. ― Quer ser minha noiva de verdade? ― Propõe, pegando-me de surpresa e fazendo minhas amiguinhas se agitarem. Eu tinha entendido direito?
― Isso é sério? ― Pergunto, sentando-me na cama. Emma estava mesmo me pedindo em casamento? Meu desejo para o nosso futuro estava mesmo se tornando realidade? ― Noiva? ― Pergunto para ter certeza e minha loira assente, sorrindo. ― Não deveria ser namorada primeiro? ― Brinco e ela gargalha. ― Aliás, eu tinha a intenção de te fazer esse pedido hoje. ― Revelo a minha última surpresa para aquela noite.
― Parece que eu fui mais rápida. ― Dá uma piscadinha e abre um sorrisinho. ― Então? ― Volta a ficar séria. ― Aceita ser a futura Sra. Swan? ― Pergunta em um tom sensual, encarando-me profundamente.
― Com esse olhar e voz sensual e você completamente nua em minha frente, fica impossível de recusar esse pedido. ― Nós duas rimos. ― Eu aceito se você aceitar o meu pedido de namoro. ― Dou a condição e ela cruza os braços, semicerra os olhos e faz um biquinho fofo.
― E eu aceito se você aceitar o meu primeiro. ― Rebate, arqueando a sobrancelha. Fico a encarando por alguns segundos, fingindo que estou pensando a respeito, mas logo a puxo de supetão para cima de mim.
― É claro que eu aceito! ― Sussurro, olhando fundo em seus lindos olhos verdes.
― Então eu aceito também! ― Diz, aproximando-se lentamente e beijando meus lábios com delicadeza. Ato seguinte, sem desgrudarmos nossas bocas, deitamos na cama novamente, e dessa vez eu fico por cima. Então meus lábios se desgrudam dos seus, despedindo-se com uma leve mordida no inferior, e descem pelo seu pescoço, provocando-lhe suspiros e gemidos. Agora era a minha vez de matar a saudade de seu corpo.
•§•
Três meses depois.
Em comemoração ao sucesso que a empresa dos pais de Emma estava fazendo, as promoções que eu e minha irmã recebemos no trabalho, a minha evolução na fisioterapia que me permitiu ser livre da cadeira de rodas e usar apenas as muletas, ao noivado de Zelena e Ruby e ao terceiro mês de vida de Evan, fizemos uma grande festa em um espaço alugado aqui no centro de Miami. Além de todas essas celebrações, eu e Emma também estávamos completando três meses juntas, por isso, assim que a festa com os nossos amigos e familiares acabou, nós não perdemos tempo em irmos para o nosso apartamento, no qual compramos há menos de dois meses e começamos a morar juntas, e fizemos uma comemoração só nossa com direito a mais champanhe, muitas declarações e até uma dança ao som de “The Words – Christina Perri”. Claro que Emma quem me apoiou no momento.
Por causa da promoção que eu e minha ruiva recebemos no trabalho, iriamos fazer uma viagem de protocolo até a matriz na Alemanha no dia seguinte. Quando recebi a notícia junto com Zel, nós quase explodimos em gargalhada com tamanha coincidência. Até Emma nos acompanhou na risada.
Enquanto Emma tomava um banho, eu tentava escolher as peças de roupas que levaria e preparava a minha mala. Embora fosse passar apenas uma semana, pensando em prováveis imprevistos, fui aconselhada por minha mãe e irmã, a levar todo tipo de roupa, além de levar pares sobrando, por isso, a cama estava repleta de vestidos, saias, calças, blusas, ternos e sobretudos. Eu estava muito indecisa sobre o que levar.
― Vai passar uma semana ou um mês? ― Emma brinca, entrando no quarto, coberta apenas por uma toalha, e se sentando ao meu lado.
― Indecisão é o nome do problema. ― Suspiro pesadamente, olhando para a enorme bagunça. ― Você está cansada, não é? Eu estou ocupando a cama toda. ― Balanço a cabeça negativamente. ― Eu vou arrumar essa bagunça. Prometo que a nossa cama estará livre em 10 minutos. ― Levanto apressada e começo a juntar algumas peças que já tenho certeza que não levarei.
― Ei, calma! ― Meu amor segura em minha mão, fazendo-me parar. ― Vamos arrumar essa bagunça e fazer essa mala juntas. Você também está cansada. ― Fala e eu assinto.
Emma troca a tolha por sua camisa branca de regata e uma calcinha box, e assim como sugeriu, ela me ajuda a escolher as roupas para levar, nós arrumamos a mala, guardamos as outras peças no guarda-roupa e deitamos na cama, extremamente cansadas do dia agitado que tivemos.
― Boa noite, meu amor! ― Minha loira deseja, abraçando-me apertado por trás e beijando o meu ombro carinhosamente. ― Sonhe comigo. ― Sussurra, fazendo-me rir.
― Boa noite, meu amor! ― Respondo, puxando seus braços e me aconchegando mais. Então apago a luz do abajur e fecho os olhos, tentando descansar a mente e pegar no sono.
Abro os olhos e me vejo na escuridão do quarto. Minha cabeça dói e meu coração está acelerado. Estou pingando de suor e meu corpo dói como se eu tivesse passado o dia na academia.
Eu havia tido um sonho. Ou melhor, um pesadelo. Diante tudo que já me aconteceu isso não poderia ser considerado um bom sonho.
Eu havia tido um pesadelo em que tudo que me aconteceu nos últimos meses não tinha passado de um delírio, que mais uma vez não tinha tido acidente nenhum e que minha mente tinha inventado tudo. E tinha parecido ser tão real que eu ainda podia sentir que estava nele.
Sentindo-me um pouco assustada com a possibilidade, mesmo sabendo que não era real, para ter totalmente certeza e espantar qualquer dúvida de que foi só um pesadelo, sento-me na cama e olho para o lado em busca da minha loira e logo vejo-a dormindo tranquilamente. Para não restar dúvidas, mesmo no escuro, eu me arrasto pelo colchão e procuro por minha mala e muletas, que estavam perto do pé da cama. Quando sinto a alça da bagagem e o ferro gelado de uma das muletas, respiro aliviada. Como uma última confirmação, pego o meu celular na mesa de cabeceira e acendo a tela, logo vendo a data e hora, e o papel de parede, uma das minhas fotos preferidas de mim e Emma no dia de seu aniversário.
Com o coração mais calmo e a tranquilidade da certeza de que tudo não passou de um sonho ruim, arrasto-me de volta para o meu lugar e volto a me deitar com o meu amor. Mesmo suada, cubro-me com o lençol, agarro sua cintura, puxo-a mais para mim e beijo sua bochecha, despertando-a.
― Humm... ― Murmura toda manhosa, virando-se para mim. ― Aconteceu alguma coisa ou já está na hora de levantar? ― Pergunta baixinho, espreguiçando-se.
― Não, meu amor. Foi só uma dorzinha de cabeça que eu tive e acabou por me despertar. Volta a dormir... ― Peço, falando no mesmo tom, e beijo seu ombro.
Emma se vira completamente para mim e me agarra pela cintura.
― Eu te amo! ― Sussurra a declaração, causando-me fortes palpitações e beija meus lábios.
― Eu também te amo! ― Sussurro de volta, trazendo-a mais para os meus braços e fechando os olhos para tentar voltar a dormir, e dessa vez, realmente sonhar, de preferência, com a mulher da minha vida em meus braços, como foi desejado. Mais tarde seria um dia tão agitado quanto o dia anterior.
FIM
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