Memories
2 Capítulo 2: O beijo
Notas iniciais
Em fim, Minha William estava me cobrando o fim dessa história e eu faço tudo o que ela quer. Achei o que estava perdido e vou postar. Espero que acompanhem. Mesmo está não sendo a minha real visão ou desejo em Grelliam.
Mas... Vá lá. Tive que seguir o roteiro inicial.
No dia seguinte as discussões o ruivo se dedicou como nunca a seu trabalho. Afinal, não havia nada – nem ninguém, ao menos ninguém especial – na mansão. Sebastian estava em outro país com Ciel, demoraria a voltar. Pelo menos uma semana. Grell não gostava de ficar só. Sentia algo extremamente horrível em seu peito quando ficava só naquele lugar enorme. Era como se lhe faltasse algo. Uma sensação estranha demais. Isso sempre acontecia quando o demônio não estava lá para distraí-lo. Era perturbador a cima de tudo. Sendo assim, o ruivo preferiu voltar a visitar o seu supervisor após o expediente. Foi a primeira coisa que veio a mente dele. Apesar de tudo sentia falta de falar com o amigo. Passaram tanto tempo juntos. Isso não é algo que se esquece da noite para o dia. E também, queria saber como o moreno estava.
— Wiru?! – Chamou quando chegou a porta da frente.
O moreno estava na sala, sentado com um livro nas mãos. Estava parado na pagina 127 a quase uma hora. Não conseguia ler mais que algumas linhas sem que seus pensamentos fossem invadidos pelo acontecido do dia anterior. Não conseguia tirar o ruivo de sua mente. Por mais que tentasse. Tudo que ele lhe disse.
“Como ele pôde?” – Pensou fechando os olhos com força.
— Wiru?! – Grell chamou pela segunda vez. Desta, mais alto. Apenas então o moreno ouviu.
— Entre. – Disse seco sem sequer se mover de seu lugar. Grell abriu a porta e caminhou até ele com um sorriso nos lábios. O moreno fingiu estar totalmente concentrado no livro.
— Ah Wiru... Que bom que está aqui. Estava um caos lá fora.Você não tem ideia de como eu trabalhei hoje... Está fora do...
— Grell... – O moreno o interrompeu. – Quer falar um pouco menos? Não seja tão chato.
— O que foi? Vai me ignorar? Já se esqueceu de quem eu sou? Impossível, eu sou... Inesquecível.
O moreno quase riu e fechou o livro.
— Não... Pegajoso sim... Mas inesquecível, não. – Disse sério sem olhar o menor.
— Ain Wiru... Porque você nunca admiti o que acha de mim hein?
— Você é irritante, chato, pegajoso, inútil, vermelho, já disse chato?
O ruivo se sentiu no sofá e chegou a rir das descrições do moreno. William sempre fora assim. Frio, sem paciência, direto. Por um instante achou que o velho William estava voltando.
— Disse sim... Mas eu sei o que você realmente quer dizer no fundo. Eu sei que eu moro no seu coração de pedra Wiru.
— Mora? Não sabia desse detalhe... Acho que você deveria morar no inferno junto com seu amado demônio. – Foi seco e duro com as palavras não se importando em como elas chegariam aos ouvidos do ruivo. E foi realmente duro ouvir aquilo. Mas Grell se conteve e tentou não levar tão a sério. Na medida do possível.
— Wiru! Não fale assim comigo. Depois de tanto tempo juntos você vai me tratar assim agora?
— Estou te tratando de modo diferente? Sempre o tratei desse jeito... – O olhar de William se tornou mortal por um momento como se aquelas palavras doessem ao serem cuspidas. – Não vai ser agora que eu mudarei.... Alias, agora vai piorar, pois você me dá nojo junto aquele demônio.
O ruivo sentiu um nó se formar em sua garganta instantaneamente quando o ouviu. Não esperava palavras tão duras assim tão rapidamente. Mas ainda não estava pronto a se dar por vencido.
— Não não não.. Você nunca me tratou assim antes. Nunca foi tão rude e grosso, frio sim... Mas só... Se continuar assim eu vou acabar achando que você está é com ciúmes de mim. Isso sim.
— Ciúmes? – O moreno quase riu de nervoso com a afirmação. – Não... Não possuo isso... Eu só gostaria que você parasse um pouco de ser tão inútil e realizar seu trabalho com perfeição assim como eu.
— Eu estou tentando Wiru. Tento isso desde sempre, mas não é fácil ser como você sabia? Eu tentei me inspirar em você varias vezes, mas... Mas... Eu não sei.
— Não sabe por que é um inútil, imprestável, que sempre se desvia de seu trabalho para correr atrás de tudo quanto é homem que julga bonito.
Grell queria retrucar, queria dizer algo mais concreto, que abalasse William com aquelas afirmações, mas só havia passado um dia desde sua ultima discussão, não havia muita coisa nova a mostrar, e afirmar que tudo ia ser diferente não adiantava de nada. O ruivo se encostou no sofá emburrado com os braços cruzados e disse sem olhar o moreno.
— Tah... Pode até ser... Mas isso é tudo culpa sua sabia?
— Culpa minha? Não vejo em que sou culpado. – Disse sem mudar o semblante.
— Se você tivesse me dado uma chance quando pôde, eu não teria corrido atrás de ninguém. Rum'. – Em fim deixou a verdade sair. Era algo que estava engasgado na garganta do ruivo a muito tempo. E ninguém iria tirar isso de sua mente.
— Dado uma chance? Não estou entendendo onde quer chegar Sutcliff.
— Eu ficava de olho em você desde a academia. Mas você nunca ligou. Então fui embora a procura de amor. Só isso. Eu insisti por muito tempo Wiru.. E você sabe disso.
— Insistiu muito. Até achar um demônio bonitinho cuja a aparência nem é real e se apaixonar. – William já não estava medindo as palavras. Grell sempre teve o dom de tirá-lo do sério. Mas está estava sendo a primeira vez que William dizia coisas por instinto.
— Você não entenderia... Não sabe o que significa amar alguém por tanto tempo e não ser correspondido. E então aparece alguém que te da atenção. Você está frágil.... E sede... É assim que funciona Wiru. Não é minha culpa. – Conforme a frase ia saindo o ruivo ia baixando a cabeça e se abraçando como se não fizesse aquilo seu coração pudesse saltar para fora a qualquer instante.
O rosto do moreno foi ficando cada vez mais sentimento algum. Talvez um pouco pensativo. Muitas coisas se passavam pela sua mente agora. Não conseguiu olhar para o ruivo ainda. Mas tinha algo que ele podia afirmar. Ou quase.
— Pelo que diz... Não me parece que ama aquele ser.
— Eu o amo... Eu acho que sim. Ele é quem cuida de mim quando eu preciso. E... Falamo-nos às vezes. Quando da tempo.... Eu... Acho que é assim que funciona... Não é? – O tom de Grell entonava sua incerteza sem querer. Ele não queria transparecer isso. Mas era a primeira vez em toda a sua vida que ele tentava levar um relacionamento.
— Porque pergunta a mim? Eu O insensível sem coração que não sabe o que significa amar por tanto tempo... E não ser correspondido. Mas se for pra falar o que acho. Isso não é amor, é uma forte amizade. Amigos cuidam um do outro e se falam, as vezes, ou sempre.
— Desculpe... – A voz do ruivo falhou no começo da frase – Não queria te incomodar. Só achei que nos pudéssemos conversar. Mas... Acha mesmo isso? Mas eu...
— Não está incomodando, eu não disse isso. Podemos conversar o quanto quiser... Sim eu acho que o que sente por aquele ser é amizade e nada mais. – Fez uma pequena pausa entre olhando o ruivo. – Mas como você diz. Eu tenho coração de pedra.
— Desculpe Wiru... Eu não quis dizer isso. Garanto que não. Sei que você tem um coração pulsante apesar de tudo. Mas eu... Ah... Eu nem sei mais.
Após esses dizeres um silencio perturbador tomou conta de toda aquela sala, nenhum dos dois dizia nada, nem deles se quer se movia, como se tivessem medo de que a próxima ação destruísse tudo que os dois ainda tinham. Grell podia até mesmo ouvir as batidas altas do seu coração que parecia bater na garganta agora o que dificultava ainda mais até que o ruivo pudesse pensar em falar alguma coisa. Enquanto isso William fitava o ‘nada’ a sua frente, seus pensamentos viravam um grande emaranhado em sua cabeça. Havia tanto a dizer e tão pouco tempo. William temia perder aquele ruivo idiota. “Como ele pode?” Essa era a frase que dominava os pensamentos de William, “Um demônio.”. Ele ainda não queria acreditar. Sua cabeça girava e ele não pode mais conter. Deixou os instintos falarem mais alto e agiu sem pensar. Talvez pela primeira vez em toda a sua calculada existência. Ele se voltou para o ruivo que retribuiu ao olhar um tanto surpreso. William se aproximou o bastante para que eles ficassem frente a frente antes de se pronunciar.
— Sutcliff... – Pronunciou o sobrenome do menor e lhe tocou a face alva com a destra. – Você ainda me ama?
— Eu... – A voz do ruivo tremeu mais que nunca, fora mesmo pego de surpresa, não sabia o que responder. Tinha medo do que poderia acontecer se ele acabasse deixando a verdade escapar. – Eu... Não sei.
— Não sabe? – Disse baixo levando sua mão livre até a cintura do ruivo e aproximando seus corpos. – E se eu fizer isso? – Aproximou os lábios dos do ruivo, Grell quase teve a certeza de que William o beijaria, mas o moreno parou antes que o toque acontecesse. O ruivo agora podia sentir o hálito do moreno tocar seus lábios. Ele não sabia o que fazer agora.
— Ah... Wiru... Isso é... É o que eu sempre quis... Mas eu devo?
— Você sempre quis... Mas ainda quer isso? Tudo depende de você. – William segurava a nuca do ruivo fortemente o aproximando.
O ruivo estava prestes a beija-lo loucamente como sempre quis. Imaginou seus lábios se encontrando, suas línguas se tocando em um ato deliciosamente único. Pensou em como isso realizaria tudo que o ruivo sempre sonhou em relação a relacionamentos desde que conheceu o moreno. Mas Grell Ainda estava confuso.
— De ... Mim...? Isso... Parece... Justo? – Sussurrava baixinho.
— Justo? Nada nesse mundo é justo. Se você quiser isso, eu lhe darei. Mas só uma coisa antes. – William aproximava sua boca do ouvido do ruivo e sussurrava. – Você ama aquele demônio. Mais que ama a mim?
O ruivo sentiu seu corpo estremecer com o hálito quente se William tão próximo, Mas, não sabia mesmo o que responder, ele não tinha a menor ideia, o amor do passado, o amor atual, como decidir isso assim? Grell abaixou um pouco a cabeça perdendo a oportunidade de beija-lo ali, talvez se arrependesse amargamente disso. Mas aproveitando a proximidade encostou a cabeça sobre o peitoral de William fechando os olhos.
— Ah Wiru... Não pode me fazer escolher entre vocês. Não como se vocês fossem algum tipo de objeto. Isso não é justo com nenhum dos dois.
— Não nos comparei a objetos. – William indignado com a atitude do ruivo, retira-o de seu peitoral e se afasta – Só o questionei quem você amava mais... Porém vejo que gosta daquele ser mais do que a mim... Se for isso que quer, deixarei que sejam felizes.
William se pôs de pé dando as costas ao ruivo, não por crueldade ou algo assim, mas ele tinha medo de perder o controle de suas emoções agora, e se fosse para alguma lagrima cair, que não fosse perante o ruivo.
Grell por sua vez, agiu por impulso mais uma vez, só a ideia de ver o moreno se afastando, talvez para sempre, lhe doía muito mais do que deveria, mais do que ele esperava que fosse ocorrer. Se levantou logo atrás de William o segurou pelo braço e encostou-se nas contas do maior. O nó em sua garganta crescia e seu corpo tremia por completo agora. Isso dificultava seus dizeres.
— Não foi isso que eu disse Wiru... Pare de interpretar mal as minhas palavras está conseguindo me confundir se é isso que quer. Por favor...
— Grell... – A voz de William falhou quando notou que chamou seu subordinado pelo primeiro nome daquela forma tão intima. O ruivo com uma voz de choro prosseguiu.
— Wiru... O que foi que eu te fiz de tão mal? Quero saber o motivo real de sua raiva por mim.
O moreno queria jogar toda a verdade na cara de seu subordinado naquele instante. Mas começou a se perder nas palavras e bater nas mesmas teclas. Como se seu desejo fosse que o ruivo desistisse. Como uma ultima tentativa de fazer com que aquele sentimento todo não significasse nada. Uma vil tentativa.
— Você me irrita, quebra regras, falta ao trabalho, não me é útil, corre atrás de um demônio, casa com ele, leva seus aprendizes para o mau caminho... Se for falar tudo ficarei até amanhã... E diferente de você, eu sou ocupado. Irrita-me ver um Shinigami misturado com um demônio. Enjoa-me. Seu cheiro está infectado. Você me enoja.
O ruivo engoliu a seco e deu um passo para trás para não perder o equilíbrio, afastando-se assim de William. Nunca havia tido paravas tão duras de William, não dirigidas a ele. Suas próximas palavras soaram como uma pergunta afirmativa, mas sua voz foi quase sem sentimento.
— Então o problema real é eu estar com ele não é? O resto é apenas pretexto.
— O problema, são todos esses problemas juntos. – A voz de William parecia enraivecida. E ele ainda não olhava o menor.
— E o que você quer que eu faça? Já te ofereci tudo que eu posso. Nada ira interferir no meu trabalho. Irei trabalhar até melhor. Você vai ver.
— Melhor que inútil. É inútil. – As palavras de William quase saiam gritadas, um grito desesperado de seu coração aflito. – Ou seja, continuará um incompetente. Poderia parar de falar e me mostrar essa sua suposta melhora em seu trabalho.
O ruivo engoliu a seco e conteve as lágrimas gritando de volta.
— Eu poderia... Se você parasse de me difamar... E de me odiar.
— Não o estou difamando. E nunca disse que o odeio. Não tire conclusões precipitadas.
— Então o que significa esse drama todo? É tão difícil assim ser você mesmo comigo? Sei que nós sempre brigamos, mas... Sempre estivemos juntos apesar de tudo. E formamos uma boa dupla no trabalho. Não se recorda? Porque nunca consegue ver o lado bom das coisas?
— Isso quando está trabalhando... E não correndo atrás de outros homens. Qualquer homem que você julga "bonito". E eu não vi nenhuma melhora de sua parte. Seu "casamento" pelo que vejo só vai piorar tudo. Esse lado bom que você diz... Não existe. – Desta vez ele baixou o tom, mas suas sentenças doíam cada vez mais no coraçãozinho apertado do ruivo.
— Tudo pode ser diferente!
— Então mostre!
— Co-como? – Perguntou completamente sem rumo com as palavras, William estava o deixando perdido, com tanta crueldade nas palavras.
— Eu que tenho que saber? Mostre-me qual é esse lado bom que tanto fala. Acho que continuará imprestável.
— Você nunca se referiu a mim de modo tão baixo antes Wiru.. Está começando a me deprimir profundamente. – Ele mordeu o lábio inferior no fim da frase com tanta força que seus dentes afiados quase lhe rasgaram a carne do local. – Onde está o seu coração?
— Nunca liguei e não será hoje que ligarei. – Deixou que o ruivo ouvisse um risinho sarcástico antes de continuar. — Porque acha que eu tenho um coração?
— Por que... Por que... Você está se mordendo de ciúmes de mim. E isso para mim já é prova mais do que suficiente para mim. Pronto. Falei. – William se calou, e como ainda estava de costas Grell não podia ver o que se passava naquele rosto. Então resolver intervir. – Não precisa mentir para mim William!
— E se estiver com ciúmes? Qual o problema? – O moreno dava de ombros não querendo mais saber do que o ruivo acharia de tudo aquilo.
— Desculpe... Nunca quis te magoar assim... – Suspirava ao ver a reação dele. Disse então sem jeito. – Quer... Que eu vá embora?
— Ir embora? Você quer dizer para sempre? – O moreno temia perder o ruivo que tanto gostava. Tanto que sua voz falou na ultima frase, ele queria gritar para que o ruivo ficasse, não queria perde-lo, mas seu orgulho o impediu.
— Se você quiser eu posso parar de ser o incomodo que segundo você sempre fui em sua vida. – Ele suspirou cabisbaixo e encostou-se à parede sem olhar para o moreno por hora. William mais uma vez se calou, tudo se contradizia em seu interior. E Grell mais uma vez tomou a frente. – Quem cala consente. Tudo bem então... Quer mesmo que isso seja um adeus? Só depende de você.... Wiru?! – Se desencostava da parede parecendo estar falando sério pela primeira vez. – Eu não quero ir, mas se você assim quiser, eu o farei.
— Se for para continuar com aquele demônio não me importo mais com o que vai fazer. – Ele queria olhar no rosto amado do ruivo, porem não podia agora, não queria transparece toda a inveja que estava sentindo daquele verme.
— Ah Wiru.... Porque você sempre tem que deixar as coisas mais difíceis do que elas realmente são? – Dizia com a expressão ainda séria.
— Se for para sentir o cheiro daquele ser toda vez que estiver ao seu lado... Prefiro não o ver mais. – O ruivo chegou a deixar um “mas” escapar porem William o interrompeu. – Sem mas. Se for assim mantenha distancia de mim.
— Depois de tanto tempo.. Fara isso mesmo comigo Wiru? É só isso que eu sempre vali pra você não é? Tudo bem então... Eu acho que ir embora vai melhorar tudo pra você mesmo. Mas isso... Quer dizer então que nem mesmo sua amizade terei mais? Sabe Wiru... Isso é doloroso.
— Você escolheu esse caminho... Agora não há mais volta... – Sua voz saiu tão baixo que o ruivo só pode escutar pela proximidade com o moreno.
— Wiru... Porque está falando assim? – Achava estranho o tom de voz do outro dando alguns passos na direção dele, parando a suas costas. – Está tudo bem?
— Não encoste-se em mim. Não chegue perto.
— Acalme-se Wiru.... Eu não estou aqui para lhe fazer mal. – Colocava a destra no ombro do outro sem se mover dali. – Olhe pra mim!
O moreno por impulso deu um tapa na mão do ruivo obrigando-o a tirar a mão dali e em fim se voltou para o seu subordinado. Sua expressão chegava a ser assustadora. Era um misto de tristeza, arrependimento, ódio, amor. Tudo em apenas um olhar que em toda a sua vida fora tão inexpressivo quanto uma pedra.
— Falei para não me tocar. Nem mesmo seu cheiro... Não é o mesmo de antes...
— Mas Wiru.... Eu só quero ... Só quero me entender com você... Não consegue ver isso?
— Esqueça aquele demônio e fique comigo! – William gritou, e Grell quase teve a certeza de afirmar que viu uma lagrima caindo dos olhos do moreno.
— Você nunca retribuiu aos meus sentimentos... Porque o faz agora? – Disse o ruivo com uma voz chorosa.
Sem dizer nada o moreno se aproximou do ruivo. O segurou pelos braços e lhe olhou profundamente nos olhos. Aqueles olhos esmeralda que sempre se destacaram em meio a todo o escarlate do resto. Aqueles olhos que William sempre comtemplou, aquele olhos que sempre quis lhar assim, de perto. Mas nunca foi nesse situação que o moreno desejou.
— Mas como eu iria saber que sentia algo por mim, se ... Sequer me dizia? – Disse olhando-o de volta profundamente nos olhos. – Não foi minha culpa.
— É sim... Você é culpado por não me amar.
— Não... Eu sou culpado, por ter lhe amado demais Wiru. E você é culpado por não ter me correspondido antes. Ambos temos culpa.
— Agora é tarde demais não?! Você ama a outro. – Disse novamente seco.
— Me perdoe Wiru. – Ele teve que baixar o olhar, não conseguia encara-lo.
— Entendo. Apenas diga que não me ama olhando nos meus olhos.
O moreno levou a mão até o queixo do ruivo o segurando e o forçando a olha-lo. O ruivo estava completamente confuso, não conseguia entender mais nada. Seus olhos era suplicantes, queria qualquer explicação para aquilo.
— Vamos Grell, diga. – William continuou. – É só para eu me desiludir... Para ver que não tenho mais nenhuma chance com você. Ande... Diga.
— Antes me responda. O que vai acontecer se eu disser?
— Nada.
— Tudo vai voltar a ser como antes?
— Nada mais será como antes. Independente da resposta.
— Por quê? Porque não Wiru? – Ele disse enquanto sentia lagrimas se formarem novamente nos olhos.
— Eu só quero ouvir da sua boca o mais óbvio.
— Eu não quero te perder Wiru. Você sempre foi meu amigo... – Fora cortado pelo outro antes mesmo de terminar a frase.
— Acho que está tarde para pensarmos em amizade. Só me de esse gosto de ouvir aquelas palavras saindo de sua boca... William eu não te amo... Diga, eu preciso ouvir isso.
— Quer mesmo ouvir a verdade Wiru? – Suspirou deixando a expressão e seu corpo amolecerem da tensão. Não tinha outro jeito.
— Quero... Por mais cruel que seja.
— Está bem. – Grell olhou no mais profundo dos olhos de William, não tinha mais meios, teria que dizer, dar sua ultima cartada. Sabia que dizendo aquilo provavelmente perderia William para sempre, seria menos dolorido ter uma foice lhe atravessando o peito agora. Ele respirou fundo, engoliu o nó na garganta e disse. – Eu te amo William. E vou amar para toda a eternidade... – O ruivo fez uma pequena pausa. William parecia paralisado. – Mas é tarde demais pra isso ainda valer alguma coisa. – Ao dizer aquilo, Grell se virava na direção da saída do local, dando as costas ao moreno. Tinha certeza de que agora William não iria mais querer olha-lo, e Grell não queria mais ser o estorvo.
William estava chocado com a resposta do menor. Não era isso que ele esperava ouvir. Precisou de mais um segundo para se recompor antes de conseguir correr atrás do menor e abraça-lo por trás e por fim segurar-lhe as mãos.
— Porque tarde? Se me ama porque está me deixando?
— Não é obvio Wiru? – Tentava se recompor após aquele ato do moreno respirando profundamente. Queria tanto se entregar aos braços dele, queria tanto. Ficar e ama-lo, e ser amado de volta. Mas ele era integro, era tarde. Seu peito doía demais. Mas ele tinha que dizer. – Porque eu não posso amar a dois homens, não é justo... E eu já me comprometi com um deles pela eternidade. – O que mais doía agora era a impressão de que talvez pudesse ter se comprometido com o homem errado. Sensação que ele tentava ignorar.
— Entendo. – O moreno soltou o menor deixando-o livre para fazer sua escolha final, escolha que pelo que William havia ouvido já havia sido feita e não teria mais volta. – Então isso é o nosso Adeus. Para sempre.
— Eu não quero te dizer adeus Wiru... Eu não quero. – Dizia fechando os olhos com força para não derramar uma lágrima.
— Mas é preciso. No seu trabalho não se encontrará novamente comigo, o mudarei de setor amanhã mesmo... Jamais nos veremos novamente... – Deixando de lado seu sentimentalismo, volta a sua postura habitual por fim, fitou o ruivo dos pés a cabeça. Como se quisesse assim guardar cada traço daquele que era o seu grande tesouro.
— Porque tem que ser assim Wiru? Porque tem que ser tão cruel?
— Será assim e isso já esta decidido...
— Eu não vou ficar longe de você pra sempre Wiru... Não vou.
— Mas eu ficarei longe de você... Caso queira ou não.
— Eu voltarei a falar com você Wiru. Não se preocupe.
— Dispenso suas palavras.
— Ah. – O ruivo não aguentava mais aquela discussão sem fim. Era dolorosa demais. – Eu serei o mesmo shinigami de sempre... Você verá. E nunca deixarei de conversar com você.
— Não volte a direcionar suas palavras a mim Grell Sutcliff...Será bem mais fácil para nós dois.
— Não é isso que eu quero. ... Mas se é assim que prefere... Eu tentarei faze-lo... Sr. William T. Spears. – Dizer aquilo daquela forma lhe rasgava a garganta da pior forma possível. Ele deu as costas para o moreno olhando em direção a saída, deu um passo na direção dela, mas em um impulso se virou na direção do moreno, correu para ele e o abraçou sem conseguir conter isso. Mesmo não querendo William o abraçou de volta, foi o abraço mais cheio de carinho e amargura de ambos. William também não pode se conter não naquele momento, não naquelas circunstancias. Agarrou o menor pela cintura e aproximou seus corpos ao máximo. Aproximou em seguida seus lábios dos dele.
— Mas antes... O nosso primeiro ultimo beijo... Se me permite.
O ruivo apenas não resistia a selar os lábios do moreno que estavam tão próximos e uma pequena lagrima rolava pelo seu rosto era a realização de seu maior desejo e também significava o fim dele. O beijar era lotado de desejos, amor contido, carinho e afeição, eles se beijavam mesmo sabendo que aquilo era errado, mesmo sabendo que seria pior no fim, só pensaram naquele instante. Por um beijo esqueceram-se de tudo e de todos. Era assim que deveria ser. Naquele instante o mundo era apenas dos dois. Mas infelizmente o beijo não durou tanto quanto os dois queriam. O beijo fora quebrado e só restou o silencio, nenhum disse nada de imediato. Mas por fim William soltou a cintura do menor e parou de obstruir a saída dando as costas ao menor.
— Adeus... Grell. – Sussurrou tão baixo quanto pode e tão alto quanto sua voz permitiu.
— Adeus William. – O choro fora inevitável. Dava as costas também ao moreno, ficando na direção da porta, sabendo que o que havia feito era errado, mas tendo a certeza de que nunca mais se repetiria. Sussurrava para si mesmo. “Adeus Wiru.”, logo fez o curto caminho que lhe restava até a porta da frente, sua mão posou na maçaneta e seus olhos deixavam cair mais uma lagrima no chão.
Grell passou por aquela porta sem olhar para trás.
Provavelmente pela ultima vez.
...
Notas finais
Em fim... É isso.
Começarei a escrever hoje mesmo outra fic de Grelliam. Uma que demonstre o que eu realmente sinto por esse casal.
Beijinhos. sz
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