Memoirs
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Até que era um dia calmo, quase que bonito. A agitação dos comerciantes não era tão forte como a um mês atrás, do inicio da guerra. Por fim ela acabou, e o que restou foram as cinzas e mistérios, mistérios estes que cercaram a cidade desde o inicio dela até o término.
A cidade estava em partes destruída e em partes se refazendo. Ainda era possível sentir o cheiro da pólvora e diziam que em alguns lugares, por exemplo, o chão de alguma maneira ainda pegava fogo. Entre tudo aquilo, havia uma casa destruída de paredes cobertas por fuligem, bem não era tecnicamente uma casa, pois uma casa deveria ter teto e nessa só haviam paredes, algumas quebradas, e entre elas uma garota, uma garota imunda... A única parte de seu corpo que estava um pouco limpa era o local em que as lagrimas que banhavam seu rosto, haviam limpado. Bem... Ela visivelmente não estava feliz, em seus olhos o que se via era ódio, medo, duvidas e uma pitada de sede de vingança.
Não é comum uma garotinha sozinha em uma cidade destruída, principalmente em um ambiente pós-guerra, mas acredite, foi bom que estivesse sozinha naquele momento. Seus pais? Quem sabe? Desaparecidos, mortos, presos ou coisa pior, e você pode se perguntar o que seria pior que isso?
Com dificuldade a garota levantou-se quase que arrastando os pés. Ambos imundos e descalços, e seguiu pelo que seria uma trilha no passado não tão distante. Os olhos estavam doloridos por conta do pó, porém as lágrimas que ali estavam já não o parasitavam. Andou por entre casas como um cão em busca de seu osso, mas o que a menina procurava era uma oportunidade...
Por sorte, ou azar... A garota havia tido tempo de se esconder antes da chegada desse exército miserável. A seca lembrança do olhar de um dos soldados mais influentes, Murray Tsur, não lhe saia da cabeça. Se conseguisse descobrir seu paradeiro, talvez pudesse encontrar os pais que tanto amava!
Enquanto andava, percebia a leve agitação dos moradores locais. Muitos eram rostos conhecidos, outros nem tanto... Mas o pior mesmo era a sincronização do sentimento de dó direcionado a ela. Se havia algo que detestava, por pior que fosse a situação, era que sentissem dó dela. Seus pais eram mercadores e, portanto, muito humildes. Nunca se deixavam abater e sempre a ensinaram a enfrentar os problemas emergentes.
Agora, mesmo sem saber seu paradeiro, mantinha seus ensinamentos em mente, enquanto enfrentava aqueles olhares conflitantes. Seguiu pela antiga rua principal e virou em um beco estreito e empoeirado. Telhas e cacos de vidros pareciam fazer parte do chão esburacado e sujo, deixado pela guerra, sendo tantos, que se tornava difícil caminhar. Ao final do beco, via-se uma pequena passagem, imperceptível a primeira vista, porém muito familiar para a garota. Foi lá que passara boa parte da infância e também o melhor lugar para conseguir informações confidenciais, como o início da guerra.
A biblioteca do governo havia sido construída muito antes de qualquer guerra, quando ambos os governos de Santa Helena se entendiam e dividiam informações importantes para a nação. É claro que a entrada de qualquer cidadão era proibida, mas, com cuidado e apoio do filho do secretário do prefeito, Lucky sabia que dificilmente seria pega.
Esgueirou- se pela porta e deu de cara com uma pilha imensa de livros. Steve, seu querido amigo, estava parado bem no meio daquela bagunça e apesar de terem a mesma idade, por conta da guerra, ele parecia ser bem mais velho. Ganhara músculos no exército, além de cortar o cabelo, antes longo e sedoso, deixando o quase careca. Também ganhou altura, coisa que antes nem era pensado.
Voltando o olhar para a porta ele finalmente reparou na garota o observando. Arregalou seus grandes olhos castanhos enquanto jogava pra trás o pouco do cabelo que crescia novamente.
- Está viva...! – exclamou admirado — Achei que não ia mais vê-la...
Para muitos, a mudança pela qual a garota havia passado era imperceptível. No entanto essa se fazia clara aos olhos do garoto. Olhos sombrios e calculistas, nem um pouco de medo, uma ferida profunda na alma... Era como se a de antes tivesse desaparecido por completo, deixando em seu lugar ódio e angústia. Com dificuldade, ele atravessou a pilha de livros a sua frente e se adiantou em direção a garota com pressa e desespero.
Ele havia mudado, assim como ela, porém o olhar dela o assustava. Desajeitadamente ele a abraçou com força. Fazendo com que parte da sujeira que nela estava, migrasse para sua jaqueta amarrotada. Ficaram em silêncio. E então ela levantou o rosto para encará-lo
-Meus pais estão desaparecidos Steve – disse quase em um sussurro, afundando mais ainda seu rosto nos ombros largos do garoto.
- Eu soube- respondeu ele seriamente- por isso sabia que você viria aqui
Em uma escrivaninha antiga, próxima a um armário que caia aos pedaços, Steve tirou uma carta amarelada e toda amassada. Com cuidado para que essa não desmantelasse em suas mãos entregou a Lucky
-Um velho andarilho entregou isso durante a guerra. Não tinha endereço, Mas pode lhe ser útil — Disse o garoto com uma cara séria. Seus olhos tinham ao fundo uma leve esperança de que a carta pudesse de alguma forma amenizar a dor da garota. A menina o encarou de volta, dessa vez com uma ponta de esperança, e sorriu.
- Sabia que podia contar com você Steve. — já estava na porta quando virou e disse antes de sair — Estarei fora por um tempo, mas lhe mando notícias.
Antes que o garoto falasse qualquer coisa ela já estava longe, a porta fechou lentamente enquanto o garoto voltava para sua pilha de livros.
Á passos rápidos, a garota logo alcançou a prefeitura. Um prédio velho e amarelado, que apesar da guerra, se mantinha inteiro e até mesmo conservado. Mesmo a biblioteca fazendo parte de sua estrutura, elas eram relativamente distantes, pelo fato da cidade, durante a guerra, ter sido alvo de muitos piratas, por ser portuária. Desde então todo o movimento de quem entra e sai passou a ser de responsabilidade do velho senhor Burt, uma figura bem característica da cidade. Grandalhão e meio atrapalhado a primeira vista, porém muito observador e inteligente. Nada passava despercebido por seus olhos afiados.
A garota teve dificuldade de chegar perto dos barcos de carga, que sairiam em breve, já estava quase embarcando, quando foi barrada por um guarda roupa de gente: Smith, o braço direito de Burt.
- Onde pensa que vai mocinha? – rosnou o velho, mostrando seus dentes amarelados. Diferentemente de Burt, Smith não era nada inteligente. Podia ser um “armário”, mas seu cérebro se equiparava ao de um camundongo.
Lucky ficou paralisada, um calafrio percorreu sua espinha e suas mãos tremiam de forma estranhamente harmônica.
- Quero falar com o senhor Burt – apressou-se em dizer, torcendo por sua voz soar o mais calma possível, enquanto agitava os polegares em círculos regulares, mania de quando era pega por sua mãe fazendo algo errado.
Smith a mediu com o olhar, de cima a baixo, de forma pensativa, o que a deixou ainda mais nervosa. Depois de alguns minutos em silêncio, rosnou em tom seco, enquanto erguia as sobrancelhas que mais pareciam duas taturanas:
- E o que a "senhorita" quer tratar com meu capitão?
- É um assunto particular senhor, não posso dar detalhes, mas... — sentiu a garganta secando, estava zonza e o sol forte não ajudava muito na formação de um plano melhor, com esforço continuou — garanto que seu capitão não estará perdendo tempo. Sua ultima fala saiu meio falha, seca talvez... Smith pigarreou e, virando-se de costas, deu um grito tão alto que Lucky podia jurar que ficaria surda.
- JAMES!!! VENHA JÁ AQUI!
Não demorou muito, um garoto pulou do observatório do navio, aterrissando em frente à garota, com uma pirueta perfeita. Lucky nunca o tinha visto na vida, mas ele passou uma sensação estranhamente familiar. Era um garoto alto, 1.80 provavelmente, forte apesar de magro. Os cabelos, negros como a noite, voavam de forma irregular por conta do vento, e pousavam sobre a nuca molhada de suor. Quando levantou a cabeça e a encarou, a garota pode reparar que ele tinha um olho azul e um verde, tão vibrantes, que chegavam a hipnotizar.
- Chamou senhor? – disse em um tom leve e despreocupado. Um tom tão musical, que deixou o velho Smith ainda mais mal humorado do que o de costume.
- Leve essa criança para a sala do capitão, e fique de olho nela enquanto ele não chegar – disse de forma áspera, mas logo abriu um sorriso amarelado — não queremos que essa coisinha se meta no que não interessa, entendeu?
- Perfeitamente senhor – disse o garoto sem exprimir nenhum tipo de sentimento ou reação diferente do esperado, no entanto, ao esticar a mão para a garota a fim de acompanhá-la, seus olhos tinham um brilho um tanto quanto incomum. Eram perspicazes e atentos a tudo que os rodeavam – Por aqui “senhorita”, disse de forma educada, enquanto Lucky o encarava com firmeza.
A caminhada até a sala do capitão foi longa e silenciosa, enquanto andavam Lucky não conseguia parar de pensar em maneiras de sair daquela situação, sua mente divagava entre uma possível fuga e a estranha figura que a acompanhava. Ele parecia não encaixar com o resto da tripulação. Assim que chegaram à sala, ele ofereceu conhaque e, como ela não aceitou, colocou o frasco de volta no armário de bebidas.
- Você parece bem jovem para ser um pirata – soltou no impulso. O garoto virou-se para ela e, com um sorriso no rosto, respondeu divertido.
- Pelo que sei senhorita, não há melhor idade para se começar a pirataria do que jovem, não? Porém deixe me corrigi-la, não somos piratas, trabalhamos para o governo – disse em um tom musical enquanto mostrava os dentes brancos, que nem se comparavam com os olhos que agora pareciam duas bolinhas de vidro, iluminadas pelo sol.
Isso a irritou de verdade, porém na posição em que se encontrava era melhor medir as palavras, ao invés de provocar alguém da marinha. Ficaram ambos em silêncio por um tempo antes que ele resolvesse mudar de assunto.
- Esse tipo de mentira pode causar-lhe grandes problemas sabe? – O sangue dela gelou, e percebendo sua reação ele continuou – posso tirá-la dessa situação se quiser... Não seria tão difícil para mim.
Seus olhos agora não brilhavam como antes, mas tinham certa dose de sagacidade e ironia. Lucky o encarou, um sorrisinho surgia-lhe no canto da boca, mesmo que ele tentasse o esconder.
“Esse filho da mãe está se divertindo!”
Já estava com a resposta pronta, quando a porta da cabina se abriu com um estrondo. O susto foi tamanho, que Lucky quase caiu da cadeira, enquanto James apenas voltou o olhar para a porta, com seu jeito impassível e inabalado de minutos atrás.
Burt entrou na sala como sempre fazia nas vezes que era convocado ao palácio do governo, batendo os pés com força e segurando os punhos atrás do corpo. Seus olhos percorreram o cômodo Úmido e sem iluminação com calma, até se fixarem em Lucky. Seu rosto sério permaneceu indecifrável, apesar de seu olhar ter ficado mais gélido.
- Pode sair senhor Baifort — dirigiu-se a James sem desviar a atenção de sua convidada, Lucky levantou levemente as sobrancelhas ao ouvir esse nome.
Baifort era uma antiga família das redondezas, muito conhecida por sua extensa fortuna e poder político. Durante anos mantiveram o poder sobre o que entrava e saia da cidade, pelo menos até o início da guerra, quando foram traídos e enviados para sua execução.
“Quer dizer que os rumores de um sobrevivente eram reais no final das contas” Pensou a garota, mas logo voltou sua atenção para Burt, ao passo que James deixara a sala.
- Smith me falou que a “senhorita” tinha um assunto urgente a tratar comigo – Disse Burt mostrando seus dentes amarelados — pode dizer sobre que se trata?
- Veja bem senhor. . . Meus pais foram mortos durante a guerra, pelo próprio capitão do exército inimigo. Quero me juntar a vocês para contribuir com esse país e para que nunca mais façam nada semelhante. – Sua voz ameaçava falhar a qualquer momento, enquanto sua garganta voltara a arder. Tentando manter-se firme, cerrava os punhos atrás do corpo, quase perdendo a circulação de sangue de seus dedos, de tanta força que usava.
Não estava falando uma total mentira, apesar de ocultar a maior e mais importante parte da história. Sua cabeça estava uma confusão e por isso as palavras saiam no impulso.
— Sou resistente e tenho certeza que desempenharei um ótimo trabalho, se me for permitido.
Burt a mediu com o olhar, o silêncio na sala era perturbador, Lucky podia jurar que seu coração sairia pela boca a qualquer momento.
- E por qual razão eu deveria acreditar na sua historinha? A Garota engoliu em seco e ele continuava com o olhar fixo nela, observando cada movimento como se pudesse ver através dela. Foi nessa hora que um sorriso malicioso atravessou seu rosto, ele foi se aproximando dela enquanto ela involuntariamente andava para trás.
- Se está tão interessada em nossa tripulação, acredito que aceitará facilmente nossas regras e condições, não é mesmo? – Seu sorriso medonho alargava-se em seu rosto à medida que se aproximava dela – se aceitar, não vai lhe faltar nada “senhorita”, nem comida, nem água, muito menos um lugar para colocar a cabeça de noite e descansar... — a distância entre os dois era ainda menor – claro... Se realmente precisar descansar...
O velho aproximou a boca do ouvido da garota, agora encurralada por uma parede e uma cômoda, e cochichou de forma infame:
- Não se preocupe, pois serei especialmente gentil com a 'senhorita'.
E dito isso, ele empurrou a garota com uma força absurda, prendendo a contra a parede que estava a poucos centímetros dela agora. Com uma das mãos tapou-lhe a boca, entanto a outra deslizava pelos cabelos dela, beijando-os.
Lucky sentiu asco. Tentava desesperadamente empurrar o velho Burt, mas ele era mais forte que ela. Seus dedos deslizaram para baixo da blusa da garota, enquanto seus lábios alcançavam seu pescoço branco. A garota ficou desesperada, gritava, mas sua boca estava tapada pelas mãos imundas de Burt. As lágrimas corriam por seu rosto e, quando estava quase sem voz de tanto gritar, e praticamente sem esperanças de sair daquela situação. Burt tombou para o lado a caiu no chão feito um tronco velho.
James estava lá, parado ao lado do cadáver. Em suas mãos feitas de sangue, encontrava-se uma pequena adaga, quase imperceptível de tão pequena. Porém, como fora provado, extremamente mortal.
Com um rápido movimento ele guardou a adaga de volta na bainha, presa a cintura, seus olhos agora se voltaram para a garota, agora caída no chão.
- Você está bem? – perguntou com sua voz meio rouca, de quem havia corrido. Apesar disso, sua calma e musicalidade pareceu ter acordado Lucky de um pesadelo terrível. Ela desabou em prantos, enquanto apertava os braços em volta do corpo trêmulo.
O garoto abaixou e segurou Lucky em seus braços. “vai ficar tudo bem... Estou aqui agora” cochichou, enquanto a garota enterrava o rosto em seu peito. Passaram-se alguns minutos até Lucky finalmente se acalmar. Seus olhos estavam vermelhos e sua garganta ardia por conta do choro.
- Obrigada – ela disse baixinho – se você não tivesse aparecido... – as lagrimas voltaram a cair, agora como um fio raso de água, à medida que imagens de seu desespero voltavam à mente. James foi até o armário de bebidas, colocado conhaque em um copo, entregou a Lucky.
- Beba isso que lhe fará bem. – A garota nem questionou, apenas engoliu a bebida com um único gole, essa desceu queimando a garganta dolorida, dando uma leve sensação de ardência e calor. Sentiu-se atordoada por um momento, enquanto James voltava à garrafa ao armário de bebidas. – Temos que sair daqui antes que descubram o que aconteceu... Na certa, Smith mataria tanto a mim quanto a você pela perda daquele ser asqueroso!
A voz de James soava tensa, mas para Lucky, era tranquilizadora o bastante. Com delicadeza ele a ajudou a levantar. Sua calça ainda estava suja da fuligem da casa destruída, toda amassada, já a blusa, antes levantada pouco acima da barriga, estava toda manchada pelo sangue de quando Burt fora atingido. A garota apressou-se para se ajeitar, mas foi impedida pelo garoto que a empurrou em direção a uma das janelas.
- Não temos tempo para isso, temos que sair daqui agora, caso contrário seremos descobertos– disse o garoto já abrindo a janela – vamos fugir no barco que escondi. Assim que estivermos seguros lhe explicarei meu plano. Ela o encarou com incerteza, mas como não queria ser pega em uma sala com um cadáver aderiu à idéia.
Ambos desceram por uma corda presa a janela, até chegar a um pequeno barco ancorado na parte traseira do navio. Era pequeno, mas confortável. Tinha uma cozinha em seu interior, dois quartos com seus respectivos banheiros e a sala de comando, onde se controlava a direção que seria tomada. Lucky nunca tinha visto nada semelhante, era um barco novo e diferente dos do porto.
Recolhida a âncora, o garoto ligou o que seria o motor e ajustou as velas para aumentar a velocidade do barco.
- Você passou por muita coisa “senhorita”, escolha um dos quartos e descanse, assim que pegarmos uma boa distância lhe chamarei para jantar. – O olhar do garoto fitava o horizonte, enquanto manobrava o barco aos poucos, para não chamar atenção das pessoas no navio.
- Por que resolveu me ajudar? E... Como sabia que eu querer falar com Burt era uma mentira? – Assim que fez a pergunta Lucky se arrependeu, mas para sua surpresa, James apenas sorriu. Um sorriso leve e despreocupado.
- Digamos que somos parecidos...
- Isso não responde muito não é mesmo? – a força em sua voz, como a garota pode perceber, estava voltando, apesar de ainda estar fraca.
- Não tenha pressa moça, logo lhe explicarei tudo.
- Lucky – o garoto franziu as sobrancelhas – Meu nome não é “senhorita” ou “moça”, é Lucky!
- Certo Certo... Então, LUCKY, respondendo sua pergunta de antes, não tive nenhum motivo específico para te ajudar... Digamos que agi por impulso?
Era mentira, e estava obvio que era. Os olhos que a perfuravam ao lhe encarar estavam distantes e inquietos. Claro que ele estava escondendo algo, mas pensar nisso agora seria demais para a garota. Sua cabeça doía e o corpo ardia como se tivesse sido lançado às brasas.
- Agora, se você me permitir, quero nos tirar daqui sem chamar a atenção dessa corja. Vá para o quarto e trate de dormir! Já disse, com todo o estresse de hoje, se não se cuidar vai deteriorar sua saúde.
“Realmente... Essa é a melhor coisa a se fazer agora”
Sem reclamar ela apenas escolheu um dos quartos e lá se trancou. Tudo parecia ter sido um sonho, estava tonta, cansada e dolorida. Da janela, ao lado de sua cama, entrava uma leve brisa do oceano. Podiam-se ouvir as gaivotas ao longe se prestasse atenção, mas o barulho predominante era definitivamente o som dos motores do barco se movendo, à medida que seu pequeno país de origem ia ficando cada vez mais longe.
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