Memento Vivere - Lembre-se de Viver
2 O Azul e o Amarelo

A chave. A chave estava estava no pescoço de seu irmão morto enquanto os Sacerdotes Sombrios faziam mais vítimas ao longo da cidade. Yabbat sentiu bem a textura do metal frio sobre a pele ainda quente de Dadingra ao pegar o objeto de seu pescoço. Correu entre corpos e ruínas, ouvindo o cântico doente dos Sacerdotes. Girou a chave no trinco da Biblioteca de Mundos e entrou, ferida, cansada e chorando mais do que seu pequeno corpo suportava. Sabia das lendas. Somente as Grande Damas sabiam se orientar pelo labirinto, mas ninguém de seu povo jamais havia as visto. Não entendia o porquê havia sobrevivido, logo ela entre os demais. A única. A exceção. Uma criança. Não, não conseguia entender a razão disso e nem o porquê havia entrado na Biblioteca, pois iria logo morrer ali. Deveria ter morrido com seus irmãos e irmãs. Com seu mundo inteiro.
Mas as Grande Damas a esperavam lá dentro.
E Yabbat sobreviveu.
* * *
A Cisne Negro abriu os olhos de repente, ciente de que despertara de um pesadelo. Uma memória. Seu corpo tremia e ela levou alguns segundos para se adaptar a luminosidade fria e intensa, mais ainda para entender onde estava e o porquê estava com os pulsos algemados.
E então viu o rosto de Namor.
Ele parecia bem, com a pele limpa como se recém saído de um longo banho. Vestia roupas escuras e novas, semelhantes a que estava usando antes. Definitivamente o tratamento que recebeu era melhor do que o dela.
— Quieta. Concordaram em tirar as algemas se você se mostrar minimamente civilizada.
Ela suspirou em derrota. Ainda deitada, notou que estava num cômodo grande, sobre uma espécie de maca no meio de um laboratório. Viu painéis com números, porcentagens, cores. Viu máquinas que não saberia dizer a função num primeiro momento, enquanto ainda estava um tanto confusa. Soube somente que era monitorada por alguém, seus sinais vitais acompanhados de perto por aquela organização de uniforme amarelo. Yabbat fechou as pálpebras de novo e respondeu:
— Eu não costumo ligar para o que terceiros têm a dizer sobre as condições de minha liberdade, príncipe. — Depois abriu os olhos novamente, virando o rosto para vê-lo.— Mas é bom ver essas suas orelhas pontudas. Pensei que tivessem te abatido também.
A expressão dele era afiada.
— Nunca mais mencione minhas orelhas.
Ele apenas avançou sobre ela para tirar as algemas de material liso e resistente, com uma espécie de trava elétrica. Bastou digitar uma sequência de sete dígitos para que o equipamento soltasse um bipe e por fim se abrisse. Yabbat então se sentou na maca, massageando suavemente os próprios pulsos. Se Namor tinha ficado bravo por ter mencionado as orelhas, ela imaginava se debochasse das pequenas asas em seus tornozelos.
— E a coleira?
Namor não respondeu.
Yabbat, por sua vez, apenas estreitou os olhos. Sabia o aquilo implicava. Voltariam àquele jogo, não? A Cisne Negro presa, usada apenas para consulta quando fosse conveniente — assim como os Illuminati fizeram durante semanas. Sua cela era confortável, é verdade, mas ainda assim uma gaiola com explosivos embaixo. Bastava uma palavra errada, um movimento em falso para ser detonada.
Ela não queria isso. E as Incursões viriam em breve, sentia a destruição se aproximar. Não ficaria ali, em tal ambiente estéril, até que o fim a alcançasse. Iria encontrá-lo por vontade própria. Encarou bem o rosto de Namor, sentindo o eco de seus pensamentos contraditórios.
E avançou sobre seu pescoço.
O príncipe deu um passo para trás, desviando antes que as mãos dela arranhassem sua carne. Ele bloqueou um soco, só que não escapou de uma joelhada. Yabbat não estava em seu ritmo perfeito, pois havia despertado há pouco e existia ainda tranquilizante correndo por suas veias, mas ver a expressão de dor dele foi um tanto satisfatório. Seu respeito por Namor não diminuiu com a traição, embora ela não permitisse ser presa novamente. Quando o príncipe tentou revidar, a Cisne ergueu um breve escudo de energia psiônica para se defender e calculava quanto demoraria para que os agentes daquela organização entrassem no cômodo para abatê-la novamente. Não conhecia a direção para fora. Teria que abrir um caminho por si própria.
Seus olhos se acenderam em preparação, prestes a disparar um raio na parede enquanto ela segurava Namor com uma barreira. Ela não iria aguentar muito tempo naquelas condições e nem mesmo gostava de usar seus lampejos de energia, pois isso a deixava momentaneamente cega e ainda teria que desfazer o escudo. Sentiu o calor se acumulando nas escleras e sua visão tornando-se inteira branca, um sinal de que logo soltaria uma rajada incandescente.
Mas a coleira elétrica a fez gritar e fechar os olhos. Ela arranhou a superfície metálica do objeto, fez força para arrancá-lo de si, no entanto seus braços enfraqueciam a cada segundo que a eletricidade percorria seu corpo. Namor veio ao seu encontro e, desta vez, Yabbat mal conseguiu acertá-lo de tão fraca. Ele não a agrediu e ao tocá-la, a Cisne notou que a coleira diminuiu sua intensidade para um mero formigamento. O príncipe torceu seu braço para trás, imobilizando-a num golpe rápido, e prensou-a por trás na parede utilizando seu próprio corpo. Com o resquício de fôlego que tinha, Yabbat sussurrou, como quem queria que os céus e o inferno escutassem sua ameaça:
— Eu não sou uma escrava e não vou servir a ninguém. Ninguém!
Namor ainda a segurava com firmeza, mas não com força ou brutalidade. Seu rosto estava próximo do dela, por trás, e ela pôde ouvir sua promessa:
— Tenho um plano. Vamos sair daqui.
Ela se aquietou por um segundo, o peso do tórax dele contra suas costas. O príncipe falava baixo e urgente, o que a fez imaginar que ele também jogava contra a IMA para conseguir mais informações. Yabbat, por descuido do destino, apenas tinha ficado com a pior posição naquele jogo. Mas a voz dele expressava um pouco mais, não? Preocupação? Pena? Que os deuses o amaldiçoassem se fosse pena. Namor notou que o corpo dela relaxou, de modo que afrouxou um pouco mais o aperto. Ela estava prestes a perguntar como fariam aquilo quando voz daquela agente vestida de verde, Monica Rappaccini, adentrou o recinto.
— Precisa de ajuda pra lidar com ela?
Yabbat não a enxergou. Só quis virar seu corpo aos poucos, soltando um novo arquejo no processo. Houve tempo apenas para escutar um disparo e sentir algo atingindo sua clavícula. Depois disso, somente a escuridão da inconsciência.
* * *
Em outro contexto, seria até interessante pressionar o corpo de Yabbat contra a parede, mas Namor não conseguia deixar de repassar a memória e as palavras de dela em sua cabeça. Não diria que ela estava com medo, não era exatamente esse sentimento que saiu de sua voz. Era algo diferente disso, mais a fundo, embora tivesse nuances similares. O que mais lhe perturbou foram suas palavras, ditas com tanto rancor:
“Não vou servir a ninguém.”
Não entendeu. Ela não servia a seu deus destruidor, Rabum Alal? A essa maldita “roda” que tanto crocitava? Havia algo mais naquela frase, uma história que não escorreria tão fácil dos lábios dela. Talvez fosse a mesma razão pela qual seu sono era povoado de pesadelos. Namor jamais achara que iria sentir algo pela Cisne Negro, criatura tão detestável e crua, mas entendeu que havia uma faísca de compaixão por aquela história não dita. Essa compaixão, no entanto, não serviu para impedi-lo de seguir com seu plano. Era tarde demais agora.
O máximo que fez foi assistir enquanto Yabbat era atingida por outro dardo tranquilizante. Os agentes da IMA entraram no recinto, amarraram-a numa outra maca e seguiram para fora daquele laboratório. Monica e Namor os acompanharam pelo caminho, momento que ele aproveitou para garantir que sua aliada fosse bem tratada. Seu argumento, porém, não foi tão bem recebido:
— Ela estava sob controle.
— Yabbat é instável e não parecia querer cooperar. Foi uma medida preventiva.
Ele não discutiu, embora sua expressão dissesse tudo. Depois notou que a equipe de seis agentes trajados em amarelo virou o corredor, levando Yabbat inconsciente para outro cômodo. O local parecia longe, tamanha era a distância do corredor, e isso provocou uma sensação de ânsia nele.
— Disse que seriam apenas alguns testes. — Ele parou, obrigando Mônica parar também. — Exames de sangue. Pensei que já havia feito isso no outro laboratório.
— Ela precisa de contenção. Pode acompanhá-la, se quiser. — A outra deu de ombros, tranquila. Namor mais uma vez lançou seus olhos até onde Yabbat estava. — Mas perderá uma tarde de forma tediosa enquanto poderia gastá-la em descobrir coisas mais úteis.
Não havia como enxergar a situação com bons olhos, mas esperava que Yabbat fosse forte por mais tempo. Ele realmente tinha assuntos a desvendar na base da IMA, incluindo o que essa organização de fato queria. Tentou ao máximo ignorar seu desconforto em deixar a Cisne sozinha nas mãos de cientistas e seguiu Monica Rappaccini até o outro lado da base.
O que havia aprendido até agora é que definitivamente estavam na Grécia, à beira do Mar Mediterrâneo. Isso facilitaria as coisas para o príncipe se as antigas colônias atlantes… Bem, se ainda houvesse alguém lá. A construção era extremamente fortificada, tal qual uma antiga base dos Vingadores no mundo que deixou para trás, onde vagavam agentes trajados em roupas amarelas. Namor não confiava em nenhum deles. O uniforme não mostrava suas faces, não haviam nomes — só números de identificação. Eles agiam em sincronia, sempre tão focados em seus trabalhos que Namor reconsiderou sua opinião sobre parecerem apicultores. Eram mais como abelhas, aquelas estranhas criaturas da superfície que obedeciam uma rainha.
Entraram numa sala extensa, com um grande painel exibindo o mapa mundi e uma mesa de superfície sensível ao toque. Ele teve a confirmação de que aquela Terra era deveras semelhante com a sua, mas não quis pensar a razão por qual Atlantis não tinha nenhuma indicação na tela.
— Atualmente, esse é nosso mundo. Assim como eu e você sabemos, Thanos dizimou metade da vida no universo com relíquias que ficaram conhecidas como Joias do Infinito. Alguns heróis tentaram detê-lo, sem sucesso. Homem de Ferro, aposentado. Gavião, desaparecido. Dizem que é responsável por algumas mortes nos últimos cinco anos, mas isso não foi confirmado. Hulk, subcelebridade na internet. Thor, aposentado. Quarteto Fantástico, desaparecido também. Conhece essas pessoas?
Namor tirou os olhos dos hologramas e encarou a mulher a sua frente. Sua fala era suave, mas ele sabia que estava testando-o. De que lado ele estava? Conhecia heróis? A questão implícita no ar quase o fez rir, reação que seria digna de Yabbat e suas risadas debochadas. Ele conhecia heróis. Se estava do lado certo? Talvez. Provavelmente não. Era um vilão, então? Não havia resposta. Apenas murmurou:
— Ouvi dizer.
— Hm. — Disse ela, pensativa. — Nem todos os políticos foram obliterados, sabe, mas qualquer tipo de governo anterior se mostrou quase que obsoleto. Na América do Norte, Capitão América deixou de ser refugiado para conduzir o que sobrou dos Estados Unidos. Viúva Negra faz parte de uma aliança com Wakanda, Genosha e outros países para monitorar atividades suspeitas no planeta. Sem falar no contato com Capitã Marvel.
Foi bom rever a imagem de amigos nos hologramas. Steve realmente ficava bem de barba, embora parecesse cansado naquelas fotos. E ferido, sobretudo. Algo mais chamou sua atenção:
— Por que Genosha e Latvéria estão em destaque?
— Oh. Bem… São zonas de influência muito grande de duas figuras. Magneto, ao sul. Dá assistência principalmente aos mutantes. E Victor Von Doom, que domina quase que todo leste europeu.
Ele assentiu, como se estivesse satisfeito com a informação. Não estava. Claramente os outros heróis também eram figuras de influência, mas mesmo assim os locais onde residiam não foram marcados em vermelho. Ele guardou essa desconfiança para si, também considerando o fato de Dr. Destino estar naquela realidade e governar uma extensa área no mapa. Era tudo o que Victor sempre quis.
E era o aliado mais próximo atualmente. Ou ao menos Namor esperava que pudesse ser um aliado.
— A IMA sempre esteve presente, oferecendo aparatos tecnológicos e financiando pesquisas… A intenção agora é finalmente entender a natureza das Joias. O máximo que possuímos são arquivos antigos de algumas jóias que vieram para Terra. O Tesseract. O Cetro. O Colar. Conseguimos até mesmo acesso aos arquivos pessoais da Dra. Jane Foster, quando foi hospedeira da Joia da Realidade. E estas relíquias? Conhece?
Já era hora de ceder alguma coisa à agente, do contrário seria óbvio que ele escondia coisas. Ele encarou as fotos dos artefatos com atenção, tanto aquelas que ela mencionou quanto outras que foram vistas apenas quando já estavam incrustadas na Manopla de Thanos. As Joias do Infinito eram um tanto diferentes, apareceram em contextos diferentes. Na sua Terra, cada um dos Illuminati era guardião de uma joias — mais semelhantes a pedras.
— Sim. Não em termos técnicos, na verdade. Elas detém poderes que eu mal compreendo, mas que… Eu senti. Não são infalíveis, porém. As Joias do meu universo quebraram.
A bela face da agente se torceu em descrença.
— Quebraram?
— Sim. O motivo pelo qual vim parar em sua realidade... É pior que a devastação de metade da vida. Significa o fim de tudo. Um fim que nem mesmo as joias puderam evitar.
De repente ele se viu na mesma posição que Yabbat quando ela chegou ao seu planeta: virou um emissário do apocalipse. Monica, para o mérito de seu autocontrole, sequer vacilou. Apenas o convidou à sentar-se à mesa e ouviu cada palavra de sua severa e fúnebre explicação de como o universo — os vários universos — entraram em colapso e seguiam para sua derradeira morte. Ela perguntou coisas técnicas que ele fez o máximo para responder com clareza, embora sempre caísse na mesma infeliz conclusão de que não havia escapatória. E, assim como Yabbat, ele editou algumas informações, como o fato de fazer parte de uma equipe que assassinava mundos inteiros. Como o fato de conhecer heróis e vilões e não fazer parte de nenhum deles. Como o fato dele ser um canalha tentando fazer a coisa certa.
— Então Yabbat… Essa Cisne Negro, tem visto muitas coisas terríveis. Foi em muitos universos, huh? E foi ela que os trouxe para cá por um campo psionico.
— Sim. — Ele havia omitido a parte em que traíra seus aliados, dentre eles o próprio Thanos. — Em resumo, é como chegamos aqui.
— Entendi. Bom, antes nós queríamos uma ferramenta. Algo que recriasse o poder das Joias para trazer as pessoas de volta. Bem, ao menos algumas pessoas. Agora… Vejo que será necessário mais do que isso para impedir o fim das Incursões.
— As Joias não são o suficiente.
— Eu sei, compreendi o que você disse. E não tenho nenhuma delas, Namor. — Deu de ombros, seu sorriso afiado como o punhal que T’Challa fincou em seu peito. — Tenho algo diferente. Eu lhe disse que estávamos perto de algo e que arranhamos outras realidades, lembra-se? Como acha que viemos até vocês tão rápido? Além, é claro, de ligações preocupadas de cidadãos de bem para a Polícia.
— O que quer dizer com isso?
O sorriso de Monica Rappaccini foi belo e perverso.
— Nós fizemos um teste com um novo item que projetamos… E vimos o céu ficar azul. Mais azul que o normal.
Uma sombra passou pela expressão do príncipe. Sua mente formava uma ideia amarga, mas sua boca repetiu as palavras da Cisne, o único conhecimento que possuía daquela catástrofe.
— Eu lhe expliquei. Sidera Maris. Uma Incursão.
— Sim. — Ela se levantou, apertando uma sequência de comandos no bracelete em seu braço esquerdo. Logo um último holograma azul se projetou no centro da mesa, exibindo a imagem de um cubo e um vislumbre dos arquivos envolvidos até chegar em tal sabedoria — ou seria heresia? O objeto, mesmo apenas em imagens, demonstrava ser energia pura e provocou um arrepio nele. Agora compreendia quando Yabbat falava sobre azul, doença e abominação. — Bem no quadrante que executamos o teste, no segundo exato em que nossos sistemas se sobrecarregaram, vocês vieram por meio de uma fenda no céu. Uma janela para outro lugar, aberta por um experimento nosso. Ou então por experimento que facilitou essa probabilidade. A suspeita era que esse item não seria o bastante para lidar com a situação, agora sei que é justamente o que precisamos: Algo que distorça a realidade. E que possa rasgá-la também.
Namor entendeu o que era aquele item. Havia mais de um em seu antigo lar e inúmeros problemas causados por tal coisa, que nem mesmo poderia ser chamado de um simples objeto: O Cubo Cósmico.
A agente, por sua vez, parecia até empolgada com o rumo da conversa, digitando de maneira efusiva e revendo os hologramas de arquivos. Ordenava comandos, administrava tarefas e movia toda a organização científica em prol das descobertas. Ela o encarou brevemente, sorrindo pela produtividade da tarde:
— Para distorcermos a realidade, é preciso de um guia primeiro. Uma importante guia na Terra se foi com o estalo... — Ela suspirou, pensando em outra pessoa. — Ainda bem que temos Yabbat conosco, huh? Estou bem curiosa para saber existe por trás daquela energia toda. — O eufemismo era evidente. — Vou pedir que executem os testes nela ainda hoje.
Com um último sorriso e se já afastando-se da mesa, ela disse:
— Nossa aliança será muito proveitosa.
E se foi, deixando Namor à sós numa sala escura, iluminada somente pelo brilho obtuso de hologramas. O azul banhava o ambiente e tal cor trouxe um peso que o príncipe jamais sentiu, mesmo em zonas abissais do oceano. Havia pensado tanto em salvar a si mesmo e seu povo ao ocultar cenas da narrativa que sequer cogitara que o interesse principal seria Yabbat.
Monica, assim como todos da IMA e todos da Terra inteira, queria restaurar a população de seu mundo. Namor desejava poupar os universos de um colapso. Ambas causas nobres, ambos meios terríveis. Ele pensou que já havia passado dessa fase de se questionar se era bom ou mau, pois não ia deixar sua dignidade ficar a frente de inúmeras vidas.
Mas se lembrou de Yabbat. Se não ia chamar aquilo de compaixão, tinha então ao menos que entender que ela seu único trunfo naquela história inteira — e se dependesse de Monica Rappaccini, a Cisne seria facilmente descartada.
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