Memórias póstumas de um acaso.
1 Do bar pra toda vida.
Era um fim de tarde de domingo, estava com uns amigos bebendo e conversando quando a vi pela primeira vez. Aquele barulhinho do seu chinelo de couro ficou martelando na minha mente por dias quando ela chegou com seus amigos. Ela também me olhou quando eu estava olhando, descansei meus olhos nos seus, nos seus cabelos e seu sorriso inesquecível, e ficamos ali por algum momento... Até ser acordada de um sonho que estava bem ali na minha frente, na outra mesa do bar onde estávamos.
— Amanda! — Alguém chamou meu nome — Ei! Você já tá viajando no seu mundo da lua outra vez, não é?
Despertei dos devaneios que estava tendo com a troca de olhares. Dei uma gargalhada.
— Dessa vez não precisei ir tão longe, ela tá bem aqui na minha frente. — Falei.
O meu amigo continuou falando algo que eu não consegui entender pois vi a garota levantar com um sorriso malicioso no rosto e ir em direção ao banheiro, fiquei acompanhando com os olhos. Sem pensar, levantei e segui seus passos...
— Obrigada por me deixar falando sozinho! — Falou meu amigo, e eu só fiz sinal positivo pra ele, não podia perder a oportunidade de conhecer aquela mulher.
Andei apressada até o banheiro, quando ia colocando a mão na maçaneta, a porta se abriu e saíram de lá algumas garotas rindo e falando algo que não prestei atenção, entrei e ela estava lá, olhando eu fechar a porta através do espelho.
Ela sorriu. Eu corei, não sabia o que dizer.
— Oi... — Ela disse em seguida. Sorrindo.
Por um momento, percebi que estava segurando a respiração e quando ouvi a voz dela, soltei o ar pesado que estava preso nos pulmões. Respirei outra vez para poder responder:
— Olá... — Respondi vergonhosa.
— Sabia que você viria… Eu sabia que te conhecia desde o primeiro momento em que te vi.
— A gente se conhece? Desculpa, eu não lembro. – Falei confusa.
— Sim. Dos meus sonhos. — Ela falou se aproximando.
Nesse momento eu corei mais do que já estava, se é que era possível, mas não podia recuar. O sentimento que estava ali era inédito. Dei um passo à frente.
— E como se chama essa sonhadora? — Perguntei quando ela demonstrou que gostou da minha aproximação e sorriu respondendo.
— Júlia. — Disse com aquele sorriso de mais cedo.
Fiquei estonteada.
Ela segurou minhas mãos. Toda aquela emoção me invadiu sem pudor, nunca achei que meu coração pudesse bater tão rápido. O que é isso que estou sentindo? Eu nem a conheço, como pode?
— Me diz se eu estiver entendendo errado, mas não posso perder a chance de aproveitar esse momento com a pessoa que eu sonhei a minha vida toda e finalmente conheci pessoalmente. — Ela falou tanto rápido quanto as batidas do meu coração.
— Também sinto que esse momento é único. O que será que existe entre a gente, hein? — Estava ofegante e tão próxima dela que tudo que eu conseguia sentir era seu cheiro doce e delicado.
— Eu quero descobrir.
— Eu também.
Ela aproximou os lábios, mas eles subiram aos meus olhos, — fechei – depositou um beijo ali, calmo e sincero. Desceu e pude ver seu sorriso novamente. Sorri. Abracei um ser humano que meu corpo nunca havia visto antes, mas que minha alma já a conhecia de muitas vidas. Nossos corpos só se separaram para se grudar de novo, desta vez pelos lábios.
Um beijo demorado e molhado que transportou o calor dos nossos corpos para todo o compartimento; Coloquei minhas mãos em volta de sua cintura e puxei ela mais pra perto, senti ela apertar meu pescoço em retribuição. Fui empurrada até a parede mais próxima e senti sua coxa pedir passagem entre as minhas, deixei. Enquanto sentia o desejo ardendo em minha pele, troquei de posição e a encostei na parede dando a ela a oportunidade de descer para o meu pescoço e sugar como ninguém jamais fez. Desci minhas mãos por suas costas, passei pelas suas nádegas até suas coxas e puxei a levantando para se sentar no balcão da pia, ela me agarrou com suas pernas e sua boca veio de encontro à minha outra vez. O beijo durou até percebermos que estávamos no banheiro de um bar.
Paramos ofegantes. Observei aqueles olhinhos felizes que observavam a minha boca.
— Pra minha casa ou pra sua? — Ela perguntou. E eu sorri.
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