Ao longe das ruas de pedra inglesas e de seu céu sempre acizentado, bem longe das carruagens e das conversas banais de seus cidadãos tanto esnobes ricos de terno e cartola quanto dos pobres humildes e sofridos hexistia uma casa enorme que tocava uma musica Italiana tradicional ao fundo, um som abafado de um corpo caindo ao chão interrompe a continuação desta.


– mais... uma... vez — Dizia o jovem teimoso de cabelos escuros já pingando em suor de joelhos no chão e apoiado no grande mastro vazio de bandeira que segurava em mãos.


Um jovem de espessa sobrancelha e cabelos loiros chegava pendurando o seu casaco preto e sua cartola.


– ainda não acertou o ultimo movimento, não é? Lovino?


– já estou quase conseguindo.


– lembre-se, tem que conseguir isso até a apresentação daqui a dois dias, acha mesmo que consegue?


– já disse que consigo!!! cazzo...


– certo, certo, fique calmo, antes disso venha comigo que quero lhe mostrar o mais novo membro de nossa "humilde" companhia.


– novo membro?


Eles entram numa sala maior ainda do outro lado, um homem palido de cabelos loiros quase prateados dançava com habilidade maestral o deixando de olhos arregalados.


– não... é possivel...


"você não vai desistir agora vai Lovino mio figlio"


O jovem para o que está fazendo e dirige o seu olhar ao Italiano que o observava num misto de surpresa e raiva, não pretendia perder pra um novato depois do tanto de esforço que fizera.


- muito bem meu caro, gostaria de lhe apresentar o veterano de nossa casa, se aproxime por favor.


O jovem se aproxima com seu olhar gélido e analista que por mais que encarasse o que estava a sua frente, este parecia não demonstrar qualquer reação somente um sorriso calmo em seus lábios.


- este é Ivan, Ivan B... Bri... bre...


- braginsky senhor, meu nome é Ivan Braginsky.


- certamente, senhor Braginsky este é Lovino Vargas um de nossos mais antigos veteranos.


- "mais um pra sua coleção de brinquedos de luxo?" — Pensava com raiva o Italiano.


- certamente que este bailarino russo será um grande astro em nossos palcos.


- interessante, pois quando entrei aqui da primeira vez não disses-tes a mesma coisa, mi dispiace caro Ivan, acabei por pensar alto novamente.


-seu... — Murmurava o chefe cujo italiano sentia que estava prestes a pular em sua jugular.


- pois eu aceito o desafio. — Revelava o russo a sua verdadeira face. — Uma competição deixará as coisas mais interessantes não achas Sir Kirkland?


- como é?


- "o que está falando maldito?" — pensava o Italiano.


- Aquele que render mais aplausos no palco será o principal da companhia enquanto o outro terá que apenas ser humilhado por este quando estiver no olho da rua.


- O que? E perder um dos meus melhores dançarinos?


- Pense bem Sir Kirkland, o senhor não perderá um dançarino, só ganhará outro melhor no lugar. Além do que... Uma competição poderá deixar tudo mais animador.



Mais tarde nas ruas Inglesas dois amigos conversavam, o mais baixo um pouco injuriado e o mais alto escutando a tudo.


- eu não acredito que ele concordou com isso.


- ¿Qué es eso Lovino? Isso é uma fase, aposto que estavam só brincando, sabe muito bem que Arthur Kirkland jamais se livraria de um bom bailarino, ainda mais um veterano com experiência.


- esse cara só visa o lucro no fim das contas, mau pode esperar pra destruir a popularidade da casa de jazz dos "nossos amiguinhos americanos" que está praticamente deixando a grande casa dele às moscas.


- isso é verdade, mas ainda sim... Olhe, quero que pense um pouco melhor nisso em casa está bem? Coma um bom prato de macarrão com bastante molho de tomate, tome um bom vinho, ouça uma daquelas músicas velhas de LP que você tem no seu toca-discos, talvez um pouco do ar italiano te faça bem. — Diz o espanhol com sua mão no ombro amigo.


- você parece a mamma falando agora. — Responde com um riso travesso e leve seguido de um afastar de mão do seu ombro. — Ainda sim entarei, grazie.


Lovino entra em casa se despedindo de um dos poucos amigos que conseguira desde que chegara na "terra dos infernos" *pra ele*, Antonio era um rapaz muito compreensivo para com ele e escutava todas as suas frustrações. O jovem entra em casa, ainda vazia, o irmão ainda não tinha voltado, as vees fazia longos turnos no trabalho o que o deixava irado, não gostava de seu chefe a quem chama grosseiramente de "alemão" como se seu nome não fosse importante e falava até com um certo desprezo nas palavras. Ele olha para o grande retrato da moça na parede.


- Sono tornato, mamma...


Quase podia ouvir a sua delicada voz lhe respondendo.


" come è stata la tua giornata mio caro figlio? Sono contento che tu sia tornato."


E assim ele faz tudo que tinha-lhe sido recomendado, senta no sofá simples com uma taça de vinho, a sala iluminada por um candelabro e algumas velas dispersas enquanto escutava uma musica calma tocar ao fundo, estranhamente Feliciano ainda não havia voltado pra casa, termina a taça de vinho pondo-a sobre a mesa de lado do sofa e dormindo com os doces olhos naquele retrato o fitando.


"tuo fratello va bene, non ti preoccupare... Lovino"