Memórias
3 De volta ao Skype
Notas iniciais
— Vamos lá, Jinnie! Fighting!
— Estou tentando!
Jin usava todas as suas forças para se erguer nas muletas, na varanda da casa. Depois de alguns instantes, caiu.
— Aigoo! Você está bem?
O garoto ria no chão.
— Estou sim, Samchon.
Chung Ho ajudou o sobrinho a se sentar na cadeira.
— Está melhorando muito. Estou gostando de ver. Logo logo vai estar andando de novo.
— Mal posso esperar por isso!
— Eu tive medo de perder você, garoto. Você sabe, o seu primo morreu muito pequeno… E desde então não tive outro filho. Ele me faz muita falta. Eu te considero um filho, não suportaria perder você também.
Jin estava pensativo. Ele começava a ver o seu tio de verdade, aquele que cuidara dele desde pequeno. Não tinha nada a ver com o que Abraxas o tinha transformado em outra linha temporal. Abel parecia estar fazendo a coisa certa dessa vez.
— Jinnie!
Era sua mãe.
— Chegou uma carta para você… É de Busan. Parece ser uma carta mesmo, que esquisito…
— Deixe-me ler…
Caro Seokjin,
Eu estive muito preocupada com você nos últimos meses. Eu não sabia que a minha decisão te afetaria de forma tão negativa. Se eu soubesse, nunca teria feito, afinal eu me separei de você pensando no seu bem. Eu sou péssima com relacionamentos virtuais, e achei que não conseguiria manter nosso namoro de forma saudável. Por isso, decidi me separar, não adiar o inevitável.
Desde o seu acidente, eu tenho me sentido muito mal. Eu sinto saudades de você, e sempre quero fazer algo, mas não posso. Até escrever essa carta eu não pude fazer mais nada por você. Era agonizante saber que você precisava de ajuda, que você corria perigo e eu nada podia fazer.
Eu estive esperando pela sua recuperação para dizer que estou muito arrependida do que fiz, e que quero uma nova chance. Eu já deixei o Japão e agora estou morando em Busan, as coisas vão ficar bem mais fáceis. Se você ainda quiser algo comigo, claro.
E, bom, tem mais uma coisa, eu não devia te contar agora, porque não quero que você pense que eu estou inventando isso, mas… Aconteceu. Eu mandei fotos para você ver que estou falando a verdade. Eu estou esperando um filho. Um filho seu.
Eu preciso de você. O meu amor nunca se apagou. Porque o amor é como um incêndio. A partir do momento que começa, não importa que você tente apagar. Mas, se mesmo assim, você não quiser voltar comigo, eu vou entender, e trabalhar duro para criar essa criança sozinha. Então, não se sinta pressionado, e faça o que for de sua vontade.
Estou esperando ansiosamente a sua resposta.
Beijos,
Choi Yumi.
Na carta, Jin conseguia sentir palavras verdadeiras da antiga irmã, e também mentiras, que por sua dedução, eram obra de Hoseok, o mestre daquele plano perfeito. Mas a parte mais importante, não era de nenhum dos dois, claro. Era Namjoon. Podia senti-lo. E isso o fez chorar.
— O que houve, meu filho?
— Samchon… É a Yumi… Ela… Está...
Jin e Chung Ho ainda conversaram por muito tempo. A conversa posteriormente se estendeu para toda a família. Eles discordaram muito, mas por fim entenderam que Jin tinha uma obrigação com seu passado e com o futuro de uma criança.
— Então eles aceitaram, né?
Como em todas as noites, Jin estabelecia uma conexão virtual e espiritual com Michung, que os permitia conversar enquanto ela se curava.
— É. Eles não tinham muita escolha, eu ia fazer de qualquer jeito. Inclusive se fosse verdade.
— Posso sentir que sim. A sua ligação com elas é muito forte. Você e Yumi estão destinados a se unirem em qualquer versão do tempo-espaço. É coisa de irmão mesmo, sabe?
— Nós já fomos irmãos de verdade no passado?
— Não sei dizer. Esse tipo de coisa, só a Eva pra responder. Mas tem tantas versões. Eu diria que você já foi irmão dela sim.
— Interessante. Vou procurar saber mais sobre, quando formos.
Quando a madrugada chegava, Michung dormia, mas Jin não. Ele passava as noites em claro, à base de Pílulas AS que Hoseok deixara com Yonseo antes de partir, curando a amiga através da conexão da flor.
Assim as semanas corriam, e se tornavam meses. Todos trabalhavam para juntar dinheiro para a nova chegada de Sunghee. Yoongi conseguiu emprego como recepcionista no aquário da cidade.
Jin não deu atenção à campainha, que foi atendida por sua mãe.
— Jinnie, tem uns meninos aí na porta querendo falar com você…
— Mas será possível?
A expressão “meninos querendo falar com você” chamou a atenção de Chung Ho, que estava na sala. Jin procurou ser tão discreto quando era possível e esconder a expectativa em possivelmente ver seus amigos e claro, o crush. Porém, quando abriu a porta, encontrou sete carinhas, que apesar de inesperadas eram conhecidas.
— ANNYEONGHASEYO, JIN HYUNG!
— Mas… — sussurrou Jin. — O que raios vocês fazem aqui? Não sabem que é perigoso?
— A gente soube que nosso ex-colega de empresa vai viajar e está esperando um filho. Então a gente fez uma vaquinha e comprou um presente para ajudar — disse Jaebum, fazendo o maior escândalo para o Chung Ho ouvir.
— Oh, sério?
— Sim, olha! — disse Mark.
Os meninos se afastaram. Atrás deles estava um carrinho de bebê.
— Oh, meninos! Muito obrigado! A Yumii vai adorar!
— Achamos a cara dela — disse Jinyoung, antes de abaixar o tom de voz. — Digo, da Sun. Estamos com saudades dela, de todo mundo, na verdade. Esperamos que dê tudo certo. Esse é só um presente para que vocês lembrem da gente.
— Pode deixar. Vamos continuar nos falando, rapazes. Independente do que acontecer.
— E a Michungie, como está?
— Já consegui curá-la. Inclusive vamos a um show do Big Bang esse fim de semana.
— Ué, a Yonseo contou que vai com o Sehun. Não sabia que vocês iam também.
— Na verdade, nós quatro vamos juntos. Michung nunca pôde ir a um show, e como ela e o Sehun curtem muito Big Bang, achei que seria legal eles terem esse momento em família.
— Que da hora! A Mi vai adorar.
— Será? — Perguntou Mark. — O Hobi disse que a derrota dela na corrida foi culpa do T.O.P.
— Como é que é? Conta isso direito!
— Nada a ver, Mark. — Esclareceu Jinyoung. — Jin Hyung, tá ligado naquele lance que o adversário da Michung trapaceou? O Hobi disse que tem uma linha temporal aí que o T.O.P ficou em coma e estava lá em Omelas na hora da batalha, e dedurou o cara. Nessa versão a gente ganhava de lavada.
— Ah sim. Então não é culpa do T.O.P. não, gente.
— Não é não. O Mark que não sabe contar as coisas direito.
— Inclusive — disse Jinyoung — Vocês sabiam que tem uma linha temporal em que todos nós somos idols muito bem sucedidos?
— Sério? — perguntou Jin. — Tipo, todos nós?
— Só a Jeon Minji que seria atriz, no caso. O resto, tudo idol. Nessa linha, o que tá acontecendo com a gente é só uma fanfic de ARMY’s malucas.
— ARMY… Não ouço essa palavra há muito tempo.
— Então tem gente nos lendo agora? — perguntou Jackson. — Vamos mandar um oi para os leitores!
— Para de doideira, Jackson — pediu Yugyeom.
Assim os meses passaram, e quando viram, Sunghee estava para chegar. Hoseok conseguiu se comunicar com Dahae e fazer alguns planejamentos para o dia que Sunghee nasceria. Assim como Hoseok e Michung, Dahae era médium. Era por isso que conseguia se comunicar com Yonseo, mesmo morando na fazenda e não em Omelas.
Dahae tinha seu próprio oráculo, chamado Scar, cujo espírito ficava naquele lago que era o favorito de Gessyca. Alguns dias antes do nascimento de Sunghee, Seohyun viajara para a fazenda, para projetar com Dahae e assistir a Yumii como da primeira vez.
Por vários motivos, Jin e Michung só conseguiram se programar para chegar na véspera, à noite.
Jin ajeitou as últimas coisas na mala da Ranger. Estava levando muitos presentes para a pequena de ouro. Entrou no carro e pela janela observou pela última vez os pais e o tio. Depois de se despedir, partiu.
Em algum lugar perto da saída da cidade, Jin parou o carro. Logo viu Sehun andando em sua direção, carregando Michung nas costas e acompanhado de Yonseo.
— Vou colocar as coisas dela aqui atrás — disse Yonseo.
O médico abriu a porta do carro e ajudou a prima a se acomodar.
— Jin, cuide dela. Jebal.
— Pode deixar, doutor. Enquanto ela precisar de mim, estarei por perto.
— Está pronto, pessoal. — avisou Yonseo. — Façam boa viagem. Adeus.
— Adeus, prima. Tome cuidado.
— Pode deixar, Oppa. Eu vou ficar bem. Obrigada por tudo.
Após alguns minutos de viagem, Jin percebeu que Michung estava chorando.
— O que houve, Mi? Pensei que estaria animada para encontrar o Hobi...
— Eu sei, eu estou feliz, e muito. Mas… O Sehun Oppa… Eu nunca mais vou abraçá-lo. Quer dizer, durante muito tempo. Já passei dezoito anos em outro plano, e agora a contagem vai recomeçar. É meio desanimador.
— Eu entendo. Sinto o mesmo pelos meus pais.
— Quanto tempo até Busan?
— Cerca de três horas.
Durante a viagem, Jin conversou com Michung sobre outros assuntos, e ofereceu pequenas doses de cura. Já era bem tarde quando Michung e Jin chegaram à casa.
Hoseok estava na porta. Assim que o viu, Michung correu para abraçá-lo. Hoseok abaixou para pegá-la no colo, sem esconder o enorme sorriso, e começou a girar com ela.
— Oh, meu anjinho, eu senti tanto sua falta!
— Eu também, querido.
— Isso é muito estranho.
— O quê?
— Você com essa idade me chamando de querido.
— Deixa de ser bobo, Jung Hoseok.
— Só sente saudade dela, né, Hoseok?
— Jin Hyung! Há quanto tempo!
Os dois amigos se abraçaram.
— Claro que senti sua falta também, hyung. Não diga bobagens.
— Que bom. Já estava começando a ficar magoado.
Os três riram.
Depois, pegaram algumas das malas e entraram na casa.
— E essa é a nossa casa — Hoseok, abriu a porta e falou baixinho para não acordar Taehyung, que estava dormindo no sofá. — Ela é pequenininha, mas dá para o gasto.
Logo acima do sofá, uma foto mostrava Taehyung, e a outra mostrava Namjoon e Jin, em uma foto que não viam há muito tempo. Jin ficou emocionado.
— Onde está o Namjoon?
— Ele está trabalhando, oras.
— Aonde fica o posto?
— Hyung, é melhor você não ir lá agora.
— É perto daqui?
— Sim, mas...
Não deu tempo de continuar. Jin já estava abrindo a porta novamente.
— Jin Hyung, por favor, espere…
— Eu já esperei demais, Hoseok.
Jin fechou a porta, deixando Hoseok preocupado.
— Qual é o problema, amor? Ele também está com saudade.
— Eu sei, eu entendo, mas é que.... Deixa pra lá, acho que dá tempo…
— Tempo de quê?
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