Memórias
5 De volta a Omelas
Notas iniciais
Michung foi a primeira a se levantar. Sentou-se em um salto e se viu cercada dos seis companheiros.
— O que estão fazendo? Acordem! Nós chegamos!
Michung começou a sacudir a todos, principalmente Hoseok.
— Vamos, amor…
Aos poucos, todos acordaram.
— Espectro? — chamou Hoseok. Logo um deles entrou.
— É… Pode me levar até Jeon Sunghee?
— Claro. Abraxas aguarda vocês no salão, mas fiquem à vontade para se prepararem.
— Obrigado.
Hoseok saiu do quarto.
— Namjoon Hyung.
— Fala, Taetae.
— Eu estou com medo.
— Bem… O Hobi sabe o que faz. Ele nos trouxe aqui por uma razão. Não acho que Abraxas vá te atacar, mas se atacar, sabe que nós te protegeremos.
— Que coisa, Taetae! — disse Jimin. — Você está preocupado com Abraxas? Não está preocupado com sua… Esposa?
— Aigoo… A Géssyca Noona! Aonde ela está?
— Na fazenda, ué. Nós veremos todas as meninas em breve, mas precisamos nos resolver com titio Abraxas primeiro.
Todos se reuniram na sala de julgamentos. Yoongi estava abraçado a Sunghee, já adulta pela magia do tio Hoseok. A maioria estava apreensiva, ao rever o deus encapuzado, mas todos tentavam se acalmar ao ver a animação de Jimin. Não podia ser coisa ruim.
— Meus queridos e queridas — disse Abraxas, em seguida, tirando o capuz, revelando um rosto tão juvenil que os deixou espantados. Abraxas poderia ter a idade corporal deles! Assim como suas asas, seu cabelo desgrenhado era metade branco e metade preto. — Finalmente encontrei vocês. Mas achei que o antigo Juízo era formado por onze juízes, e não dez…
— Está faltando uma nativa, senhor — disse Hoseok.
— Ah, sim. Aquela ocidental. Géssyca, não é?
— Isso mesmo.
— Espectro, mande uma convocação para buscá-la. Enfim, queridos e queridas. Vieram tão rápido! Estou impressionado. Muito obrigado por atenderem meu convite tão rapidamente. Então. A Eva me contou muitas coisas. Por exemplo, que o Jung Hoseok descobriu a verdade sobre a inexistência. Precisamos fazer algo sobre isso, não?
— É pra isso que viemos, senhor — disse Namjoon.
— Claro, Kim. Antes que eu me esqueça, todos estão salvos, inclusive Kim Taehyung. Águas passadas.
— Mentira. Sério que eu vou ter asinhas brancas agora?
— Podemos cortar se você quiser.
— Não não, senhor, obrigado, mas isso dói muito.
— Você vai deixar a noona sozinha na escada mesmo, Taetae? — perguntou Yoongi.
— Claro que não. Se ela não puder sentar no trono eu fico na escada com ela.
— Meus caros, chega disso. Espectro, mande fazer tronos para todo mundo. Vamos precisar de doze tronos aqui! São doze, certo?
— Contando com o senhor, certíssimo — disse Jimin.
— Mas e a Nana Unnie? — perguntou Sunghee.
— Ela não vai querer ser juíza. Prefere continuar só na Casa Daegu.
— Que Casa Daegu? — perguntou Yoongi.
— A que você vai reconstruir, hyung. Que tal dessa vez ser aqui em Omelas? Vai poupar muita bateção de asa.
— É seguro?
— Claro que é seguro, Min! Vocês não correm perigo algum. Os tempos ruins já cessaram. Agora vamos para a sala do juízo que os espectros vão instalar os tronos aqui.
A conversa durou horas para definir as primeiras coisas. Taehyung e Jimin mal podiam esperar para ver suas garotas, e Michung mal podia esperar para dar as boas novas ao namorido.
Foram definidas novas táticas de julgamento e escalas semanais, mas nas primeiras semanas todo o juízo deveria estar presente em todos os julgamentos para aprender a lidar com eles. Seriam meses de muita dedicação ao ofício, e quando cessassem, começariam os preparativos para os casamentos jurídicos. No meio da conversa, deu para Géssyca chegar e rever os amigos.
Abraxas também contou a sua versão da história: Queria garantir um futuro adequado às famílias Jeon e Kim.
— Era só para trazer eles cinco. Eu fiquei muito revoltado da morte quando vi que, da minha meta, só o Jeon Jungkook tinha vindo. E não foi fácil não, viu?
— Colega, você diz isso porque não foi você que levou porrada de CBX.
— Eu sei, Jeon, e sinto muito por isso, mas foi o que me ocorreu.
— Relaxa, já passou, senhor. Vem cá, é pra gente ficar te chamando de senhor mesmo?
— Não sei, somos todos juízes, não?
— Acho que deveríamos chamá-lo de sunbae — sugeriu Michung. — Querendo ou não, o Abraxas é superior a nós, ele chegou muitos milênios primeiro.
— Gostei, Mi! — disse Hoseok.
Todos concordaram.
— E quanto à condenação do Taetae na linha passada?
— Vejam bem, crianças, meu lado sombrio não batia muito bem da cabeça. Ele influenciou o pobre Kim Taehyung e o condenou. Nada certo, não é?
— Mas nem no Brasil, Sunbae.
— Mas agora, o sombrio está bem mais controlado.
— Como poderemos saber que é o senhor? — perguntou Jin.
— Eu estou sendo muito formal com vocês e pretendo continuar assim. Já o sombrio… Bem, vocês saberão. Acabamos por aqui, crianças?
— Acabar não acabamos — disse Jimin. — Mas nós temos outras pendências para resolver, então gostaria de encerrar por agora.
— Pode ser, Park. Estão liberados. E bem vindos de volta!
Os meninos agradeceram, se curvaram e saíram.
— Bae…
— Fala, Oppa.
— O que foi?
— Como assim?
— Você não está me tocando. Está escondendo alguma coisa?
— Estou.
— Aiai, Oh Michung. Pode me contar.
— Eu só estava esperando a hora certa.
Michung segurou o rosto de Hoseok.
“Os sentimentos que me seguem
São tão bonitos que me fazem feliz”
— Michung… Você conseguiu?
— Não, Oppa. Nós conseguimos. Vamos ter nosso pequeno raio de sol!
“Brilhe em mim, deixe brilhar em mim
No meu abraço, deixe brilhar”
— Você, moça… Naqueles onze anos, eu achei que havia alcançado o limite da felicidade. Achei que não poderia ser mais feliz tendo você do meu lado. Mas eu estava enganado.
— Nós seremos ainda mais felizes, meu amor.
— É… Hyung, eu vou na ilha das mães sem filhos, você vem?
— Vou não, ChimChim. Quero ficar com a Michung, e ela não tá podendo voar, sabe?
— Tudo bem. Eu vou trazer as duas então. Yoongi Hyung também quer conversar com elas.
Como planejado, mais tarde naquele dia houve a posse do novo juízo. Durante o jantar, Michung contou as novidades, deixando todos muito felizes. Seohyun e Dahae jantaram com o juízo fazendo visita.
— Gente — disse Jin. — Aproveitando o assunto filhos… Seohyun Ajumma, será que lá na sua ilha tem algum menino chamado… Kim Donghyuk?
— Tem sim. Ele morreu com seis anos, mas está conosco há uns vinte.
— Aigoo. Talvez seja ele mesmo.
— Ele quem? — perguntou Abraxas.
— Meu primo. Eu estava pensando em adotá-lo até o samchom morrer.
— Como é que é? — perguntou Namjoon.
— É. O que você acha de termos um filho também?
— Eu não sei, bae… Complicado, não é?
— Bom, agora sei que talvez tenhamos o localizado. Se for ele mesmo a gente conversa sobre isso outra hora.
Semanas depois, as duas voltaram para o casamento dos seis casais, mas dessa vez ficaram para ajudar com a Casa Daegu e com a gestação de Michung. Em algum momento, Namjoon e Jin decidiram por adotar Donghyuk. No início Namjoon estava com medo de se apegar a ele e perdê-lo, mas o garoto conquistava cada vez mais seu coração.
Hoseok estava cansado de não poder conversar com algum vivo. Suas opções eram Michung, que já estava com ele, e Yonseo, cuja proximidade era como se nunca tivesse existido. Ele a visitava com pouquíssima frequência. Dessa vez, o rapaz pretendia reconquistar a amiga com base em sua relação quase familiar vinda de dois polos diferentes: Amigo de Taehyung e marido da prima de Sehun.
Antes de visitá-la, Hoseok decidiu visitar Baekhyun apenas para ver como estava de vida.
Baekhyun estava preso.
Mas por quê? Seu único motivo moral para ser preso era o assassinato de Jungkook, que não acontecera. Ou seja, o mais provável era que o jovem tivesse sido pego por algum crime qualquer.
Pouco após a chegada de Hoseok, Baekhyun fora chamado para receber visita.
Era Minji.
— Eu… Não esperava que viesse me ver. Achei que estaria furiosa.
— Não estou furiosa, Baekhyun. Estou decepcionada. Eu confiei em você, e você me apunhalou pelas costas. Por que fez isso?
— Eu tive meus motivos, Minji. Eu só faço mal a quem merece.
— Não me interessa. Eu quero saber quem são os outros.
— Então está aqui para me interrogar?
— É esse o meu trabalho.
— Eu não vou dizer nada. Meus irmãos são meus irmãos, não vou entregá-los. Seu problema é comigo.
— Eu queria que você não fosse um problema. Não queria te ver aqui. Mas você escolheu.
— Você realmente acha que essa vida é uma escolha?
— Ela está muito abalada — esclareceu Yonseo. — Gostava dele.
— Como você sabe? Tem afinidade com ela?
— Eu sou amiga do Baekhyun, e ele, amigo dela. Acabamos nos aproximando, principalmente agora que ele foi preso.
— Você sabia que ele era de gangue?
— Há alguns meses ele me contou. Contou toda a história.
— Precisa explicar para a Minji. Assim ela vai entender. Ela parecia com raiva, não era para estar.
— Na sua linha eles ficavam juntos?
— Depois de um bom tempo, sim. Tipo, um tempo bem grande.
— Entendi. Mas e a Michung, como está?
— A barriga dela está crescendo muito rápido. Eu mal posso esperar para pegar meu filho no colo.
— Vai ser menino então?
— Eu não sei. Ela já sabe por causa da empatia, mas não disse ainda.
— Mas e a Eva?
— Ela não me conta por nada, parece algum tipo de ética. “Não é tudo que se pode saber”, é o que ela sempre diz . Odeio quando ela faz isso.
— Huum… Alguém está bem ansioso para ser papai.
— Não sei qual de nós está mais. Esperamos muito por isso, sabe?
— Que bom que vocês conseguiram.
— Como está a relação com o seu pai?
— Agradável, como sempre. Ou como nunca, não sei dizer.
— A partir de agora, como sempre. A Dahae Ajumma os visita com frequência?
— Sim. Às vezes o appa tem vontade de morrer para ficar perto da minha eomma, mas ele sabe que é melhor não me deixar sozinha “dessa vez”.
— Você se virou muito bem com o Sehun e a sua tia, mas acho que com o seu pai você vai ficar melhor.
— Ele gosta muito de visitar o Sehun, pois não teve contato com ele na outra linha. Ele disse que só o viu uma vez. A gente foi pro seu casamento.
— Aigoo, sério que o ajussi contou isso? Não era pra contar. Agora você vai querer ir pra lá.
— Ainda não. Mas quem sabe um dia. Espero que não seja incômodo.
— Incômodo não, só foi trabalhoso desenvolver o processo. Mas um dia eu levo vocês pra nos visitar e vai ser bem legal.
— Ótimo, oppa. Digo, Hoseok.
— Por que se corrigiu? Pode me chamar de Oppa. Nós somos amigos, não?
— É, acho que sim — Yonseo riu.
— Opa, hora do almoço. Preciso ir.
— Ok… Oppa. Por favor, venha mais vezes. Conversar com você é muito legal.
— Claro, vai ser um prazer. Annyeong!
Hoseok saiu da sala de Eva, e estava se dirigindo para a cozinha. O caminho era tranquilo, mas de repente algo o puxou. Hoseok só sentiu um forte soco na bochecha esquerda, e dois braços fortes o empurrando para a parede. Sehun estava diante dele, o agarrando, furioso. Levou suas mãos até o pescoço dele, e Hoseok se sentiu sufocar.
— O que você fez com ela?
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