Memórias
2 De volta a Busan
Notas iniciais
Depois de conversarem bastante com o 7 e deixarem seus contatos para atualizações, Namjoon e Jimin deixaram o beco das gangues. Voltando para casa, passaram eventualmente perto do bairro onde Jimin morava.
— Hyung… Acho melhor eu ficar na casa dos meus pais.
— Tem certeza?
— Sim. Tenho muitas coisas para fazer e dizer. É melhor eu ficar lá essa noite.
Namjoon observou a uma distância segura enquanto Jimin batia na porta da antiga casa. Hyekyo atendeu.
— Jiminie?
— Oi, eomeoni.
Jimin abraçou sua mãe, muito forte, por vários segundos, enquanto chorava.
— O que houve, meu filho?
— Essa situação... Eu não sei se consigo suportar…
— Entra, filho.
Dentro da casa, Jimin também reencontrou seu pai, e deu o melhor de si para transformar sua emoção em reencontrar os pais em tristeza.
— Fale para nós, filho, o que está acontecendo — pediu Sanhyuk.
— Esta cidade nos traz muitas lembranças do Jin Hyung. É difícil viver aqui, sabendo que ele nunca mais vai voltar. O Hoseok Hyung… Ele está no hospital.
— Sério? Por quê? — perguntou Hyekyo.
— Ele teve uma overdose. Tomou os mesmos antidepressivos que o Jin Hyung tomava. Ele está bem, mas… Os meninos querem ir embora.
— Mas como assim? Ir para onde?
— Ainda não sabemos… Mas não queremos mais ficar aqui.
— Bom, filho — disse Sanhyuk — eu não gosto muito dessa ideia. Mas caso estejam realmente decididos, ainda temos a nossa casa em Busan. Eu sei que é pequenininha, mas… Talvez vocês prefiram ir para lá mesmo assim.
— Está tudo bem para vocês se eu for?
— Desde que você mande notícias, não importa para onde você for — disse Hyekyo. — Você sempre estará em nosso coração, Jiminie.
— Eu posso dormir com vocês essa noite? Tipo, dormirmos todos juntos?
— Claro, meu amor — disse a mãe. — Claro que pode.
Na manhã do dia seguinte, Sehun entrou no quarto.
— Paciente Jung Hoseok, internado por overdose… Mas seu sangue está limpo. Como isso é possível? É magia? — perguntou, ironicamente.
— Prefiro não responder. É impossível responder de uma forma verdadeira que o doutor acredite.
Sehun ponderou por alguns segundos.
— Você receberá alta ainda essa tarde. Enquanto isso, pode me acompanhar?
— Aonde vamos?
— Visitar a sua esposa, é claro.
— Mas… O doutor disse que não confiava em mim…
— Foi meio duro dizer isso. Eu quis dizer que não confiava em você… Ainda. Mas hoje eu sinto que posso confiar. Ainda mais depois do que conversei com ela.
Hoseok saiu do quarto arrastando o suporte do soro, seguindo o doutor até o quarto de Michung.
— Mi, tem uma visita para você.
Hoseok entrou no quarto.
— Annyeong.
— Eu pensei que não te veria de novo tão cedo…
— Eu também, Michung.
— O que você ia dizer ontem?
— Eu ia te dar meu número, lembra?
Michung entregou o celular de novo, e Hoseok colocou seu número.
— Eu fiquei com medo de não poder falar com você.
— Eu ia dar um jeito.
— Que jeito?
— Não sei, mas sem falar com você eu não ficaria. Ah, eu também ia dizer que você não deve dizer nada ao Sehun.
— Pra você é doutor Sehun.
— Você sabe há quantos anos eu não te chamo de doutor?
— Eu não ligo, eu sou doutor e pronto. E claro que ela pode confiar em mim, eu sou primo dela. E… Agora eu sei que os sonhos dela não são sonhos.
— Doutor, eu confio em você, de verdade. Mas as coisas que você precisa saber… Não é a Mi que deve contar. Você deve saber por… Outra pessoa.
— Ué, por quê? — Michung não entendia.
— O nome dela é Kim Yonseo, e ela entrará em contato com o senhor em breve. Ela poderá explicar sem o risco de dar spoilers.
Sehun concordou, e Michung também. Ela compreendeu que Hoseok arrumara um pretexto para reunir o casal mais amado pelo juízo.
— Já acabaram? — perguntou Sehun. — Eu não tenho o dia todo.
— Eu queria dar um beijo nela. Será que o senhor deixa?
— De jeito nenhum.
— Oppa, lembre do que eu falei…
— Ah, sim… Ele vai viajar… Eu vou dar a vocês dois minutos.
Hoseok aproveitou cada segundo ao lado de sua amada. Segurou a mão dela o tempo todo, e sentiu as boas sensações que o seu dom judicial causava. Se atreveu a beijá-la algumas vezes, de forma que demoraria a fazer novamente. Depois que Sehun voltou, ele retornou ao seu quarto, às lágrimas. Porém não era Yoongi que estava no quarto.
— Ah, você chegou, hyung! Como que a gente te visita e você não está em seu quarto? O Yoongi Hyung não conseguiu nem se despedir.
— Oi, Taetae. E… Irmã do Taetae.
— Oi, Hoseok.
— Você está bem, hyung?
— Ele acabou de ver a Michung, — disse Sehun — e acredito que não verá novamente. Pelo que eu sei, vocês vão viajar.
— Sim, nós vamos, hyung. Me desculpe, eu quis dizer doutor. Desculpa mesmo.
— Doutor — perguntou Yonseo — tem previsão de alta pro Hoseok?
— Sim, o Hoseok receberá alta daqui a pouco, senhorita...
— Ah, Kim Yonseo. Muito prazer.
— Espera… Então você?
— Sim, doutor, ela é a moça que responderá as perguntas.
— Do que você está falando? — perguntou a garota.
— O doutor Sehun precisa de algumas explicações. A Yonseo também é médium, mas ao contrário da Mi, ela não voltou no tempo. Então é aquilo que eu te falei, doutor. A Yonseo explicará melhor sobre o segundo mundo, sem o risco de dar spoilers.
— Ah, que ótimo — disse o médico, satisfeito. — Senhorita Kim, gostaria de tomar um café?
— Pode me chamar de Yonseo, doutor.
— Só se não me chamar de… Tá bem, estamos no hospital. Enfim, Yonseo, vamos lá?
— Claro.
Assim que os jovens deixam a sala, Hoseok e Taehyung caíram na gargalhada.
— Aigoo, isso é muito estranho.
— Eu sei!
Depois da alta de Hoseok, se passaram dias de preparo. Todos foram visitar os Park e resolveram questões sobre o empréstimo da casa e a viagem. Além disso, alguns meninos precisavam se desligar de empregos que tinham, como Namjoon no posto e Yoongi no motel. Taehyung deixou sua irmã como substituta em seu emprego no mercado.
Ao fim desses dias, fizeram as malas e partiram para Busan. A falta de contato com Jin lhes custou a Ranger, por isso tiveram que enfrentar a dificuldade de se mudarem de trem.
Durante a viagem, alguns choraram por aqueles que não mais veriam tão cedo.
— Amém — disse Hoseok.
— Disse alguma coisa, hyung? — perguntou Taehyung.
— Ele estava orando — revelou Jimin.
— Como assim?
— Eu estava orando para o titio Abraxas abençoar nossa viagem. Nós podemos fazer diferente, gente. Não precisamos destituí-lo, mesmo que tenhamos poder para isso. Precisamos nos aliar a ele, para juntos encontrarmos a verdadeira solução para a gestão judiciária da Coreia do Sul. Como eu disse para vocês, Abraxas quer o nosso bem. Ele quer ver Jin Hyung e Namjoon como um casal, quer ver Sunghee com uma infância de qualidade, e tudo o mais. O problema dele com a gente foi o homicídio do Taetae, mas ele não matou ninguém dessa vez. Assim como o Chung Ho não vai matar. Se pá o Chung Ho até vai deixar de ser uma preocupação para nós, e nós para ele. Não é por isso que estamos partindo?
— Tá, então é pra orar pra Abraxas?
— Sim, Taetae.
— Então, pessoal, essa é a casa — apresentou Jimin. — Como eu disse, é pequena, então vamos dividir os quartos. Temos uma cama de casal e uma de solteiro. Particularmente eu acho que Jungkook e Yumi merecem a cama de casal, principalmente por causa da Sunghee.
Todos concordaram.
— A cama é do Jimin — disse Taehyung. — Ele é o dono da casa, é justo que a cama fique com ele.
— Eu quero ficar onde a Sunghee estiver — pediu Yoongi. — Posso ficar no chão do quarto de casal?
— Claro — disse Jungkook.
— Então o Taetae fica no sofá, já que os que sobraram são casais. Eu durmo no chão, mesmo sem o Jin Hyung. Hoseok e Michung dormem no quarto do Jiminie?
— Perfeito.
Semanas se passaram. Nesse período, alguns arrumaram empregos, aproveitando a experiência do currículo. Jungkook, Namjoon e Hoseok voltaram aos seus empregos anteriores. Distribuir panfletos, abastecer carros e servir refeições. Algumas semanas depois da chegada de Yumi em Busan, Hoseok conseguiu um emprego para Taehyung, que se saiu muito bem por trabalhar com água.
Durante essas semanas que se tornaram meses, Jin e Michung se recuperavam separadamente, porém juntos.
Fale com o autor