Notas iniciais
Olá olá! Depois de muito tempo sumido estou de volta. E claro, não poderia de deixar de postar alguma oneshot de Steven Universe!
E dessa vez eu trago uma oneshot spinearl que venho pensando faz um tempo em escrevê-la, mas só agora decidi tomar vergonha na cara e escrever. E ah, como vocês devem ter visto nos gêneros, é uma songfic, portanto haverá duas músicas que são muito importantes para a imersão na história e para que você possa compreender o enredo mais a fundo, deixarei o link delas no capítulo.

Enfim, aproveitem e uma boa leitura!

Spinel esperava ansiosamente por ela dentro do seu carro, mexendo incessantemente no seu celular esperando que Volley lhe desse um sinal de vida.

Estava esperando na frente do campus da faculdade dela e escutando ao rádio. A música que tocava fazia ela refletir se havia tomado a decisão certa. Era jovem, poderia estar fazendo mil e uma coisas diferentes, mas ali estava. Aguardando que sua amiga do ensino médio participasse dessa viagem e lhe dissesse que o sentimento era recíproco.

Sabia como era o sentimento de abandono e de sentir-se uma tola. Não queria passar por isso de novo.

Suspirou, largando o celular e encostando a cabeça no volante. Talvez não tivesse sido uma boa ideia.

Subitamente ouviu batidas na janela da porta do passageiro. Era ela. Agradeceu mentalmente a si mesma por ter colocado insulfilm nas janelas de forma que a outra não percebesse que ela estava começando a ficar entediada por tanta espera. Destravou as portas e ela sorriu assim que viu a outra.

— Oi! Desculpa pela demora, não achava meu carregador. Posso colocar minha mala ali atrás?

— Claro! Sem problemas — disse assim que parou de analisá-la. Ela estava linda, como sempre esteve.

A outra jogou a mala de mão no banco de trás e juntou-se à Spinel no banco do passageiro, dando um beijo na bochecha dela rapidamente.

— Desculpa mesmo por ter feito você ficar esperando. Meu carregador simplesmente desapareceu, e olha que eu arrumo meu quarto todos os dias — ela contou enquanto colocava o cinto e se acomodava.

— Não se preocupa com isso, não estou com pressa. Temos o dia inteiro para essa aventura! — explicou a motorista, tentando não pensar demais no beijo que acabara de receber e ligando o carro.

— E eu posso perguntar para onde vamos?

— É surpresa! Não vou te contar — ela sorriu de forma provocativa enquanto dirigia rumo a estrada.

— Por deuses Spinel o que você vai fazer?

Sur-pre-sa. — Ditou e recebeu um suspiro decepcionado em resposta. Sabia que não aguentaria até lá e em algum momento contaria a ela, mas queria manter até onde conseguisse.

— Quantas horas de viagem? — perguntou ela.

— Cinco, mais ou menos.

— O que vamos fazer em Los Angeles?

Spinel não conseguiu disfarçar a surpresa pela outra já ter descoberto quase tudo.

— Como sabe que vamos lá?

— Eu já fui para lá, então sei quanto é o tempo de viagem. Além do mais, percebi que você está indo para a saída sul da cidade — ela apontou para uma das placas que dizia exatamente isso.

— Você está mais observadora do que eu lembrava — analisou Spinel.

— É. A faculdade muda as pessoas... A propósito, como está seu curso?

— Tranquilo eu diria. Esse terceiro semestre está sendo bem menos pior que os dois primeiros...

— O seu também foi assim? Nossa, o meu primeiro ano foi tenso. Foi complicado acompanhar o ritmo... É um ritmo bem diferente do que estávamos acostumadas né?

— Com certeza — concorda a de cabelos com um tom rosado mais escuro — Às vezes desejo voltar ao ensino médio. Era bem mais divertido.

— Pois é! Sinto falta das turmas... Especialmente a do último ano. Foi memorável.

— De fato! Sabe alguma coisa dos outros?

— Estão todas aqui na verdade, com exceção do Steven e da Connie, foram aprovados e foram para a UCLA.

— Legal! Para onde estamos indo!

— Pois é... Mas todas nós continuamos em San Jose... Só duas das minhas primas que foram para a USF. Elas continuam insuportáveis?

— Na verdade quase não nos vemos por lá. É um campus imenso. E qual é, elas são divertidas.

— É, temos um relacionamento de amor e ódio. Elas só pareciam bonzinhas perto de você!

— A Pearl não era boazinha comigo!

— Ah, ela é uma exceção. A Yellow e a Blue que as vezes me tiram do sério.

— E tem como te tirar do sério? Você foi sempre tão serena e toda calma...

— Você ainda tem muito a que me conhecer, Spinel. E como assim a Pearl não era boazinha com você?

— Esqueceu que ela sempre me dedurava para os professores?

— Bem, era você que devia se esforçar mais nos estudos — e foi interrompida por um soquinho de brincadeira no braço da motorista.

— Ei! Eu me dedicava, e muito! Mas eu também tinha que me divertir, não queria me formar no ensino médio sem dizer que já estraguei um experimento de química de propósito só para termos a aula livre!

— Tivemos que limpar tudo depois... — lembrou Volley.

— É... Mas foi algo diferente, não é? E quando criamos o clube de leitura de cristais com o Steven?

— Foi daí que recebemos os apelidos que usamos até hoje... — comentou nostálgica.

— Tá vendo? Foram anos memoráveis, Pink Pearl, e tudo por causa das nossas ideias malucas.

— De fato, Spinel.

— A propósito, por que decidimos te chamar de Volleyball depois mesmo?

— Eu havia me inscrito no clube de vôlei e o Steven foi me chamar e acabou dizendo “Volley” sem contexto nenhum. A piada interna pegou e acabei sendo chamada assim. Não me incomodo na verdade, até prefiro.

— Verdade... Caramba... Estou com saudades agora — admitiu.

— Também fiquei. Mas bem, pelo menos ainda mantemos contato né? Entre nós duas e tal...

— É...

Decidiram percorrer o resto da viagem em silêncio, em seus próprios pensamentos. Já haviam entrado na estrada e passavam o tempo como podiam. Spinel teve a ideia de ligar seu rádio e colocar o pendrive com a playlist de viagem que preparara no dia anterior e se esquecera até então. Assim, o percurso tomou uma trilha sonora animada.

Se tinha uma coisa que Spinel amava, era música. Havia composto algumas anos atrás, mas desde então não tivera tempo suficiente para se dedicar a isso novamente. Amava como a música era capaz de transportar as pessoas para uma outra época, para um outro sentimento, outra forma de pensar. E podia dizer que Volley devia sentir o mesmo, ela relaxava com as músicas que escolhera e as vezes até acompanhava o ritmo balançando as pernas ou tamborilando os dedos no espaço que a janela aberta deixava.

Em alguns momentos a motorista não conseguia evitar de olhá-la de relance, com os cabelos rosados claros presos em dois coques no alto da cabeça e alguns fios teimosos que ricocheteavam com o vento, ou ela por vezes cantarolando algumas músicas que conhecia baixinho...

Tinha certeza que não queria apenas uma amizade, sabia disso desde antes de ir para a faculdade, quando ainda eram colegas de classe. Foi uma paixão que cresceu com o tempo, a cada dia tendo mais certeza que a amava.

Entretanto, sem nunca ter a coragem de dizer a ela.

Por vezes sentia que ela sentia o mesmo, mas não queria parecer desesperada e então, sempre adiava admitir seus sentimentos a ela.

Decidiram passar em um drive-thru para almoçar. Depois de muito insistir, Volley pagou a despesa do almoço nada saudável. Sabia que Spinel havia gastado muito mais para a viagem acontecer e não queria que ela pagasse tudo.

Almoçaram no estacionamento do restaurante, apoiadas na parte de fora do carro. Volley afirmava que tinha certeza que aqueles restaurantes não deviam ser limpos como deveriam e preferiria almoçar do lado de fora, tendo os carros e caminhões passando pela estrada ao longe.

— Realmente, é bem mais legal observar os carros aqui de fora do que de dentro. Além de que se tem a garantia de que o carro está seguro — ela recolheu o lixo que deixaram e foi jogar em uma lixeira não muito distante.

Nesse meio tempo, foi suficiente para que Volley tivesse uma reunião com seus sentimentos. Não que não sentisse nada, mas não tinha certeza se sentia tudo. Não havia passado por um romance antes e não tinha certeza como era se sentir em um. Nem se faria e diria tudo corretamente... Todavia, uma parte de si dizia que devia sim sentir algo mais pela outra. Não estaria se perguntando sobre isso se não sentisse nada por ela...

— Pronta para mais duas horas de viagem? — Spinel a acordou de seus devaneios e Volley assentiu. As últimas horas passaram voando para as duas.

Porque estavam juntas.

Adentraram o carro e voltaram a estrada. Mas, dessa vez, Spinel havia preparado uma pequena surpresa para a outra, e sabia que assim ela descobriria para onde estavam indo.

— Tenho algo especial para te mostrar — contou ela, chamando a atenção da amiga.

Pulou todas as músicas da playlist até que chegasse na música tão especial.

Chateau – Angus & Julia Stone

— Oh. É uma das músicas que dançamos na formatura. — comentou, olhando para a outra.

— Exato.

— É isso que a faz especial?

Spinel permaneceu em silêncio. Sabia que a outra adivinharia a qualquer momento.

Ela pensou por um tempo e percebeu o que estava acontecendo. Voltou seu olhar para o rádio, e então para a motorista mais uma vez.

— Tá de brincadeira comigo — disse, com um olhar sério.

— Não.

— Spinel. Não me diga que estamos indo para o Chateau Marmont.

— Estamos, sim.

— Spinel, a diária de lá pode ser mais de quinhentos dólares.

— De fato, foi.

— Você gastou quinhentos dólares para ficarmos no Chateau Marmont? — Volley aumentou seu tom de voz. Não acreditava no que a outra havia feito. Imaginava o gasto que Spinel teria, não só pelo combustível, mas também pela diária que havia pago. Não acreditava que ela havia gastado tudo isso por ela.

— Por aí. Mas qual é, não é todo dia que podemos ter uma experiência dessa, e tenho certeza que será tão memorável quanto nossas travessuras do ensino médio. — ela sorriu e Volley corou — Desculpe... Eu achei que você fosse gostar....

— Eu gostei! — disparou — É só... Poderia ter me avisado para que eu trouxesse roupas melhores! — arranjou a primeira desculpa que lhe veio à cabeça e que não envolvesse tocar no assunto de sentimentos.

Spinel riu.

— E o que seriam roupas melhores? — perguntou, sendo ignorada pela outra que aumentou o volume da música e começou a cantar com ela.

Everyday the weekend, trying to be your best friend, trying just to figure it out… Corner in your converse, living on the outskirts, trying just to figure it out…

Talking like a deadbeat, I just wanted you to see, everything that I could see… — Spinel juntou-se à ela.

Walking in the night sky, I'm always on your side, you were really saving me — Cantaram juntas e se entreolharam conforme a música continuava. Volley não percebeu quando seu olhar voltou-se para os lábios da outra, até que a mesma se virasse para prestar atenção no trânsito, com as bochechas coradas.

Mantiveram-se em silêncio até que chegassem à cidade de Los Angeles.

Era a primeira vez de Spinel lá, e já havia adorado tudo que via da cidade. Adoraria conhecer tudo que havia naqueles prédios altos e centros comerciais, mas teria que ir ao hotel primeiro para que não ultrapasse o horário do check-in.

Ao se aproximarem do hotel, as duas não conseguiram deixar de suspirar com tamanha beleza da construção.

Pararam na porta da frente e fizeram o check-in, subindo para o quarto em seguida.

— Como acha que deve ser o quarto? — A menor perguntou, brincando com a chave nos dedos.

— Não faço ideia. Espero que tenha uma banheira folheada em ouro, pelo valor da diária — a outra comenta e as duas riem, quebrando um pouco do clima que ficou desde que cantaram juntas.

Assim que Spinel abriu a porta, correu para a cama arrumada e se jogou nela. Era como se fosse um ritual para ela. Qualquer lugar novo que fosse e que tivesse uma cama, ela iria pular nela.

Tal ação repentina surpreendeu um pouco sua acompanhante, mas ela nada disse. Correu para ver a vista que tinham da cidade. Era um quarto em um andar alto, afinal.

— Como é a vista? — questionou Spinel.

— Bonita. Me traz a mesma satisfação que se jogar na cama deve trazer. — ela varria os olhos por toda a extensão de Los Angeles, atentando aos mínimos detalhes daquela cidade que apesar de já ter visitado, nunca deixava de ser um destino inesquecível.

— Pula aqui. Vai me dizer que não gosta de fazer isso? De agir feito criança como se não tivesse responsabilidades e só estivesse fazendo o máximo para ser alegre? — A de cabelos mais escuros perguntou, atraindo a atenção da outra, que pareceu considerar por um momento até se jogar na cama como a amiga.

Volley começou a rir incessantemente, sentindo-se criança de novo. Realmente, era incrível pular na cama arrumada. Talvez faria isso na sua quando voltasse para casa. Começou a movimentar os braços como se estivesse fazendo um anjinho na neve, sem querer passando pela mão da acompanhante que analisava o quarto com os olhos.

— Desculpe. — pediu, recolhendo a mão rapidamente e se recompondo.

— Sem problema. — Seus olhares se cruzaram, e Spinel lembrou-se do que queria fazer assim que chegasse ao quarto do hotel.

Levantou-se da cama e abriu sua pequena mala de rodinhas, procurando pela caixa de som em formato de um coração. A ligou e a conectou ao celular, procurando pela mesma música que ouviram no carro, quando Volley comentou:

— Você tem um som em formato de coração? Isso me lembra...

— O colar que você me deu quando nos formamos?

— É. — ficou em silêncio por um tempo — Uso o que você me deu todos os dias. E hoje não seria diferente — ela puxou o pingente de uma pérola que estava escondido debaixo da gola da camiseta.

— Idem — a outra fez o mesmo, puxando o pingente de uma espinela.

— Acho que é desde aquele tempo que você gasta horrores comigo.

— Ei, não fui só eu que comprei. E além do mais, não me importo de gastar contigo.

— Nem vem...

— É sério! Isso foi o que consegui pagar, mas se eu tivesse mais não me importaria nem um pouco em pagar uma viagem pra nós duas para... Sei lá, Europa?

— Seria uma ótima ideia, mas na próxima vez eu vou pagar. Não é justo só você estar gastando.

— É por um bom...

— Spinel. — a interrompeu.

— Ok! Ok. Você que manda. — A menor se rendeu e colocou a música para tocar na caixa de som. Cantou as primeiras estrofes com o cantor, esperando que na parte da cantora Volley continuasse.

Assim feito, ela cantava com calma, como se estivesse nas nuvens, sonhando alto. Ela presumia que Spinel havia tirado a ideia da viagem a partir dela. Sabia do amor dela pela música e do que ela poderia fazer para torná-las mais do que apenas versos: para se tornarem memórias.

Para a estrofe seguinte, Spinel decidiu chamar a outra para dançar. Estendeu a mão para ela, que aceitou. E juntas, dançaram.

We can go to the Chateau Marmont and dance in the hotel room... We can go to the Chateau Marmont and dance we got nothing to lose... — As vozes delas entravam em sincronia com as vozes dos cantores, fazendo da música deles, as memórias delas.

— Não acredito que você planejou toda essa viagem só por causa dessa música. — Volley comentou assim que a música terminou.

— Não foi só por causa dela. — Spinel expôs. E mais uma vez, se entreolharam. Por vezes os olhares indo além de apenas os olhos.

— Escuta... Que tal irmos até a Venice Beach? Sempre quis conhecer lá.

— Adoraria. Também não conheço lá.

— Quem chegar por último no elevador é a mulher do padre! — e a menor disparou pegar sua caixa de som e em seguida para o corredor.

— Ei! — a maior correu atrás dela, mas não conseguiu alcançá-la. A encontrou esperando pelo elevador com um sorriso de orelha a orelha — Ah qual é! Você tinha uma vantagem, você sabia. E além do mais, eu nunca me casaria com um padre. — explicou, ofegante. Não era de correr e dançar em um curto intervalo de tempo com frequência

— E com quem você se casaria? — provocou a outra.

Volley enrubesceu. Era besteira pensar em algo assim tão cedo.

Tiveram todo o percurso até o carro em silêncio. Apenas apreciando as construções da cidade e o ótimo tempo que fazia. Ainda com o céu limpo mesmo que fosse final de tarde.

Assim que chegaram à beira-mar, estacionaram o carro e caminharam até a faixa de areia, recolhendo os sapatos antes de pisar nela. Além de que não queriam sujar os sapatos, queriam sentir a sensação da areia fina de Los Angeles sob seus pés.

Sentaram-se sobre seus sapatos e apreciaram o pôr-do-sol de Venice Beach. Com o mar calmo a frente, o som das ondas avançando e recuando periodicamente.

— Eu vi que você trouxe o som... — Volley começou — Posso colocar uma música?

— Claro — A outra lhe estendeu o rádio.

Sincronizado seu celular, uma outra melodia começou a tocar.

Wintergreen – The East Pointers

Ouviram as primeiras estrofes em silêncio. Fora uma música que dançaram juntas na formatura do ensino médio, ambas sabiam a letra dela, mas agora, não conseguiam cantá-la como antes.

I love you more than anything... — Spinel murmurou, e com um suspiro, continuou — Volley, eu... — e foi interrompida por um beijo.

— Não diga nada. — A maior pediu e se levantou, estendendo a mão para a outra que aceitou o convite.

E juntas dançaram a continuação da música alegremente, mais do que jamais estiveram.

Spinel sabia que a amava fazia tempos, mas sem nunca ter coragem para dizê-la. Volley não achava que era digna de nenhum amor, ainda mais do de Spinel.

Todavia, estavam juntas agora. E nada nem ninguém as impediria de amar uma a outra. Seus ritmos condiziam, como melodias em sincronia.

Notas finais
Me avisem se houve algum erro gramatical e comentem o que acharam, isso me motiva muito a continuar ♥ (e não demora cinco minutinhos, é bem rápido, prometo!)

Espero que tenham gostado, lavem as mãos, fiquem em casa e se cuidem. Nos vemos em breve!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!