Melodia Mortal

4 A Realidade Bate Na Porta


Notas iniciais
Olá! Então, esse capítulo é o maior até agora, e eu peço que tenham paciência, se acharem que estou enrolando, não deixem de me dizer, mas prometo que a parte da ação vai chegar... em breve.

POV Fred

Eu não consegui passar pela barreira de policiais para me informar, mas a Sra. Franklin avistou Velma e apontou para ela com energia:

– Você! Você e esse magrelo imbecil! Vieram na minha casa e me encheram de falsas esperanças! Vejam como tudo de ‘’resolveu’’! VEJAM! – ela disse agora apontando para o cadáver de sua neta.

Salsicha e Scooby tinham lágrimas nos olhos e pareciam inertes, em estado de choque. Velma tinha uma expressão distante, mas pareceu voltar a realidade com os gritos da velha senhora. Ela pegou a mão de Salsicha e com a outra segurou a coleira de Scooby e os levou para longe, provavelmente para a van.

Eu olho para a pequena multidão procurando Daphne, sem perceber que ela já estava ao meu lado. Tudo isso me deixou muito lerdo, mas essa é a hora em que eu mais preciso estar acordado.

Daphne segura minha mão e aperta forte, e nós caminhamos até mais perto dos policiais. Eu toco o ombro de um deles.

– Com licença senhor, o que aconteceu? Quais foram as circunstâncias...disso? – eu pergunto.

– Ora, mas é só o que me faltava, nessa profissão sou abordado por todo tipo de abutres, primeiro repórteres, agora fedelhos, se querem saber algo, vão ler o jornal do dia seguinte, sim? Estamos trabalhando aqui! – o policial diz com tom de puro escárnio. Doeu, mas eu e meus amigos temos recebido esse tipo de comentário durante toda nossa vida, mas não numa situação dessas.

– Olhe, senhor, entendemos que é um profissional ocupado, mas é importante para nós saber... – diz Daphne

– É IMPORTANTE PARA VOCÊS TANTO COMO É PARA ESSE BANDO DE CURIOSOS INÚTEIS AQUI, VÃO TODOS EMBORA! – o policial grita.

Eu cerro minha mandíbula com força, o nervosismo começando a me invadir, sinto que em breve posso perder a calma, mas tenho que me controlar, não posso acabar preso por desacato a autoridade.

Daphne não parece muito controlada também, ela fecha os olhos e respira fundo antes de tentar dialogar outra vez. Para minha surpresa, quando fala de novo, ela tem uma voz de choro e histérica.

– MAS SENHOR, A KEELEY ERA A MINHA PRIMA! MINHA PRIMINHA! COMO VOCÊ OUSA RECUSAR INFORMAÇÕES?! EU MEREÇO SABER O QUE HOUVE COM MINHA PRIMINHA! EU QUERO ACHAR E MATAR O DESGRAÇADO QUE FEZ ISSO!

Eu definitivamente estou surpreso. Daphne fazia aulas de teatro no colégio, mas eu nunca imaginei que ela poderia usar suas habilidades de uma forma tão... bem, cara de pau.

A atuação dela foi tão boa que se eu não soubesse a verdade, teria certeza que ela era uma ente querida da garota morta. Até o policial ignorante pareceu acreditar, uma vez que pediu desculpas e chamou um outro policial para nos inteirar do que havia acontecido. Porém, os gritos de Daphne também chegaram à pobre Sra. Franklin, que vendo a mentira descarada, estava ainda mais furiosa.

– Ora, sua... – ela chegou gritando, mas Daphne entrou em ação de novo.

– Vovó! Você não vê que tudo isso é irreversível?! Tudo que podemos fazer agora é justiça! Mas não a senhora, obviamente, vá para a igreja preparar o funeral da Keeley, vá!

– Desgraçada! – a Sra. Berrou, mas antes que ela pudesse bater em Daphne, eu a segurei.

– Sra. Franklin, a senhora está descontrolada, eu jamais poderia imaginar o que está sentindo agora, porque graças a Deus não perdi a alguém que amo tanto assim, mas tudo que pode fazer agora é realmente se acalmar e esperar! Confie na justiça, confie em nós! – eu digo levando a velhinha para longe enquanto Daphne consegue informações.

Como esperado, encontro Velma, Salsicha e Scooby na van estacionada. Velma continua estática, no mundo da lua, e Salsicha, no mesmo estado segura sua mão, Scooby está deitado no colo dele ainda com lágrimas nos olhos. Quando veem que estou com a Sra. Franklin, posso ver a culpa em seus rostos, fria e crua. Salsicha sai da van e se ajoelha em frente a velhinha.

– Senhora, quando eu fui na sua casa, comi seus biscoitos, que estavam ótimos aliás, eu não sabia que... q-que... ia chegar a esse ponto... d-desculpe, por favor... – ele pede

Para minha surpresa, a Sra. Franklin mais calma acaricia os cabelos de Salsicha.

– Tudo bem. Vocês são apenas crianças. Eu nunca poderia culpar vocês. – ela diz.

– Isso não vai ficar assim, senhora. Nós vamos achar quem fez isso. – eu digo.

– Tudo são só palavras, meu jovem. Eu já disse, vocês não passam de crianças, como minha Keeley era, e veja o aconteceu com ela, ouçam o conselho humilde de uma anciã: vão para casa, amem, se fortaleçam, deem valor a cada momento que achem bobo, transformem os momentos de tédio em algo útil para suas vidas, mas vivam, porque nunca se sabe quando o melhor de vocês será subitamente arrancado, e só vai sobrar... nada.

Eu assinto com a cabeça, tentando impedir que lágrimas caiam, e falo com a voz meio trêmula:

– Salsicha, você pode dirigir?

– Sim, cara.

– Pode levar a Sra. Franklin para casa, sim? E depois volte para cá, tudo bem?

– Certo, cara.

Velma permanece calada, e quando a senhora entra na van, ela vai para o banco de trás, recebendo um olhar negativo de Salsicha e Scooby. Acho muito estranho ela não falar que quer ficar aqui obtendo informações com Daphne e eu, mas este não é um dia comum, então relevo e volto para a cena do crime.

A maior parte da multidão já se foi, mas alguns ainda permanecem para dar os pêsames para a ‘’coitada da prima’’ da vítima.

Daphne me vê e vem em minha direção acompanhada do mesmo policial zangado de antes.

– Freddie, esse é o Sargento Brendon Mac Gearailt da PSNI , eu preferi esperar que ele desse as ordens aos outros policiais enquanto você voltava, para que pudéssemos ouvir tudo juntos. Sargento, agora poderia contar tudo sobre o que houve a minha prima, por favor? – Daphne perguntou simulando uma voz frágil e sensível.

– Bem, Srta. Daphne Franklin, não é? Em primeiro lugar, e muito em vão, gostaria de dizer que sinto muito pela forma que tratei você e seu namorado inicialmente, essa área de Bangor era relativamente tranquila... mas a paz não está, e nunca estará totalmente e eternamente em lugar algum. Vamos ao que importa: o cadáver foi encontrado aqui por civis que passeavam pelo litoral, no peito há várias marcas de punhal, foi um assassinato violento...e desesperado, seja lá quem fez isso, estava... sentindo algo, não foi um assassinato frio, calculado, como se era de esperar de um caso pós sequestro, o assassino sentia raiva, frustração... como se aquela morte fosse um caminho para algo que ele necessitasse, depois de vários anos nesse trabalho, eu posso dizer isso...

– Está querendo justificar as ações de um possível psicopata? – eu digo, nervoso.

– De forma alguma, só estou descrevendo o que um homem que passou metade de sua vida lidando com assassinos vê. Vocês lidam com assassinos, filho?

– Não, senhor.

– Então me deixe usar as palavras que eu bem quiser, acha que não sei a verdade? Apesar da atuação de sua namorada ser extraordinária, já disse que sou experiente na minha profissão, sei reconhecer uma atuação, mas sabem porque conto algo? Porque conheço vocês, são a famosinha Mistério S/A, e apesar de muitos acharem que são inúteis aqui, e que são apenas crianças, não são crianças comuns, então talvez façam algo importante, ou talvez morram, mas enfiem isso na cabeça de vocês: seja lá quem for o autor desses crimes, sequestros, e agora um assassinato, que eu julgaria que é apenas o primeiro, não está brincando! E o assassinato teve sim, um certo planejamento, se eu pensar bem...

– Como assim? – pergunta Daphne.

O Sargento Brendon nos olha e avalia e bufa.

– Para vocês, hoje em dia, aposto que ver um cadáver não é choque, menininhos de 12 anos invadem a Deep Web, todo dia por seu gosto de ver algo ‘’proibido’’, vocês então nem se fala, venham aqui.

– V-vai nos mostrar o cadáver? – eu pergunto.

– Não apenas o cadáver, suas crianças tolas.

Ele mandou os policiais e os peritos ao redor abrirem caminho e apontou para a cena a frente.

Eu tenho ânsia de vômito, realmente foi um assassinato violento. Mas Daphne pega meu ombro e aponta para outra coisa, algo ESCRITO do lado do que um dia foi a viva Keeley.

Na areia estão cravadas estacas e pedras... a princípio estou muito lerdo para perceber a mensagem que elas formam, mas quando leio me arrepio todo.

A mensagem diz:

'' AGORA É A VEZ DE VOCÊS’’

POV SALSICHA

Assim que deixo a Sra. Franklin em casa, dou a volta para a praia, e para aquela cena medonha, terrível, macabra... ô diabo, esse negócio de mistério costumava ser tão fácil! Não, tipo, nunca foi fácil de fácil, não pra mim e pro Scooby, mas a gente é medroso e covarde mesmo, é normal pra nós não achar fácil e legal!

Mas agora que eu penso na pobrezinha da Keeley Franklin e na vovó dela... que droga! Como eu pude achar os nossos antigos casos ruins? Esse sem dúvida é o pior! Não tem como piorar... não, pera, tenho que esquecer que pensei isso! Em todo filme, gibi, mangá que eu e o Scooby vemos, sempre que o mocinho diz essa bendita frase, tudo fica, tipo, uns outros quinhentos de pior ainda!

Mas, tipo, eu nem sou o mocinho. Sou só um covarde bobalhão, que foi ontem na casa de uma senhorinha, comeu os biscoitos que ela fez provavelmente lembrando de quando a netinha era criança ( mas aqueles biscoitos estavam uma delícia), fez promessas vazias, e olha só o que aconteceu agora! Eu queria enfiar minha cabeça num buraco!

E sei que o Scooby-Doo e a Velma se sentem da mesma forma, bem, eu acho, pelo menos. Tipo, a Velma parece que morreu junto com a Keeley Franklin, mas o Scooby tá chorando e se assoando faz tempo, eu até ia rir disso, se ninguém tivesse morrido, mas alguém morreu sim, então teve uma hora que pedi o lenço dele emprestado e me assoei também. Tristeza e luto dão fome.

– Salsicha, volte para a casa da Tia Thelma. – Velma finalmente fala.

– Mas mulher, o Fred disse pra...

– Eu não sou surda, ouvi o que o Fred disse, mas agora eu estou dizendo para voltar para a casa da minha tia!

– Calma, Velma, você tá dando medo! – diz Scooby.

– E por acaso tem algo que não te dê medo, Scooby? – ela responde friamente.

– Ei, ei! Pode ir com calma, não fale assim com meu amigo! Não sei que diabos deu em ti Velma, mas eu já vou voltar, acalma teus nervos! – eu falo tentando acabar com aquilo.

Chegamos na casa de Tia Thelma, onde ela e a Maddy está no pátio, parecendo prontas para saírem, quando Thelma vê Velma ela corre até nós e a abraça com alívio.

– Querida, todos já estão comentando o que houve, eu sinto muito...

– Porque? Eu não perdi ninguém, vá falar com a Sra. Franklin, eu não tenho nada com isso. – Velma diz e vai para seu quarto.

Todos estamos estranhando esse comportamento de Velma, ela nunca, nunquinha mesmo, tinha agido assim, tão fria, distante, rude!

– Salsicha, você não quer ir ver o que está havendo com ela? – pergunta Maddy.

– Ô Diabo, mas você é a irmã, não seria mais fácil...

– Eu nunca me senti a altura da Velma para falar com ela tão seriamente, Salsicha, eu não passo da caçula, afinal... mas você é amigo dela, ela te considera... tipo, muito mesmo, você e o Scooby.

– Vamos lá, Salsicha, eu já perdoei ela, mesmo depois de ela ser tão chatinha na Máquina de Mistério, e o Fred e a Daphne ainda estão nos esperando na praia. – diz Scooby.

– Pois é, rapaz, vamos. – eu digo. E lá vamos nós até o quarto de Velma.

Eu bato na porta uma, duas, três vezes, mas nada de resposta.

– VELMA! VELMA! VELMA! A BIBLIOTECA ESTÁ PEGANDO FOGO! – grita Scooby tentando chamar atenção dela.

– DROGA, ENTREM LOGO, TÁ? – Velma grita abrindo a porta.

Quando entramos, ficamos nos olhando com cara de paisagem por um tempo.

Eu olho ao redor e vejo que as malas de Velma estão na cama, acho que ela estava arrumando elas, mas porque diabos ela...

– Ei! Você não tá pensando em ir embora né, hein Velms? – pergunta Scooby.

– Eu não estou pensando, Scooby, eu vou. Vocês não entendem? Essa não é mais nossa área, nunca foi, não em nada que possamos fazer para ajudar!

– Me poupe... – diz Scooby.

– Ué, o que tem de errado com vocês? Vocês deveriam estar pulando de alegria com a minha decisão!

– Não, Velma, o que tem de errado com você, eu e o Scooby somos os medrosos aqui, e você quer saber? Sempre falamos pra caramba, mas no fundo, bem fundo, nunca é sério, a gente sempre sabe que vai ficar e dar um jeito, por mais que não queira aceitar! – eu digo, começando a ficar zangado.

– É, a gente acredita que sempre pode dar certo, porque estamos juntos! O que você está fazendo agora é... tão covarde, tão nós. Não seja assim, Velminha, por favor – diz Scooby

Ouvimos batidas na porta e eu abro. Fred e Daphne entram zangados.

– Onde estavam vocês? Esperamos por um bom tempo, tivemos que voltar de ônibus – disse Fred, Daphne faz um sinal para que ele fique quieto.

– Velma, sua tia nos disse que havia um problema aqui, então, qualquer coisa, sabe que pode contar com a gente, não é? – diz Daphne.

– SIM, EU SEI, DAPHNE! MAS SERÁ QUE VOCÊS SÃO CEGOS?! – Velma grita, então ela respira fundo e fala com mais calma – O problema não é conosco aqui, o problema é com um assassino, alguém que mata crianças brutalmente e esfrega na cara da população com gosto! Isso não tem nada a ver com a gente! Ouviram os gritos daquela senhora?

– Velma, você não é a única que está sofrendo por isso aqui, sabia? E você fez foi fugir da Sra. Franklin quando estávamos levando ela pra casa, em vez de dizer pelo menos ‘’sinto muito’’ – eu digo.

– Eu ‘’fugi’’ Salsicha, fugi sim, sabe porque? Porque não suportava de tanta culpa, de tanta dor por aquela mulher, ontem fomos na casa dela e fizemos uma brincadeirinha imbecil, sabia? Quão idiotas fomos nós! Achando que podíamos lidar com isso! – Velma diz em tom zombeteiro.

– Mas nós podemos lidar com isso! – Fred diz – Nós sempre tivemos a capacidade de lidar com coisas anormais, coisas com que supostamente não deveríamos nos meter, e é por isso que nos chamam de ‘’crianças enxeridas’’!

– Mas isso é muito grave, Fred, muito grave! – responde Velma, agora ela finalmente está chorando – Eu não sei se podemos nos enxerir nisso, eu tenho medo! Eu estou morrendo de medo, droga! Vocês não entendem que os próximos corpos a aparecerem em algum lugar podem ser os de vocês?! Eu não quero perde-los!

Todo mundo ficou calado de repente, agora eu entendo, Velminha só estava com medo, não por ela, mas por nós.

– Eu também não quero perder você – diz Scooby e abraça Velma.

– Nem eu, nenhum de nós – eu digo e me junto ao abraço. Fred e Daphne chegam e nós completamos nosso abraço em grupo. Não sei quanto aos outros, mas eu já tô me sentindo mais forte, mais determinado, se não nos separarmos... talvez tudo fique bem. Então Fred pigarreia e começa a falar.

– Velma, escute, por favor, eu te conheço há tanto tempo como conheço a mim mesmo, e amo cada um de vocês infinitamente, alguns de uma forma diferente do que de outros, mas ainda assim, não sei viver sem nenhum de vocês, e sei que o sentimento é mútuo de todos os lados, então eu tenho algo a pedir: confiança. Confie em nós, como sempre fez, e conseguiremos, juntos!

– Então... se vocês querem tanto tentar mais uma vez... então sim – Velma diz – Mas por favor, não vamos passar dos limites, ok? Isso é realmente fora de nosso campo habitual...

– Não, Velma, você está errada, não está fora de nosso campo... e também... ao contrário do que você disse antes, isso tem TUDO a ver conosco, estamos mais envolvidos nisso do que você pensa, eu realmente lamento. – diz Daphne e eu sinto um calafrio medonho na espinha, caramba, vem merda por aí.

– O que você quer dizer, Daphne? – pergunta Velma alarmada. Ela e Fred se olham e parecem tomar uma decisão, ela finalmente diz:

– O assassino disse que era a vez de alguém, como se tudo não passasse de um maldito jogo, ele deixou isso escrito com paus e pedras ao lado do corpo de Keeley... e Velma, dane-se a razão, dane-se tudo, dane-se que aquilo pode se referir a qualquer um... porque eu SEI que é para nós!

Notas finais
Gente,eu só queria avisar que as gírias,erros e abreviações no POV do Salsicha são propositais, quem acompanha ele nos desenhos, gibis,filmes sabe que ele fala assim, então deve pensar assim também LOL E eu vou reforçar o que deixei implícito nas notas inciais: até agora essa história tem sido mais emocional, mas tenham paciência, a ação já vai chegar, e quando começar, como minhas colegas dizem: ''o bagulho vai ficar loko'' LOL
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.