Melly, A Princesa Camaleão
21 As consequências tem chance de ser concertadas
Notas iniciais
–The Future Melly-
Fazia três anos, desde tudo...
Desde que eu havia visto aquele reino da última vez...
Eu passava na frente de um reino horrível, que pegava fogo, o céu a sua volta era completamente vermelho e cheio de nuvens escuras.
Todos os habitantes eram escravos de um rei maldito que enchia todas as vozes de agonia e as calavam, fazendo com que o medo fosse engolido e acumulado.
Aquele, um dia, foi meu reino. O perdi para aquele canalha, e ainda tento pensar em maneiras de recuperá-lo.
Alguns dos habitantes conseguiram fugir, outros continuam presos, outros cometeram suicídio.
Continuei andando. Não gostaria de olhar para aquele lugar por nem mais um minuto.
Ouvi o som do vento. Ele estava bem calmo, mas pelo som, parecia bem agitado. Cheguei a uma conclusão:
Aquilo não era o vento.
Demorou poucos milésimos para que eu sentisse algo agarrando meus braços e subindo, voando nos céus.
– GAH! – Gritei, pelo susto.
– Desculpe, não queria te assustar. – Uma voz feminina familiar contatou. Eu sabia de quem era aquela voz, e por isso, meus olhos se encheram de lágrimas. – Huh? O que é isto?
– Desculpe. – Tentei limpar meus olhos com os braços, inutilmente, já que ela estava segurando neles enquanto voava comigo. – Eu nem mesmo... Sabia que você ainda estava viva...
– Por que eu não estaria? – Ela disse, sorrindo. – Pare de chorar, sua boba. Eu estou aqui. – Ela disse, e foi descendo o voo, até pousar. Ela me deixou no chão primeiro, e depois fez o mesmo. Ficou na minha frente e limpou minhas lágrimas. – Ta tudo bem, tia Kitan está aqui. – Ela disse, sorrindo. Apesar de chorar, eu sorria. Nunca pensei que a encontraria de novo. – Eu estou muito feliz de te encontrar. Eu estive te procurando desde... Você sabe. Aquilo.
– Pra falar a verdade eu também. Procurei por tanto tempo que pensei que você estivesse morta, ou sei lá. Até hoje ainda procuro a Ginger...
– Ginger? Ah, ela eu encontrei. – Kitan disse, me enchendo de esperança. – Mas bem... Ela está... Anh... diferente. – E assim minha esperança derreteu e vazou pelo chão, escorrendo para longe de mim. Fiz uma cara chateada. – N-não faça essa cara! Eu disse que ela está diferente, não que ela morreu ou... sei lá. Não se preocupe. Venha comigo, vou te mostrar.
Ela mais uma vez pegou meus braços e começou a voar.
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Poucos segundos se passaram, e estávamos na frente de um enorme castelo. Tinha coloração dourada em certos pontos, em volta da entrada, vários chafarizes e árvores. Era simplesmente lindo.
– Bem, aqui a Ginger vive.
– Pera... A GINGER? – Me espantei. No mínimo ela deveria ser, sei lá, uma das empregadas de lá, não que eu duvide dela, mas é bem difícil coisas assim acontecerem.
– Por que o espanto? As coisas podem mudar, Melly. Você era uma princesa linda lá, agora é uma moça de capuz que anda por aí, dormindo em árvores e de arrependendo da vida a cada segundo que vive. – Kitan disse, fazendo apenas uma estimativa, mas completamente correta. – Ginger era a sua empregada louca que poderia matar pessoas ameaçadoras usando uma colher, agora ela é uma princesa, com seu próprio reino e tal. Ela não parece nada ameaçadora, pra falar a verdade.
– Ela nunca pareceu, convenhamos. – Comentei. – A gente pode entrar? Eu queria vê-la, mas podem ter guardas etc, podemos acabar sendo barradas e... essas coisas.
– Não há nada a temer, minha cara. Eu vivo lá também. Os guardas me verão, verão você comigo e poderemos entrar. Simples. – Kitan deu um sorriso de canto.
– Woah. Ok, vamos então. – Terminei, e andamos até o portão. O descrito por aquela garota azul ocorreu. Entramos no castelo, onde tinha um hall (a propósito, enorme) principal, com um trono no centro. Neste trono, havia uma garota sentada, com uma expressão séria. Esta usava um vestido longo branco, tinha os cabelos castanhos, super compridos, presos em um rabo de cavalo de lado, pele de coloração bege, puxada para marrom.
Podia ser bastante diferente, mas era fácil identificar, afinal, seu rosto quase não mudara.
Era a Ginger. Estava claro.
– Olá, Ginger! – Kitan a cumprimentou. A expressão séria da garota logo se desfez.
– Oi, Kitan. – Ela se levantou, e andou na nossa direção, sorrindo. – Quem é essa garota? – Ela perguntou.
Fiquei decepcionada, Ginger não se lembrava de mim.
– Estou brincando, Melly. – Ela disse, com um enorme sorriso. Isso me fez sorrir também. – Parece que finalmente nos encontramos.
– Você não faz ideia de como eu estou feliz de ver vocês de novo... Mas eu fico triste, afinal, se nada daquilo tivesse acontecido, nós não teríamos nos separado... e... – Comecei a chorar.
– M-melly! – As duas se assustaram com minha mudança de humor repentina.
– D-desculpe. – Pedi, ainda chorando. – É que... sinto falta da Olivi... É difícil não chorar quando... foi tudo... culpa minha... – Chorei mais.
Eu me lembro exatamente. Eu recuperei minha memória tarde demais.
O momento tarde,
Foi o exato momento em que o sangue de Olivi escorreu.
Os flashes apenas ficaram mais fortes a cada segundo que eu lutava com ela. Assim que ela caiu morta, um último flash me jogou para trás. Esse último flash foi suficiente para que todas as minhas memórias se encaixassem e voltassem, me enchendo de arrependimento, que transbordou em forma de lágrimas pelo meu rosto. O meu sentimento de culpa se tornou raiva, a qual tentei descontar em Edu. Com um estalo de dedos, ele me parou.
Se lembram do doce que ele jogou pra mim, quando me fez virar “Kuro-Mel” ?
Aquele doce estava sob seu controle. Com um estalo de dedos, como eu já disse, ele poderia me parar, retirar meus poderes, etc.
A pior parte, é que eu não podia me livrar do doce.
Ele “me parou no tempo”. Eu podia ver tudo, mas não podia fazer nada.
Observei ele machucando Ginger e Kitan, enquanto um outro senhor chegava; o mestre dos lambedores de olhos. Ambos lutaram com ambas, até que essas ficaram extremamente fracas e fugiram. Não as culpei pela fuga.
Eles então começaram a andar, me arrastando, comigo ainda em animação suspensa. Me deixaram exatamente na frente do meu reino, e começaram a dominá-lo. A única coisa que eu podia ver era caos, eu ouvia gritos desesperados, e via pessoas desesperadas.
Depois de ver tudo aquilo, sem poder sair, sem poder parar de ver, Edu me soltou, e me livrou da magia do doce.
Ele apenas disse “eu não preciso mais de você”, e me jogou no meio da floresta.
Eu fiquei apenas lá, parada, sentada no chão.
Juntei minhas pernas e chorei por um bom tempo, incrédula com tudo.
Senti que meu sentido queria me avisar sobre tudo com os flashes, eu apenas não acreditei.
Meu pensamento sobre aquele dia foi interrompido com um abraço coletivo.
– A culpa não foi sua, Melly. – Ginger e Kitan disseram.
– F-foi sim... Eu a matei...
– Você não sabia sobre a verdadeira identidade de Edu, Melly. – Ginger disse. – Suas memórias foram apagadas. Você era uma das vítimas. O único problema, é que alguém teve que morrer para que você soubesse de tudo. – Ela completou.
– Isso não... Pode continuar assim! – Eu comentei, por raiva do destino. – A princesa Jujuba morta, apesar de quase ninguém se lembrar, A Olivi também, meu reino tomado por babacas... Tem que haver algum jeito de reverter tudo isso.
– Talvez tenha. – Kitan disse. – Tudo o que precisamos, é de uma máquina do tempo.
– Mais uma? Mas... como vamos construir? – Indaguei.
– Eu posso ajudar se quiserem. – Ginger disse. – Tenho muito conhecimento sobre essas coisas. Eu geralmente não uso essa conhecimento para nada de mais, isso pode ser uma chance.
Olhei sorrindo para elas. Realmente, essas duas pensavam melhor que eu.
– Okay! Vamos então. Onde podemos achar peças para a construção? Nos destroços do reino doce? – Eu perguntei.
– Boa ideia. Vamos lá agora mesmo! – Ginger disse, animada.
Começamos a andar e atravessamos o portão do castelo.
– Guardas, não deixem ninguém estranho entrar. Não hesitem em matar pessoas ameaçadoras. – Ela disse com um sorriso. – Agora vamos.
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Lá estávamos, o lugar onde costumava ser o reino doce. Estava completamente abandonado, e caia aos pedaços.
Adentramos o castelo escuro e mofado, tinha cheiro de doce estragado. Retirei uma lanterna sabe-se-lá-de-onde e iluminei nosso caminho. Andamos até a sala onde antigamente era o laboratório da Jujuba.
Lá haviam ferramentas e peças necessárias para nossa construção.
Andei um pouquinho pela sala até que achei um fio. Peguei este fio e amarrei na lanterna. Pedi para Kitan pendurar no lugar da lâmpada, para que a sala clareasse um pouco. Até que funcionou.
Usamos tudo que era usável. Conseguimos construir a Máquina do Tempo (com letras maiúsculas pra dar ênfase já que isso é nossa salvação).
– Bem... Estão prontas para voltar ao passado e tentar mudar o destino de cada um? – Perguntei.
– Estamos. – Kitan e Ginger responderam.
Demos as mãos e pusemos a máquina para funcionar.
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